TECNOLOGIA
Soberania nacional e defesa da CIDE são destaques na reunião do Conselho Diretor do FNDCT
Na abertura da 2ª Reunião Ordinária do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), realizada nesta quarta-feira (30/7), a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luciana Santos, destacou que o encontro acontece num contexto muito peculiar, em que os Estados Unidos acabam de taxar em 50% uma série de produtos brasileiros.
A representante da pasta reafirmou o compromisso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a reconstrução do país, com o diálogo internacional e com o fortalecimento do Brasil como uma nação independente, altiva e próspera. Ela ressaltou a importância da Ciência, Tecnologia e Inovação para a soberania nacional.
“Num mundo 4.0, ciência, tecnologia e inovação são sinônimos de desenvolvimento e de autonomia. Essas são áreas que se tornaram campo de batalha para disputas geopolíticas, tanto que o próprio Trump cita as plataformas digitais nesse seu posicionamento sobre o país”, destacou a ministra.
Luciana Santos afirmou que, nesse cenário, fica claro que a soberania tecnológica é o desafio, e o FNDCT tem enorme papel a cumprir. “Não canso de destacar a importância que teve a decisão do presidente de descontingenciar o Fundo. E, depois disso, temos visto que o seu orçamento tem crescido a cada ano”, enfatizou.
Defesa da CIDE no STF
Também foi debatido durante a reunião do Conselho o julgamento da Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE), que está previsto para o dia 6 de agosto, no Supremo Tribunal Federal (STF). A ministra lembrou que a pasta está travando uma batalha em relação a constitucionalidade da cobrança da CIDE sobre remessas de pagamentos ao exterior.
“Essa é uma discussão que transcende a esfera tributária, porque a CIDE é hoje a maior fonte de arrecadação do FNDCT. A arrecadação proveniente da CIDE responde por 71,5% da arrecadação total do Fundo em 2025”, afirmou.
A ministra destacou que o julgamento tem impactos sobre o futuro da soberania tecnológica brasileira e o desenvolvimento do nosso país. “A semana que vem será decisiva, porque essa matéria vai à pauta do STF no dia 6. E nós temos que estar unidos para defender esses recursos para o FNDCT”, afirmou.
O secretário-executivo do MCTI, Luis Fernandes, reforçou a importância do apoio de toda a comunidade científica e do setor produtivo para a defesa da arrecadação da CIDE. “Precisamos da maior influência possível favorável à defesa do Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia nesta votação no Supremo”, ressaltou.
Reunião do Conselho Diretor
A Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) apresentaram os resultados de chamadas como a do Programa INCT e o Pró-Infra. A chamada do CNPq para novos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia aprovou um total de 143 projetos, ampliando em cerca de 20% a quantidade de propostas contempladas nos resultados preliminares. O aporte total de foi R$ 1,63 bilhão.
A FINEP apresentou os resultados da chamada Pró-Infra desenvolvimento Regional Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Foram recebidas 102 propostas com 235 subprojetos, totalizando uma demanda de R$ 1,3 bilhão. Foram aprovados 53 projetos, com investimentos de R$ 297 milhões, incluindo laboratórios multiusuários, centros de excelência e plataformas de bioinsumos. Desse total, 60% estão no Nordeste, 26% no Centro-Oeste e 14% no Norte.
Também foi apresentada a arrecadação do FNDCT que, em 2025, cresceu 23,7% em relação a 2024, superando em 17,8% a previsão da LOA, conforme explicou o secretário-executivo, Luis Fernandes. “O que podemos ver é que estamos com uma arrecadação até junho 23,7% maior do que a arrecadação realizada até junho de 2024, ou seja, tem crescido a arrecadação do FNDCT, e ela é 17,8% maior do que foi projetada linearmente na Lei Orçamentária Anual (LOA)”, disse Fernandes.
O Conselho Diretor do FNDCT também aprovou a criação dos Grupos de Trabalho de Comunicação e Governança, com a missão de aprimorar a transparência, a articulação entre instituições e a gestão estratégica dos recursos.
Dispêndio Nacional em Pesquisa e Desenvolvimento
A diretora do departamento de Governança e Indicadores de Ciência e Tecnologia do MCTI, Verena Hitner, apresentou uma análise detalhada sobre o dispêndio nacional em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) no Brasil, entre 2014 e 2023, com foco no setor empresarial.
O dispêndio total em P&D no Brasil passou de R$ 73,4 bilhões (2014) para R$ 130,6 bilhões (2023). Entre os destaques está o fato de que o setor empresarial passou a representar uma parcela mais significativa do total nacional, evidenciando maior protagonismo na agenda de inovação do país. “O estudo apresentado é parte dos esforços que temos empreendido no sentido de fazer política com base em evidência”, afirmou Verena.
A diretora reforçou a importância da Pintec para a formulação de políticas públicas de inovação e que a Nova Pintec está sendo reformulada para melhorar os indicadores. “A Pintec é um instrumento muito importante para fortalecer os dados e os indicadores, para a gente desenhar a política pública de inovação”, concluiu.
TECNOLOGIA
MCTI lança FormP&D 2026 e Lei do Bem registra recorde de R$ 51,6 bilhões
Investimentos em pesquisa e desenvolvimento resultam em novos produtos, fortalecem a competitividade das empresas, estimulam a criação de empregos qualificados e ampliam a capacidade tecnológica do País. Para acompanhar esse movimento e aperfeiçoar uma das principais políticas de incentivo à inovação empresarial no Brasil, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) lançou, nesta terça-feira (2), em Brasília (DF), o FormP&D 2026. O documento on-line é utilizado pelas empresas beneficiárias da Lei do Bem para declarar suas atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação.
