POLÍTICA MT
Procuradoria da Mulher discute aplicação do protocolo de notificação de violência doméstica nas unidades de saúde
A Procuradoria Especial da Mulher da Assembleia Legislativa de Mato Grosso reuniu-se, nesta segunda-feira (9), com representantes da área da saúde, do ensino superior e de entidades de classe para tratar da aplicação do Protocolo de Notificação Compulsória de Violência Doméstica nas unidades de saúde do estado.
Durante o encontro, foi destacada a necessidade de discutir e unificar estratégias relacionadas ao protocolo, assegurando que os profissionais da saúde de Mato Grosso cumpram as legislações vigentes e contribuam para a proteção das vítimas.
Representantes das instituições presentes apontaram algumas das principais dificuldades que contribuem para subnotificações de casos de violência, como quantitativo reduzido de profissionais da saúde, falta de capacitação desses profissionais e falta de segurança nas unidades de saúde, fazendo com que muitos deixem de notificar casos suspeitos por medo de represálias.
A procuradora especial da mulher, deputada Janaina Riva (MDB), destacou a importância de ampliar a utilização do Protocolo de Notificação Compulsória como ferramenta para rastrear e combater a violência contra mulheres e crianças em Mato Grosso. Defendeu ainda a sensibilização e capacitação de profissionais da saúde e da assistência social, para que reconheçam e notifiquem os casos, mesmo quando disfarçados, e reforçou a necessidade de alcançar as vítimas mais vulneráveis por meio da atuação na ponta, com agentes comunitários e servidores das unidades básicas.
“O que queremos é que, a partir da constatação de uma violência, a notificação seja feita por um profissional sensibilizado, capacitado e qualificado, que faça o encaminhamento necessário, seja transformando essa denúncia em um boletim de ocorrência, seja encaminhando a família a um agente ou assistente social, ou para uma unidade de saúde, como nos casos de violência sexual”, frisou a parlamentar.
A subnotificação de casos também foi apontada como realidade, especialmente em unidades da rede privada.
“Pelo que percebemos, não se trata de falta de conhecimento sobre a necessidade da notificação. Existem outros fatores, como o medo dos profissionais de saúde sofrerem retaliação. A falta de notificações em unidades particulares também chama atenção. Por que há menos notificações na rede privada? Não há violência? Claro que há. Nossa maior preocupação é capacitar o profissional para que ele possa identificar a violência, mesmo quando mascarada. Um exemplo é o caso do menino Henry Borel, vítima de inúmeras agressões, que passou por várias unidades privadas de saúde sem que houvesse uma única notificação, talvez por pertencer a uma família de classe social mais alta”, declarou Riva.
A presidente do Conselho Regional de Enfermagem (Coren-MT), Bruna Caroline de Almeida Santiago, afirmou que os profissionais de enfermagem conhecem o protocolo de notificação compulsória, mas enfrentam diversas dificuldades para aplicá-lo, principalmente devido à sobrecarga de trabalho e à falta de condições adequadas. Segundo ela, a falta de pessoal, a carga horária excessiva, a ausência de pausas para descanso e refeições e a insegurança nas unidades de saúde dificultam a escuta ativa necessária para acolher vítimas de violência e realizar notificações.
“Sabemos quais são nossas atribuições, mas precisamos de apoio. Por exemplo: se houver uma quantidade adequada de profissionais para o número de pacientes, conseguimos dividir o trabalho, ter tempo de conversar, escutar ativamente e fazer as notificações corretamente. Também precisamos garantir que esse profissional não sofrerá riscos dentro da instituição. Hoje, infelizmente, o que vivemos, não só em Cuiabá, mas em vários municípios do nosso estado, é uma grande falta de segurança. Esse é o nosso receio. Cumpriremos nossas atribuições, mas precisamos de respaldo e apoio para isso”, ponderou.
Alcione Paula Figueiredo, gerente de Vigilância em Doenças e Agravos Não Transmissíveis da Secretaria de Estado de Saúde (SES), explicou que as fichas de notificação de violência são preenchidas pelas unidades de saúde dos municípios e enviadas à Secretaria de Estado de Saúde, por meio do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan).
“Hoje, muitos profissionais não preenchem a ficha por medo. Muitas vezes, a mulher agredida chega acompanhada do agressor e é nesse momento que o profissional precisa ter sensibilidade para entender a responsabilidade de preencher essa ficha, pois é por meio dela que a equipe de Promoção à Saúde trabalha na elaboração de políticas públicas voltadas especificamente para essas questões de violência”, reconheceu.
A coordenadora da Clínica Integrada do Centro Universitário de Várzea Grande (Univag), Mariana Souza dos Santos, informou que os estudantes de enfermagem são informados sobre as notificações compulsórias e aprendem, na prática, como fazer o preenchimento das fichas de notificação.
