POLÍTICA MT
Protagonismo do parlamento foi destaque em discussões sobre o futuro do país
Foto: ANGELO VARELA / ALMT
O papel do Poder Legislativo na construção de uma sociedade mais justa foi o tema central do segundo dia da 25ª Conferência da União das Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais (Unale), acontece entre 9 e 11 de novembro, em Recife (PE). Questões econômicas, sociais e o cenário político foram abordados por especialistas nacionais e internacionais para os mais de mil participantes do evento, que contou com um painel de discussão com a presença dos quatro governadores eleitos este ano para comandar os estados do Rio Grande do Sul, Pernambuco, Minas Gerais e Goiás.
O vice-presidente da Unale, deputado Diogo Moraes (PSB-PE) destacou a importância da Conferência em um momento de transição política do país. “Buscamos trazer diferentes temas que vão desde economia nacional, economia criativa, passando por questões políticas e sociais como imigração, saúde e questões mais técnicas, como processos legislativos, para apontar diretrizes que tornem o parlamento mais forte, transparente, mais próximo da população. Os temas discutidos aqui são da agenda do nosso país, do povo brasileiro, e os participantes voltam para seus estados com a certeza de que é possível trabalhar para fortalecer o elo entre Poder Legislativo e população”, afirmou o deputado Diogo Moraes.
O professor Humberto Martins, da Fundação Getúlio Vargas, apresentou aos participantes os novos caminhos do Poder Legislativo numa sociedade cada vez mais conectada e interativa. De acordo com o professor, as assembleias deixarão de trabalhar “para a população” para trabalhar “com a população”, trazendo a sociedade para discutir e construir as políticas públicas de forma conjunta.
Já o analista econômico Gustavo Grisa, especialista em Inovação Pública, destacou que 2023 será um ano decisivo e o próximo governo deverá adotar uma posição muito mais de centro em busca de governabilidade. Neste cenário, Grisa afirmou que os governos e as Assembleias Legislativas estarão mais fortalecidos e terão um papel mais participativo.
A economista Ana Carla Fonseca falou sobre a importância do Poder Legislativo para viabilizar e fomentar iniciativas de pequenos empreendedores por meio da economia criativa. Ela citou o exemplo de Minas Gerais, que atualizou a legislação estadual para permitir que os produtores pudessem retomar a fabricação de queijos artesanais com leite cru. O estado ganhou destaque internacional pela qualidade dos produtos e a economia local foi impulsionada, gerando renda e melhor qualidade de vida na região.
Um outro tema tratado foi com relação aos imigrantes. O professor de Relações Internacionais Oliver Stuenkel apresentou o cenário mundial do fluxo migratório, que será cada vez maior e deverá representar de 7% a 8% da população. Segundo Oliver, os países precisam regularizar e integrar os imigrantes e reconhecer a importância desta população, até como uma oportunidade econômica. A deputada norte-americana do estado de Illinois, Sonya Harper, também participou do painel e destacou como o Legislativo pode auxiliar neste processo de integração dos imigrantes.
Ao final do dia, a governadora eleita em Pernambuco, Raquel Lyra, dividiu os painel “Gestão Pública nos Estados: Cenário para os próximos 4 anos” com os também governadores eleitos Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, Romeu Zema, de Minas Gerais, e Ronaldo Caiado, de Goiás.
Raquel Lyra destacou a importância de aproximar os poderes para construir políticas públicas. “É uma, como governadora eleita de Pernambuco, receber parlamentares do Brasil inteiro num ano em que precisamos desmontar palanques, unir o Brasil e os poderes para chegar de fato na vida da nossa gente que tem sido sofrida. Tem muita gente passando fome, a educação precisa gerar oportunidade o Brasil ser tão grande quanto é o seu povo”.
O governador reeleito no Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, destacou o papel do Poder Legislativo na construção política. “O governador é um proponente da agenda, mas a decisão efetivamente de que Estado teremos vem do Parlamento. São os deputados que tomam, em nome da população, a decisão. Se o governador não entender que o legislativo não é um mero carimbador de projetos, e sim um representante da população para dialogar, debater, para participar da solução, as coisas não vão funcionar. É fundamental que o parlamentar saiba do seu protagonismo nas decisões do Estado, e o governador reconheça o protagonismo da Assembleia, dialogue e abra espaço”, defendeu Leite.
