TECNOLOGIA
Brasil pode enfrentar aumento de até 6°C até 2100, afirma especialista em palestra na Casa da Ciência
Na terça-feira (18), a Casa da Ciência do MCTI, em Belém (PA), recebeu a palestra magna Projeção dos Impactos Climáticos nos Biomas Brasileiros, ministrada pelo pesquisador sênior do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), o biólogo Adalberto Val. O especialista apresentou os desafios impostos pelas mudanças climáticas aos seis biomas continentais do Brasil: Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga, Pantanal e Pampas.
Durante a apresentação, Adalberto Val destacou que esses sistemas naturais desempenham funções ecológicas, climáticas e socioeconômicas essenciais para o desenvolvimento nacional, além de influenciarem processos como o ciclo hidrológico da América do Sul e a estabilidade do clima global. No entanto, todos estão sob pressão crescente devido às mudanças climáticas, o que pode levar à perda de habitats, redução da biodiversidade e risco significativo de colapso ecológico.
Ao abordar os impactos específicos das mudanças climáticas nos biomas brasileiros, o pesquisador trouxe dados que evidenciam a vulnerabilidade desses ecossistemas. “Na Mata Atlântica, mais da metade da área urbana do Brasil está localizada nesse bioma, que já perdeu parte significativa de sua cobertura original. No Pantanal, 93% dos incêndios ocorreram em vegetação nativa, com impactos severos. E, nos Pampas, fenômenos como El Niño e La Niña têm provocado enchentes e secas extremas. Esses impactos indicam que o País poderá enfrentar aumento de temperatura entre 3°C e 6°C até 2100, acima da média global”, alertou o pesquisador.
Desafios dos biomas
O especialista detalhou os principais efeitos esperados das mudanças climáticas nos biomas brasileiros, ressaltando que cada um enfrenta desafios específicos. Na Amazônia, os impactos incluem aumento da mortalidade de árvores, incêndios mais frequentes, declínio da vegetação e eventos extremos como as secas de 2023 e 2024. Além disso, o aquecimento das águas amazônicas provoca queda do pH e redução do oxigênio dissolvido, causando grande mortalidade de peixes.
No Cerrado, os períodos de seca tendem a se prolongar, afetando processos ecológicos como a regeneração natural, os ciclos de polinização e a dinâmica dos aquíferos. Até 35% das espécies vegetais do bioma podem estar em risco de extinção regional até meados do século XXI. Já na Mata Atlântica, das 1,3 mil espécies registradas, cerca de 31% podem ser ameaçadas de extinção, agravando a situação de um bioma que já perdeu grande parte de sua cobertura original.
Nos demais biomas, os cenários também são preocupantes. O Pantanal enfrenta secas extremas e mega incêndios, enquanto a Caatinga se destaca como um dos mais vulneráveis, devido à combinação entre degradação ambiental e fragilidade socioeconômica regional. Nos Pampas, as projeções indicam aumento de até 12% na precipitação e maior frequência de ciclones, fenômenos que intensificam enchentes e secas extremas. “Esses dados reforçam a urgência de estratégias integradas para adaptação e conservação”, alerta Adalberto Val.
Apesar do cenário preocupante, Val reforçou que existem caminhos para enfrentar a crise climática. “Há soluções baseadas na ciência que podem oferecer respostas rápidas aos desafios do País. É urgente repensar os arranjos institucionais para mobilizar recursos, integrar informações e fortalecer a governança, garantindo políticas públicas eficazes para adaptação e conservação”, concluiu.
Casa da Ciência
A Casa da Ciência do MCTI, no Museu Paraense Emílio Goeldi, é um espaço de divulgação científica, com foco em soluções climáticas e sustentabilidade, além de ser um ponto de encontro de pesquisadores, gestores públicos, estudantes e sociedade. Até o dia 21, ela será a sede simbólica do ministério na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP30) e terá exposições, rodas de conversa, oficinas, lançamentos e atividades interativas voltadas ao público geral. Veja a programação completa.
TECNOLOGIA
MCTI lança FormP&D 2026 e Lei do Bem registra recorde de R$ 51,6 bilhões
Investimentos em pesquisa e desenvolvimento resultam em novos produtos, fortalecem a competitividade das empresas, estimulam a criação de empregos qualificados e ampliam a capacidade tecnológica do País. Para acompanhar esse movimento e aperfeiçoar uma das principais políticas de incentivo à inovação empresarial no Brasil, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) lançou, nesta terça-feira (2), em Brasília (DF), o FormP&D 2026. O documento on-line é utilizado pelas empresas beneficiárias da Lei do Bem para declarar suas atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação.
A nova versão do sistema traz atualizações que modernizam os processos de avaliação, ampliam a integração de dados, aperfeiçoam a governança e conferem mais clareza ao preenchimento das informações referentes ao ano-base 2025. As mudanças buscam facilitar a prestação de informações pelas empresas e ampliar a capacidade do governo de acompanhar a evolução dos investimentos privados em inovação.
