NOVIDADE NO NINHO
Nova configuração do PSDB MT mexe no tabuleiro eleitoral de 2026 e mira três vagas na ALMT e ao menos uma na Câmara Federal – Veja o video
Com Chico Galindo, Jacy Proença e o ex-secretário Alex Vieira Passos entre os novos filiados, partido reforça base em Cuiabá e no interior, assume posição clara no campo de centro-direita e mantém alinhamento com Otaviano Pivetta
PSDB acelera reorganização e aposta em musculatura eleitoral
O PSDB de Mato Grosso deu início a um movimento estratégico de reorganização visando as eleições de 2026. Em ato realizado na Assembleia Legislativa, sob articulação do deputado estadual Carlos Avallone, a legenda oficializou a filiação de mais de 20 novos nomes com potencial eleitoral e influência política na Capital e no interior do Estado.
Entre os filiados que mais chamaram atenção estão o ex-prefeito de Cuiabá Chico Galindo, que deixou o Republicanos, a ex-vice-prefeita da Capital Jacy Proença e o ex-secretário de Educação de Cuiabá Alex Vieira Passos. O trio simboliza a tentativa da sigla de recuperar protagonismo na Baixada Cuiabana, ao mesmo tempo em que amplia sua presença em polos regionais.
O evento reuniu ainda ex-prefeitos, ex-vereadores, empresários e lideranças comunitárias. Passam a integrar o partido nomes como Nelson Paim (ex-prefeito de Poxoréu), Daniel do Lago (ex-prefeito de Porto Alegre do Norte), Roberto Maia (ex-presidente do Conselho Regional de Odontologia), Juliana Satuno, Marcos Vinícius Borges, vereador por Sinop, além de representantes do setor produtivo e lideranças de bairros da Capital.
Meta: ampliar bancada estadual e chegar à Câmara Federal
Nos bastidores, a meta é clara: eleger pelo menos dois deputados estaduais, com articulação em curso para viabilizar uma terceira vaga na Assembleia Legislativa. Paralelamente, o partido trabalha para estruturar uma nominata competitiva à Câmara Federal, mirando ao menos uma cadeira em Brasília.
A movimentação é interpretada como uma tentativa de reposicionamento após ciclos eleitorais em que a legenda perdeu espaço no cenário estadual.
A nova configuração busca combinar experiência política, presença regional e nomes com inserção em segmentos estratégicos da sociedade.
Posicionamento político definido
Durante o ato, Chico Galindo afirmou que não pretende disputar cargo eletivo em 2026, mas atuará na organização e montagem das chapas. Ele reforçou que o PSDB deve permanecer alinhado ao vice-governador Otaviano Pivetta.
Avallone também adiantou que a sigla não trabalha com a hipótese de formar nova federação partidária e deve assumir posicionamento mais definido no campo da centro-direita em Mato Grosso.
Cenário em construção
Com o calendário eleitoral avançando e o prazo de filiações se tornando decisivo para a montagem das chapas, o PSDB sinaliza que pretende entrar na disputa de 2026 com planejamento antecipado e discurso unificado.
A nova composição partidária não apenas reorganiza a legenda internamente, mas também começa a influenciar o tabuleiro político estadual, abrindo espaço para rearranjos, novas alianças e redefinição de forças tanto na Assembleia Legislativa quanto na disputa federal.
Se consolidar a estratégia traçada agora, o partido poderá voltar a ocupar posição de maior relevância no cenário político de Mato Grosso.
POLÍTICA MT
O homem por trás da barba: agro, convicções e superação marcam trajetória de Nelson Barbudo
Deputado relembra origem de sua marca pessoal, reafirma posições políticas e conta como enfrentar um câncer em estágio avançado mudou sua percepção sobre a vida
A barba virou nome. O nome ganhou projeção política. E, ao longo dos anos, Nelson Barbudo se consolidou como uma das personalidades mais conhecidas da política de Mato Grosso, identificado com a defesa do agronegócio, das pautas conservadoras e de posições que nunca fez questão de suavizar.
Uma sequência de declarações do deputado federal Nelson Barbudo (Podemos-MT), durante entrevista ao podcast Mistura Cuiabana, revelou também o homem por trás dessa imagem pública: da origem da barba, mantida desde a juventude, às convicções políticas que carrega para o mandato e à experiência de enfrentar e superar um câncer em estágio avançado.
São episódios distintos, mas atravessados por uma característica comum: a disposição para lutar. Pela própria vida, pelas ideias em que acredita e por um setor — o agronegócio — com o qual construiu parte importante de sua identidade política.
A barba veio antes da política. Muito antes do primeiro mandato, já existia o Barbudo.
Ele contou que começou a cultivar a barba ainda jovem, sob influência do ambiente cultural da época, dos Beatles e da Jovem Guarda. A decisão provocou conflito dentro de casa.
Filho de pai italiano, rígido e acostumado a se barbear diariamente, Nelson ouviu repetidas determinações para retirar a barba. Aos 18 anos, decidiu contrariá-lo.
Décadas depois, aquilo que começou como uma pequena rebeldia juvenil acabaria incorporado ao próprio nome pelo qual ficou conhecido nacionalmente.
A história também ajuda a revelar um traço que o acompanharia na vida pública: a disposição para sustentar suas escolhas mesmo diante do confronto.
*Do campo para a política*
Produtor rural e defensor do agronegócio, Barbudo construiu sua trajetória política associando a experiência do campo às bandeiras conservadoras que levou para Brasília.
Na Câmara dos Deputados, tornou-se uma voz em defesa do setor produtivo, da propriedade privada, da segurança jurídica no campo e de pautas identificadas com o eleitorado conservador.
Essa mesma personalidade aparece quando a conversa chega às questões ideológicas.
Barbudo reafirma sua oposição à esquerda e ao comunismo e mantém o discurso contundente que marcou sua trajetória política. Também sustenta posições rigorosas no debate sobre segurança pública e punição criminal.
Ao defender a pena de morte para crimes de extrema gravidade, por exemplo, argumentou que uma punição dessa natureza poderia produzir efeito dissuasório sobre potenciais criminosos.
São posições que provocam controvérsia e debate. Barbudo, porém, nunca procurou construir sua atuação política escondendo aquilo em que acredita. Ao contrário: fez da exposição direta de suas convicções uma característica do mandato.
Foi assim que se tornou uma das principais vozes conservadoras de Mato Grosso e construiu forte identificação com o eleitorado ligado ao agronegócio e ao bolsonarismo.
*Quando a luta passou a ser pela própria vida*
Mas talvez o momento mais revelador da entrevista tenha ocorrido quando a política saiu de cena.
Barbudo relembrou o diagnóstico de um câncer em estágio quatro, com metástase, e o impacto de descobrir a gravidade da doença.
Diante do diagnóstico, conta que perguntou ao médico se outras pessoas já haviam conseguido superar um quadro semelhante. Quando ouviu que sim, decidiu que estaria entre elas.
Vieram o tratamento, a luta contra a doença e, posteriormente, a remissão. A experiência mudou sua percepção sobre aquilo que realmente importa.
“Depois de uma pancada dessa, a gente aprende que ser feliz não é ser milionário, é ter saúde e compartilhar a vida com a família”, afirmou.
É uma declaração que mostra uma dimensão menos conhecida de um político normalmente associado aos embates ideológicos e às discussões do Congresso.
O homem acostumado a defender posições duras descobriu, diante da doença, uma medida muito mais simples para a felicidade.
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