TECNOLOGIA

Laboratório de Análise de Águas completa um ano com avanços no combate à poluição hídrica no Nordeste

Inaugurado em setembro de 2024, o Laboratório de Análise de Águas (Lana), sediado no Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene), completa, em setembro, um ano de operação com resultados significativos no enfrentamento da poluição hídrica no agreste pernambucano. A equipe de pesquisadores tem concentrado esforços especialmente no polo têxtil da região, que reúne milhares de pequenas empresas e é responsável por um dos maiores volumes de produção de confecções do mundo.

O laboratório foi criado para ser um polo de referência no desenvolvimento de soluções para o tratamento de resíduos líquidos descartados no meio ambiente (efluentes). Segundo o pesquisador responsável pela condução técnica do projeto, Alex Neres, o primeiro ano do laboratório foi focado na geração de um volume expressivo de dados e no estabelecimento de parcerias com empresas locais. O monitoramento contínuo permitiu acompanhar, de forma inédita, a variação na produção ao longo do ano, identificando períodos de maior impacto ambiental relacionados ao calendário de produção do setor têxtil. Esse acompanhamento sistemático fornece subsídios para correlacionar a poluição com fatores econômicos e sociais da região.

“O Lana foi projetado e direcionado para dar suporte às pesquisas que visam aumentar a escala no tratamento de efluentes têxteis. Saímos do ambiente de laboratório, com efluentes simulados, para tratar efluentes reais, que mudam constantemente de composição. É fundamental saber o que de fato as empresas estão gerando, porque cada tipo de corante, metal ou resíduo impacta no processo de tratamento”, explica Neres.

Fotocatálise

A equipe do Lana, formada por técnicos e bolsistas, atua desde a coleta das amostras em lavanderias de Toritama (PE) até o desenvolvimento de tecnologias avançadas de tratamento, como a fotocatálise heterogênea. Esse processo utiliza catalisadores ativos à luz solar para remover corantes e microplásticos dos efluentes.

“Hoje, algumas lavanderias já têm estações de tratamento próprias, mas os métodos convencionais, físicos, químicos ou biológicos, não conseguem reduzir totalmente a carga orgânica dos efluentes. O que estamos propondo é um refino desse processo, adicionando uma segunda etapa com a fotocatálise heterogênea, um dos chamados processos oxidativos avançados. Desenvolvemos um dispositivo que, ativado pela luz solar, promove a degradação das moléculas de corante e outros poluentes orgânicos ainda presentes após o tratamento inicial”, destacou o pesquisador.

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O objetivo é chegar, até o fim de 2025, ao Nível de Prontidão Tecnológica 6 (TRL 6), etapa que comprova a viabilidade da metodologia em escala relevante e prepara o caminho para a transferência ao setor produtivo.

Parcerias

Durante este primeiro ano, o Lana firmou parcerias com associações que representam dezenas de empresas locais. A atuação conjunta tem buscado sensibilizar o setor de que investir em tratamento e reuso da água, além de reduzir impactos ambientais, significa ganhos econômicos. “A partir do momento em que o empresário entende que não vai descartar efluentes poluídos e, ao mesmo tempo, vai economizar no consumo de água potável, o tratamento passa a ser atrativo”, observou Neres.

Em 2024, o laboratório iniciou seu trabalho com duas lavanderias. Hoje, já monitora sistematicamente seis unidades em Toritama e mantém cooperação com a associação que reúne cerca de 60 lavanderias legalizadas na região. As coletas quinzenais alimentam um banco de dados para medir a evolução da qualidade da água e do impacto das tecnologias aplicadas.

O Lana se prepara para expandir sua atuação, apoiando futuros projetos voltados a outros tipos de poluição, como resíduos de fármacos e agrotóxicos. A expectativa é que a estrutura se consolide como referência regional para pesquisa aplicada, e como suporte a serviços e soluções de interesse da população e do setor produtivo. “O grande ganho desse primeiro ano foi aproximar ciência, governo e setor produtivo em torno de um problema ambiental crítico para o Nordeste”, conclui o pesquisador.