A nova versão do sistema traz atualizações que modernizam os processos de avaliação, ampliam a integração de dados, aperfeiçoam a governança e conferem mais clareza ao preenchimento das informações referentes ao ano-base 2025. As mudanças buscam facilitar a prestação de informações pelas empresas e ampliar a capacidade do governo de acompanhar a evolução dos investimentos privados em inovação.
Ao destacar a importância da Lei do Bem para ampliar a competitividade da indústria brasileira, a ministra do MCTI, Luciana Santos, ressaltou a necessidade de transformar o conhecimento produzido no País em inovação e desenvolvimento econômico.
“O Brasil está entre os maiores produtores de pesquisa e desenvolvimento do mundo, mas ainda precisa avançar na transformação desse conhecimento em inovação, competitividade e crescimento econômico. A Lei do Bem é um instrumento fundamental para fortalecer essa conexão e estimular as empresas a investirem mais”, afirmou Luciana Santos.
A ministra também destacou o papel das políticas públicas de incentivo à inovação e os investimentos do Governo do Brasil. “O compromisso do presidente Lula com a ciência, tecnologia e inovação se traduz em investimentos concretos. Estamos reconstruindo capacidades do Estado brasileiro, fortalecendo instituições e criando condições para que o País avance em uma agenda de desenvolvimento baseada em sustentabilidade, inclusão social e soberania tecnológica”, completou.
Novo FormP&D amplia suporte e simplifica preenchimento
O novo FormP&D 2026 traz uma série de atualizações que simplificam o preenchimento das informações pelas empresas e aprimoram o acompanhamento das atividades apoiadas pela Lei do Bem. Entre as novidades estão uma nova área de suporte técnico ao usuário, a criação de um identificador único para cada projeto, a integração com bases de dados governamentais e a possibilidade de importar informações automaticamente por meio de planilhas em etapas específicas do formulário.
As mudanças também ampliam os instrumentos de orientação disponíveis para as empresas. O Guia do Usuário do novo FormP&D já está disponível no Portal da Lei do Bem. Uma nova edição do Guia Prático da Lei do Bem, prevista para julho, vai reunir orientações atualizadas em linguagem mais acessível, com exemplos, fluxos, checklists e explicações sobre os critérios utilizados na caracterização de projetos de inovação.
Ao apresentar as novidades, o secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do MCTI, Daniel Almeida, destacou que as atualizações foram construídas a partir das contribuições recebidas do setor produtivo. “Recebemos vários inputs das empresas e das consultorias que utilizam a Lei do Bem. Algumas melhorias já conseguimos implementar agora e outras continuam em desenvolvimento. A ideia é fazer essa grande parceria para avançar continuamente na melhoria do instrumento.”
Entre as iniciativas previstas para os próximos meses estão o lançamento do Programa Embaixadores da Lei do Bem, que vai orientar empresas em todo o País, a ampliação dos mecanismos de avaliação simplificada para projetos desenvolvidos em parceria com instituições de ciência e tecnologia e a implementação de novas soluções de inteligência artificial para apoiar usuários do sistema e equipes responsáveis pelas análises.
Recordes da Lei do Bem
Os resultados de 2023 e 2024 consolidaram o melhor desempenho da história da Lei do Bem. Em apenas um ano, os investimentos privados em pesquisa e desenvolvimento cresceram de R$ 41,93 bilhões para R$ 51,59 bilhões, alta de 23% e aumento de R$ 9,66 bilhões. O período também registrou recordes de participação empresarial, com 4.252 empresas beneficiárias, e de projetos de inovação, que chegaram a 14.877 iniciativas em 2024. A expansão foi acompanhada pelo crescimento da utilização dos incentivos fiscais, cuja renúncia estimada alcançou R$ 11,98 bilhões, reforçando a Lei do Bem como o principal instrumento de estímulo à inovação empresarial no País.
Para o diretor do Departamento de Apoio aos Ecossistemas de Inovação (Depai) do MCTI, Hideraldo de Almeida, os resultados refletem a consolidação da política como o principal instrumento de estímulo à inovação no Brasil, incentivando empresas a investir em tecnologia, competitividade e desenvolvimento científico. “Para que essa política pública continue evoluindo com transparência, eficiência e segurança, é fundamental também modernizar os nossos mecanismos de gestão e acompanhamento”, disse.
Lei do Bem fortalece capital humano
Os resultados da Lei do Bem também refletem a ampliação da força de trabalho dedicada à inovação dentro das empresas brasileiras. Em 2024, 52.222 profissionais atuaram exclusivamente em atividades de pesquisa e desenvolvimento, número significativamente superior aos 34.291 profissionais registrados em 2023.
A maior parte desse contingente era formada por 35.242 graduados e 7.953 pós-graduados, além de 2.835 mestres e 1.454 doutores dedicados a atividades de pesquisa. A força de trabalho também contou com técnicos e tecnólogos responsáveis por ações ligadas a laboratórios, prototipagem e desenvolvimento tecnológico, evidenciando o papel da Lei do Bem na geração de empregos qualificados e no fortalecimento da capacidade científica das empresas brasileiras.
Os resultados de 2023 e 2024 consolidaram um novo patamar para a Lei do Bem. No período, a média anual de investimentos em pesquisa e desenvolvimento chegou a R$ 46,8 bilhões, quase o dobro da registrada entre 2019 e 2022. Com a modernização do FormP&D, o MCTI busca tornar o acompanhamento desses investimentos mais eficiente e aprimorar a produção de informações estratégicas para o desenvolvimento nacional.
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