Ao destacar a importância da Lei do Bem para ampliar a competitividade da indústria brasileira, a ministra do MCTI, Luciana Santos, ressaltou a necessidade de transformar o conhecimento produzido no País em inovação e desenvolvimento econômico.
“O Brasil está entre os maiores produtores de pesquisa e desenvolvimento do mundo, mas ainda precisa avançar na transformação desse conhecimento em inovação, competitividade e crescimento econômico. A Lei do Bem é um instrumento fundamental para fortalecer essa conexão e estimular as empresas a investirem mais”, afirmou Luciana Santos.
A ministra também destacou o papel das políticas públicas de incentivo à inovação e os investimentos do Governo do Brasil. “O compromisso do presidente Lula com a ciência, tecnologia e inovação se traduz em investimentos concretos. Estamos reconstruindo capacidades do Estado brasileiro, fortalecendo instituições e criando condições para que o País avance em uma agenda de desenvolvimento baseada em sustentabilidade, inclusão social e soberania tecnológica”, completou.
Novo FormP&D amplia suporte e simplifica preenchimento
O novo FormP&D 2026 traz uma série de atualizações que simplificam o preenchimento das informações pelas empresas e aprimoram o acompanhamento das atividades apoiadas pela Lei do Bem. Entre as novidades estão uma nova área de suporte técnico ao usuário, a criação de um identificador único para cada projeto, a integração com bases de dados governamentais e a possibilidade de importar informações automaticamente por meio de planilhas em etapas específicas do formulário.
As mudanças também ampliam os instrumentos de orientação disponíveis para as empresas. O Guia do Usuário do novo FormP&D já está disponível no Portal da Lei do Bem. Uma nova edição do Guia Prático da Lei do Bem, prevista para julho, vai reunir orientações atualizadas em linguagem mais acessível, com exemplos, fluxos, checklists e explicações sobre os critérios utilizados na caracterização de projetos de inovação.
Ao apresentar as novidades, o secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do MCTI, Daniel Almeida, destacou que as atualizações foram construídas a partir das contribuições recebidas do setor produtivo. “Recebemos vários inputs das empresas e das consultorias que utilizam a Lei do Bem. Algumas melhorias já conseguimos implementar agora e outras continuam em desenvolvimento. A ideia é fazer essa grande parceria para avançar continuamente na melhoria do instrumento.”
Entre as iniciativas previstas para os próximos meses estão o lançamento do Programa Embaixadores da Lei do Bem, que vai orientar empresas em todo o País, a ampliação dos mecanismos de avaliação simplificada para projetos desenvolvidos em parceria com instituições de ciência e tecnologia e a implementação de novas soluções de inteligência artificial para apoiar usuários do sistema e equipes responsáveis pelas análises.
Recordes da Lei do Bem
Os resultados de 2023 e 2024 consolidaram o melhor desempenho da história da Lei do Bem. Em apenas um ano, os investimentos privados em pesquisa e desenvolvimento cresceram de R$ 41,93 bilhões para R$ 51,59 bilhões, alta de 23% e aumento de R$ 9,66 bilhões. O período também registrou recordes de participação empresarial, com 4.252 empresas beneficiárias, e de projetos de inovação, que chegaram a 14.877 iniciativas em 2024. A expansão foi acompanhada pelo crescimento da utilização dos incentivos fiscais, cuja renúncia estimada alcançou R$ 11,98 bilhões, reforçando a Lei do Bem como o principal instrumento de estímulo à inovação empresarial no País.
Para o diretor do Departamento de Apoio aos Ecossistemas de Inovação (Depai) do MCTI, Hideraldo de Almeida, os resultados refletem a consolidação da política como o principal instrumento de estímulo à inovação no Brasil, incentivando empresas a investir em tecnologia, competitividade e desenvolvimento científico. “Para que essa política pública continue evoluindo com transparência, eficiência e segurança, é fundamental também modernizar os nossos mecanismos de gestão e acompanhamento”, disse.
Lei do Bem fortalece capital humano
Os resultados da Lei do Bem também refletem a ampliação da força de trabalho dedicada à inovação dentro das empresas brasileiras. Em 2024, 52.222 profissionais atuaram exclusivamente em atividades de pesquisa e desenvolvimento, número significativamente superior aos 34.291 profissionais registrados em 2023.
A maior parte desse contingente era formada por 35.242 graduados e 7.953 pós-graduados, além de 2.835 mestres e 1.454 doutores dedicados a atividades de pesquisa. A força de trabalho também contou com técnicos e tecnólogos responsáveis por ações ligadas a laboratórios, prototipagem e desenvolvimento tecnológico, evidenciando o papel da Lei do Bem na geração de empregos qualificados e no fortalecimento da capacidade científica das empresas brasileiras.
Os resultados de 2023 e 2024 consolidaram um novo patamar para a Lei do Bem. No período, a média anual de investimentos em pesquisa e desenvolvimento chegou a R$ 46,8 bilhões, quase o dobro da registrada entre 2019 e 2022. Com a modernização do FormP&D, o MCTI busca tornar o acompanhamento desses investimentos mais eficiente e aprimorar a produção de informações estratégicas para o desenvolvimento nacional.
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