TECNOLOGIA
MCTI garante R$ 12,1 bilhões em investimentos pelo Novo PAC
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) terá R$ 12,1 bilhões em investimentos no Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com maior volume previsto para 2025, quando estão programados mais de R$ 2,4 bilhões em ações. O Novo PAC foi lançado em agosto de 2023 com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de ministros, governadores, prefeitos e parlamentares.
A ministra do MCTI, Luciana Santos, explica que o Novo PAC representa o desenvolvimento que o País quer – com inclusão social, em bases sustentáveis, amparado pela ciência, pela tecnologia e pela inovação. “O Governo do Brasil tem dado à ciência um papel estratégico, compreendendo-a como instrumento para enfrentar os desafios da atualidade e melhorar a vida do povo. Nesse sentido, o MCTI participa do Novo PAC com investimentos estratégicos, voltados para áreas como saúde, educação, monitoramento e alertas de desastres naturais, além do fortalecimento do desenvolvimento industrial com mais tecnologia e valorizando o trabalho dos pesquisadores brasileiros.”
Segundo o diretor do Departamento de Fundos e Investimentos do MCTI, Raphael Padula, esse movimento é um marco para o País. Ele destaca a inclusão de projetos de ciência, tecnologia e inovação financiados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), coordenado pelo MCTI, no programa federal. “Isso mostra a importância da agenda e dos projetos de ciência, tecnologia e inovação para o desenvolvimento do Brasil, e, sobretudo, da valorização da pesquisa científica e dos investimentos em inovação em tecnologias de fronteira e estratégicas para a soberania produtiva e tecnológica nacional”, afirma.
Mais da metade dos recursos será aplicada em grandes empreendimentos estruturantes, como o acelerador de partículas Sirius, o laboratório Orion, o novo supercomputador para IA e o Reator Multipropósito Brasileiro (RMB) que, juntos, somam cerca de R$ 6,5 bilhões.
O restante da carteira, aproximadamente R$ 4,6 bilhões, contempla chamadas públicas voltadas à infraestrutura de pesquisa científica descentralizada, além de programas estratégicos como as Infovias da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), o fortalecimento e expansão da cobertura do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e a promoção da autonomia tecnológica da defesa.
Padula ressalta que a retomada integral e descontigenciamento do FNDCT possibilitaram a organização dos investimentos em grandes projetos de pesquisa. “A recomposição e disponibilização integral do FNDCT, uma decisão do governo Lula em 2023, e a decisão da atual gestão do MCTI de organizar os investimentos em Programas de Investimentos Estruturantes e Mobilizadores, avalizada pelo Conselho Diretor do FNDCT, permitiu que o Estado investisse em grandes infraestruturas de pesquisa, como o Sirius, Orion e RMB”, enfatiza.
Atualmente, o MCTI acompanha 25 empreendimentos em execução, distribuídos entre projetos estratégicos e iniciativas voltadas à conectividade digital. A abrangência geográfica é ampla, contemplando pelo menos 15 unidades federativas, com destaque para estados do Nordeste, região que concentra a maioria das infovias estaduais.
Programas estratégicos
- Projeto Orion NB4 – O Brasil será o primeiro país da América Latina a ter um laboratório de máxima contenção biológica (NB4), e o primeiro do mundo conectado a uma fonte de luz sincrotron. Instalado no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), o complexo laboratorial de 20 mil m² está orçado em R$ 1 bilhão até 2026.
- Sirius Fase 2 – Maior e mais complexa infraestrutura científica do País, o acelerador de partículas Sirius contará com R$ 800 milhões até 2026 para ampliar sua capacidade, incluindo dez novas estações de pesquisa. Além disso, fora do Novo PAC, a partir de 2023, o FNDCT investiu R$ 300 milhões (cerca de 90% do seu valor integral) para a construção e finalização de 4 linhas de luz da Fase 1 do Sirius.
- RMB – Com R$ 2,9 bilhões previstos até 2029, o Reator Multipropósito Brasileiro será o mais importante centro de pesquisa nuclear do País, com aplicações em medicina, indústria, energia, agricultura e meio ambiente, incluindo a autonomia brasileira na produção de radiofármacos para tratamento do câncer.
- Pró-Infra – Programa de recuperação e expansão da infraestrutura científica e tecnológica, o Pró-Infra terá R$ 4,67 bilhões até 2026 para apoiar infraestrutura de pesquisa em ICTs (universidades e centros de pesquisa), focando em temas prioritários do governo, buscando desigualdades regionais e fortalecer o Sistema Nacional de CT&I.
