TECNOLOGIA
BRICS defende protagonismo do Sul Global nas novas tecnologias e inovações
Os ministros dos onze países-membros do BRICS assinaram, nesta quarta-feira (25), a Declaração Ministerial sobre Cooperação em Ciência, Tecnologia e Inovação, durante reunião realizada no Palácio Itamaraty, em Brasília.
O documento reforça a importância de ampliar o acesso e o domínio de tecnologias e inovações pelos países do Sul Global, tradicionalmente concentradas nas nações do Norte Global. A declaração também define a ampliação da cooperação entre os membros para criar linguagens tecnológicas mais acessíveis e infraestrutura que possibilite explorar novas ferramentas, como a Inteligência Artificial (IA).
“Todas as novas tecnologias podem ter um papel de aumentar cada vez mais as assimetrias entre os países porque são ferramentas tecnológicas muito poderosas, que transformam o modo de produção, que transformam as forças produtivas. A gente luta para que alguns países não concentrem a tecnologia e que possa ser partilhado. Então, nesse sentido, todos os nossos países buscam ter infraestrutura própria que garanta o desenvolvimento da inteligência artificial”, exemplificou a ministra brasileira de Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos.
Sobre os chamados Modelos de Linguagem Grandes (LLMs, na sigla em inglês), a ministra Luciana Santos alertou para os riscos de viés cultural nesses modelos quando não adaptados à realidade local. Ela ressaltou a importância de o Brasil desenvolver suas próprias soluções tecnológicas, com identidade e contexto nacionais:
“Isso, por si só, já traz um viés cultural equivocado para as nações, que não corresponde ao contexto, à cultura, à história, ao jeito de ser de cada nação. Então, nós estamos procurando desenvolver [no Brasil] os nossos modelos de linguagem em português. Temos já em desenvolvimento alguns potentes, como o do Piauí, que tem a iniciativa ‘SoberanIA’, com 100 bilhões de parâmetros, revelando que a gente tem condições de estar no caminho certo”, explicou a ministra.
Os LLMs são sistemas de IA que possibilitam o entendimento e a geração de linguagem natural, simulando a escrita e a fala. A quantidade de parâmetros é o que faz essa linguagem ser mais complexa e completa. Para exemplificar, os modelos do ChatGPT possuem cerca de 220 bilhões de parâmetros.
“A IA é o caminho a seguir. Não estamos no mesmo patamar que outros países, mas estamos dizendo que podemos fazer parcerias e crescer com as experiências que estão aqui para serem compartilhadas. Cada país estava na sessão apresentando seu status político para dizer o que eles têm em relação às políticas. Este é um momento onde discutimos como cada um pode se desenvolver e aprender uns com os outros para que possamos nos desenvolver mutuamente nesse sentido”, resumiu Nomalungelo Gina, vice-ministra de Ciência e Tecnologia da África do Sul.
Inovação
A Declaração Ministerial de Ciência e Tecnologia também endossou o Plano de Ação de Inovação do BRICS 2025–2030, elaborado pelo Grupo de Trabalho de Ciência, Tecnologia, Inovação e Empreendedorismo (STIEP, na sigla em inglês), durante encontro realizado no Rio de Janeiro, nos dias 10 e 11 de junho deste ano. “A inovação é sempre a busca de que a produção científica se realize em produtos e serviços. Então, nesse esforço, há uma troca das ferramentas e instrumentos legais que os países têm”, comentou Luciana Santos.
A importância da inovação também foi enfatizada pela vice-ministra Nomalungelo Gina, que defendeu seu papel central no desenvolvimento das nações do Sul Global. “Temos compartilhado nossas experiências de como investimos no crescimento da inovação, tendo em mente que, quando se trata do crescimento econômico do nosso país, da estabilidade do nosso país, tudo se baseia na inovação”, afirmou.
Ela acrescentou que durante os encontros do grupo foram discutidos temas como industrialização, educação e desenvolvimento de habilidades, além de maneiras de trocar informações e recursos para enfrentar desafios comuns, como as mudanças do clima. “A inovação pode contribuir para as questões energéticas e os desafios que enfrentamos. Analisar e abordar as questões energéticas nos permite atrair inovação para questões climáticas, como a do hidrogênio verde”, completou a representante da África do Sul, ao pontuar soluções para a redução das emissões de gases de efeito estufa.
Uma década de cooperação
Este ano marca os dez anos do Memorando de Entendimento sobre Cooperação em Ciência, Tecnologia e Inovação do BRICS, assinado pelos ministros das pastas correspondentes nos países-membros.
