TECNOLOGIA
Estudantes brasileiros ganham oito prêmios na maior feira internacional de ciências e engenharia
Vinte e um estudantes brasileiros participaram, entre os dias 9 e 15 de maio, da Regeneron International Science and Engineering Fair 2026 (Feira Internacional de Ciências e Engenharia da Regeneron, na sigla em inglês ISEF), a principal competição internacional pré-universitária da área. Desses, nove alunos voltaram com um total de oito prêmios para casa. O evento aconteceu em Phoenix, no Arizona (EUA).
Os estudantes foram selecionados após se destacarem na Feira Brasileira de Ciência e Engenharia (Febrace) e na Mostratec-Liberato. “É emocionante ver nossos estudantes, participantes das feiras de ciência do Brasil, brilharem apresentando seus trabalhos e representando o país na ISEF”, afirma a diretora de Popularização da Ciência, Tecnologia e Educação Científica do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Juana Nunes, que marcou presença no evento para apoiar os jovens.
A feira reúne anualmente cerca de 1.600 alunos de 60 países, para apresentarem seus projetos a avaliadores internacionais. Os brasileiros levaram ideias sobre saúde, agricultura, meio ambiente, tecnologia e inteligência artificial.
Para a diretora do MCTI, é principalmente por meio de eventos como a Regeneron ISEF que os jovens passam a ter contato real com a ciência. “É assim que se forma o futuro da ciência no Brasil: com a participação deles, fazendo contatos e conhecendo outros estudantes que também se dedicam à pesquisa científica. É esse o trabalho que a educação científica e a popularização da ciência fazem com esses talentos”, finaliza.
As premiações da feira internacional são divididas em duas frentes: os Grand Awards, que reconhecem os melhores trabalhos em 22 categorias científicas, com prêmios que variam entre US$ 600 e U$ 6.000; e os Special Awards, oferecidos por universidades, instituições de pesquisa e organizações internacionais, que incluem bolsas de estudos, estágios e outras distinções acadêmicas.
A Febrace e a Mostratec-Liberato recebem apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Em março, a pasta anunciou o investimento de R$ 40 milhões ao longo de dois anos no edital para Feiras de Ciência e Mostras Científicas.
Veja a lista de participantes e premiados:
Amapá
Raízes Seguras: Sistema de Monitoramento de Solo para Prevenção de Desastres e Fortalecimento da Agricultura Familiar
Estudante: Julia Maria Lidoni dos Santos
Instituição: Instituto Nacional Leva Ciência Diversidade e Transformação Social/Macapá (AP)
Amazonas
MeMO – ondas binaurais e modulação gênica no Alzheimer
Estudante: Ada Jamile Gomes de Oliveira
Instituição: Colégio Militar de Manaus/Manaus (AM)
Prêmio: 4º lugar na categoria Translational Medical Science (TMED) – US$ 600
Bahia
AnisGuard – fungicida natural para café
Estudante: Kenisson Morais Brito
Instituição: Escola SESI Anísio Teixeira/Vitória da Conquista (BA)
Prêmio: 4º lugar na categoria Plant Sciences (PLNT) – US$ 600
Ceará
Sustainpoly – biocompósitos a partir de resíduos do maracujá
Estudantes: Davi Oliveira Silva, João Pedro Monteiro Silva e Jordana da Silva Mendonça
Instituição: E.E.M.T.I. Marconi Coelho Reis/Cascavel (CE)
Prêmios: 4º lugar na categoria Environmental Engineering (ENEV) – US$ 600; Sigma Xi, The Scientific Research Honor Society – 1 º lugar na categoria Life Sciences – US$ 1.200
Mapeamento do feminicídio com inteligência artificial
Estudante: Yanna Francisca Nogueira Queiroz
Instituição: E.E.F.M. Deputado Joaquim de Figueiredo Correia/Iracema (CE)
Prêmio: 4º lugar na categoria Behavioral and Social Sciences (BEHA) – US$ 600
Desenvolvimento de uma ferramenta de aprendizado de máquina para predição pluviométrica baseada nos saberes dos profetas da chuva
Estudante: Raul Victor Magalhães Souza
Instituição: EEMTI Deputado Joaquim de Figueiredo Correia/Iracema (CE)
Maranhão
Desenvolvimento de Hidrogel Fitoterápico à Base de Biri-biri (Averrhoa bilimbi) para Tratamento Natural da Acne.
