POLÍTICA NACIONAL

Frentes ambientalistas reforçam pedido de veto ao projeto que altera licenciamento ambiental

Frentes parlamentares ambientalistas de nove estados reforçaram nesta terça-feira (5) o pedido de veto ao Projeto de Lei 2159/21, com novas regras para o licenciamento ambiental. O apelo foi feito em seminário organizado pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem até o dia 8 de agosto para sancionar a lei.

Para o coordenador da Frente Parlamentar Mista Ambientalista, deputado Nilto Tatto (PT-SP), como sede da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30), o Brasil precisa apresentar agenda ambiental positiva na mesa de negociação das lideranças globais, e o veto às novas regras de licenciamento será uma ação nesse sentido. “Para poder ter essa força política, o País não pode finalizar numa agenda adversa [ao direito ambiental] para os outros países”, disse.

Na avaliação de Tatto, o Congresso deve atuar em cooperação com as assembleias estaduais para evitar o que chamou de “retrocessos” nessa pauta. “A área ambiental talvez tenha sido a que mais sofreu com os retrocessos e o desmonte das políticas públicas, e isso nos deu força para colocá-la como um debate central”, frisou.

Renato Araújo/Câmara dos Deputados
Evento de Lançamento. Dep. Nilto Tatto (PT - SP)
Nilto Tatto: Brasil precisa apresentar agenda ambiental positiva na COP 30

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Rede
Durante o evento, foi anunciada a atuação da Rede Nacional de Frentes Parlamentares Ambientalistas, composta por 19 estados, na defesa do veto ao projeto de lei do licenciamento, chamado de “PL da Devastação” pelos movimentos. A rede também atua pela aprovação de propostas estaduais de adaptação às mudanças climáticas a serem apresentadas na COP 30 e outras ações de articulação entre lideranças estaduais.

Para a deputada estadual Marina Helou (Rede), de São Paulo, a lei de licenciamento, da forma como está, “traz impacto gigantesco para as legislações ambientais” e pode gerar insegurança jurídica, uma vez que é incerto como as normas serão aplicadas pelos estados.

O deputado estadual do Rio de Janeiro Carlos Minc (PSB) fez um apelo pela união de forças entre os estados. Ele disse que, se sancionada, a nova lei será contrária à Constituição. Minc articula recorrer à Justiça caso o projeto seja sancionado ou os eventuais vetos à medida sejam derrubados pelo Congresso.  “Nós podemos sim resistir”, afirmou.

O representante do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Giovanni Mockus, também falou da importância da parceria entre governo federal e governos estaduais. “O enfrentamento à mudança do clima e o fortalecimento da agenda socioambiental só vai ter sucesso se a gente tiver um espírito de cooperação e construção coletiva”, disse.

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Licença por adesão
Um dos principais alvos de críticas da proposta foi o trecho da nova lei que prevê licenciamento ambiental simplificado por adesão e compromisso (LAC), que poderá ser pedido pelo interessado sem necessidade de estudos de impacto.

Dessa forma, cada ente federativo, conforme a competência concorrente de licenciamento ambiental, definirá quais atividades de pequeno ou médio porte e baixo ou médio potencial poluidor poderão usar a LAC, cuja vigência será de 5 a 10 anos.

O deputado estadual da Bahia Marcelino Galo (PT) disse que a licença por adesão já está em vigor na legislação ambiental baiana desde 2013 e lamenta esse retrocesso. “A Bahia é a precursora, infelizmente, da flexibilização”, informou.

O deputado Chico Alencar (Psol-RJ) classificou a nova legislação, se sancionada, de “um facilitário predatório e muito destruidor”, sobretudo, quando possibilita que os municípios estabeleçam normas em desacordo com as regras ambientais estaduais e federais. “É o maior retrocesso ambiental desde a Constituição de 1988”, salientou.

Reportagem – Emanuelle Brasil
Edição – Geórgia Moraes

Fonte: Câmara dos Deputados

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POLÍTICA MT

No Dia do Trabalhador, Gisela Simona destaca o cuidado como eixo da desigualdade de gênero

Na diretoria-executiva do União Mulher, em Mato Grosso, Gisela Simona traz para o centro do debate neste 1º de maio, alguns desafios enfrentados por milhares de brasileiras diariamente: a disparidade salarial e a dupla jornada. Assim, muito embora haja avanços na contratação feminina, a consolidação da equidade ainda enfrenta desafios significativos.

Coautora da Política Nacional de Cuidados (Lei nº 15.069/2024), Gisela defende que é necessário reconhecer o trabalho não remunerado, exercido majoritariamente por mulheres. E que qualquer discussão séria sobre valorização do trabalho precisa passar por esta ação secularmente invisibilizada, mas que ancora milhões de lares no país.

E a partir dessa lente, o Dia do Trabalhador deixa de ser apenas uma data simbólica e passa a expor uma contradição: pois enquanto o país avança na ampliação da presença feminina no mercado formal, continuam intactas as estruturas que a penalizam.

Com 33 meses de atuação na Câmara Federal, somados à experiência como advogada, servidora pública e dirigente partidária em Mato Grosso, Gisela aponta que a desigualdade de gênero segue operando de forma silenciosa, mas constante, seja na diferença salarial, na dificuldade de ascensão profissional ou na sobrecarga cotidiana.

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“Não podemos naturalizar que mulheres trabalhem mais e recebam menos. Tampouco aceitar que a responsabilidade pelo cuidado continue sendo tratada como uma obrigação individual e não como uma pauta pública”.

Dados recentes reforçam esse cenário ao revelar que as mulheres continuam concentradas em áreas historicamente menos valorizadas e, mesmo quando ocupam as mesmas funções que os homens, enfrentam remuneração inferior e menor reconhecimento. A chamada dupla jornada – trabalho formal somado às tarefas domésticas – permanece, igualmente, como uma das expressões mais evidentes dessa desigualdade.

E nesse contexto, o debate se amplia mais ao inserir a maternidade, ainda hoje observada como um fator de desequilíbrio no percurso profissional feminino. Pois a necessidade de conciliar trabalho e cuidado impacta claramente na renda, na progressão de carreira e nas oportunidades, desvelando limites concretos das políticas existentes.

Desta forma, para Gisela, embora haja avanços e medidas voltadas à igualdade salarial, a ausência de fiscalização efetiva e transparência ainda impedem mudanças estruturais. “O Brasil já reconhece parte do problema, mas ainda executa pouco. E sem ações concretas, direitos seguem sendo promessa”, afirma.

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A parlamentar, que ganhou projeção nacional ao relatar o Pacote Antifeminicídio, também reforça a conexão entre autonomia econômica e segurança. Para ela, não há como dissociar a independência financeira da proteção das mulheres. “A autonomia econômica é um dos caminhos mais concretos para romper ciclos de violência. Mas isso exige que o Estado atue de forma integrada, garantindo não só acesso ao trabalho, mas condições reais de permanência e segurança”, pontua.

Desta forma, a leitura que emerge desse 1º de maio é direta: para milhões de brasileiras trabalhar não é apenas produzir renda, é sustentar vidas, equilibrar ausências do Estado e, muitas vezes, garantir a própria sobrevivência.

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