- Infovias RNP – Previstas em R$ 401,7 milhões até 2025, as infovias buscam expandir a conectividade digital para educação e pesquisa, interiorizando o sistema da RNP e fortalecendo a rede de e-ciência.
- Cemaden – Equipamentos mais modernos e novas tecnologias de monitoramento receberão R$ 115 milhões até 2026, fortalecendo a atuação do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, que atende mais de 1,8 mil municípios brasileiros, ampliando sua cobertura para mais 840 municípios.
- Autonomia da Defesa – O Programa de Promoção da Autonomia da Defesa terá R$ 429,7 milhões até 2026, apoiando infraestrutura e projetos de pesquisa com foco em fortalecer a base científica, tecnológica e industrial do setor.
- Supercomputador para IA – Previsto no Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (Pbia), com valor previsto de R$ 1,8 bilhão até 2027, o novo supercomputador vai ampliar a capacidade nacional de processamento de dados, beneficiando áreas como inteligência artificial, modelagem climática e pesquisas em saúde e energia.
TECNOLOGIA
Brasil encerra ciclo do Primeiro Relatório Bienal de Transparência
O Brasil participou na quarta-feira (10), em Bonn, na Alemanha, da primeira parte da terceira sessão do Grupo de Trabalho de Consideração Multilateral Facilitada do Progresso (FMCP, na sigla em inglês) promovido pelo Secretariado da Convenção do Clima. Participaram também Azerbaijão, Turquia e Austrália. Até sexta-feira (12), 37 países participam do encontro técnico que permite o compartilhamento de experiências, desafios e oportunidades na elaboração dos Relatórios Bienais de Transparência, em atendimento ao Artigo nº 13 do Acordo de Paris.
Com o diálogo multilateral, o Brasil encerra o ciclo do seu Primeiro Relatório Bienal de Transparência, submetido à Convenção do Clima em 2024 e revisado por especialistas técnicos internacionais em maio de 2025. A coordenação dos relatórios de transparência do Brasil é efetuada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio da Coordenação-Geral de Ciência do Clima com apoio do projeto de cooperação técnica internacional Ciência&Clima.
A presidente da 64ª sessão do Órgão Subsidiário (SBI) da UNFCCC, Julia Gardiner, destacou importância do encontro pela quantidade de países e pela representação política com a participação de autoridades de alto nível. Representando o Secretariado da UNFCCC, do diretor sênior, Daniele Violetti, enfatizou a importância dos relatórios de transparência para a estratégia dos países, sinalizando as lacunas e o suporte necessário para avançar na ação climática.
De acordo com dados do Secretariado da Convenção do Clima, 133 países submeteram seus primeiros BTRs e 82 passaram por revisão técnica de especialistas.
Na abertura, o presidente da COP30, André Correa do Lago, que falou em nome do Brasil, destacou o papel da transparência climática na implementação do Acordo de Paris. “Transparência é indispensável para implementação e tem papel essencial na construção de confiança”, afirmou o embaixador. “Dá previsibilidade”, complementou.
Os relatórios de transparência são importantes para aumentar ambição climática, à medida que concentram informações para o acompanhamento do progresso das ações climáticas, em especial da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC), e a prover dados sobre as reais necessidades, em termos técnicos e financeiros, para que o país avance na agenda.
“Sem transparência, as metas são apenas promessas. Com transparência, as metas se tornam trajetórias verificáveis. Nesse sentido, o MCTI vem se esforçando cada vez mais para que nós tenhamos um sistema nacional de transparência climática robusto, apoiando o Brasil”, afirmou o coordenador-geral de Ciência do Clima do MCTI, Márcio Rojas.
Perguntas e respostas
Durante o diálogo, representantes de países e organizações observadoras fizeram perguntas aos países sobre as políticas climáticas adotadas, os sistemas e estratégias de financiamento para estimular atividades de baixo carbono, entre outras questões. Antes da sessão presencial, os países também receberam questionamentos, cujas respostas estão publicadas no site da UNFCCC junto com apresentação que resume os principais aspectos do Primeiro Relatório Bienal de Transparência.
O Brasil está preparando o Segundo Relatório Bienal de Transparência, que deve ser submetido à UNFCCC em 2026.
Clique aqui e entenda o ciclo completo do BTR.
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