TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT
Racismo no futebol: presidente do Comitê de Equidade Racial do TJMT participa de seminário nacional
O presidente do Comitê de Promoção da Equidade Racial do Poder Judiciário de Mato Grosso, desembargador Juvenal Pereira da Silva, participou na sexta-feira (22 de agosto), em Salvador (BA), do “Seminário Racismo no Futebol: o combate à discriminação nos estádios”, promovido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em parceria com o Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA). O encontro debateu o papel do Poder Judiciário e os desafios jurídicos para o enfrentamento do racismo durante as partidas futebolísticas.
A iniciativa reuniu magistrados, membros do Ministério Público, defensores públicos, advogados, representantes de clubes, atletas, árbitros, líderes de torcidas e entidades da sociedade civil para discutir medidas de enfrentamento ao racismo e à homofobia nas arenas esportivas brasileiras.
O desembargador Juvenal destacou a relevância da iniciativa e o impacto transformador do debate. “Eventos como este têm o poder de provocar reflexões e gerar transformações. O futebol, que é paixão nacional, influencia comportamentos dentro e fora dos estádios. Se conseguirmos avançar no enfrentamento à discriminação no esporte, contribuiremos para mudar mentalidades, para formar novas gerações mais conscientes e para reduzir práticas de intolerância em toda a sociedade”.
O seminário foi estruturado em quatro painéis temáticos: Sistema Judicial no Enfrentamento ao Racismo; A Justiça Desportiva no Combate à Discriminação; Sociedade Civil, Clubes de Futebol e Árbitros no Enfrentamento ao Racismo; e Vítimas de Discriminação, Combate à Homofobia e Justiça Restaurativa.
Para a juíza Patrícia Ceni, do Juizado do Torcedor e Grandes Eventos, a atuação da Justiça Desportiva deve atacar com rigor e adotar medidas pedagógicas para combater o racismo em campo.

“Estamos aqui discutindo, falando justamente sobre o racismo no futebol, o racismo nessa paixão nacional, que não só acontece dentro das quatro linhas, mas também pelos espectadores, torcedores e até dirigentes. São pessoas que, muitas vezes, possuem comportamentos racistas e sequer percebem que o uso da cor, do gênero, da condição sexual como forma de xingamento não é razoável e nem aceito”.
A magistrada também defende que é uma necessidade promover capacitações de letramento racial, para promover a igualdade racial. “Esse letramento precisa ocorrer principalmente nos clubes de futebol, dentro dessa paixão emocional que nos move”, conclui.
O desembargador Juvenal reforçou o papel da Justiça Desportiva, que deve agir para além dos campos. “Não basta apenas punir os atos discriminatórios: é preciso agir de maneira contundente, firme e pedagógica, para que clubes, torcidas e atletas compreendam que o racismo e a homofobia não são tolerados, nem minimizados, mas sim combatidos com seriedade e compromisso.”
Comitê de Promoção da Equidade Racial

A participação do desembargador Juvenal Pereira da Silva no seminário nacional reflete o compromisso do Poder Judiciário de Mato Grosso com a pauta da equidade racial. Neste ano, a Justiça de Mato Grosso criou o Comitê de Promoção da Equidade Racial que atua na proposição e implementação de ações afirmativas, campanhas de sensibilização, capacitações e políticas institucionais que buscam combater desigualdades raciais e ampliar o acesso à Justiça.
Entre suas atribuições estão a formulação de estratégias de enfrentamento ao racismo estrutural e institucional, o fortalecimento de redes de apoio às vítimas de discriminação e a promoção de práticas inclusivas no ambiente judicial.
O Comitê também busca estreitar laços com entidades da sociedade civil e organismos públicos para potencializar resultados e garantir que o Judiciário exerça papel ativo na redução das desigualdades.
“Trago comigo a convicção de que o Judiciário, em conjunto com as entidades esportivas e a sociedade civil, deve assumir protagonismo nesse enfrentamento. Precisamos transformar indignação em ação, e ação em mudança. Só assim poderemos construir estádios verdadeiramente inclusivos, que reflitam a diversidade e a riqueza do povo brasileiro”, finalizou o desembargador.
Autor: Priscilla Silva
Fotografo:
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
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TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT
Pena Justa: capacitação do TJMT reforça papel do Judiciário na reforma do sistema prisional
Com o desafio de promover uma execução penal mais humana, inclusiva e eficiente, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso iniciou hoje (29 de abril) o primeiro módulo do curso ‘Pena Justa no Ciclo Penal’, que prossegue até esta quinta-feira (30 de abril). Nesses encontros serão debatidos temas como medidas diversas da prisão, execução penal e políticas de cidadania, inspeções judiciais e populações com vulnerabilidade acrescida no ciclo penal.
Representando a Presidência do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, o secretário-geral do TJMT, juiz Agamenon Alcântara Moreno Júnior, enfatizou que a capacitação atende a uma diretriz do Supremo Tribunal Federal (STF) para avançar nas melhorias do sistema prisional em todo o país. “O Tribunal de Justiça, de forma ativa, por meio do GMF, sempre cuidou e teve uma participação decisiva na qualificação e no acompanhamento do sistema prisional. Nós temos um GMF muito atuante, e essa ação é uma atividade a mais da Escola da Magistratura e do GMF, que permitirá um aprofundamento ainda maior nas questões relacionadas ao sistema carcerário”, pontuou.
Durante a abertura, o supervisor do GMF, desembargador Orlando Perri, traçou um paralelo entre o cenário internacional e o brasileiro, lamentando que o país caminhe na contramão de nações que estão reduzindo o número de detentos. O magistrado apresentou dados alarmantes sobre o crescimento do sistema carcerário, destacando que a população prisional mato-grossense cresce 17% ao ano, superando a média nacional de 7%. Ele defendeu que a solução para a criminalidade passa obrigatoriamente pela reforma do sistema prisional. Segundo o magistrado, é fundamental “industrializar os presídios” para transformar a realidade atual, onde o Estado falha em prover educação e trabalho.
Formadora
Para o juiz Walter Tomaz da Costa, titular da Terceira Vara Criminal de Sinop, a capacitação chega em um momento crítico, dado que Mato Grosso enfrenta uma severa superpopulação carcerária, com metade das unidades prisionais (21 de 42) parcialmente interditadas. “Estamos diante de uma questão que tende a melhorar se sensibilizarmos não só o Judiciário, que já está comprometido, mas principalmente o Executivo, que é o provedor do sistema”, alertou. O magistrado destacou que, sem o suporte de investimentos estatais, os objetivos do programa podem não sair do papel. “Se o Executivo não prover os recursos necessários, o ‘Pena Justa’ vira uma quimera. Além do aprendizado e da inovação que este curso traz para o sistema prisional, esperamos que a sensibilidade do governo nos acompanhe nessa renovação necessária”, concluiu.Autor: Lígia Saito
Fotografo: Josi Dias
Departamento: Assessoria de Comunicação da Esmagis – MT
Email: [email protected]
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