SAÚDE
Eventos climáticos e seus impactos na qualidade da água para consumo humano são temas de qualificação do Ministério da Saúde
Para informar e difundir o conhecimento técnico e científico sobre Saúde Ambiental e também da agenda da 18ª Mostra Nacional de Experiências Bem-Sucedidas em Epidemiologia, Prevenção e Controle de Doenças (ExpoEPI) aos estados e aos municípios, foi realizado, na tarde de quinta-feira (2), o webinário “Diálogos em Saúde Ambiental”. O evento, transmitido ao vivo a profissionais que atuam na área, sobretudo nas ações de vigilância em saúde e ambiente, tem como foco a aplicabilidade do conteúdo a nível estadual e municipal.
O especialista Valmir de Moraes foi responsável pela moderação do webinário, que contabilizou cerca de 300 internautas simultâneos inscritos e certificados via plataforma webinar.aids.gov.br. O consultor técnico Daniel Valencia Cárdenas proferiu palestra sobre a atuação do Programa Nacional de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Vigiagua) em situações de secas e inundações, e analisou os impactos dos eventos climáticos na rotina da vigilância e no abastecimento e consumo da água. Ele destacou, ainda, a importância de o profissional compreender a transversalidade da pauta, que envolve atuação conjunta dos setores de saúde, meio ambiente e saneamento.
Durante a explanação, foram abordados os impactos das secas e inundações na qualidade da água para consumo humano, competências das esferas de gestão e envolvidos, e ações da vigilância da qualidade da água consumida pela população. “Essa questão é motivada pelas mudanças climáticas que têm se intensificado nos últimos anos e trazem consigo mudanças no ciclo hidrológico – o que resulta em secas mais prolongadas ou chuvas mais frequentes concentradas em pontos específicos. Desta forma, a atuação da vigilância, antes vista como um trabalho apenas de rotina, vai incorporando ao seu escopo as ações articuladas em situações de emergência, o que ocasiona uma série de desafios”, explicou Cárdenas.
O Vigiagua
O programa trata de um conjunto de ações permanentes desenvolvidas pelas autoridades de saúde pública, em diferentes níveis de atuação, com o propósito de assegurar à população o acesso à água em quantidade adequada e com qualidade compatível aos padrões de potabilidade definidos pela legislação vigente. O Sisagua, como ferramenta do Vigiagua, tem a finalidade de apoiar o gerenciamento de riscos à saúde por meio dos dados produzidos rotineiramente tanto pelos profissionais da área de Vigilância em Saúde quanto pelos responsáveis pelos serviços de abastecimento de água.
Os dados coletados e organizados permitem a geração de informações oportunas para subsidiar o planejamento, a tomada de decisões e a execução de medidas voltadas à saúde relacionadas à água destinada ao consumo humano. Os painéis informativos disponíveis oferecem uma visão detalhada sobre indicadores e informações referentes à qualidade da água consumida nos municípios brasileiros, considerando cada modalidade de abastecimento existente no território nacional.
A ExpoEPI
A Mostra Nacional de Experiências Bem-Sucedidas em Epidemiologia, Prevenção e Controle de Doenças (ExpoEpi) se consolidou como um dos mais importantes espaços de debate sobre a consolidação e fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS). O evento reconhece e premia iniciativas de serviços de saúde, profissionais do SUS, movimentos sociais e pesquisadores que se destacaram em práticas e estudos voltados para a vigilância em saúde, além da prevenção e do controle de doenças.
Podem participar da mostra competitiva, trabalhos desenvolvidos a partir de 1º de janeiro de 2023 até a data da inscrição nas modalidades relato de experiência, trabalho de pós-graduação, relato de intervenção social e pesquisa científica. A 18ª edição será realizada em Brasília (DF), dos dias 13 a 17 de abril de 2026. As inscrições estão abertas até o dia 6 de outubro de 2025 no site oficial da mostra.
Os trabalhos finalistas serão apresentados e concorrerão a prêmios durante o evento. A programação contará, ainda, com especialistas nacionais e internacionais que apresentarão reflexões e caminhos para o fortalecimento da saúde pública no Brasil.
Suellen Siqueira
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
SAÚDE
Brasil avança no desenvolvimento da primeira vacina do mundo contra malária vivax
O Brasil avança no desenvolvimento da primeira vacina do mundo contra a malária causada pelo Plasmodium vivax, parasita responsável pela maioria dos casos da doença no país. Neste sábado (10), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, participou da apresentação do estudo, que recebeu autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para testes em humanos. O imunizante, chamado de Vivaxin, é fruto de pesquisas conduzidas pelo Centro de Tecnologia de Vacinas (CTVacinas) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A tecnologia é 100% nacional, com incentivo previsto de R$ 12 milhões do Ministério da Saúde para os ensaios clínicos de fases I, II e III.
