TECNOLOGIA

Relatório anual do Cemaden aponta 2025 com recordes de calor e seca prolongada

O Brasil viveu, em 2025, um dos anos mais extremos do ponto de vista climático das últimas décadas. Recordes de temperatura, chuvas intensas com alto impacto urbano e uma seca prolongada que atingiu centenas de municípios marcaram o período, segundo o relatório Estado do Clima, Extremos de Clima e Desastres no Brasil em 2025. A publicação foi divulgada em fevereiro pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), unidade de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). 

O cenário brasileiro acompanha a tendência global. De acordo com dados internacionais citados no documento Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, 2025 foi o terceiro ano mais quente já registrado no planeta, com temperatura média 1,47°C acima do nível pré-industrial. No Brasil, o verão 2024/2025 foi o sexto mais quente desde 1961, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia. 

Ondas de calor e frio 

Ao longo do ano, o País registrou sete ondas de calor. Em fevereiro, Quaraí (RS) alcançou 43,8°C, a maior temperatura do período no território nacional. Capitais também enfrentaram marcas históricas. O Rio de Janeiro (RJ) registrou máximas entre 42°C e 44°C, enquanto São Paulo (SP) atingiu 37,2°C em dezembro — o maior valor para o mês em 64 anos. O calor intenso foi acompanhado por impactos na saúde pública, aumento do consumo de energia e pressão sobre sistemas urbanos. 

O inverno também apresentou extremos. Foram registradas sete ondas de frio em 2025, com temperaturas negativas no Sul do País. Em General Carneiro (PR), os termômetros marcaram –7,8°C, e em São José dos Ausentes (RS), –4,5°C, com ocorrência de neve em áreas de maior altitude. A combinação de ondas de calor frequentes e episódios intensos de frio evidencia a crescente variabilidade climática observada no território brasileiro. 

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Chuva e seca 

Além das temperaturas extremas, o ano foi marcado por episódios significativos de chuva intensa, especialmente nas regiões Sudeste e Sul. Em abril, Teresópolis (RJ) acumulou 689,4 mm de precipitação — volume 548% acima da média histórica do mês. Em 24 de janeiro, a cidade de São Paulo registrou 125,4 mm em um único dia, o terceiro maior acumulado desde o início das medições, em 1961. No Rio Grande do Sul (RS), eventos de chuva em junho afetaram mais de 120 municípios, provocando alagamentos, transbordamentos de rios e deslocamentos de famílias. 

Enquanto parte do País enfrentava enchentes, outra parcela convivia com estiagem prolongada. Ao longo de 2025, até 503 municípios chegaram à condição de seca severa ou extrema. Oito unidades federativas registraram seca em 100% do território no mês de novembro: Ceará (CE), Distrito Federal (DF), Goiás (GO), Minas Gerais (MG), Piauí (PI), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP) e Tocantins (TO). Em algumas áreas, o quadro de déficit hídrico persistiu por até dez meses consecutivos. 

O relatório destaca ainda a situação crítica do Sistema Cantareira, principal manancial de abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo. O sistema encerrou 2025 com apenas 20,2% do volume útil armazenado — o pior nível desde a crise hídrica de 2014/2015. O documento aponta que, além da irregularidade das chuvas, o aumento das retiradas de água acima da média histórica contribuiu para o agravamento do quadro, reforçando a necessidade de planejamento e gestão integrada dos recursos hídricos. 

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Prevenção e monitoramento 

No campo da prevenção e monitoramento, o Cemaden enviou 2.505 alertas de risco geo-hidrológico ao longo do ano para 1.133 municípios monitorados. Foram registradas 1.493 ocorrências associadas a eventos hidrológicos e geológicos, com predominância de inundações, enxurradas e deslizamentos de terra. Embora o número seja inferior ao observado em anos de El Niño intenso, permanece elevado em comparação ao início da série histórica, indicando maior recorrência de eventos extremos e maior exposição territorial. 