Contexto regional

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O agreste de Pernambuco concentra um dos maiores polos de confecção do mundo, com a produção anual de cerca de 800 milhões de peças de vestuário. O setor movimenta aproximadamente R$ 5 bilhões por ano em cidades como Caruaru, Santa Cruz do Capibaribe e Toritama. Esse dinamismo econômico, sustentado por mais de 24 mil pequenos empreendedores, traz consigo um desafio ambiental de grandes proporções: a poluição hídrica resultante dos efluentes têxteis. Apesar da relevância do setor, estudos apontam que apenas cerca de 40% das lavanderias de jeans da região fazem algum tipo de tratamento da água utilizada em seus processos, o que potencializa a contaminação de rios e mananciais.

Pesquisas reforçam a gravidade da situação. Um estudo conduzido pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) identificou que o Rio Ipojuca, que corta parte do polo têxtil, apresenta concentrações de amônio, ferro, manganês, alumínio e até resíduos farmacêuticos acima dos limites permitidos pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) para corpos hídricos de Classe II. Da mesma forma, análises em sedimentos do Rio Capibaribe, outro curso d’água impactado pela atividade industrial, revelaram níveis de metais como cobre, chumbo e zinco em patamares superiores aos limites de segurança internacionalmente estabelecidos.

Além disso, uma dissertação da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), avaliou a eficiência de estações de tratamento em lavanderias do agreste e apontou limitações na remoção de corantes e carga orgânica. Outro estudo da mesma instituição destacou os “gaps entre a situação real e a ideal” no beneficiamento de jeans, revelando falhas recorrentes na gestão de resíduos e no descarte de efluentes. Essas evidências reforçam a importância da atuação do Lana e do Cetene como um aliado estratégico para promover tecnologias capazes de mitigar a poluição e incentivar soluções de reutilização da água no setor produtivo.

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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TECNOLOGIA

MCTI lança FormP&D 2026 e Lei do Bem registra recorde de R$ 51,6 bilhões

Investimentos em pesquisa e desenvolvimento resultam em novos produtos, fortalecem a competitividade das empresas, estimulam a criação de empregos qualificados e ampliam a capacidade tecnológica do País. Para acompanhar esse movimento e aperfeiçoar uma das principais políticas de incentivo à inovação empresarial no Brasil, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) lançou, nesta terça-feira (2), em Brasília (DF), o FormP&D 2026. O documento on-line é utilizado pelas empresas beneficiárias da Lei do Bem para declarar suas atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação. 

A nova versão do sistema traz atualizações que modernizam os processos de avaliação, ampliam a integração de dados, aperfeiçoam a governança e conferem mais clareza ao preenchimento das informações referentes ao ano-base 2025. As mudanças buscam facilitar a prestação de informações pelas empresas e ampliar a capacidade do governo de acompanhar a evolução dos investimentos privados em inovação. 

Ao destacar a importância da Lei do Bem para ampliar a competitividade da indústria brasileira, a ministra do MCTI, Luciana Santos, ressaltou a necessidade de transformar o conhecimento produzido no País em inovação e desenvolvimento econômico. 

“O Brasil está entre os maiores produtores de pesquisa e desenvolvimento do mundo, mas ainda precisa avançar na transformação desse conhecimento em inovação, competitividade e crescimento econômico. A Lei do Bem é um instrumento fundamental para fortalecer essa conexão e estimular as empresas a investirem mais”, afirmou Luciana Santos. 

A ministra também destacou o papel das políticas públicas de incentivo à inovação e os investimentos do Governo do Brasil. “O compromisso do presidente Lula com a ciência, tecnologia e inovação se traduz em investimentos concretos. Estamos reconstruindo capacidades do Estado brasileiro, fortalecendo instituições e criando condições para que o País avance em uma agenda de desenvolvimento baseada em sustentabilidade, inclusão social e soberania tecnológica”, completou. 

