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Juíza provoca reflexão sobre violência contra a mulher durante visita de acadêmicos ao TJMT

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Grupo de pessoas reunidas em uma sala histórica de madeira nobre, com retratos nas paredes, observa uma apresentação conduzida por uma mulher ao centro. Sobre as mesas, exemplares do Glossário Jurídico.O silêncio atento dos acadêmicos deu lugar a uma reflexão necessária e urgente: a violência doméstica e familiar contra a mulher não começa de repente, ela é construída, muitas vezes, dentro de uma cultura que ainda precisa ser transformada. Foi com esse alerta que a juíza Alethea Assunção Santos, auxiliar da Vice-Presidência do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), conduziu o encontro com estudantes de Direito durante mais uma edição do projeto Nosso Judiciário, realizada nesta quarta-feira (1º).
“Esse tipo de violência não surge de forma repentina. Existe uma escalada, um contexto por trás”, destacou a magistrada ao abordar o tema, que marcou sua fala diante de alunos de diferentes semestres.
Formação além da sala de aula

Durante a visita, os estudantes puderam conhecer de perto a estrutura e o funcionamento do Judiciário mato-grossense. A programação incluiu o acompanhamento de sessões e a passagem pelo Memorial do Tribunal de Justiça, onde os acadêmicos tiveram contato com documentos históricos, mobiliário original e objetos que ajudam a contar a trajetória da instituição ao longo de seus mais de 150 anos de atuação.Dezenas de estudantes assistem a uma sessão do Tribunal, sentados em cadeiras amarelas, enquanto magistrados trabalham ao fundo sobre uma bancada elevada.
No espaço, é possível observar registros que revelam a evolução da Justiça em Mato Grosso, desde os primeiros períodos de funcionamento até os dias atuais, proporcionando aos visitantes uma imersão na história do Poder Judiciário e na construção de suas práticas ao longo do tempo.
Olhar humano e perspectiva de gênero

Uma mulher de cabelos longos e escuros, veste blusa branca e cardigan azul-marinho, sorri amplamente. Ao fundo, um jovem de terno azul e a bandeira do Brasil.Ao tratar da violência contra a mulher, a juíza Alethea Assunção reforçou a necessidade de uma atuação mais sensível e consciente dentro do sistema de justiça. “Precisamos refletir sobre o que leva o Estado de Mato Grosso a apresentar números tão elevados de violência contra a mulher. Esse tipo de violência está relacionado a fatores culturais, especialmente à cultura do patriarcado e do machismo”, explicou.
Segundo ela, é essencial que os julgamentos considerem a chamada perspectiva de gênero. “Isso significa compreender que a mulher não está naquela situação porque quer, mas porque existe toda uma estrutura por trás, como fatores culturais e o medo do julgamento social”, disse.
O professor que acompanhou a turma, advogado do Núcleo de Práticas Jurídicas da Unic Beira Rio, Bruno Camelo, destacou o impacto da experiência na formação dos alunos. “AUm homem de óculos, barba e cabelos cacheados, veste terno azul e gravata xadrez azul e vermelha, fala gesticulando com as mãos. Ao fundo, as bandeiras do Brasil e de Mato Grosso. importância dessa visita está na consolidação do aprendizado entre teoria e prática. Essa imersão no Judiciário ajuda o aluno a entender melhor seu papel dentro do curso de Direito”, afirmou.
Ele também chamou atenção para a relevância do tema abordado. “Infelizmente, não se trata mais de um aumento diário desses casos, mas de um crescimento constante, quase a cada hora. Essa fala da doutora contribui para uma formação mais humanística, mais voltada à realidade social”.
Uma mulher de cabelos escuros com mechas loiras, veste blusa preta de gola alta e observa algo à sua frente. Ao fundo, estantes com livros e a bandeira de Mato Grosso.A estudante do 9º semestre Samira Mariane Nunes Lemes destacou o impacto da experiência. “Essa visita foi essencial para eu compreender melhor como tudo funciona aqui dentro. Também ajuda a reduzir aquele nervosismo inicial e nos aproxima da realidade”, afirmou.
Já o aluno do 3º semestre Ikarus Francisquini enfatizou o aprendizado prático. “A visita proporcionou não só a teoria,Um jovem de terno preto e gravata xadrez e uma mulher de cabelos longos escuros seguram juntos um exemplar do Glossário Jurídico do TJMT. Ao fundo, bandeiras do Brasil e de Mato Grosso. mas também a prática da vivência no Judiciário. Assistir a uma sustentação oral presencialmente foi algo que me marcou muito”, relatou.
Para a juíza Alethea, iniciativas como o projeto Nosso Judiciário cumprem um papel fundamental na formação acadêmica. “Essa aproximação ajuda a desmistificar o ambiente judicial. O aluno se sente acolhido e mais próximo do sistema de justiça”, afirmou.
Ao final, deixou um recado direto aos estudantes: “Estudem bastante. A magistratura é uma carreira muito gratificante, mas exige dedicação, persistência e constante aperfeiçoamento.”

Autor: Roberta Penha

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Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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TJ mantém prisão domiciliar de policial penal acusada de tentar matar entregador em Cuiabá

Desembargador negou recurso da defesa e manteve prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica; vítima foi atingida por três disparos

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O desembargador Rui Ramos Ribeiro, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), negou recurso e manteve a prisão domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica, da policial penal afastada Jorcenilma França Viegas, acusada de tentar matar o entregador Carlos Filipe, de 34 anos, no bairro CPA 4, em Cuiabá. A decisão foi publicada nesta sexta-feira (20).

O crime ocorreu no dia 22 de julho. Segundo as investigações, Carlos foi baleado quando foi até a residência da policial para devolver um celular que havia sido perdido pela filha dela. A devolução do aparelho havia sido previamente combinada, e o entregador receberia R$ 100 como recompensa.

Carlos foi atingido por três disparos, sendo um na perna direita e dois nas costas. Ele foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhado ao Hospital Municipal de Cuiabá (HMC), onde chegou a permanecer internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

A policial penal foi presa no dia 5 de agosto e posteriormente afastada do cargo. Ela responde por tentativa de homicídio qualificado.

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A defesa alegou excesso de prazo para o oferecimento da denúncia pelo Ministério Público Estadual (MPE). Segundo os advogados, o inquérito policial foi concluído e encaminhado ao Poder Judiciário em 20 de agosto, mas a denúncia ainda não havia sido formalizada.

Os advogados também informaram que ingressaram, em 3 de setembro, com um pedido de relaxamento da prisão na 12ª Vara Criminal de Cuiabá. A solicitação, entretanto, ainda não havia sido analisada pelo magistrado de primeira instância.

Ao analisar o recurso, Rui Ramos afirmou que decidir sobre a questão antes de uma manifestação da 12ª Vara Criminal configuraria “supressão de instância”. O desembargador também destacou que a defesa não apresentou documentos capazes de demonstrar quais diligências eventualmente teriam sido solicitadas pelo Ministério Público após a conclusão do inquérito.

Diante disso, o magistrado entendeu que não era possível reconhecer, naquele momento, eventual demora injustificada do Estado e negou os pedidos apresentados pela defesa.

Rui Ramos determinou ainda que a 12ª Vara Criminal de Cuiabá seja oficiada para prestar informações sobre o andamento do processo e sobre a análise do pedido de relaxamento da prisão.

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A decisão mantém, portanto, a prisão domiciliar da policial penal, com monitoramento por tornozeleira eletrônica, enquanto o processo segue em tramitação.

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