Fonte: ALMT
POLÍTICA MT
Wellington não esconde mágoa de prefeito após deixar PL e apoiar Pivetta – veja o video
Senador chama Edilson Piaia de “incoerente”, lembra que prefeito esteve em seu gabinete há apenas 15 dias fazendo elogios e cobra fidelidade após gestor deixar partido para apoiar a reeleição do governador
O senador e candidato ao Governo de Mato Grosso, Wellington Fagundes (PL), não escondeu o descontentamento com a decisão do prefeito de Campo Novo do Parecis, Edilson Piaia, de deixar o Partido Liberal e anunciar apoio à reeleição do governador Otaviano Pivetta (Republicanos).
Durante coletiva nesta quinta-feira (13), Wellington classificou a postura do prefeito como “incoerente” e fez questão de lembrar que, apenas 15 dias antes, Piaia havia estado em seu gabinete e, segundo ele, demonstrado uma posição política completamente diferente.
“Eu acho que é incoerência. Ele esteve no meu gabinete 15 dias atrás. Ele esteve 15 dias atrás no meu gabinete dizendo que eu era o melhor do mundo. Está gravado, está aí na internet, é só vocês olharem. Provavelmente está tendo alguma incoerência”, disparou Wellington.
A manifestação ocorreu durante a coletiva que oficializou o empresário Reinaldo Morais, conhecido como “Rei do Porco”, como candidato a vice-governador na chapa encabeçada pelo senador.
Wellington também recordou as circunstâncias que levaram Piaia ao PL para disputar a Prefeitura de Campo Novo do Parecis. Segundo o senador, houve resistência interna à filiação do então candidato, mas a direção partidária acabou abrindo as portas para que ele concorresse pela legenda.
“Foi pra eleger, o Ananias teve que abrir o partido lá pra ele. Foi uma certa resistência de recebê-lo. Mas não cabia a mim. Foi uma decisão do partido. Tá bom, abriu o partido pra ele. Ele sabe disso. Então, as incoerências é o tempo que vai cobrando de cada um”, declarou.
O senador ainda demonstrou acreditar que Piaia possa rever a decisão. Para Wellington, há incompatibilidade política entre ter sido eleito pelo PL, com apoio da estrutura partidária e do fundo eleitoral, e agora trabalhar pela candidatura de um adversário da legenda ao Governo do Estado.
“Eu penso que tem tempo pra ele rever ainda. Mas se ficar, eu acho só, não concordo com ele, ele ser eleito pelo partido, ser eleito com o fundo eleitoral do partido, ser eleito com a nossa grife que é o presidente Bolsonaro”, afirmou.
A saída de Piaia também foi comentada pelo presidente estadual do PL, Ananias Filho. Segundo ele, o pedido de desfiliação foi apresentado de maneira respeitosa e aceito imediatamente pela direção partidária.
“A carta dele é muito respeitosa e agradece ao PL, a toda sua presença e todo o apoio que o PL deu em todos os momentos dele. E nós, sinceramente, aceitamos de imediato”, afirmou.
Apesar do tom respeitoso em relação à formalização da saída, Ananias deixou claro que o PL pretende cobrar alinhamento daqueles que permanecerem na sigla. O dirigente afirmou que quem não estiver disposto a seguir o projeto eleitoral do partido deve buscar outro caminho.
Questionado sobre a possibilidade de outros prefeitos seguirem o movimento de Piaia, Ananias descartou uma debandada e afirmou que o projeto eleitoral do PL permanece consolidado.
A troca de declarações evidencia o desconforto provocado dentro do PL pela decisão de Piaia. Mais do que uma simples mudança partidária, Wellington tratou o episódio como uma questão de coerência política, sobretudo pelo curto intervalo entre a visita do prefeito ao seu gabinete e a decisão de abandonar a legenda para apoiar Pivetta.
Com a campanha eleitoral avançando, a movimentação também expõe a disputa entre Wellington e Pivetta pelo apoio das principais lideranças municipais. No caso de Campo Novo do Parecis, o governador ganhou a adesão de um prefeito eleito pelo partido de seu principal adversário, enquanto Wellington deixou claro que não pretende tratar a mudança como um episódio político sem consequências.
Veja o video
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