POLÍTICA MT
Mais ‘jovem’ que Cuiabá, Mato Grosso completa hoje 275 anos
“É o tipo de aniversário que pouca gente comemora simplesmente por desconhecer que o Estado de Mato Grosso nasceu no dia 9 de maio de 1748. Cuiabá foi fundada em 8 de abril de 1719 e pertencia à capitania de São Paulo. Com o desligamento de São Paulo, surge Mato Grosso, e Cuiabá, então com 29 anos, adota o futuro grande estado”.
Sábias palavras do cuiabano doutor Gabriel Novis Neves, além de fundador e primeiro reitor da Universidade Federal de Mato Grosso, ex-secretário de Estado, sempre médico e mestre.
A data é reconhecida oficialmente no calendário estadual por força da Lei nº 8007/2003, proposta pelo então deputado João Antonio Cuiabano Malheiros e aprovada pela Assembleia Legislativa.
A Lei obriga o poder público a realizar ações cívico-educativas em celebração à efeméride.
“O nome Mato Grosso foi cunhado pela primeira vez pelos irmãos Fernando e Artur Paes de Barros em 1734, quando, à caça dos índios Parecis, descobriram uma jazida aurífera às margens do rio Galera, no Vale do Guaporé, e chamaram o lugar de Minas do Mato Grosso”, lembra Mara Regina Visnadi, superintendente do Instituto Memória do Poder Legislativo (IMPL).
HISTÓRIA
O que hoje conhecemos como Mato Grosso já foi território espanhol. As primeiras excursões feitas no território de Mato Grosso datam de 1525, quando Pedro Aleixo Garcia vai em direção à Bolívia, seguindo as águas dos rios Paraná e Paraguai. Posteriormente portugueses e espanhóis são atraídos à região graças aos rumores de que havia muita riqueza naquelas terras ainda não exploradas devidamente. Também vieram jesuítas espanhóis que construíram missões entre os rios Paraná e Paraguai.
A história de Mato Grosso, no período “colonial” é importantíssima, foi quando o Brasil defendeu o seu perfil territorial e consolidou a sua propriedade e posse até os limites do rio Guaporé e Mamoré. Foram assim contidas as aspirações espanholas de domínio desse imenso território. Proclamada a nossa independência, os governos imperiais de D. Pedro I e das Regências (Primeiro Império) nomearam para Mato Grosso cinco governantes e os fatos mais importantes ocorridos nesses anos foram a oficialização da Capital da Província para Cuiabá (Lei nº 19 de 28/8/1835) e a “Rusga” (movimento nativista de matança de portugueses, a 30/05/1834). Durante o Segundo Império (governo de Dom Pedro II), o fato mais importante que ocorreu foi a Guerra do Paraguai.
ORIGEM DO NOME
As Minas de Mato Grosso, descobertas e batizadas ainda em 1734 pelos irmãos Paes de Barros, impressionados com a exuberância das sete léguas de mato espesso, dois séculos depois, mantendo ainda a denominação original, se transformaram no continental Estado de Mato Grosso.
O nome colonial setecentista, por bem-posto, perdurou até nossos dias.
Antes, em 1718, um bandeirante chamado Pascoal Moreira Cabral Leme subiu pelo rio Coxipó e descobriu enormes jazidas de ouro, dando início à corrida do ouro, fato que ajudou a povoar a região. No ano seguinte foi fundado o Arraial de Cuiabá. Em 1726, o Arraial de Cuiabá recebeu novo nome: Vila Real do Senhor Bom Jesus de Cuiabá. Em 1748, foi criada a capitania de Cuiabá, lugar que concedia isenções e privilégios a quem ali quisesse se instalar.
Em 1734, estando já quase despovoada a Vila Real do Senhor Bom Jesus do Cuiabá, os irmãos Fernando e Artur Paes de Barros, atrás dos índios Parecis, descobriram veio aurífero, o qual resolveram denominar de Minas do Mato Grosso, situadas nas margens do rio Galera, no vale do Guaporé.
