TECNOLOGIA

Brasil passa a integrar grupo que vai definir estratégias globais para monitoramento dos oceanos

O Brasil conquistou um espaço inédito nas discussões internacionais sobre o futuro da ciência oceânica. A diretora de Infraestrutura e Operações do Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (Inpo), Janice Trotte-Duhá, foi nomeada para o Comitê Internacional da OceanObs29, uma das principais conferências globais dedicadas à observação e ao monitoramento dos oceanos.

A nomeação representa uma importante integração brasileira em todas as articulações estratégicas e pensadas no futuro dos oceanos. Esta é a primeira vez que o País integra o comitê, que chega à quarta edição. No momento, o mundo se mobiliza em torno da Década do Oceano (2021-2030), iniciativa da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco). O Brasil sediará a Conferência da Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável em 2027, no Rio de Janeiro (RJ).

A representante brasileira participou da primeira reunião estratégica do grupo, de 18 a 21 de maio, em Hong Kong, na China. O encontro reuniu especialistas de diferentes países para iniciar o planejamento da edição de 2029 da conferência, que também será sediada na China e deverá definir prioridades internacionais para a próxima década da observação oceânica.

Segundo a diretora do Inpo, o primeiro encontro foi marcado por discussões centradas na construção da próxima etapa do programa. “Foi um começo bastante empolgante, que pautará a próxima fase de trabalhos, quando se pretende promover soluções práticas para todos os setores envolvidos e interessados na coleta de dados, a partir de observações oceânicas, para um planeta em transformação”, afirmou Janice Trotte-Duhá.

Os sistemas de observação oceânica são responsáveis por gerar dados que ajudam cientistas e governos a compreenderem fenômenos como mudanças climáticas, aumento do nível do mar, eventos extremos, acidificação dos oceanos, segurança marítima e impactos sobre zonas costeiras.

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A conferência

Criada há mais de duas décadas, a OceanObs é reconhecida internacionalmente por reunir pesquisadores, gestores públicos, instituições científicas e organismos internacionais em torno de um objetivo comum: melhorar a capacidade global de observar os oceanos e transformar dados científicos em respostas concretas para desafios ambientais, econômicos e sociais.

Janice destaca ainda que a inserção brasileira no grupo marca um avanço importante para o País em um tema cada vez mais central no debate climático global. “É fundamental lembrar da importância que parcerias estratégicas entre governos, empresas e organizações sem fins lucrativos significam para o futuro das observações oceânicas em todo o nosso planeta, incluindo os setores sub-representados, tais como os países que compõem o Sul Global.”

A edição de 2029 começa agora a ser desenhada por um grupo de 21 especialistas de diferentes regiões do mundo. O comitê terá a missão de definir os eixos científicos, estratégicos e políticos do evento, além de ampliar a participação internacional em temas ligados à observação oceânica e à cooperação científica.

A proposta é ampliar o diálogo entre países em desenvolvimento e fortalecer iniciativas de cooperação voltadas ao compartilhamento de dados, tecnologias e infraestrutura científica para os oceanos.

A participação da unidade de pesquisa no planejamento da OceanObs29 também ocorre em um momento de maior atenção internacional diante do avanço das mudanças climáticas. Cientistas consideram os mares fundamentais para a regulação do clima do planeta, absorção de calor e carbono, manutenção da biodiversidade e proteção das populações costeiras.

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“A sociedade depende do oceano mais do que nunca. Este é o momento de reunir a comunidade científica e os usuários de dados para moldar o sistema de observação oceânica de que precisamos para bem gerenciar os nossos recursos do mar, a partir de dados confiáveis, interoperáveis e produzidos em escala global. O Inpo estará sempre presente, oferecendo toda a expertise que se faz necessária”, concluiu Janice.

Global Ocean Submmit 2026

Além da participação do Inpo nas primeiras reuniões estratégicas da OceanObs29, o instituto estava presente no Global Ocean Summit 2026, em Hong Kong. O diretor-geral do Inpo, Segen Estefen, participou do encontro de 18 a 20 de maio, quando ministrou a palestra Marine Energy Contributions to Energy Transition and the Blue Economy, sobre o potencial do oceano como fonte de energia renovável e aliado da transição energética.

Durante o evento, ele também participou das discussões para a criação da Global Ocean Research Union (GlORi), iniciativa internacional de cooperação científica, compartilhamento de dados e fortalecimento da pesquisa oceânica global.

“A cooperação internacional é essencial para avançarmos em soluções à altura dos desafios que o oceano impõe. O Brasil tem um papel estratégico nesse cenário, tanto pela dimensão do seu território marítimo quanto pela capacidade científica instalada, e o Inpo tem como uma de suas missões estratégicas conectar essas competências ao esforço global”, destacou Segen Estefen durante as discussões sobre a criação da GlORi, em Hong Kong.