“Esse grupo de ciência, tecnologia e inovação do BRICS, que são dos ministros e os representantes que se fazem aqui presentes, têm tido um intenso trabalho. Já são 10 anos de cooperação com esse escopo e com essa construção por meio do BRICS. Nós temos 14 Grupos de Trabalho de Ciência, Tecnologia e Inovação. Vai desde chamadas públicas para cooperação e trocas de pesquisadores em rede até a possibilidade de compartilhamento de infraestrutura e a busca da transferência tecnológica, do compartilhamento, do diálogo, num espírito colaborativo, entendendo que todos nós precisamos aprender juntos”, celebrou a ministra Luciana Santos.
Até o momento, a área de C,T&I do BRICS já realizou nove edições do Fórum de Jovens Cientistas, sete edições do Prêmio de Jovens Inovadores, além de seis chamadas conjuntas de cooperação em pesquisa, reunindo centenas de cientistas e representantes governamentais.
Durante o evento também foi assinada a expansão do Memorando, que inclui o novo país-membro do agrupamento, Indonésia, e outros parceiros, como Bielorrússia, Bolívia, Cuba, Cazaquistão, Malásia, Nigéria, Tailândia, Uganda, Uzbequistão e Vietnã.
Com informações do BRICS_BR
TECNOLOGIA
Projeto Entre Ciências seleciona seis propostas sobre sociobiodiversidade
Como cuidar melhor da floresta, da terra e da biodiversidade? Parte dessa resposta está no diálogo entre diferentes formas de conhecimento. Com o objetivo de fortalecer a participação de povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares na produção de conhecimento sobre a sociobiodiversidade, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) vai selecionar seis iniciativas para o projeto Entre Ciências: Territórios de Saber em Diálogo.
Foram avaliadas 60 propostas de arranjos de pesquisa colaborativa, envolvendo comunidades e academia, vindas de diferentes regiões da Amazônia e do Cerrado. Os trabalhos foram selecionados por uma comissão formada por especialistas e representantes das próprias comunidades, levando em conta não só critérios técnicos, mas também a diversidade dos territórios e protagonismo de mulheres, jovens e anciãos.
Projetos selecionados
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Associação dos Seringueiros do Seringal Cazumbá. Parceiro acadêmico: Instituto Federal do Acre (Ifac) — Campus Rio Branco;
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Associação Quilombo Kalunga. Parceiro acadêmico: Universidade de Brasília (UnB) – Programa de Mestrado Profissional em Sustentabilidade junto a Povos e Terras Tradicionais (Mespt) e Programa da Licenciatura em Educação do Campo (Ledoc);
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Organização Baniwa e Koripako — Nadzoeri. Parceiros acadêmicos: UnB, Universidade Federal Fluminense (UFF) e Universidade de São Paulo (USP);
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Associação de Mulheres Indígenas em Mutirão (Amim). Parceiro acadêmico: Instituto Federal do Amapá;
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Centro de Agricultura Alternativa Vicente Nica. Parceiro acadêmico: Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (IFNMG) — Campus Almenara;
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Coletivo Mulheres Retireiras do Araguaia. Parceiro acadêmico: Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), vinculado ao MCTI, e Instituto Juruá.
Com os novos arranjos selecionados, o projeto passa a apoiar oito experiências em diferentes territórios, ampliando uma rede que conecta ciência dos povos e comunidades com a ciência acadêmica, cultura e meio ambiente.
Para a secretária de Políticas e Programas Estratégicos do MCTI, Andrea Latgé, a iniciativa reforça a importância de integrar diferentes formas de conhecimento na produção científica. “O Entre Ciências mostra que o conhecimento também nasce nos territórios. Ao valorizar saberes de povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares, fortalecemos uma ciência mais diversa e conectada aos desafios do País”, destaca.
O Entre Ciências aposta em uma ideia simples e poderosa: quem vive nos territórios também produz conhecimento. O projeto fortalece o papel de povos indígenas e comunidades tradicionais na pesquisa sobre biodiversidade, em temas prioritários para o próprio território, incentivando a parceria com atores acadêmicos comprometidos e com respeito às diferentes formas de conhecimento.
Além do apoio aos projetos, a iniciativa oferece formação, bolsas para pesquisadores locais das comunidades, intercâmbios e suporte para a gestão de dados e informações produzidas pelas próprias comunidades.
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