SAÚDE
Ministério da Saúde amplia Força Nacional e passa a alcançar qualquer emergência no país em até 12 horas
O Brasil passa a contar com a expansão de mais oito bases da Força Nacional do SUS (FNSUS), distribuídas por todas as regiões do país. Com esse reforço, as equipes terão capacidade de chegar a qualquer emergência em até 12 horas e iniciar ações compatíveis com a complexidade do desastre em até 72 horas. O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, nesta terça-feira (30), em Brasília (DF), e integra um pacote de medidas para ampliar a capacidade de resposta do SUS aos efeitos do El Niño e de outros eventos climáticos extremos.
“O Ministério da Saúde deixou claro, inclusive na COP30, que considera a crise climática, antes de mais nada, uma crise de saúde pública. Com as bases descentralizadas, aumentamos em 20 vezes a capacidade de pronta resposta em até 12 horas, com profissionais capacitados, equipamentos e estruturas mais próximas dos territórios”, ressaltou Padilha.
As iniciativas incluem também a implantação dos Centros de Informação em Saúde e Clima (CISC) nas cinco regiões do país, o lançamento do Painel Nacional de Calor Extremo e a maior seleção de projetos da história para enfrentar os impactos das mudanças climáticas.
Na parte operacional, a Força Nacional do SUS terá oito bases distribuídas pelo país — em Porto Alegre (RS), Salvador (BA), Rio de Janeiro (RJ), além de unidades no Norte, Nordeste e Centro-Oeste — com implantação prevista até 2027. A estrutura será a primeira do tipo na América do Sul e reforça a capacidade de atuação do SUS em crises sanitárias, apoio a estados e municípios, eventos de massa e situações de eventos extremos e desastres.
Essas bases contarão com Equipes de Resposta Rápida, capazes de chegar às áreas afetadas em até 12 horas e manter a atuação contínua nas primeiras 72 horas após o incidente, período crítico para a estabilização da resposta local. As equipes terão viaturas, rádios, comunicação via satélite, drones e equipamentos de reconhecimento, o que permitirá c atuação também em áreas de difícil acesso.
Já os Centros de Informação em Saúde e Clima serão implantados nas cidades de Belo Horizonte (MG), Belém (PA), Cuiabá (MT), Curitiba (PR), Fortaleza (CE), Porto Alegre (RS), Santarém (PA) e no estado da Bahia. A proposta é integrar dados epidemiológicos, demográficos, socioeconômicos e climáticos para monitorar riscos em tempo real, apoiar a emissão de alertas precoces e orientar decisões relacionadas à resposta, incluindo serviços e equipamentos de saúde e orientação para gestores, profissionais de saúde e a população em geral, com foco nas populações em situação de maior vulnerabilidade.
Cada centro contará com uma equipe formada por epidemiologistas, meteorologistas, geógrafos especializados em análise espacial e cientistas de dados. O investimento é de R$ 9 milhões, sendo R$ 2,5 milhões para equipamentos e mobiliário e R$ 6,5 milhões para custeio das equipes, com execução prevista em 24 meses. Os centros serão inaugurados amanhã, na Bahia.
Ainda como parte das ações, foi lançado o Painel Nacional de Monitoramento e Previsão de Excesso de Calor e Equidade em Saúde, que disponibiliza previsões diárias para os 5.570 municípios brasileiros com até cinco dias de antecedência. A ferramenta de apoio à vigilância em saúde cruza dados meteorológicos com indicadores de vulnerabilidade socioeconômica para identificar áreas e populações de maior risco, a fim de apoiar o planejamento de ações de preparação e resposta em períodos de calor extremo.
AdaptaSUS
As medidas anunciadas pelo ministro Padilha integram o AdaptaSUS, Plano Nacional de Adaptação do Setor Saúde às Mudanças Climáticas, apresentado na COP30. O plano reúne 27 metas e 93 ações até 2035, com investimentos de R$ 9,8 bilhões em adaptação estrutural. Em 2026, o Ministério da Saúde mobilizou R$ 16,3 milhões para resposta a emergências, sendo R$ 12,7 milhões destinados a desastres. Abaixo, as ações executadas desde a implementação do plano:
- Sala de Situação Nacional de Emergências Climáticas em Saúde — integra dados epidemiológicos, ambientais, meteorológicos e assistenciais para monitorar riscos e coordenar respostas com estados e municípios. Em operação.
