TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT

Fórum de Chapada dos Guimarães promove círculo de paz com mulheres em tratamento de câncer

 
Um grupo de mulheres em tratamento contra o câncer de mama ou de colo do útero, e seus familiares, participou, na segunda-feira (30), de um círculo de construção de paz com a temática do Outubro Rosa, mês de conscientização sobre a prevenção e diagnóstico precoce dessas doenças, promovido pelo Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) da Comarca de Chapada dos Guimarães, em uma pousada com vista para o mirante da cidade.
 
“A gente não podia deixar de atuar, uma vez que o Judiciário não atua somente em gabinete. Às vezes, na atuação fora de gabinete a gente vê um resultado muito maior, como aconteceu hoje. Foi realizado um círculo de acolhimento, onde nós acolhemos pessoas que estão em tratamento de câncer de mama ou colo do útero ou algum familiar que ajudou essa pessoa a passar por esse momento tão difícil. Então nós pudemos compartilhar diversas histórias. É uma forma de trazer o Judiciário humanizado”, afirma o juiz coordenador do Cejusc de Chapada dos Guimarães, Leonisio Salles de Abreu Júnior.
 
Segundo ele, a escolha do local, a Pousada Atmã, que cedeu o espaço, que conta com muito verde, vista para o céu, vento e canto dos passarinhos, faz parte do contexto de um círculo de paz, que tem suas raízes em comunidades indígenas ancestrais. “Aqui a gente está trabalhando novamente com natureza, conexão com o nosso ser interno. O círculo é vivencial e vivenciando um círculo dessa magnitude ao lado da natureza, a gente emanou cura, emanou esperança, a gente está emanando aqui coisas positivas e o Judiciário está se fazendo de instrumento para uma vontade maior, que é cada vez mais atender melhor a população”.
 
Para a bordadeira Louriza Boabaid Yule, que está em tratamento contra o câncer e nunca havia participado de um círculo de paz, a experiência foi fantástica. “Foi uma forma das pessoas colocarem a dor de uma forma mais criativa, mais amorosa. Achei muito interessante porque a gente sempre fala das coisas belas e é difícil falar de um período difícil da sua vida. E foi muito bacana, foi um aprendizado pra mim, saí com mais uma coisa que possa fazer para ajudar as mulheres a colocar pra fora porque a gente tem muita dificuldade de colocar uma experiência que foi bem dolorosa na vida”, avalia.
 
Voluntárias da Organização Não Governamental (ONG) MT Mamma também foram convidadas a experimentar o círculo de construção de paz. Gisele Rios foi uma delas e ela relata que descobriu uma nova forma de agregar no aspecto emocional e psicológico das pacientes. “O aspecto psicológico é extremamente importante porque a gente sabe que nós somos um ser integrado. Então tem a parte clínica, que é muito importante e necessário que a gente siga toda orientação dos médicos, mas tem também a parte emocional, que nos ajuda muito nesse momento a nos fortalecer e que a gente consiga realmente receber toda a energia que está ao nosso redor e também para bem receber até o próprio tratamento”, afirma.
 
Gisele destaca que o MT Mamma oferece, de forma totalmente voluntária e gratuita, atividades voltadas para o resgate da autoestima e bem-estar mental e físico das assistidas, como reiki, hidroginástica, dança do ventre, meditação, orientação jurídica, apoio psicológico e até mesmo um banco de perucas feitas com cabelos naturais, o primeiro do estado de Mato Grosso.
 
Diante disso, ela agradeceu a oportunidade de conhecer o círculo de construção de paz. “Nós agradecemos a oportunidade de participar junto com o Fórum de Chapada dessa prática que foi muito interessante. É uma experiência bastante rica esse círculo de paz. Dentre as atividades terapêuticas que a gente vê que podem realmente contribuir para o bem-estar e melhorar a autoestima e do acolhimento dessas pessoas está incluída a prática integrativa que nós tivemos hoje”.
 
Outra parceira do círculo de construção de paz alusivo ao Outubro Rosa foi a Prefeitura de Chapada dos Guimarães, que por meio da Secretaria Municipal de Saúde identificou as pacientes e as encaminhou para a experiência. “Nós temos os nossos PSF’s que atendem diariamente e acho que todos nós temos que nos conscientizar que o cuidado não pode ser somente no Outubro Rosa. O mês é para sensibilizar, chamar atenção para que as mulheres e todas as pessoas possam se cuidar mais, mas tem que ser diário. Essa união de esforços para superar uma doença tão agressiva, que mexe muito, principalmente com as mulheres, é muito importante. Esse trabalho de toda a equipe da saúde, agora do Judiciário, que está tendo esse olhar mais humano. É uma coisa inédita que a gente vê o Judiciário daqui, através do doutor Leonísio e da equipe, de fazer esse círculo da paz para que as pessoas possam se ajudar mais, ter mais sensibilidade, empatia, união”, disse a primeira-dama de Chapada dos Guimarães, Hélia Mello, que também participou do círculo.
 