“O país tem conseguido reduzir os casos e os óbitos por malária, mas a doença ainda é um problema importante para o país e para o mundo. O início do estudo clínico dessa vacina, desenvolvida integralmente em uma universidade pública brasileira, representa um avanço na busca por novas ferramentas de enfrentamento à doença e reforça a capacidade do Brasil de desenvolver soluções científicas próprias para ampliar a proteção da população”, destacou o ministro.
O estudo clínico de fase I avaliará a segurança da vacina, possíveis reações à aplicação e a capacidade de estimular uma resposta imunológica em 48 participantes sem infecção prévia, com idades entre 18 e 59 anos. O acompanhamento clínico será feito por 360 dias. O avanço na pesquisa da tecnologia representa um marco e abre a possibilidade de uma nova forma de prevenção contra a doença, que, em 2025, registrou 118.037 casos no território nacional. As duas vacinas contra malária recomendadas atualmente foram desenvolvidas para outra espécie do parasita, o Plasmodium falciparum, predominante na África. O P. vivax predomina nas Américas e na Ásia.
O CTVacinas integra o Centro Nacional de Vacinas (CNVacinas), um complexo científico estratégico para ampliar a capacidade do país de desenvolver vacinas e outras tecnologias de saúde. A previsão de investimento do Ministério da Saúde é de R$ 161,5 milhões em projetos para o desenvolvimento de imunizantes e testes inovadores, liderados pela unidade ou em parceria, por meio do Programa de Desenvolvimento e Inovação Local (PDIL), sendo R$ 135,5 milhões destinados a projetos do próprio Centro.

Foto: Laudemiro Bezerra/MS
Além da vacina contra a malária, o CTVacinas atua em outros projetos: uma plataforma de testes rápidos para diagnóstico de emergências sanitárias e agravos críticos para o SUS e sua validação por meio da produção de um TR para hepatite delta; vacina terapêutica para doença de Chagas; desenvolvimento de testes diagnósticos para malária e leishmaniose tegumentar; vacina para MPox baseada no vírus MVA; e vacina nasal de nanopartículas, para o controle da covid-19.
A unidade também atua para ampliar a capacidade brasileira em tecnologias de RNA mensageiro, uma plataforma na qual as instruções utilizadas para estimular o sistema imunológico podem ser modificadas de acordo com o agente infeccioso ou a doença que se pretende combater. O CTVacinas foi aprovado como Centro de Competência em Terapias e Vacinas com RNA (CTV-RNA), em uma parceria entre o Ministério da Saúde e a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), com R$ 60 milhões para quatro anos.
FarmaVax
Durante a visita do ministro Alexandre Padilha, também foi firmado um acordo entre a Hemobrás, a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (EMBRAPII), a FarmaVax, unidade EMBRAPII de Inovação de Fármacos e Vacinas da UFMG – da qual o CTVacinas faz parte – e a Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (FUNDEP) para pesquisa, desenvolvimento e inovação. O projeto, com investimento de R$ 5 milhões e vigência de 12 meses, prevê o desenvolvimento de terapia genética para hemofilias A e B utilizando sistemas avançados de entrega por nanopartículas. Do total, R$ 2,6 milhões serão aportados pela Hemobrás, R$ 1,6 milhão pela EMBRAPII e R$ 694 mil pela UFMG/FarmaVax.
A iniciativa integra os esforços para fortalecer a capacidade nacional de desenvolver e produzir medicamentos biológicos estratégicos para o SUS. No caso do emicizumabe, medicamento biológico utilizado no tratamento da hemofilia A, está em avaliação uma proposta de armazenamento do Banco de Células Mestre na unidade da empresa na Basileia, na Suíça, com garantias de acesso e fornecimento para viabilizar a transferência de tecnologia e a produção nacional. O arranjo definitivo deverá assegurar a absorção tecnológica pela Hemobrás.
Hospital Santa Rita é referência em alta complexidade cardiovascular
Em Contagem (MG), o ministro visita a hemodinâmica do Hospital Santa Rita, referência regional no diagnóstico e tratamento de doenças cardiovasculares e vasculares de alta complexidade, com suporte cardiológico 24 horas. Entre os procedimentos ofertados estão cateterismos, angioplastias, ablação de arritmias e implantes de marcapasso.
Entre 2023 e 2026, a unidade registrou 20.778 atendimentos e internações pelo SUS, sendo 8.750 (42%) em 2026, ano em que iniciou a assistência de alta complexidade cardiovascular, após habilitação pelo Ministério da Saúde, em dezembro de 2025.
A estrutura conta com 163 leitos, dos quais 62 são destinados ao SUS. A oferta inclui leitos clínicos, cirúrgicos e de UTI para pacientes da rede pública.
Taís Nascimento
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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