SAÚDE

Ministério da Saúde abre consulta pública sobre uso do AAS para prevenir pré-eclâmpsia e eclâmpsia no SUS

O Ministério da Saúde abriu consulta pública para receber contribuições da sociedade sobre a proposta de incorporação do ácido acetilsalicílico, conhecido como AAS, para prevenção de pré-eclâmpsia e eclâmpsia em gestantes de alto risco no Sistema Único de Saúde (SUS). A Consulta Pública nº 53/2026 está aberta até 6 de julho.

A proposta tem como objetivo fortalecer o cuidado pré-natal e ampliar as estratégias de prevenção de complicações graves durante a gestação. A incorporação do medicamento poderá contribuir para a padronização da conduta clínica, a qualificação da assistência e o enfrentamento da morbimortalidade materna no país. A participação de usuárias, profissionais de saúde, pesquisadores, gestores e demais interessados contribui com a avaliação da tecnologia e qualificar as políticas públicas de saúde no SUS.

Prevenção de complicações na gestação

A pré-eclâmpsia é uma condição que pode surgir durante a gravidez e está relacionada ao aumento da pressão arterial. Em alguns casos, pode estar associada à presença de proteína em excesso na urina ou a alterações em órgãos como rins, fígado e cérebro. A doença também pode trazer riscos ao bebê, como restrição de crescimento fetal e nascimento prematuro.

Algumas gestantes têm maior risco de desenvolver a condição, como aquelas que já tiveram pré-eclâmpsia em gestação anterior, têm hipertensão crônica, diabetes, obesidade, doenças autoimunes, problemas renais, gestação de gêmeos ou mais, ou gestação decorrente de reprodução assistida.

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De acordo com o relatório para a sociedade da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), o uso do AAS em baixa dose pode ajudar a melhorar a circulação na placenta e reduzir processos relacionados ao desenvolvimento da pré-eclâmpsia. O documento aponta que o medicamento apresenta maior eficácia quando iniciado precocemente no pré-natal, sempre com avaliação e orientação profissional.

Evidências analisadas

As evidências avaliadas pela Conitec indicam que o uso do AAS em baixa dosagem reduziu em 23% o risco de pré-eclâmpsia entre as gestantes participantes dos estudos. A análise também apontou maior benefício quando o medicamento é iniciado antes de 20 semanas de gestação, além de redução de parto prematuro e mortalidade perinatal.

Ainda segundo o relatório, não foi observado aumento significativo de hemorragias. O documento destaca que o uso do AAS em baixa dose na gravidez é considerado seguro, não aumentando o risco de malformações no bebê nem de complicações graves para a mãe, quando utilizado com orientação profissional.

Impacto orçamentário estimado

A análise econômica apresentada no relatório da Conitec estima em R$ 755 o custo para cada caso de pré-eclâmpsia ou eclâmpsia evitado com a incorporação do ácido acetilsalicílico ao SUS.

Já a análise de impacto orçamentário projeta impacto incremental de R$ 111,6 milhões em cinco anos, considerando o período de 2027 a 2031. A estimativa leva em conta um cenário de rápida ampliação do uso do medicamento entre 345,6 mil gestantes de alto risco no Brasil.

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Participação social

Durante a consulta pública, a Conitec espera receber contribuições que ajudem a compreender melhor aspectos relacionados ao uso do AAS na gestação, como o período gestacional em que o tratamento foi iniciado, o controle da pressão arterial e a ocorrência de possíveis eventos adversos, como hemorragia, descolamento de placenta ou restrição de crescimento do bebê.

As contribuições recebidas serão analisadas pela Conitec e poderão subsidiar a recomendação final sobre a incorporação da tecnologia no SUS. Os documentos disponíveis reúnem estudos e análises técnicas que embasam a proposta em discussão e ajudam a população a acompanhar o processo de avaliação.

Serviço
Consulta Pública nº 53/2026
Tema: ácido acetilsalicílico para prevenção de pré-eclâmpsia e eclâmpsia em gestantes de alto risco
Período de participação: 16 de junho a 6 de julho de 2026
Quem pode participar: usuárias, profissionais de saúde, pesquisadores, gestores e demais interessados
Onde participar: plataforma Brasil Participativo.