#Paratodosverem. Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão de pessoas com deficiência visual. Foto 1: Cerca de 15 pessoas, a maioria mulheres, vestidas com camisetas cor-de-rosa, participam do círculo de construção de paz em uma sala ampla , com paredes brancas e pilares de madeira. No canto direito da foto, está o banner do Cejusc de Chapada dos Guimarães, com o termo “Justiça Restaurativa” em destaque, imagens de mãos coloridas e uma planta brotando da terra ao centro, além das logomarcas do Cejusc, do NugJur e do Poder Judiciário de Mato Grosso. Foto 2: Juiz Leonísio Sales concede entrevista à TV.Jus. Ele é um homem branco, de cabelos curtos e escuros, olhos claros, usando camiseta rosa com estampa do Cejusc no peito. Ao fundo, é possível ver o céu e a vegetação que compõe o cenário de um mirante. Foto 3: Foto em detalhe que mostra algumas participantes durante o círculo. Dentre elas, a primeira-dama de Chapada, Hélia Mello, uma mulher branca, loira e de olhos claros, e a bordadeira Louriza Boabaid, uma mulher branca, de cabelos escuros, lisos e curtos e olhos castanhos escuros.
 
Celly Silva/Fotos: Eduardo Guimarães
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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“Façam da vida uma lista de amor e não de terror”, diz juiz após quase 40 anos dedicados à Justiça

Em uma solenidade marcada pela emoção, gratidão e reconhecimento, o juiz Luiz Antônio Sari despediu-se da magistratura após 39 anos e seis meses de atuação no Poder Judiciário. Realizada no Fórum da Comarca de Rondonópolis, na sexta-feira (29), a cerimônia reuniu magistrados, servidores, representantes do Ministério Público, Defensoria Pública, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), familiares, amigos e convidados para homenagear uma trajetória marcada pela dedicação à Justiça, pelo atendimento humanizado e pela contribuição ao fortalecimento institucional do Judiciário mato-grossense.

Compuseram o dispositivo de honra a juíza diretora do Foro da Comarca de Rondonópolis, Aline Luciane Ribeiro Viana Quinto Bissoni; o promotor de Justiça Reinaldo Antônio Vessani Filho, representando o Ministério Público; o advogado Bruno de Castro Silveira, representante da OAB de Rondonópolis; e os defensores públicos Jacqueline Gevizier Rodrigues Ciscato e Fernando Ciscato Bastos, representantes da Defensoria Pública.

Durante a cerimônia de despedida, Luiz Antônio Sari destacou os valores que nortearam sua caminhada profissional e pessoal. “Entrei no Judiciário em 1986, aos 35 anos. Já era casado com a minha companheira de seis décadas, Sonia Maria, e já tinha meus dois filhos”, relembrou.

Ao fazer um balanço da carreira, o magistrado definiu a magistratura como uma vocação que transcende os limites de uma atividade profissional.

“A magistratura é mais que um sacerdócio. É mais que uma profissão. É algo divino. Não é para qualquer um. É preciso ter amor ao próximo, ser cada vez mais fraterno”, definiu.

A visão humanista que marcou sua atuação também ficou evidente ao recordar os ensinamentos acumulados ao longo de quase quatro décadas julgando conflitos e lidando diariamente com histórias de vida: “Aprendi que o ser humano deve cuidar de si mesmo e buscar harmonia e compreensão ao semelhante.”

Ao olhar para a própria trajetória, Sari afirmou não guardar ressentimentos ou lamentações.

“Eu não tive tristeza, nem dificuldade no caminho. É preciso não ter queixa nenhuma. Só tenho um pouco de decepção porque poderia ter feito mais daquilo que fiz. Nunca parei”, revelou.

A juíza diretora do Foro da Comarca de Rondonópolis, Aline Luciane Ribeiro Viana Quinto Bissoni, destacou a relevância da trajetória de Luiz Antônio Sari para a história do Judiciário local. A juíza pontua que o magistrado construiu uma carreira marcada pela dedicação à comarca e pela decisão de permanecer em Rondonópolis, mesmo diante de oportunidades de ascensão profissional.

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“O doutor Luiz Antônio Sari completa 39 anos de magistratura e chega aos 75 anos de idade com uma trajetória admirável. Ele fez a escolha de permanecer em Rondonópolis, mesmo quando a comarca ainda era menor. Sempre teve um vínculo muito forte com a cidade e com a população. Muitos colegas seguiram na carreira para outros cargos e comarcas, mas ele optou por permanecer aqui, onde constituiu sua família e construiu sua história”, afirmou.