Os Anais de Vila Bela da Santíssima Trindade, escritos em 1754 pelo escrivão da Câmara dessa vila, Francisco Caetano Borges, citando o nome Mato Grosso, assim nos explicam: Saiu da Vila do Cuiabá Fernando Paes de Barros com seu irmão Artur Paes, naturais de Sorocaba, e sendo o gentio Pareci naquele tempo o mais procurado, […] cursaram mais ao Poente delas com o mesmo intento, arranchando-se em um ribeirão que deságua no rio da Galera, o qual corre do Nascente a buscar o rio Guaporé, e aquele nasce nas fraldas da Serra chamada hoje a Chapada de São Francisco Xavier do Mato Grosso, da parte Oriental, fazendo experiência de ouro, tiraram nele três quartos de uma oitava na era de 1734.
As conquistas dos bandeirantes, na região do Mato Grosso, foram reconhecidas pelo Tratado de Madrid, em 1750. No ano seguinte, o então capitão-general do Mato Grosso, Antonio Rolim de Moura Tavares, fundou, à margem do rio Guaporé, a Vila Bela da Santíssima Trindade.
Entre 1761 e 1766, ocorreram disputas territoriais entre portugueses e espanhóis, depois daquele período as missões espanholas e os espanhóis se retiraram daquela região, mas o Mato Grosso somente passou a ser definitivamente território brasileiro depois que os conflitos por fronteira com os espanhóis deixaram de acontecer, em 1802. Dessa forma, ainda em 1754, vinte anos após descobertas as Minas do Mato Grosso, pela primeira vez o histórico dessas minas foi relatado num documento oficial, onde foi alocado o termo Mato Grosso, e identificado o local onde as mesmas se achavam. Todavia, o histórico da Câmara de Vila Bela não menciona porque os irmãos Paes de Barros batizaram aquelas minas com o nome de Mato Grosso. Quem nos dá tal resposta é José Gonçalves da Fonseca, em seu trabalho escrito por volta de 1780, Notícia da Situação de Mato Grosso e Cuiabá, publicado na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro de 1866, que assim nos explica a denominação Mato Grosso: “[…] se determinaram atravessar a cordilheira das Gerais de oriente para poente; e como estas montanhas são escalvadas, logo que baixaram a planície da parte oposta aos campos dos Parecis (que só tem algumas ilhas de arbustos agrestes), toparam com matos virgens de arvoredo muito elevado e corpulento, que entrando a penetrá-lo, o foram apelidando Mato Grosso; e este é o nome que ainda hoje conserva todo aquele distrito. Caminharam sempre ao poente, e depois de vencerem sete léguas de espessura, toparam com o agregado de serras […]. Pelo que desse registro se depreende, o nome Mato Grosso é originário de uma grande extensão de sete léguas de mato alto, espesso, quase impenetrável, localizado nas margens do rio Galera, percorrido pela primeira vez em 1734 pelos irmãos Paes de Barros. Acostumados a andar pelos cerrados do chapadão dos Parecis, onde apenas havia algumas ilhas de arbustos agrestes, os irmãos aventureiros, impressionados com a altura e porte das árvores, o emaranhado da vegetação secundária que dificultava a penetração, com a exuberância da floresta, a denominaram de Mato Grosso. Perto desse mato fundaram as Minas de São Francisco Xavier e toda a região adjacente, pontilhada de arraiais de mineradores, ficou conhecida na história como as Minas do Mato Grosso. Posteriormente, ao se criar a Capitania por Carta Régia de 9 de maio de 1748, o governo português assim se manifestou: Dom João, por Graça de Deus, Rei de Portugal e dos Algarves, […] Faço saber a vós, Gomes Freire de Andrade, Governador e Capitão General do Rio de Janeiro, que por resoluto se criem de novo dois governos, um nas Minas de Goiás, outro nas de Cuiabá […]”.
Dessa forma, ao se criar a Capitania, como meio de consolidação e institucionalização da posse portuguesa na fronteira com o reino de Espanha, Lisboa resolveu denominá-las tão somente de Cuiabá. Mas no fim do texto da referida Carta Régia, assim se ex-prime o Rei de Portugal […] por onde parte o mesmo governo de São Paulo com os de Pernambuco e Maranhão e os confins do Governo de Mato Grosso e Cuiabá […]. Apesar de não denominar a Capitania expressamente com o nome de Mato Grosso, somente referindo-se às minas de Cuiabá, no fim do texto da Carta Régia, é denominado plenamente o novo governo como sendo de ambas as minas, Mato Grosso e Cuiabá. Isso ressalva, na realidade, a intenção portuguesa de dar à Capitania o mesmo nome posto anos antes pelos irmãos Paes de Barros. Entende-se perfeitamente essa intenção.
