AGRONEGÓCIO
Senar Sergipe capacita jovens aprendizes de empresas do setor agropecuário
Em busca de conhecimento, o jovem João Nascimento Matos se interessou pelo curso de Aprendizagem Rural em Fruticultura. Sempre atento aos cursos de capacitação, viu no Senar uma oportunidade de crescimento profissional.
Ele está entre os 32 jovens, com idade entre 18 e 24 anos, que começaram as aulas nesta segunda-feira (21), na parte teórica do curso no município de Rio Real/BA, onde o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural– Senar/SE iniciou as duas turmas de Aprendizagem Rural voltadas para a cadeia da fruticultura, sendo a turma da manhã uma parceria com o Senar Bahia.
O curso será realizado durante quase um ano com carga horária de 960 horas. Sendo 480 horas de aulas teóricas de responsabilidade do Senar Sergipe, e as demais horas, são as aulas práticas, que ficam a cargo da empresa sergipana Maratá, que nesse caso atua também em outros estados do país.
A pedagoga do Senar/SE, Carla Aparecida acompanhou de perto o primeiro dia de aula dos novos alunos e destaca que o curso terá 13 módulos, entre eles: Competências interpessoais, Informática, Comunicação oral escrita, Matemática básica, Cidadania Saúde e Trabalho, Segurança Medicina do Trabalho e Primeiros Socorros, Agricultura, Irrigação, Segurança na Aplicação de Agrotóxicos, Operação e Manutenção e Máquinas e Implementos Agrícolas e Fruticultura I e II.
“O programa de Aprendizagem Rural vem de uma demanda do Governo Federal da Lei da Aprendizagem. Estamos realizando essa turma em Fruticultura, mas tem ainda os cursos on-line de Administração Rural, para atender outras empresas do setor agropecuário”, explica a pedagoga.
O representante do RH da empresa Maratá, Rubens dos Santos, conta que a expectativa é formar mão de obra qualificada para as empresas. “Além das aulas teóricas de responsabilidade do Senar, teremos saídas de campo e a prática profissional na empresa”, explica.
Outras empresas contribuintes também contrataram o Senar para capacitação dos jovens, a exemplo de: Agro Pecuária Oiterinhos, Agropecuária São José, Geraldo Majella, Jorge Henrique Libório, Granja Pitanga e Itograss.
Aprendizagem Rural
O Programa de Aprendizagem Rural tem por objetivo profissionalizar jovens oriundos do meio rural, com idade entre 18 e 24 anos, que estejam cursando ou concluído o ensino médio, permitindo-lhes desenvolver atividades controladas em ambiente protegido, nos termos da Lei da Aprendizagem 10.097/00, que prevê que todas as empresas de médio e grande porte estão obrigadas a contratar com carteira assinada adolescentes e jovens de acordo com o percentual exigido na empresa. A lei garante ao jovem aprendiz o direito ao salário mínimo-hora.
O treinamento é composto por três etapas: núcleo básico, núcleo específico e prática profissional e ao concluir as três etapas, com aprovação, o jovem aprendiz receberá certificado de qualificação profissional.
A penalidade para quem não contratar está prescrita no artigo 434 da CLT, que estabelece multa no valor de um salário-mínimo multiplicado pelo número de não admitidos, conforme citado anteriormente ou admitidos com irregularidade, sendo esta multa limitada a cinco salários mínimos, salvo em reincidência que será dobrado.
As empresas que tiverem interesse em ofertar a Aprendizagem Rural, podem entrar em contato pelo e-mail [email protected], ou pelo telefone (79) 3211-3264.

AGRONEGÓCIO
Safra recorde deve superar capacidade dos armazéns em 133 milhões de toneladas
A produção brasileira de grãos poderá superar a capacidade de armazenagem do país em aproximadamente 133 milhões de toneladas na safra 2026/27. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 366,6 milhões de toneladas, enquanto os armazéns brasileiros comportam 233,8 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A estrutura existente equivale a cerca de 64% do volume que poderá ser produzido. A diferença expõe um dos principais gargalos do agronegócio brasileiro: a produção avança em ritmo superior à construção e à modernização de silos, sobretudo dentro das propriedades rurais e nas novas regiões produtoras.
Na prática, a limitação reduz a capacidade do agricultor de escolher o melhor momento para comercializar. Sem espaço próprio, parte dos produtores precisa retirar rapidamente os grãos da fazenda e negociar durante a colheita, período marcado pela concentração da oferta, aumento da procura por caminhões e pressão sobre os preços e os fretes.
Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), o problema deixou de ser apenas logístico e passou a afetar diretamente a renda no campo.
“Produzir uma safra recorde é uma conquista, mas o produtor precisa ter condições de transformar esse volume em renda. Sem armazenagem, ele perde liberdade para decidir quando vender e pode ser obrigado a negociar justamente no período de maior oferta, quando os preços tendem a estar mais pressionados”, afirma Rezende.
“Um silo dentro da propriedade não serve apenas para guardar grãos. Ele permite preservar a qualidade, reduzir perdas, organizar o transporte e esperar uma condição comercial mais favorável. Em uma atividade de margens cada vez mais estreitas, essa capacidade de decisão pode determinar o resultado de toda a safra”, acrescenta.
Segundo Rezende, a ampliação dos armazéns exige financiamento de longo prazo, previsibilidade e condições compatíveis com o período necessário para recuperar o investimento. “O Brasil não pode continuar ampliando a produção sem fazer o mesmo esforço na infraestrutura. A armazenagem precisa ser tratada como parte do sistema produtivo, porque o gargalo acaba transferindo custos, riscos e perdas para quem está no campo”, diz.
A capacidade de armazenagem brasileira cresceu 1,1% no segundo semestre de 2025 e chegou a 233,8 milhões de toneladas. No mesmo período, o país contabilizava 9.668 estabelecimentos com estruturas destinadas à guarda de produtos agrícolas.
O avanço, porém, não acompanha o ritmo das lavouras. A safra 2025/26 foi estimada em 361,7 milhões de toneladas. Para o ciclo 2026/27, a projeção de 366,6 milhões representa mais 4,9 milhões de toneladas chegando ao mercado, com novos recordes esperados em culturas importantes.
A diferença entre produção e capacidade estática não significa que 133 milhões de toneladas ficarão literalmente sem local para serem guardadas. Os armazéns podem receber mais de uma carga durante o ano, e as culturas são colhidas em épocas diferentes. Mesmo assim, a comparação mostra que a estrutura disponível é insuficiente nos momentos de concentração da colheita e está distribuída de forma desigual pelo território.
O problema é mais grave nas regiões em que a produção cresceu rapidamente sem a instalação de silos na mesma proporção. Nesses locais, os grãos percorrem distâncias maiores até unidades armazenadoras, elevando o consumo de combustível, o custo do transporte e o tempo de espera para descarga.
As filas também podem atrasar a retirada da produção da propriedade e a entrada das máquinas em novas áreas. Quando soja e milho disputam simultaneamente caminhões e espaço nos armazéns, o gargalo alcança cooperativas, tradings, indústrias e terminais de exportação.
A ampliação da armazenagem nas fazendas permitiria distribuir melhor o fluxo dos grãos ao longo do ano e reduzir a pressão sobre rodovias e terminais durante a colheita. Também daria ao produtor melhores condições para separar lotes, conservar a qualidade e negociar o produto de acordo com as oportunidades do mercado.
O desafio da safra 2026/27, portanto, não estará apenas em produzir mais. O país terá de encontrar espaço, transporte e condições comerciais para transformar 366,6 milhões de toneladas de grãos em renda efetiva para o produtor.
Fonte: Pensar Agro
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