- Painel Nacional de Calor Extremo e Equidade em Saúde — fornece previsões diárias de risco climático para todos os municípios brasileiros. Em operação.
- Painel VIGIAR – Poluição Atmosférica e Saúde Humana — monitora impactos da poluição do ar na saúde com série histórica de 2010 a 2024 e estimativas de mortalidade associada. Em operação.
- Sistema de Informações Ambientais Integradas à Saúde (SISAM) — reúne dados históricos e previsões de qualidade do ar para apoiar a vigilância em saúde. Em operação.
- Informes de Monitoramento de Incêndios Florestais — análises semanais sobre focos de calor e exposição da população durante o período de queimadas. Em operação sazonal.
- Guia de Mudanças Climáticas e Saúde para Profissionais de Saúde — orienta prevenção e manejo clínico, com foco em calor extremo. Disponível em diferentes formatos.
- Nota Técnica nº 18/2023 – Ondas de Calor — estabelece diretrizes para prevenção e resposta a eventos de calor extremo. Em vigor.
- Guia de Vigilância Popular em Saúde e Emergências Climáticas — integra conhecimento científico e saberes tradicionais para resposta comunitária. Disponível.
- Planos Estaduais de Adaptação do Setor Saúde — Bahia, Pará e Piauí concluíram os planos; Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Maranhão e Rio de Janeiro estão em elaboração; demais estados em fase inicial.
PET-Saúde Clima
Outra ação anunciada é a seleção de 197 projetos para a 13ª edição do Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde), com foco no enfrentamento dos impactos das mudanças climáticas. Com investimento de R$ 266 milhões e 12,6 mil bolsas distribuídas em todos os estados, esta é a maior edição da história do programa.
Dos 197 projetos selecionados, 39 serão desenvolvidos na Amazônia Legal, o equivalente a 20% do total. O Rio Grande do Sul foi o estado com maior número de propostas submetidas. Os projetos integram universidades, profissionais de saúde e comunidades na construção de soluções para os desafios climáticos, com atenção especial às regiões mais afetadas por eventos extremos.
El Niño e os impactos na saúde
As projeções para 2026-2027 indicam seca prolongada e risco de incêndios na Amazônia Legal; secas severas no semiárido nordestino; estresse térmico e incêndios no Cerrado e no Pantanal; ondas de calor e chuvas variáveis no Sudeste; e chuvas intensas com risco de inundações e deslizamentos no Sul, especialmente no Rio Grande do Sul. As ondas de calor são apontadas como risco transversal a quase todo o território nacional.
Em períodos de calor extremo, o Ministério da Saúde reforça as medidas de proteção, com atenção especial a idosos, crianças, gestantes e pessoas doentes ou acamadas e também a trabalhadores expostos ao sol e pessoas em situação de rua. Os idosos são o grupo mais vulnerável devido à menor percepção de sede, à maior presença de doenças crônicas e ao uso de medicamentos que podem reduzir a capacidade de adaptação ao calor, aumentando o risco de desidratação, exaustão térmica e agravamento de condições pré-existentes.
A orientação principal é aumentar a ingestão de água e sucos naturais sem açúcar, mesmo sem sentir sede, e evitar bebidas alcoólicas e com alto teor de açúcar. Também é recomendado evitar a exposição ao sol entre 10h e 16h, usar protetor solar aplicado 30 minutos antes da exposição e reaplicado a cada duas horas, além de chapéus e óculos escuros. Mais informações estão disponíveis no site do Ministério da Saúde.
Amanda Milan
Karyna Angel
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
SAÚDE
Ministério da Saúde destaca políticas de inovação durante a BIO International Convention, nos Estados Unidos
A corrida global pela inovação e o futuro da medicina atraiu mais de 21 mil cientistas, investidores e líderes de dezenas de nações para San Diego, nos Estados Unidos, durante a BIO International Convention 2026, realizada entre os dias 22 e 25 de junho. A convenção reuniu especialistas para debater os avanços em biotecnologia e novas soluções para a área da saúde.
