TECNOLOGIA
Iluminação noturna com lanternas solares diminui ocorrências de mordidas de morcego transmissor da raiva
Luz e conhecimento. Essas foram as ferramentas utilizadas para diminuir o número de ataques de morcego-vampiro (Desmodus rotundus), principal transmissor da raiva em humanos e animais de criação, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã e na Floresta Nacional de Tefé, no Amazonas (AM). A pesquisa foi desenvolvida por pesquisadores do Instituto Mamirauá, organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
Segundo o levantamento, de 224 pessoas entrevistadas sobre a ocorrência de mordidas do morcego, 30% informaram já terem sido atacadas em outro momento ao longo da vida, sendo 19% apenas nos últimos seis meses. “A elevada subnotificação de casos de mordidas por morcegos-vampiros observada no estudo é um grande desafio para o planejamento de ações de saúde pública adequadas à realidade das populações ribeirinhas, destacando a relevância de pesquisas voltadas a esse tema”, explica a pesquisadora responsável pelo estudo, Isadora Lobato.
O estudo investigou se a iluminação noturna com lanternas solares poderia diminuir a ocorrência de ataques do morcego-vampiro, única espécie que costuma se alimentar de sangue de seres humanos e que é vetor da raiva, doença viral transmitida pela saliva de mamíferos infectados.
Após a distribuição das lanternas, o número de ataques caiu de 19% para 3%. Ao mesmo tempo, morcegos foram capturados próximo às comunidades para teste de presença do vírus da raiva. Nenhum deles apresentou a infecção.
Para Lobato, o uso das lanternas foi essencial para a queda no número de mordidas. “Nossos resultados evidenciam como garantir o acesso à educação, à energia e a direitos básicos também podem se traduzir em uma forma de promoção da saúde e de prevenção de doenças em comunidades ribeirinhas da Amazônia.”
Com os resultados positivos, os pesquisadores agora produzem uma cartilha com medidas para prevenir mordidas de morcegos, além de informações sobre o animal e sobre a raiva. O material será distribuído em comunidades das áreas de estudo.
Segundo os especialistas, para proteger as pessoas e os animais de criação, é essencial o uso de iluminação próximo ao dormitório deles e de mosquiteiro, além da manutenção de portas e janelas bem fechadas ao anoitecer. Também é recomendada a instalação de telas em currais e abrigos e a vacinação atualizada dos bichos domésticos.
“Esses resultados e as medidas propostas podem ajudar a orientar futuras ações integradas de vigilância epidemiológica, que incluam educação em saúde e acesso à energia em áreas de difícil acesso da Amazônia. Esperamos contribuir para a saúde pública e o bem-estar dessas comunidades”, finaliza Isadora.
TECNOLOGIA
Projeto Entre Ciências seleciona seis propostas sobre sociobiodiversidade
Como cuidar melhor da floresta, da terra e da biodiversidade? Parte dessa resposta está no diálogo entre diferentes formas de conhecimento. Com o objetivo de fortalecer a participação de povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares na produção de conhecimento sobre a sociobiodiversidade, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) vai selecionar seis iniciativas para o projeto Entre Ciências: Territórios de Saber em Diálogo.
Foram avaliadas 60 propostas de arranjos de pesquisa colaborativa, envolvendo comunidades e academia, vindas de diferentes regiões da Amazônia e do Cerrado. Os trabalhos foram selecionados por uma comissão formada por especialistas e representantes das próprias comunidades, levando em conta não só critérios técnicos, mas também a diversidade dos territórios e protagonismo de mulheres, jovens e anciãos.
Projetos selecionados
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Associação dos Seringueiros do Seringal Cazumbá. Parceiro acadêmico: Instituto Federal do Acre (Ifac) — Campus Rio Branco;
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Associação Quilombo Kalunga. Parceiro acadêmico: Universidade de Brasília (UnB) – Programa de Mestrado Profissional em Sustentabilidade junto a Povos e Terras Tradicionais (Mespt) e Programa da Licenciatura em Educação do Campo (Ledoc);
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Organização Baniwa e Koripako — Nadzoeri. Parceiros acadêmicos: UnB, Universidade Federal Fluminense (UFF) e Universidade de São Paulo (USP);
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Associação de Mulheres Indígenas em Mutirão (Amim). Parceiro acadêmico: Instituto Federal do Amapá;
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Centro de Agricultura Alternativa Vicente Nica. Parceiro acadêmico: Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (IFNMG) — Campus Almenara;
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Coletivo Mulheres Retireiras do Araguaia. Parceiro acadêmico: Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), vinculado ao MCTI, e Instituto Juruá.
Com os novos arranjos selecionados, o projeto passa a apoiar oito experiências em diferentes territórios, ampliando uma rede que conecta ciência dos povos e comunidades com a ciência acadêmica, cultura e meio ambiente.
Para a secretária de Políticas e Programas Estratégicos do MCTI, Andrea Latgé, a iniciativa reforça a importância de integrar diferentes formas de conhecimento na produção científica. “O Entre Ciências mostra que o conhecimento também nasce nos territórios. Ao valorizar saberes de povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares, fortalecemos uma ciência mais diversa e conectada aos desafios do País”, destaca.
O Entre Ciências aposta em uma ideia simples e poderosa: quem vive nos territórios também produz conhecimento. O projeto fortalece o papel de povos indígenas e comunidades tradicionais na pesquisa sobre biodiversidade, em temas prioritários para o próprio território, incentivando a parceria com atores acadêmicos comprometidos e com respeito às diferentes formas de conhecimento.
Além do apoio aos projetos, a iniciativa oferece formação, bolsas para pesquisadores locais das comunidades, intercâmbios e suporte para a gestão de dados e informações produzidas pelas próprias comunidades.
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