O relatório aponta que, mesmo em um ano sem atuação significativa de El Niño ou La Niña, o Brasil apresentou extremos relevantes. A combinação entre variabilidade climática natural e o aquecimento global tem ampliado a frequência e a intensidade desses eventos, com impactos diretos sobre a segurança hídrica, a infraestrutura urbana, a produção agrícola e a qualidade de vida da população. 

Os dados consolidados reforçam a importância do monitoramento contínuo, do investimento em ciência e tecnologia e da integração entre pesquisa e gestão pública para antecipar riscos e reduzir vulnerabilidades. Para o MCTI, o fortalecimento da capacidade científica nacional é elemento central para enfrentar um cenário climático cada vez mais desafiador e complexo. 

Relatório anual do Cemaden
Relatório anual do Cemaden

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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TECNOLOGIA

Projeto Entre Ciências seleciona seis propostas sobre sociobiodiversidade

Como cuidar melhor da floresta, da terra e da biodiversidade? Parte dessa resposta está no diálogo entre diferentes formas de conhecimento. Com o objetivo de fortalecer a participação de povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares na produção de conhecimento sobre a sociobiodiversidade, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) vai selecionar seis iniciativas para o projeto Entre Ciências: Territórios de Saber em Diálogo.     

Foram avaliadas 60 propostas de arranjos de pesquisa colaborativa, envolvendo comunidades e academia, vindas de diferentes regiões da Amazônia e do Cerrado. Os trabalhos foram selecionados por uma comissão formada por especialistas e representantes das próprias comunidades, levando em conta não só critérios técnicos, mas também a diversidade dos territórios e protagonismo de mulheres, jovens e anciãos.  

Projetos selecionados 

  • Associação dos Seringueiros do Seringal Cazumbá. Parceiro acadêmico: Instituto Federal do Acre (Ifac) — Campus Rio Branco;  

  • Associação Quilombo Kalunga. Parceiro acadêmico: Universidade de Brasília (UnB) – Programa de Mestrado Profissional em Sustentabilidade junto a Povos e Terras Tradicionais (Mespt) e Programa da Licenciatura em Educação do Campo (Ledoc); 

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  • Organização Baniwa e Koripako — NadzoeriParceiros acadêmicos: UnB, Universidade Federal Fluminense (UFF) e Universidade de São Paulo (USP);  

  • Associação de Mulheres Indígenas em Mutirão (Amim). Parceiro acadêmico: Instituto Federal do Amapá;  

  • Centro de Agricultura Alternativa Vicente Nica. Parceiro acadêmico: Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (IFNMG) — Campus Almenara; 

  • Coletivo Mulheres Retireiras do Araguaia. Parceiro acadêmico: Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), vinculado ao MCTI, e Instituto Juruá.  

Com os novos arranjos selecionados, o projeto passa a apoiar oito experiências em diferentes territórios, ampliando uma rede que conecta ciência dos povos e comunidades com a ciência acadêmica, cultura e meio ambiente.  

Para a secretária de Políticas e Programas Estratégicos do MCTI, Andrea Latgé, a iniciativa reforça a importância de integrar diferentes formas de conhecimento na produção científica. “O Entre Ciências mostra que o conhecimento também nasce nos territórios. Ao valorizar saberes de povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares, fortalecemos uma ciência mais diversa e conectada aos desafios do País”, destaca.  

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O Entre Ciências aposta em uma ideia simples e poderosa: quem vive nos territórios também produz conhecimento. O projeto fortalece o papel de povos indígenas e comunidades tradicionais na pesquisa sobre biodiversidade, em temas prioritários para o próprio território, incentivando a parceria com atores acadêmicos comprometidos e com respeito às diferentes formas de conhecimento.  

Além do apoio aos projetos, a iniciativa oferece formação, bolsas para pesquisadores locais das comunidades, intercâmbios e suporte para a gestão de dados e informações produzidas pelas próprias comunidades. 

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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