POLÍTICA MT
CST discute projeto de leitura no sistema prisional de Cuiabá e Cáceres
Foto: JLSIQUEIRA / ALMT
A Câmara Setorial Temática (CST) criada para discutir e propor políticas intersetoriais para o sistema prisional e a rede de proteção a pessoas em situação de restrição e privação de liberdade, incluindo os adolescentes se reuniu na manhã desta segunda-feira (31) para traçar os trabalhos que serão realizados pela Câmara em 2022.
Na reunião de hoje, foi discutido o projeto “Lendo o mundo: fomento a leitura no sistema socioeducativo”, criado em 2020 na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), pelo grupo de pesquisa e estudos emancipatórios e linguagem. De acordo com a pesquisadora, Kátia Aparecida Miranda, a CST vai desenvolver o trabalho, a princípio, nas cidades de Cuiabá e Cáceres.
“Nessas duas cidades, vamos desenvolver as oficinas temáticas de leituras, com rodas de leitura de forma dinâmicas, que é também uma proposta de letramento crítico. Essa proposta surgiu por meio de uma pesquisa de pós-doutorado. Mas, para isso, realizamos diversas reuniões com o Tribunal de Justiça (TJMT), com a pastoral carcerária e como outros parceiros envolvidos com o projeto”, disse Kátia Aparecida.
Para que a proposta tenha consistência e êxito, Katia afirmou que a leitura, a princípio, em função da pandemia da Covid-19, será 100% online. “Temos parceria com o Observatório do Livro, que é uma instituição que cuida de propostas de livros digitais. Esse mecanismo está sendo utilizado em São Paulo. Lá, não se utilizam mais livros físicos, são todos digitais. Eles fazem reuniões e grupos de leitura por meio digital”, disse.
Em Mato Grosso, para que o projeto fosse colocado em prática, Kátia Aparecida afirmou que a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) doou 70 livros. “Agora acredito que o projeto vai para frente, porque os parceiros já estão sabendo dessa iniciativa. Por isso, a reunião de hoje foi para dar aquela chacoalhada nos parceiros. Além disso, temos a pareceria com o Observatório do Livro”, disse.
Outro ponto questionado foi em relação ao acompanhamento das leituras pelos reeducandos. Segundo ela, não é apenas disponibilizar um tablete, mas também o de agregar os profissionais da aérea de educação para orientá-los. “O grupo vai dar essa formação. O que está faltando é a definição se serão estagiários, estudantes, convidados do grupo ou de outros profissionais para dar essa formação”, explicou Kátia Aparecida.
O presidente da CST, Raul Angel Carlos Oliveira, afirmou que a Câmara está de portas abertas a todos os segmentos da sociedade para discutir as ações que estão sendo formatadas. “É importante que a sociedade discuta a rede de proteção de restrição de liberdade das pessoas em Mato Grosso. A CST é um instrumento para a sociedade que realize ações junto ao sistema prisional”, disse.
Juliano Claudio Alves, que é do município de Cáceres, afirmou que não vê nenhum impedimento para a inserção do projeto de leitura na unidade prisional da região. Mas um dos impedimentos que pode protelar o início do projeto na cidade é da publicação de uma portaria que proíbe qualquer atividade interna na unidade do Sistema Socioeducativo da região.
“Penso que essa portaria será estendida até o dia 28 de fevereiro. Com isso, o nosso trabalho fica engessado. Mesmo com a Seduc definindo um calendário com o início das aulas previsto para o próximo dia 7 de fevereiro. Mas para a unidade do socioeducativo tem uma portaria que impede desenvolver ações presenciais”, disse Juliano Cláudio.
CST – A CST foi instalada em agosto de 2021 tem previsão de duração de 180 dias, que podem ser prorrogados por igual período. Hoje, foi realizada a 2ª reunião ordinária da CST. Ela foi requerida pelo deputado Sebastião Rezende (PSC).
No ato de sua instalação, o professor Raul Angel Carlos Oliveira foi definido como presidente. O procurador-geral da ALMT, Ricardo Riva, assumiu a relatoria. Janeide Ramos ficou definida como secretária. Os outros membros da Câmara são João Fernando Feitoza, Ueliton Peres, Kátia Aparecida Silva e Rosilayne Figueiredo Campos.
