DESTAQUE NAS URNAS
Virginia supera Fábio Garcia em Cuiabá e Várzea Grande e conquista 48,9 mil votos nas duas cidades
Eleita deputada federal com 102.120 votos em Mato Grosso, Virginia Mendes obteve mais que o dobro da votação de Fábio nos dois maiores municípios da região metropolitana
Eleita deputada federal em sua primeira disputa eleitoral, Virginia Mendes (União Brasil) alcançou 102.120 votos em Mato Grosso e garantiu uma das oito cadeiras do Estado na Câmara dos Deputados. O desempenho colocou a candidata entre os cinco nomes mais votados na disputa.
Um dos principais destaques da votação ocorreu em Cuiabá e Várzea Grande. Na Capital, Virginia recebeu 38.193 votos, enquanto Fábio Garcia obteve 17.497. Em Várzea Grande, foram 10.709 votos para Virginia e 4.300 para Fábio.
Somados os dois municípios, Virginia chegou a 48.902 votos, contra 21.797 de Fábio. Com isso, a votação da deputada federal eleita foi superior ao dobro da registrada pelo correligionário nas duas cidades.
O desempenho de Virginia também se espalhou pelo interior. A candidata recebeu votos nos 142 municípios de Mato Grosso e registrou percentuais de destaque em cidades como São José do Xingu, onde alcançou 17,31%; Nova Marilândia, com 16,56%; Jangada, com 14,13%; e Barra do Garças, com 13,29%.

No resultado estadual, Fábio Garcia terminou com 139.777 votos e Virginia com 102.120. Os dois foram os candidatos mais votados da Federação União Progressista, que somou 364.320 votos e conquistou duas vagas na Câmara Federal.
Por se tratar de uma eleição pelo sistema proporcional, a definição das cadeiras considera o desempenho conjunto dos candidatos e da legenda. Virginia respondeu por aproximadamente 28% dos votos obtidos pela federação, contribuindo para o resultado que garantiu as duas vagas.
Os números também mostram diferenças entre o desempenho estadual dos dois candidatos e a votação registrada na região metropolitana. Embora Fábio tenha terminado à frente de Virginia no total de Mato Grosso, ela obteve vantagem expressiva sobre o correligionário em Cuiabá e Várzea Grande.
Com mais de 100 mil votos distribuídos pelos 142 municípios e forte desempenho nos dois maiores colégios eleitorais da região metropolitana, Virginia inicia o primeiro mandato eletivo com uma votação própria registrada em diferentes regiões de Mato Grosso.
POLÍTICA MT
Votação concentrada marca eleição em MT e analista aponta sete fatores para explicar fenômeno
João Edisom de Souza relaciona desempenho dos mais votados ao grau de conhecimento dos candidatos, identidade política, capilaridade e facilidade de comunicação com o eleitor
A eleição de 2026 em Mato Grosso foi marcada pela concentração de votos em um grupo reduzido de candidatos nos principais cargos em disputa. Para o analista político João Edisom de Souza, o resultado pode ser explicado por fatores como conhecimento prévio dos nomes, identidade política definida, redes de apoio e trajetória eleitoral.
Entre os exemplos citados está a reeleição do governador Otaviano Pivetta (Republicanos), que recebeu 60,77% dos votos válidos. Na disputa pelo Senado, Mauro Mendes (União) alcançou 33,21%, enquanto José Medeiros (PL) obteve 27,35%. Juntos, os dois senadores eleitos ultrapassaram 2,1 milhões de votos.
O cenário também se repetiu nas eleições proporcionais. Das oito vagas de Mato Grosso na Câmara dos Deputados, cinco eleitos ultrapassaram a marca de 100 mil votos e concentraram cerca de 40% dos votos destinados aos candidatos. Coronel Fernanda (PL) liderou a votação, com aproximadamente 205 mil votos.
Na Assembleia Legislativa, dez dos 24 deputados eleitos receberam mais de 50 mil votos. Max Russi (Podemos) foi o candidato mais votado, enquanto o partido conquistou seis cadeiras e terá a maior bancada da Casa a partir de 2027.
Na avaliação de João Edisom, o primeiro fator que ajuda a compreender o desempenho é o conhecimento prévio dos candidatos pelo eleitorado.
“Eles são conhecidos antes da campanha. O eleitor não precisou ‘descobrir’ esses candidatos durante os poucos dias de campanha”, avaliou.

Outro ponto destacado pelo analista é o que ele classifica como “identidade compreensível”, quando o eleitor consegue associar facilmente determinado candidato a grupos, ideias ou trajetórias políticas.
“Mauro Mendes e Pivetta estão associados à continuidade administrativa e a setores produtivos, e Max Russi reúne mandato, estrutura parlamentar e capilaridade municipal”, afirmou.
Segundo João Edisom, o mesmo ocorre com candidatos identificados de forma mais direta com campos ideológicos. “Coronel Fernanda e Zé Medeiros têm posicionamento conservador bastante definido; Rosa Neide e Lúdio possuem identificação clara com a esquerda”, acrescentou.
O terceiro fator apontado é a capacidade de representar pautas ou correntes políticas facilmente reconhecidas pelo eleitor. Segurança, agronegócio, funcionalismo público, educação, saúde, conservadorismo, bolsonarismo, lulismo, gestão e municipalismo estão entre os exemplos citados.
Para o analista, candidaturas que procuram representar muitos segmentos simultaneamente podem enfrentar maior dificuldade para estabelecer identificação direta com grupos específicos.
Ele também avalia que o perfil conservador de parcela expressiva do eleitorado mato-grossense teve reflexos no resultado das urnas. Na eleição presidencial, Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 65,18% dos votos no Estado. Segundo João Edisom, esse comportamento também teria repercutido nas disputas estaduais e proporcionais, favorecendo candidaturas identificadas com esse campo político.
Outro elemento seria a capacidade de transformar o nome do candidato em uma marca facilmente reconhecida. João Edisom cita como exemplos “Coronel Fernanda”, “Coronel Assis”, “Zé Medeiros”, “Lúdio”, “Max Russi” e “Mauro Mendes”.
A existência de redes territoriais e sociais também aparece na análise. Prefeitos, vereadores, lideranças municipais, categorias profissionais, igrejas, movimentos, servidores, sindicatos e produtores rurais podem funcionar como estruturas de confiança e ampliar a circulação das candidaturas nos municípios.
O sexto fator está relacionado à simplicidade do discurso e à facilidade de o eleitor identificar a principal bandeira de cada nome.
“Significa que o eleitor consegue responder rapidamente: ‘o que esse candidato representa?’”, explicou.
Por fim, João Edisom destaca a trajetória política. Na avaliação dele, candidatos que já exercem mandato ou acumularam experiência no Executivo chegam à eleição com histórico conhecido, reduzindo a necessidade de apresentação ao eleitor durante o período oficial de campanha.
“Boa parte deles possui mandato ou trajetória executiva. Isso reduz a assimetria de informação: o eleitor dispõe de histórico para avaliar o nome”, concluiu.
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