Participe da consulta pública sobre a incorporação do ácido acetilsalicílico no SUS

Raiane Azevedo
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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SAÚDE

Durante congresso em Brasília, ministro da Saúde destaca papel das instituições filantrópicas na assistência pelo SUS

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, participou, nesta quinta-feira (20), do encerramento do 34º Congresso Nacional das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos, em Brasília (DF). Com o tema “Saúde: a escolha que transforma o País”, o fórum reuniu gestores, especialistas, autoridades públicas e sociedade civil para tratar de estratégias de fortalecimento do SUS e da assistência hospitalar filantrópica.

Durante o congresso, Padilha apresentou a previsão de acréscimo de R$ 450 milhões no Teto MAC dessas instituições no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027. Com o reforço de 45%, o valor previsto passará de R$ 1 bilhão para R$ 1,45 bilhão, contribuindo para a continuidade dos atendimentos prestados à população pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

“As Santas Casas têm um papel decisivo na assistência à população. Elas não representam apenas o cuidado em saúde, mas também geram empregos e movimentam a economia local. Nosso desafio é construir um novo modelo de financiamento que permita que os recursos cheguem rapidamente aos hospitais filantrópicos, ajude a organizar os serviços e garanta a sustentabilidade dessas instituições, porque fortalecer as Santas Casas é fortalecer o SUS”, afirmou Padilha.

As Santas Casas e os hospitais filantrópicos estão presentes em 1.317 municípios. Ao todo, são 1.846 unidades sem fins lucrativos com produção hospitalar registrada no SUS. Essas instituições representam 25% dos hospitais do país, corresponder por 40% dos leitos do SUS e realizam cerca de 60% dos atendimentos do sistema público.

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A atuação das instituições também é expressiva em áreas de alta complexidade. Em 2025, os hospitais filantrópicos realizaram 5,1 milhões dos 14,9 milhões de procedimentos cirúrgicos eletivos registrados no SUS. Entre 2012 e maio de 2026, as entidades sem fins lucrativos também responderam por 59,7% dos transplantes realizados pelo sistema público.

34º Congresso Nacional das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos

Ao longo de três dias, o 34º Congresso Nacional das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos promoveu a troca de experiências e a construção de soluções voltadas à qualificação da gestão, ao financiamento do setor, à inovação e à ampliação do acesso da população aos serviços de saúde.

O evento reforça que as Santas Casas e hospitais filantrópicos são responsáveis por uma grande parcela dos atendimentos prestados à população do SUS, incluindo consultas, exames, internações, cirurgias, tratamentos oncológicos e transplantes. O encontro também destaca a parceria entre o poder público e a rede filantrópica como fundamental para ampliar o acesso e qualificar a assistência em todo o país.
 
 SUS reforça apoio às Santas Casas e hospitais filantrópicos

 O fortalecimento das Santas Casas e dos hospitais filantrópicos inclui ações para apoiar o custeio da assistência, melhorar as condições de financiamento e garantir a continuidade dos atendimentos prestados à população. Entre elas está a execução da Portaria GM/MS nº 9.760/2025, que estabeleceu R$ 1 bilhão para entidades sem fins lucrativos que atendem pelo SUS, por meio do programa Agora Tem Especialistas. Desse montante, R$ 800 milhões já foram repassados, em duas parcelas de R$ 400 milhões, e outros R$ 208,4 milhões serão destinados às maternidades filantrópicas.

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O repasse às maternidades será distribuído de forma proporcional à atuação de cada estabelecimento, combinando uma parcela fixa, definida conforme o porte assistencial de cada unidade, e outra variável, calculada de acordo com o número de partos realizados. O formato contempla tanto hospitais com grande volume de atendimentos quanto maternidades menores, essenciais para garantir o acesso ao parto e ao nascimento em diferentes regiões. 

Somado a isso, foi sancionada a Lei nº 2465/2026, que prorrogou até 2030 o uso de recursos do FGTS para financiar Santas Casas, hospitais filantrópicos e instituições sem fins lucrativos que atuam no SUS. A medida também reabriu o Programa Caixa Hospitais FGTS, ampliando o acesso dessas entidades a linhas de crédito para investimentos e expansão dos serviços. 

A nova etapa do programa já contemplou importantes instituições do país, como o Instituto do Câncer do Ceará, a Santa Casa de Misericórdia de Goiânia e a Santa Casa de Misericórdia de Barretos. Além disso, o Ministério da Saúde e a Caixa firmaram parceria para impulsionar a contratação dos recursos ainda disponíveis, estimados em R$ 2,1 bilhões. 

Eduarda Paixão
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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