Estudante: Sophia Ramalho Pinheiro
Instituição: Escola Santa Teresinha/Imperatriz (MA)
Mato Grosso do Sul
Resgatando coelhos e formas geométricas: o pensamento computacional no 2º e 3º anos do ensino fundamental
Estudantes: Valentina Campos Soares e Julia Godoy Fuso
Instituição: Instituto Federal de Mato Grosso do Sul/Nova Andradina (MS)
Paraná
Protótipo de elevação vertical para cadeiras de Rodas: inclusão e autonomia
Estudantes: Laura Costa de Souza e Maria Luiza de Almeida Pedro
Instituição: Instituto Federal do Paraná/Londrina
Uso de extratos vegetais no cultivo de orquídeas
Estudante: Beatriz Maria Ferreira dos Santos
Instituição: Colégio Estadual Jardim Porto Alegre/Toledo (PR)
Prêmio: 3º lugar na categoria Plant Sciences (PLNT) – US$ 1.200
Rio Grande do Sul
Dispositivo para prevenção de tombamento em empilhadeiras
Estudante: Gustavo Furlan de Godoi
Instituição: Fundação Escola Técnica Liberato Salzano Vieira da Cunha/Novo Hamburgo (RS)
Reutilização do pseudocaule da bananeira para produção de painéis termoacústicos na construção civil.
Estudantes: Gabriel Orth e João Gabriel Backes Ledur
Instituição: Fundação Escola Técnica Liberato Salzano Vieira da Cunha/Novo Hamburgo (RS)
São Paulo
Mapeamento de pessoas com deficiência na favela de Paraisópolis (PCDs): Prontuário Cartográfico para o atendimento no Sistema Único de Saúde (PROMAP-SUS) FASE 2
Estudante: Katarina Fraga Sampaio Ribeiro
Instituição: Alef Peretz Paraisópolis/São Paulo
Safeskies – detecção e rastreamento de balões com IA
Estudantes: Leonardo Paschoal Bartoccini e Lara Megda Schusterschitz
Instituição: Colégio Dante Alighieri/São Paulo (SP)
Prêmios: 4º lugar na categoria Embedded Systems (EBED) – US$ 600; Association for Computing Machinery – 4º lugar – US$ 500
IGNIS (Integration of gut-neuro illness solutions): Identificação de assinaturas ômicas e biomarcadores reguladores do eixo intestino-cérebro a partir de doenças neurodegenerativas e intestinais para o reposicionamento de fármacos com bioinformática
Estudante: Gabriela Goes da Cunha
Instituição: Colégio Visconde de Porto Seguro/São Paulo
TECNOLOGIA
MCTI lança FormP&D 2026 e Lei do Bem registra recorde de R$ 51,6 bilhões
Investimentos em pesquisa e desenvolvimento resultam em novos produtos, fortalecem a competitividade das empresas, estimulam a criação de empregos qualificados e ampliam a capacidade tecnológica do País. Para acompanhar esse movimento e aperfeiçoar uma das principais políticas de incentivo à inovação empresarial no Brasil, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) lançou, nesta terça-feira (2), em Brasília (DF), o FormP&D 2026. O documento on-line é utilizado pelas empresas beneficiárias da Lei do Bem para declarar suas atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação.
A nova versão do sistema traz atualizações que modernizam os processos de avaliação, ampliam a integração de dados, aperfeiçoam a governança e conferem mais clareza ao preenchimento das informações referentes ao ano-base 2025. As mudanças buscam facilitar a prestação de informações pelas empresas e ampliar a capacidade do governo de acompanhar a evolução dos investimentos privados em inovação.
Ao destacar a importância da Lei do Bem para ampliar a competitividade da indústria brasileira, a ministra do MCTI, Luciana Santos, ressaltou a necessidade de transformar o conhecimento produzido no País em inovação e desenvolvimento econômico.
“O Brasil está entre os maiores produtores de pesquisa e desenvolvimento do mundo, mas ainda precisa avançar na transformação desse conhecimento em inovação, competitividade e crescimento econômico. A Lei do Bem é um instrumento fundamental para fortalecer essa conexão e estimular as empresas a investirem mais”, afirmou Luciana Santos.
A ministra também destacou o papel das políticas públicas de incentivo à inovação e os investimentos do Governo do Brasil. “O compromisso do presidente Lula com a ciência, tecnologia e inovação se traduz em investimentos concretos. Estamos reconstruindo capacidades do Estado brasileiro, fortalecendo instituições e criando condições para que o País avance em uma agenda de desenvolvimento baseada em sustentabilidade, inclusão social e soberania tecnológica”, completou.
