TECNOLOGIA
Dos laboratórios à Fórmula 1: pesquisas sobre biocombustíveis no Brasil avançam com apoio do MCTI
A temporada da Fórmula 1 está a todo vapor, trazendo tecnologia e inovações que vão além das pistas. Reconhecida pela busca constante de desempenho e eficiência, a categoria tem apostado em soluções mais sustentáveis, como o uso de biocombustíveis e combustíveis sintéticos. A meta é ambiciosa: reduzir significativamente as emissões de gases de efeito estufa e alcançar a neutralidade de carbono até 2030.
Enquanto essas tecnologias começam a ser testadas no automobilismo de elite, o Brasil já acumula avanços importantes nessa área, impulsionados por políticas públicas e investimentos em pesquisas. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) tem desempenhado papel central nesse processo, ao fomentar estudos que ampliam o uso de fontes renováveis e tornam a matriz energética mais limpa e eficiente.
Um dos destaques recentes vem do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), organização vinculada ao MCTI. Pesquisadores do centro identificaram, em 2025, uma nova enzima com alto potencial para a produção de etanol de segunda geração, obtido a partir de resíduos agrícolas, como bagaço de cana-de-açúcar e palha de milho. A descoberta é um avanço relevante porque essas enzimas atuam na quebra da celulose, um dos principais componentes da biomassa vegetal, facilitando sua conversão em açúcares fermentáveis.
Na prática, isso significa aumentar a eficiência do processo produtivo e reduzir custos, dois dos principais desafios para a viabilização em larga escala do etanol celulósico. Além disso, o aproveitamento de resíduos agrícolas contribui para diminuir o desperdício e ampliar a sustentabilidade da cadeia produtiva, sem necessidade de expandir áreas de cultivo.
Outro exemplo do avanço brasileiro na área é o trabalho do Instituto Nacional de Tecnologia (INT), também vinculado ao MCTI. A entidade tem desenvolvido pesquisas voltadas à produção e à qualificação de biocombustíveis, incluindo o aprimoramento de rotas tecnológicas para biodiesel, bioquerosene de aviação (SAF) e outros combustíveis renováveis. As iniciativas envolvem desde o uso de diferentes matérias-primas, como óleos vegetais, resíduos industriais e biomassa, até o desenvolvimento de processos mais eficientes e sustentáveis.
O INT também atua na análise e certificação de combustíveis, contribuindo para garantir qualidade, desempenho e conformidade com padrões internacionais. Esse conjunto de ações fortalece a inserção do Brasil em mercados estratégicos e apoia a transição energética em setores de difícil descarbonização, como o transporte aéreo e o transporte pesado.
Com uma ampla diversidade de biomassa e experiência consolidada na produção de etanol e biodiesel, o Brasil ocupa posição de destaque na corrida global por combustíveis mais sustentáveis. Ao apoiar pesquisas e desenvolver soluções inovadoras, o MCTI contribui para que o País avance rumo a uma economia de baixo carbono, aliando sustentabilidade, competitividade e desenvolvimento tecnológico.
TECNOLOGIA
MCTI estuda criar centro de pesquisas sobre terras raras
Pesquisadores da Universidade Federal de Alfenas (Unifal) e do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas Gerais apresentaram, nessa terça-feira (9), proposta de criação de um Centro de Inteligência e Tecnologia Avançadas em Terras Raras para a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luciana Santos.
Para a chefe da pasta, o assunto é de extrema importância, especialmente por sua relevância internacional. “Nós não podemos ser mais apenas produtores de commodities. Nós precisamos ter uma indústria robusta, nós precisamos ter ciência e tecnologia, nós precisamos ter patentes e, acima de tudo, nós precisamos garantir que as nossas riquezas fiquem com o povo brasileiro”, disse.
Em maio, o MCTI lançou o Grupo de Trabalho de Inovação para o Setor Mineral (GT Soberania Tecnológica Nacional) com o objetivo de ampliar a capacidade brasileira de transformar os recursos nacionais em conhecimento, inovação e produtos de valor agregado.
“A demanda global por minerais críticos e estratégicos cresce com a transição energética, com a digitalização da economia e com novas tecnologias que dependem cada vez mais desses insumos. Por isso, quando falamos de minerais estratégicos, estamos falando também de soberania, de desenvolvimento e do lugar que o Brasil quer ocupar no futuro”, declarou a ministra durante o lançamento do grupo.
O GT ainda será responsável por elaborar a proposta do Programa Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento Tecnológico, Extensionismo Tecnológico e Inovação para o Setor Mineral (Programa Inova+Mineral). A iniciativa objetiva a estruturação de uma agenda nacional voltada ao fortalecimento da infraestrutura científica, à formação de profissionais especializados, ao desenvolvimento tecnológico, à industrialização e à ampliação do conteúdo brasileiro nas cadeias minerais consideradas estratégicas para o Brasil.
O Brasil tem a terceira maior reserva de elementos de terras raras, com um total de 21 milhões de toneladas. O estoque é dividido entre Amazonas (AM), Goiás (GO), Minas Gerais (MG), Rio de Janeiro (RJ), Roraima (RR) e São Paulo (SP).
Minas Gerais é casa de uma das maiores jazidas de terras raras do mundo, no Planalto de Poços de Caldas, região que abrange Poços de Caldas e Caldas. Terras raras é um grupo de 17 minerais críticos: lantânio, cério, praseodímio, neodímio, promécio, samário, európio, gadolínio, térbio, disprósio, hólmio, érbio, escândio, túlio, itérbio, lutécio e ítrio. Esses elementos são essenciais para a transição energética, já que são utilizados na indústria de alta tecnologia.
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