Novo FormP&D amplia suporte e simplifica preenchimento 

O novo FormP&D 2026 traz uma série de atualizações que simplificam o preenchimento das informações pelas empresas e aprimoram o acompanhamento das atividades apoiadas pela Lei do Bem. Entre as novidades estão uma nova área de suporte técnico ao usuário, a criação de um identificador único para cada projeto, a integração com bases de dados governamentais e a possibilidade de importar informações automaticamente por meio de planilhas em etapas específicas do formulário. 

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As mudanças também ampliam os instrumentos de orientação disponíveis para as empresas. O Guia do Usuário do novo FormP&D já está disponível no Portal da Lei do Bem. Uma nova edição do Guia Prático da Lei do Bem, prevista para julho, vai reunir orientações atualizadas em linguagem mais acessível, com exemplos, fluxos, checklists e explicações sobre os critérios utilizados na caracterização de projetos de inovação. 

Ao apresentar as novidades, o secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do MCTI, Daniel Almeida, destacou que as atualizações foram construídas a partir das contribuições recebidas do setor produtivo. “Recebemos vários inputs das empresas e das consultorias que utilizam a Lei do Bem. Algumas melhorias já conseguimos implementar agora e outras continuam em desenvolvimento. A ideia é fazer essa grande parceria para avançar continuamente na melhoria do instrumento.” 

Entre as iniciativas previstas para os próximos meses estão o lançamento do Programa Embaixadores da Lei do Bem, que vai orientar empresas em todo o País, a ampliação dos mecanismos de avaliação simplificada para projetos desenvolvidos em parceria com instituições de ciência e tecnologia e a implementação de novas soluções de inteligência artificial para apoiar usuários do sistema e equipes responsáveis pelas análises. 

Recordes da Lei do Bem 

Os resultados de 2023 e 2024 consolidaram o melhor desempenho da história da Lei do Bem. Em apenas um ano, os investimentos privados em pesquisa e desenvolvimento cresceram de R$ 41,93 bilhões para R$ 51,59 bilhões, alta de 23% e aumento de R$ 9,66 bilhões. O período também registrou recordes de participação empresarial, com 4.252 empresas beneficiárias, e de projetos de inovação, que chegaram a 14.877 iniciativas em 2024. A expansão foi acompanhada pelo crescimento da utilização dos incentivos fiscais, cuja renúncia estimada alcançou R$ 11,98 bilhões, reforçando a Lei do Bem como o principal instrumento de estímulo à inovação empresarial no País. 

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Para o diretor do Departamento de Apoio aos Ecossistemas de Inovação (Depai) do MCTI, Hideraldo de Almeida, os resultados refletem a consolidação da política como o principal instrumento de estímulo à inovação no Brasil, incentivando empresas a investir em tecnologia, competitividade e desenvolvimento científico. “Para que essa política pública continue evoluindo com transparência, eficiência e segurança, é fundamental também modernizar os nossos mecanismos de gestão e acompanhamento”, disse. 

Lei do Bem fortalece capital humano 

Os resultados da Lei do Bem também refletem a ampliação da força de trabalho dedicada à inovação dentro das empresas brasileiras. Em 2024, 52.222 profissionais atuaram exclusivamente em atividades de pesquisa e desenvolvimento, número significativamente superior aos 34.291 profissionais registrados em 2023. 

A maior parte desse contingente era formada por 35.242 graduados e 7.953 pós-graduados, além de 2.835 mestres e 1.454 doutores dedicados a atividades de pesquisa. A força de trabalho também contou com técnicos e tecnólogos responsáveis por ações ligadas a laboratórios, prototipagem e desenvolvimento tecnológico, evidenciando o papel da Lei do Bem na geração de empregos qualificados e no fortalecimento da capacidade científica das empresas brasileiras. 

Os resultados de 2023 e 2024 consolidaram um novo patamar para a Lei do Bem. No período, a média anual de investimentos em pesquisa e desenvolvimento chegou a R$ 46,8 bilhões, quase o dobro da registrada entre 2019 e 2022. Com a modernização do FormP&D, o MCTI busca tornar o acompanhamento desses investimentos mais eficiente e aprimorar a produção de informações estratégicas para o desenvolvimento nacional. 

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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