A programação contou com espaços de debates, reuniões bilaterais, visitas técnicas e painéis temáticos. O Ministério da Saúde foi representado pelo secretário-adjunto da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (SCTIE), Eduardo Jorge Valadares Oliveira, que levou para o evento temas prioritários da agenda pública como a estruturação do Complexo Econômico-Industrial da Saúde, o papel das Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs) e a criação de programas estratégicos para o Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo Eduardo Jorge, experiências recentes, como a pandemia de Covid-19, evidenciaram a importância da produção nacional e da autonomia tecnológica. “Trabalhamos muito nos últimos anos com projetos de transferência de tecnologia. É isso que vai transformar o conhecimento adquirido em descobertas originais e em novos produtos disponibilizados à população brasileira”, afirmou.
O Brasil no cenário da inovação
No espaço do XI Summit Brasil, durante o Painel “Ambiente Regulatório e Político em Evolução: Celeridade, Inovação e Competitividade no Brasil”, o debate foi sobre os rumos da saúde e reuniu lideranças dos setores público e privado. O secretário-adjunto da SCTIE chamou atenção para desafios transnacionais e que impactam diretamente o SUS como o aumento dos gastos com medicamentos de alto custo, os tratamentos para doenças raras e ultrarraras e a velocidade das transformações tecnológicas.
Assim, para fortalecer a indústria brasileira, aumentar a concorrência e diminuir os custos, o governo tem investido em programas estratégicos. Entre os exemplos, Eduardo Jorge destacou que o Ministério está implantando a inovação radical em saúde, com foco em soluções capazes de reduzir vulnerabilidades e fortalecer a soberania tecnológica nacional. “Inovação deve ser entendida como algo que chega ao paciente e gera impacto concreto na sociedade, como a ampliação do acesso, a geração de empregos e o fortalecimento da saúde pública. Inovação é tecnologia que transforma”, ressaltou.
Investimento em saúde
Durante participação brasileira no painel “Financing Innovation Access in Diverse Economies”, realizado no âmbito do B20, o Ministério da Saúde destacou que o Brasil está trabalhando em várias frentes para garantir o acesso equitativo às inovações em um dos maiores sistemas públicos universais de saúde do mundo – o SUS. O secretário-adjunto da SCTIE ressaltou que o país vem ampliando a compreensão de que a saúde não deve ser vista como despesa social, mas como um vetor estratégico de desenvolvimento econômico, capaz de impulsionar a produtividade e fortalecer cadeias produtivas essenciais para a soberania nacional.
“O Brasil tem buscado mudar a visão de como encaramos o investimento em saúde. Acreditamos nos benefícios econômicos, como o aumento da produtividade da força de trabalho e das cadeias de valor de setores estratégicos. Por exemplo: um terço de todos os trabalhadores qualificados estão atuando no setor saúde; 25% de todos os investimentos em pesquisa e desenvolvimento estão relacionados a tecnologias de saúde” relatou.
Orçamento, regulação e incorporação
Na mesa-redonda “Brazil Roundtable on Biotechnology Collaboration”, o debate abordou os desafios da incorporação de novas tecnologias e da ampliação do acesso a medicamentos no SUS, sem comprometer o ritmo das inovações. Entre as regras que direcionam esse processo está uma orientação do Tribunal de Contas da União (TCU), instruindo que novos produtos só podem ser incluídos no sistema mediante a existência de orçamento previamente aprovado, em conformidade com a Lei de Responsabilidade Fiscal. A medida fortalece o diálogo entre o Ministério da Saúde e o Congresso Nacional, responsável pela definição do orçamento federal, e incentiva a criação de rubricas específicas para essas incorporações. Além de ampliar a transparência sobre a origem dos recursos destinados aos novos tratamentos, a iniciativa oferece maior previsibilidade às empresas que investem em tecnologias para a saúde e contribui para a sustentabilidade financeira do SUS.
Janine Russczyk
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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