AGRONEGÓCIO
Empresas brasileiras buscam acesso ao mercado chinês
Brasília (11/02/2022) – O Programa Aterrisagem China selecionou, em 2021, 15 empresas brasileiras que estão próximas de realizarem as suas primeiras exportações para o país asiático. Este avanço é resultado das ações de capacitação e promoção comercial promovidas pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e Apex Brasil dentro do projeto Agro.BR.
Este projeto foi lançado em 2020 para inserir pequenos e médios produtores rurais no comércio internacional. E no contexto do dentro do Agro.BR, o Aterrisagem China, – lançado no ano passado em parceria com a Apex-Brasil e o escritório da Invest SP de Xangai – é uma estratégia inovadora que tem como objetivo preparar e acompanhar pequenas e médias empresas brasileiras para levar seus produtos diretamente ao consumidor chinês.
Além disso, pretende diversificar a pauta de exportações através de ações de marketing comercial e da presença no e-commerce. Outro ponto estratégico é fortalecer a imagem do agro brasileiro naquele mercado.
A iniciativa é realizada em cinco fases: seleção, preparação, aceleração acompanhamento e a efetiva aterrissagem. Inicialmente foram selecionadas 15 empresas e cooperativas dos setores de mel e própolis, frutas e derivados (incluindo sucos), lácteos e cafés especiais para participar.
As atividades seguem até julho deste ano. Nesse momento, as empresas estão em fase de acompanhamento para viabilizar negócios.
Na opinião da coordenadora de Promoção Comercial da CNA, Camila Sande, o programa é uma oportunidade para entrar de forma qualificada no mercado da China, com produtos de maior valor agregado e adaptados às formas de consumo e preferências alimentares dos chineses.
“O Programa de Aterrissagem tem uma característica inovadora, pois ele dá acesso aos participantes à minúcias do mercado chinês. É um passo a passo para entrar na China que não foi feito antes para empresas do agro”, afirmou ela.
Oportunidades – A CNA enxerga muitas oportunidades no mercado chinês não apenas no comércio tradicional como também no virtual.
De acordo com o estudo “As Oportunidades e os Desafios para Empresas Brasileiras no Maior Mercado de E-Commerce do Mundo: a China”, realizado pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) em parceria com a CNA e a Klabin, em 2020, o e-commerce chinês registrou vendas de US$ 2,3 trilhões, valor superior aos PIBs do Brasil e da Argentina juntos. Analistas preveem que a cifra alcançará US$ 3,6 trilhões em 2024, quando operações online representarão 58% do varejo total da China (físico e digital).
Veja o depoimento de algumas empresas participantes:
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Wilson Bispo/ Gerente de Comércio Exterior Mococa Alimentos “A iniciativa da CNA é extremamente inovadora e embrionária. É um projeto que foi estruturado de uma maneira interessante, com profissionais totalmente aptos a dar o suporte necessário para aterrissarmos em um mercado desconhecido. Toda a estruturação das equipes no Brasil e na China, buscando informações, trazendo dados, trazendo a vivência do mercado chinês, é fundamental. Tem tudo para ser um projeto que vá para outros mercados, atenda mais empresas e auxilie mais exportadores brasileiros a chegar no mundo inteiro”. |
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Maria Inês Munari Balsan/ Agente de Exportação Vinícola Garibaldi “As pessoas que estão entrando no programa como compradores são interessadas de verdade. Não é uma centena de pessoas, mas são empresas muito bem pontuadas e que são realmente grandes e com interesse em comprar do Brasil. O chinês é um pouco conservador culturalmente e eles gostam de trabalhar entre eles ou então você precisa estar lá. Os primeiros contatos foram positivos e, provavelmente, vão nos trazer parcerias muito boas de vendas online e de distribuição local. O controle do Programa e o contato da China nos facilitou bastante e está sendo uma ótima oportunidade participar”. |
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Rafael do Prado Ribeiro/ Global Head Tropicool “A iniciativa é entusiasta pelo tamanho do mercado chinês, potencialidade e diferenças culturais e um modo diferente de fazer negócios. Com a pandemia, o mercado está mais fechado e é importantíssimo ter esse braço, essa equipe local nos apoiando. Contar com a CNA para nos auxiliar é super interessante, pois além de toda a parte de estudo de mercado e de preparação prévia, tem esse acompanhamento no dia a dia até as coisas começarem a acontecer”. |
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Rodrigo Dora/ CEO RDR Coffees “O Programa é uma experiência muito exitosa e está além das nossas expectativas. Todas as ações são extremamente necessárias e sabemos que o sucesso passa por elas. O apoio é muito relevante, o time é excepcional e nos sentimos honrados em participar. Há um claro entendimento do programa de como internacionalizar empresas. As ações não brotam do nada. Elas vêm porque o programa é assertivo e os apoios muito importantes. Esse link com o Consulado do Brasil e a participação de nosso cônsul em Shanghai também é muito positiva, trazendo mais peso ainda para aquilo que já vemos”. |
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Paulo Hegg/ Gerente de Exportação Laticínios Tirolez “Entrar no mercado chinês é um desafio muito grande para nós. Existe a barreira cultural que á a falta de hábito do chinês de comer queijo, a distância geográfica e a concorrência com países próximos da China com frete mais econômico. É importantíssimo contarmos com o apoio local de brasileiros que procuram fazer essa ponte entre nossos produtos e aquele mercado. O cuidado com que o Programa tem sido administrado, a preocupação dos organizadores em preparar os potenciais produtores brasileiros para enfrentar o comércio internacional e a estrutura administrativa e institucional das entidades que formam o Programa são fundamentais para encararmos um desafio desses”. |
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AGRONEGÓCIO
Matopiba desponta como nova fronteira da produtividade no Brasil
O avanço do agronegócio está mudando o mapa da produtividade brasileira e levando parte do dinamismo econômico para o Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Enquanto o indicador nacional cresceu 18,7% entre 2002 e 2019, três Estados da região registraram alguns dos maiores aumentos do País.