Novo FormP&D amplia suporte e simplifica preenchimento
O novo FormP&D 2026 traz uma série de atualizações que simplificam o preenchimento das informações pelas empresas e aprimoram o acompanhamento das atividades apoiadas pela Lei do Bem. Entre as novidades estão uma nova área de suporte técnico ao usuário, a criação de um identificador único para cada projeto, a integração com bases de dados governamentais e a possibilidade de importar informações automaticamente por meio de planilhas em etapas específicas do formulário.
As mudanças também ampliam os instrumentos de orientação disponíveis para as empresas. O Guia do Usuário do novo FormP&D já está disponível no Portal da Lei do Bem. Uma nova edição do Guia Prático da Lei do Bem, prevista para julho, vai reunir orientações atualizadas em linguagem mais acessível, com exemplos, fluxos, checklists e explicações sobre os critérios utilizados na caracterização de projetos de inovação.
Ao apresentar as novidades, o secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do MCTI, Daniel Almeida, destacou que as atualizações foram construídas a partir das contribuições recebidas do setor produtivo. “Recebemos vários inputs das empresas e das consultorias que utilizam a Lei do Bem. Algumas melhorias já conseguimos implementar agora e outras continuam em desenvolvimento. A ideia é fazer essa grande parceria para avançar continuamente na melhoria do instrumento.”
Entre as iniciativas previstas para os próximos meses estão o lançamento do Programa Embaixadores da Lei do Bem, que vai orientar empresas em todo o País, a ampliação dos mecanismos de avaliação simplificada para projetos desenvolvidos em parceria com instituições de ciência e tecnologia e a implementação de novas soluções de inteligência artificial para apoiar usuários do sistema e equipes responsáveis pelas análises.
Recordes da Lei do Bem
Os resultados de 2023 e 2024 consolidaram o melhor desempenho da história da Lei do Bem. Em apenas um ano, os investimentos privados em pesquisa e desenvolvimento cresceram de R$ 41,93 bilhões para R$ 51,59 bilhões, alta de 23% e aumento de R$ 9,66 bilhões. O período também registrou recordes de participação empresarial, com 4.252 empresas beneficiárias, e de projetos de inovação, que chegaram a 14.877 iniciativas em 2024. A expansão foi acompanhada pelo crescimento da utilização dos incentivos fiscais, cuja renúncia estimada alcançou R$ 11,98 bilhões, reforçando a Lei do Bem como o principal instrumento de estímulo à inovação empresarial no País.
Para o diretor do Departamento de Apoio aos Ecossistemas de Inovação (Depai) do MCTI, Hideraldo de Almeida, os resultados refletem a consolidação da política como o principal instrumento de estímulo à inovação no Brasil, incentivando empresas a investir em tecnologia, competitividade e desenvolvimento científico. “Para que essa política pública continue evoluindo com transparência, eficiência e segurança, é fundamental também modernizar os nossos mecanismos de gestão e acompanhamento”, disse.
Lei do Bem fortalece capital humano
Os resultados da Lei do Bem também refletem a ampliação da força de trabalho dedicada à inovação dentro das empresas brasileiras. Em 2024, 52.222 profissionais atuaram exclusivamente em atividades de pesquisa e desenvolvimento, número significativamente superior aos 34.291 profissionais registrados em 2023.
A maior parte desse contingente era formada por 35.242 graduados e 7.953 pós-graduados, além de 2.835 mestres e 1.454 doutores dedicados a atividades de pesquisa. A força de trabalho também contou com técnicos e tecnólogos responsáveis por ações ligadas a laboratórios, prototipagem e desenvolvimento tecnológico, evidenciando o papel da Lei do Bem na geração de empregos qualificados e no fortalecimento da capacidade científica das empresas brasileiras.
Os resultados de 2023 e 2024 consolidaram um novo patamar para a Lei do Bem. No período, a média anual de investimentos em pesquisa e desenvolvimento chegou a R$ 46,8 bilhões, quase o dobro da registrada entre 2019 e 2022. Com a modernização do FormP&D, o MCTI busca tornar o acompanhamento desses investimentos mais eficiente e aprimorar a produção de informações estratégicas para o desenvolvimento nacional.
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