A magistrada lembrou ainda que Sari participou ativamente do desenvolvimento da estrutura judiciária local ao longo de mais de três décadas de atuação no município.

“Ele está em Rondonópolis desde 1993 e ajudou a construir a história desta comarca. Foi o primeiro juiz da Execução Penal, atuou nas varas criminais que foram sendo criadas ao longo dos anos e, há bastante tempo, está à frente da 1ª Vara Cível. Sempre foi um magistrado discreto, simples e extremamente humano”, ressaltou.

Ao falar sobre a despedida, Aline destacou o carinho e a admiração que o juiz conquistou entre servidores, magistrados e demais profissionais do sistema de Justiça.

“Todos aqui no fórum têm grande afeição por ele. A homenagem que realizamos foi muito emocionante”.

A dedicação integral ao trabalho é uma característica reconhecida por quem conviveu diariamente com o magistrado. A assessora técnica jurídica Tammy Bellinaso, que trabalhou ao lado dele durante 19 anos na 1ª Vara Cível de Rondonópolis, destacou o compromisso permanente com a magistratura e com os jurisdicionados.

“Dr. Sari deixa um legado de dedicação, respeito e total entrega à magistratura, primando sempre pela entrega humana ao jurisdicionado e pela eficiência dos trabalhos prestados. Ele é exemplo de humanidade, integridade, devoção e amor ao que faz”, disse.

Tammy iniciou sua trajetória profissional no gabinete ainda no segundo ano da faculdade. Começou como auxiliar e, em 2010 assumiu a função de assessora técnica jurídica. Segundo ela, o magistrado viveu a profissão de maneira intensa.

“Durante 39 anos e seis meses de sua vida, o magistrado se entregou ao ofício de corpo e alma. Não houve um dia sequer em que não tenha trabalhado, fossem finais de semana ou feriados. Um verdadeiro amor à magistratura e à Justiça”, contou.

Ela afirma que os ensinamentos recebidos permanecerão como referência para toda a vida. “Ele foi e sempre será meu exemplo de dedicação, resiliência e amor em tudo o que faz. Minha gratidão é imensurável ao profissional e homem exemplar, íntegro e excepcional que ele é”.

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Em seu discurso de despedida, Luiz Antônio Sari compartilhou reflexões sobre empatia, solidariedade e convivência humana, valores que considera essenciais para a construção de uma sociedade mais justa.

“Acredito que só exista a religião do amor. Amar o próximo como a si mesmo significa respeitar os sentimentos das pessoas. É um dever que temos a cumprir. Se cada um fizer a sua parte, dois terços dos problemas do mundo estarão resolvidos”, ensinou.

Para o magistrado, a vida em sociedade exige compreensão da interdependência entre as pessoas, pois “somos seres gregários, interligados e interdependentes”.

A mensagem final escolhida para marcar o encerramento de sua carreira resume a filosofia que guiou sua atuação no Judiciário e sua visão de mundo.

“Façam da vida uma lista de amor e não de terror”, ensinou.

Aposentado da magistratura, Luiz Antônio Sari garante que continuará vivendo os mesmos valores que defendeu ao longo da carreira: “Independentemente de estar na ativa, estou aqui. Vejo o sol, danço de manhã porque escolhi ser feliz. O amor é eterno.”

Despedida

A programação da solenidade contou ainda com a exibição de um vídeo institucional produzido pela Coordenadoria de Comunicação do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, além de homenagens e pronunciamentos que relembraram a contribuição do magistrado para a história da comarca e do Poder Judiciário.

Ao longo da carreira, Luiz Antônio Sari participou de importantes marcos da Justiça em Rondonópolis. Entre eles, a mobilização para a elevação da comarca a Entrância Especial, a implantação da Penitenciária Major PM Eldo Sá Corrêa, conhecida como Mata Grande, o fortalecimento do Tribunal do Júri e a construção do atual Fórum Desembargador William Drosghic.

Reconhecido pelo compromisso com a cidade, o magistrado chegou a recusar, em 1994, uma promoção para Cuiabá. A decisão foi motivada pelo entendimento de que sua missão profissional estava ligada ao desenvolvimento da comarca de Rondonópolis e ao atendimento da população local.

A conquista da Entrância Especial, concretizada em 2004 com a inauguração do atual fórum, é considerada um dos momentos históricos de sua trajetória. Outro marco foi a consolidação do Tribunal do Júri da comarca, que passou a contar com espaço próprio em 2007, encerrando décadas de funcionamento em estruturas improvisadas.

Autor: Patrícia Neves

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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