O Piauí liderou o crescimento da produtividade do trabalho no período, com alta de 103%. O Maranhão avançou 86% e o Tocantins, 69,7%. Os resultados acompanham a expansão da fronteira agrícola e indicam que a transformação provocada pelo campo ultrapassou o aumento da área plantada e do volume colhido.
Os dados fazem parte do estudo “Missing the Productivity: Estimating Labor Productivity in Brazilian Municipalities (2002–2019)”, dos pesquisadores Alan Bueno e Diogo Ferraz. Divulgado em julho, o trabalho construiu uma base anual com informações dos mais de 5,5 mil municípios brasileiros.
O levantamento é um pré-print, versão que ainda não passou pela etapa definitiva de revisão acadêmica. Embora tenha alcance nacional e não seja dedicado exclusivamente ao Matopiba, o estudo revela grandes ganhos de produtividade nas fronteiras agropecuárias e uma evolução mais lenta nos Estados historicamente industrializados.
A produtividade analisada não é o rendimento das lavouras por hectare. O indicador mede quanto valor é produzido por trabalhador. Ele aumenta quando a incorporação de máquinas, tecnologia, qualificação e métodos mais eficientes de gestão permite ampliar a produção sem elevar na mesma proporção o número de pessoas ocupadas.
No Brasil, a agropecuária foi o setor que apresentou o maior avanço entre 2002 e 2019. A produtividade do trabalho no campo cresceu 80,1%, diante de aumentos de 10,3% nos serviços e de apenas 5,4% na indústria.
O resultado ajuda a explicar por que regiões antes com menor participação na economia nacional passaram a atrair armazéns, transportadoras, revendas de máquinas e insumos, instituições financeiras, empresas de tecnologia, indústrias de alimentos e prestadores de serviços.
Para Alan Bueno, professor da Universidade Estadual do Paraná e um dos autores do estudo, o avanço do Matopiba pode ser comparado à transformação ocorrida no Centro-Oeste a partir da segunda metade do século passado.
“O Matopiba é o novo ouro. É o que foi o Centro-Oeste nos anos 1950. Trata-se de um crescimento que faz mudar a realidade regional”, afirmou.
Segundo o pesquisador, o campo passou a funcionar como ponto de partida de uma rede econômica mais ampla. “O agro converteu-se no catalisador de uma vasta rede econômica, envolvendo transporte, comércio, construção civil, tecnologia, crédito e serviços”, explicou.
A expansão foi sustentada principalmente pela produção de soja, milho e algodão, além da pecuária. O desenvolvimento de sementes adaptadas ao Cerrado, a correção dos solos, a mecanização e a agricultura de precisão permitiram que a região ampliasse sua participação na produção nacional.
Os dados mais recentes indicam que o movimento continuou depois de 2019, último ano abrangido pelo estudo. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia colham juntos aproximadamente 41,4 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, aumento próximo de 9% sobre o ciclo anterior.
A Bahia deverá liderar a produção regional, com cerca de 15 milhões de toneladas. O Tocantins aparece em seguida, com 9,74 milhões, seguido pelo Maranhão, com 9,05 milhões, e pelo Piauí, com 7,58 milhões de toneladas.
Somente a soja deve alcançar 25,4 milhões de toneladas nos quatro Estados, o equivalente a aproximadamente 14% da produção brasileira da oleaginosa. O resultado consolida o Matopiba como fornecedor relevante para as indústrias de óleo, farelo, rações, carnes e biocombustíveis.
O avanço da produtividade, porém, não significa que os benefícios econômicos sejam distribuídos automaticamente. A mecanização reduz a necessidade de algumas tarefas manuais, ao mesmo tempo que amplia a procura por operadores de máquinas, técnicos agrícolas, engenheiros agrônomos, mecânicos e profissionais de tecnologia e logística.
Sem capacitação local, parte dessas vagas pode ser preenchida por trabalhadores vindos de outras regiões. O aumento da riqueza também depende da capacidade dos municípios de converter maior arrecadação em educação, saúde, saneamento e infraestrutura.
Outro desafio é evitar que o Matopiba permaneça apenas como fornecedor de produtos primários. A instalação de esmagadoras de soja, fábricas de rações, frigoríficos, usinas de biocombustíveis e indústrias de alimentos permitiria agregar valor à produção e manter uma parcela maior da renda na própria região.
O crescimento também aumenta a pressão sobre estradas, ferrovias, armazéns e terminais de exportação. Sem infraestrutura compatível, parte do ganho obtido dentro das propriedades pode ser perdida com fretes elevados, filas e demora no escoamento.
Há ainda o desafio de conciliar a expansão produtiva com a conservação do Cerrado, a regularização fundiária e a inclusão da agricultura familiar. A competitividade futura da região dependerá não apenas do volume produzido, mas também da capacidade de comprovar a origem e a sustentabilidade dos produtos.
O estudo mostra que a produtividade brasileira começou a mudar de endereço. O Matopiba já produz mais por trabalhador e movimenta uma cadeia econômica cada vez maior. O próximo passo será transformar essa eficiência em indústria, empregos qualificados e melhoria permanente da renda da população.
Fonte: Pensar Agro
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