Conforme Janaina Riva, novos encontros serão realizados para dar continuidade às discussões. “Não se trata de um assunto fácil. É complexo. Por isso, precisamos buscar bons exemplos pelo Brasil e trazê-los para Mato Grosso, para mudar essa realidade nos próximos anos. Mato Grosso continua sendo o estado que mais mata mulheres proporcionalmente no Brasil e precisamos encontrar mecanismos diferentes. Não adianta usar a mesma receita esperando um resultado diferente”, frisou.
A notificação compulsória dos casos de violência contra a mulher atendida em serviços de saúde públicos e privados em todo o território nacional foi estabelecida pela Lei 10.778/2003. A Lei 13.931/2019, por sua vez, alterou a Lei nº 10.778/2003, incluindo a obrigatoriedade de comunicação dos casos à autoridade policial no prazo de até 24 horas, além da notificação à autoridade sanitária.
Fonte: ALMT – MT
POLÍTICA MT
Mauro mantém liderança com 52,3% e Janaina registra 32,4% na reta final, mantendo os dois na dianteira pelas vagas ao Senado
Nova rodada do Paraná Pesquisas mantém Mauro Mendes na primeira colocação e Janaina Riva na segunda; Medeiros aparece com 23,1%, Fávaro chega a 18,9% e Pedro Taques registra 15,9%
A nova rodada do Paraná Pesquisas divulgada nesta sexta-feira (18) mantém Mauro Mendes (União) e Janaina Riva (MDB) nas duas primeiras posições da corrida pelas duas vagas de Mato Grosso no Senado Federal.
No levantamento estimulado, em que o eleitor pode escolher até dois candidatos, Mauro registra 52,3% das intenções de voto, enquanto Janaina aparece com 32,4%. José Medeiros (PL) vem na sequência, com 23,1%, seguido por Carlos Fávaro (PSD), com 18,9%, e Pedro Taques (PSB), com 15,9%.
O resultado coloca Mauro numericamente 19,9 pontos percentuais à frente de Janaina, enquanto a candidata do MDB tem 9,3 pontos de vantagem numérica sobre Medeiros, terceiro colocado. Considerando a margem de erro de 2,7 pontos percentuais, Janaina e Medeiros não estão em empate técnico nesse cenário.
Mais atrás aparecem Galvan (Avante), com 3,6%; Coronel Darwin (Democrata), com 3,2%; Professor Nelson Ferreira (Agir), com 2%; Margareth Buzetti (PP), com 1,5%; e Beny Godoy (Agir), com 0,2%. Outros 5,6% responderam nenhum, branco ou nulo, enquanto 5,4% não souberam ou não opinaram.
Mauro oscila e Janaina permanece na segunda posição
Na série recente do Paraná Pesquisas, Mauro tinha 52,3% em agosto, alcançou 55% no levantamento anterior de setembro e retorna agora aos 52,3%. Janaina, por sua vez, marcou 33,7% em agosto, passou para 31,5% e agora registra 32,4%.
As variações mais recentes dos dois primeiros colocados estão dentro da margem de erro da pesquisa.
Medeiros apresenta avanço numérico na série: tinha 18,8% em agosto, passou para 21,4% e agora chega a 23,1%. Fávaro também registra crescimento numérico no período, saindo de 14,6% para 16,6% e alcançando 18,9% na rodada atual.
Duas escolhas para o Senado
A eleição deste ano tem uma particularidade importante: Mato Grosso escolherá dois senadores, razão pela qual cada eleitor poderá votar em dois candidatos diferentes.
Isso também explica por que os percentuais da pesquisa estimulada podem ultrapassar 100% quando somados. O resultado representa o percentual de entrevistados que mencionou cada candidato, e não uma divisão simples de votos entre os concorrentes.
No recorte entre primeira e segunda escolhas apresentado pelo instituto, Mauro registra 39,7% como primeira opção, seguido por Janaina, com 17,6%; Medeiros, com 12,4%; e Fávaro, com 10,5%.
Quando considerada apenas a segunda escolha, Janaina registra 14,8%, enquanto Mauro aparece com 12,6%.
Pesquisa ouviu 1.352 eleitores
O levantamento foi realizado presencialmente com 1.352 eleitores de Mato Grosso entre os dias 15 e 17 de setembro. A margem de erro é de 2,7 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número MT-09335/2026.
Na reta final da campanha, a fotografia do Paraná Pesquisas mantém Mauro Mendes na liderança, com 52,3%, e Janaina Riva na segunda colocação, com 32,4%.
Medeiros aparece numericamente em terceiro, com 23,1%, enquanto Fávaro registra 18,9% e Pedro Taques, 15,9%.
Com duas cadeiras de Mato Grosso em disputa no Senado, o levantamento mostra Mauro e Janaina ocupando, neste momento, as duas primeiras posições cenário que ainda representa intenção de voto e não o resultado das urnas.

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