DECISÃO DO STF
Alexandre de Moraes autoriza prisão domiciliar humanitária a ex-ministro de Bolsonaro por grave quadro de saúde
Condenado a 21 anos por participação na trama golpista, general Augusto Heleno deixará o regime fechado e cumprirá pena em casa sob rígidas restrições impostas pelo Supremo Tribunal Federal
Condenado a 21 anos por participação na trama golpista, general Augusto Heleno deixará o regime fechado e cumprirá pena em casa sob rígidas restrições impostas pelo Supremo Tribunal Federal
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta segunda-feira (22) a concessão de prisão domiciliar humanitária ao general Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) do governo Jair Bolsonaro.
A decisão leva em consideração laudos médicos oficiais que apontam um quadro de saúde delicado, com diagnóstico de declínio cognitivo em estágio inicial, além da necessidade de acompanhamento médico contínuo. Segundo o STF, a permanência em ambiente prisional poderia agravar de forma irreversível o estado clínico do réu.
Augusto Heleno, de 78 anos, está preso desde o dia 25 de novembro, cumprindo pena em regime fechado no Comando Militar do Planalto (CMP), em Brasília. Ele foi condenado a 21 anos de prisão no âmbito da ação penal que apurou a tentativa de ruptura democrática e a articulação golpista contra o resultado das eleições presidenciais.
Laudo médico foi determinante
De acordo com o despacho do ministro Alexandre de Moraes, o laudo elaborado por médicos da Polícia Federal aponta que, em ambiente prisional, o quadro cognitivo do general tende a se agravar, sobretudo em razão do isolamento, da ausência de estímulos familiares e das limitações impostas pelo regime fechado.
“O declínio cognitivo pode acelerar em ambiente prisional, o que justifica a adoção da medida humanitária”, destaca trecho da decisão.
Medidas restritivas e fiscalização rigorosa
Apesar da autorização para o cumprimento da pena em casa, o STF impôs uma série de medidas cautelares rigorosas. O general deverá:
Usar tornozeleira eletrônica;
Entregar todos os passaportes;
Está proibido de utilizar telefone celular;
Não poderá acessar redes sociais;
Deverá comunicar previamente ao STF qualquer deslocamento, inclusive para consultas médicas, exceto em casos de emergência — que deverão ser justificados em até 48 horas.
O ministro Alexandre de Moraes também deixou claro que o descumprimento de qualquer uma das condições impostas resultará no retorno imediato ao regime fechado.
Decisão não anula condenação
A Corte reforçou que a concessão da prisão domiciliar não altera a condenação, tampouco representa benefício penal definitivo. Trata-se de uma medida excepcional, fundamentada exclusivamente em critérios humanitários e médicos.
O processo segue em curso no Supremo Tribunal Federal, e a situação do ex-ministro continuará sendo monitorada pelas autoridades judiciais.
POLÍTICA NACIONAL
Acordo de coprodução de cinema com a China é aprovado em Plenário
O Plenário do Senado ratificou nesta quinta-feira (9) o Acordo de Coprodução Cinematográfica entre o Brasil e a China, assinado originalmente em 2017. O objetivo principal do acordo é fazer com que os filmes realizados em parceria por produtoras dos dois países sejam considerados obras nacionais tanto no mercado brasileiro quanto no chinês, permitindo que eles tenham acesso aos mesmos incentivos e benefícios fiscais e financeiros. O PDL 1.203/2025, que teve parecer favorável do senador Humberto Costa (PT-PE), segue para promulgação.
Para que as produções recebam esse reconhecimento, os projetos precisarão de aprovação prévia das autoridades competentes: a Ancine, no Brasil, e a administração estatal correspondente, na China. As regras do acordo estabelecem exigências técnicas e financeiras para as empresas interessadas e definem que a participação financeira e criativa de cada país deve girar, em regra, entre 20% e 80% do custo total. Além disso, a equipe técnica e o elenco devem ser formados por profissionais brasileiros ou chineses, abrindo-se exceções apenas para parcerias com terceiros países ou por exigências específicas do roteiro.
O tratado também busca desburocratizar o trabalho prático das equipes de filmagem, prevendo a facilitação na emissão de vistos para os profissionais e a isenção de taxas de importação temporária para os equipamentos de cinema. Segundo os ministérios da Cultura e das Relações Exteriores, a medida visa fortalecer o intercâmbio cultural e econômico.
O relator, Humberto Costa, destacou que a iniciativa é fundamental para superar barreiras comerciais e ampliar a presença do cinema brasileiro no mercado audiovisual chinês, um dos maiores do mundo.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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