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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TECNOLOGIA

MCTI lança oficinas para atualizar plano nacional da Década do Oceano

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) lançou nesta quarta-feira (3) a mobilização nacional O Brasil na Década do Oceano: Vozes para o Futuro. A iniciativa vai unir diferentes setores da sociedade para atualizar o Plano Nacional de Implementação da Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável, da Organização das Nações Unidas (ONU). 

As principais ferramentas desse processo serão as Oficinas Livres, encontros organizados pela própria sociedade em diferentes regiões do País. As atividades poderão ocorrer de forma presencial, virtual ou híbrida de junho a agosto de 2026.  As reuniões podem ser uma roda de conversa, debate, oficina com dinâmicas ativas, conferência, fórum, bate-papo e até uma proposta artística. Podem participar instituições públicas ou privadas, coletivos, comunidades indígenas, tradicionais ou quilombolas. 

Os encontros garantirão a pluralidade de visões e o registro de conhecimentos, avanços e soluções locais. As contribuições coletadas serão sistematizadas e submetidas a consulta pública. Em seguida, especialistas e representantes de diferentes setores participarão de oficinas temáticas para consolidar propostas e identificar desafios prioritários para os próximos anos. 

A ação será implementada com apoio do Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (INPO), unidade vinculada à pasta, articulada em conjunto com a Unesco Brasil e o Comitê Nacional da Década no Brasil, instituído pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio da Portaria MCTI nº 9.906, e que conta com liderança da Coordenadação-Geral de Ciências para o Oceano e Antártica (CGOA) da Secretaria de Políticas e Programas Estratégicos (SEPPE) do MCTI. 

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O diretor do Departamento de Programas Temáticos da SEPPE, Leandro Pedron, destaca que o processo de atualização do Plano Nacional da Década do Oceano é também uma oportunidade para fortalecer a cultura oceânica no Brasil e ampliar a compreensão sobre a relação entre sociedade e oceano.

“Os desafios do oceano não se limitam às regiões costeiras. O oceano está conectado a todos os territórios brasileiros, influenciando o clima, a produção de alimentos, a economia e a qualidade de vida da população. Essas oficinas são uma oportunidade para aproximar diferentes saberes e experiências, fortalecendo a construção coletiva de soluções para o futuro do país”, afirmou.

Para Pedron, a implementação da Década do Oceano depende da capacidade de ouvir a ciência e conectá-la às demandas da sociedade. “A construção de políticas públicas mais efetivas passa pelo diálogo entre conhecimento científico, saberes tradicionais, experiências locais e participação social. É dessa convergência que surgem as soluções necessárias para promover um oceano saudável e garantir seus benefícios para as atuais e futuras gerações”, completou. 

As colaborações também ajudarão a preparar a participação brasileira na Terceira Conferência da Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável (ODC27), que será no Rio de Janeiro (RJ), em abril de 2027. 

As oficinas serão estruturadas em sete eixos temáticos:  

  • Conservação e combate à poluição 
  • Observação e monitoramento do oceano e adaptação às mudanças climáticas 
  • Segurança alimentar e pesca sustentável 
  • Economia azul sustentável 
  • Cultura oceânica e justiça, equidade, diversidade e inclusão 
  • Financiamento, cooperação internacional e governança 
  • Infraestrutura de pesquisa e transformação digital 
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Proclamada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2017, a Década do Oceano abrange o período de 2021 a 2030 e busca mobilizar o globo em torno de uma agenda comum: a preservação do oceano, uma das maiores fontes de vida da terra. A iniciativa reconhece a ciência como elemento central para compreender os desafios do oceano e orientar a construção de soluções para seu uso sustentável e sua conservação.

Como participar

Os interessados em organizar uma Oficina Livre devem definir tema, formato, data e local da atividade, preencher o formulário de inscrição disponível na plataforma da Década do Oceano no Brasil e aguardar a validação da proposta. Após a aprovação, os organizadores receberão materiais de apoio para divulgação e orientação sobre o envio das contribuições. 

O processo será supervisionado pelo MCTI, por meio da SEPPE, órgão responsável pela coordenação da Década do Oceano no Brasil e pela atualização do Plano Nacional de Implementação da Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável. 

A execução e coordenação operacional das atividades serão feitas em parceria com o Inpo, com apoio da Unesco Brasil e do Comitê Nacional da Década do Oceano, fortalecendo a mobilização nacional e a construção coletiva das contribuições brasileiras para a conferência em 2027. 

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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