POLÍTICA MT
Medeiros ataca STF, mas poupa Alcolumbre, que segura impeachment de Moraes e desagrada ala conservadora bolsonarista
Candidato ao Senado endurece discurso contra ministros do Supremo, mas evita confronto com presidente da Casa responsável pelo andamento dos pedidos de impeachment; esposa do deputado está lotada na estrutura da Presidência do Senado desde 2019
O deputado federal e candidato ao Senado José Medeiros (PL) tem elevado o tom contra o Supremo Tribunal Federal (STF), cobrando uma reação mais firme do Congresso e defendendo medidas contra integrantes da Corte. O discurso, porém, encontra um contraste quando as cobranças chegam ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Alcolumbre ocupa posição central nesse debate porque cabe à Presidência do Senado decidir sobre o encaminhamento dos pedidos de impeachment contra ministros do STF. A resistência ao avanço do impeachment de Alexandre de Moraes tem provocado críticas de integrantes da ala conservadora e bolsonarista.
Medeiros, entretanto, direciona seus ataques principalmente ao Supremo e não adota contra Alcolumbre o mesmo tom utilizado para criticar os ministros da Corte.
O contraste ganha outro ingrediente político. Ruth Shizue Yamamoto Medeiros, esposa do parlamentar, é servidora efetiva da Prefeitura de Rondonópolis e, segundo os registros apresentados, está cedida ao Senado Federal desde 2019, onde atua na estrutura da Presidência da Casa.
Dados do Portal da Transparência municipal reproduzidos na publicação apontam que Ruth ingressou no serviço público em abril de 2002, ocupa o cargo de especialista em saúde e mantém vínculo ativo com o município. O sistema registra remuneração bruta de R$ 16.989,58 e jornada de 30 horas semanais.
A cessão ao Senado teve início em 2019, mesmo ano em que Medeiros assumiu seu primeiro mandato como deputado federal. Segundo as informações apresentadas, Ruth passou a trabalhar na estrutura da Presidência do Senado durante a primeira gestão de Davi Alcolumbre.
A servidora permaneceu na estrutura durante o período em que Rodrigo Pacheco presidiu a Casa e, atualmente, com Alcolumbre novamente no comando, aparece nos registros citados como Ajudante Parlamentar Júnior (AP-01), lotada na Presidência do Senado Federal.
PRESSÃO BOLSONARISTA
A postura de Medeiros contrasta com a de outros integrantes do campo bolsonarista. Conforme o material apresentado, Flávio Bolsonaro já responsabilizou diretamente Alcolumbre pela falta de avanço do impeachment de Alexandre de Moraes, afirmando que o Senado não estaria fazendo sua parte.
Medeiros segue caminho diferente. Embora faça críticas contundentes ao STF — chegando a afirmar que a Corte teria virado uma “casa da mãe Joana”, o deputado já fez declarações públicas de confiança em Alcolumbre.
Em discurso na Câmara citado na publicação, Medeiros afirmou acreditar que, pela experiência, Davi Alcolumbre poderia “restabelecer o equilíbrio no País”.
Alcolumbre, por sua vez, já se posicionou publicamente contra a utilização do impeachment como resposta aos conflitos institucionais envolvendo o Supremo.
É justamente nesse ponto que discurso e prática passam a ser confrontados: Medeiros cobra uma reação contra o STF e busca identificação com o eleitorado conservador, mas evita direcionar a mesma pressão ao presidente do Senado, que detém poder político sobre o andamento dos pedidos de impeachment.
A situação funcional da esposa do parlamentar, isoladamente, não representa irregularidade. O elemento político está na relação mantida com a estrutura da Presidência do Senado e no contraste com o discurso adotado pelo candidato.
Em plena campanha ao Senado, Medeiros terá de explicar ao eleitorado conservador por que dispara contra o STF, mas preserva Alcolumbre justamente quando uma parcela importante da base bolsonarista cobra do presidente do Senado o avanço do impeachment de Alexandre de Moraes.
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