Todavia, a consolidação do nome Mato Grosso veio rápido.
A Rainha D. Mariana de Áustria, ao nomear Dom Antonio Rolim de Moura como Capitão General, na Carta Patente de 25 de setembro de 1748, assim se expressa: “[…]; Hei por bem de o nomear como pela presente o nomeio no cargo de Governador e Capitão General da Capitania de Mato Grosso, por tempo de três anos […]. A mesma Rainha, no ano seguinte, a 19 de janeiro, entrega a Dom Rolim a suas famosas Instruções, que determinariam as orientações para a administração da Capitania, em especial os tratos com a fronteira do reino espanhol. Assim nos diz o documento: […] fui servido criar uma Capitania Geral com o nome de Mato Grosso […] § 1o – […] atendendo que no Mato Grosso se requer maior vigilância por causa da vizinhança que tem, houve por bem determinar que a cabeça do governo se pusesse no mesmo distrito do Mato Grosso […]; § 2o – Por se ter entendido que Mato Grosso é a chave e o propugnáculo do sertão do Brasil […].
E a partir daí, da Carta Patente e das Instruções da Rainha, o governo colonial mais longínquo, mais ao oriente em terras portuguesas na América, passou a se chamar de Capitania de Mato Grosso, tanto nos documentos oficiais como no trato diário por sua própria população. Logo se assimilou o nome institucional Mato Grosso em desfavor do nome Cuiabá. Com a independência do Brasil em 1822, passou a ser a Província de Mato Grosso, e com a República em 1889, a denominação passou a Estado de Mato Grosso.
Em 1977, desmembrado, deu origem ao vizinho Mato Grosso do Sul.
Fonte: ALMT – MT
POLÍTICA MT
Mauro dispara na 1ª vaga e Janaína lidera a 2ª na disputa pelo Senado em MT
Levantamento Quaest mostra ex-governador com ampla vantagem no primeiro voto e maior potencial eleitoral; Janaína Riva assume a dianteira na escolha para a segunda cadeira
A primeira rodada da pesquisa Quaest sobre a disputa pelas duas vagas de Mato Grosso no Senado coloca o ex-governador Mauro Mendes (União Brasil) e a deputada estadual Janaína Riva (MDB) nas duas primeiras posições da corrida eleitoral de 2026.
Divulgado nesta terça-feira (25) pela TV Centro América, o levantamento apresenta diferentes recortes da eleição. Na soma dos votos estimulados, Mauro lidera com 24% das intenções de voto, seguido por Janaína, com 18%.
Na sequência aparecem Pedro Taques (PSB), com 8%; José Medeiros (PL), com 6%; e Carlos Fávaro (PSD), com 5%. Coronel Darwin (Democrata), Galvan (Avante) e Professor Nelson Ferreira (Agir) aparecem com 2% cada. Margareth Buzetti (PP) registra 1%.
Brancos, nulos ou eleitores que afirmam não votar somam 7%, enquanto 25% ainda estão indecisos nesse recorte.
MAURO DISPARA NA PRIMEIRA VAGA
A vantagem de Mauro Mendes fica ainda mais evidente quando a Quaest separa a preferência dos entrevistados entre o primeiro e o segundo voto para senador.
Na primeira vaga, Mauro dispara com 36% das intenções de voto, contra 19% de Janaína Riva. A diferença entre os dois chega a 17 pontos percentuais.
Pedro Taques aparece com 7%, José Medeiros registra 6% e Carlos Fávaro tem 4%.
O resultado coloca Mauro com praticamente o dobro das intenções de voto de Janaína na primeira escolha para o Senado, além de uma distância ainda maior sobre os demais concorrentes.
JANAÍNA LIDERA SEGUNDA VAGA
Na escolha para a segunda cadeira, o cenário se inverte entre os dois primeiros colocados. Janaína Riva assume a liderança com 17%, enquanto Mauro Mendes aparece com 12%.
Pedro Taques registra 9%, Carlos Fávaro aparece com 7% e José Medeiros tem 6%. Coronel Darwin, Galvan, Professor Nelson Ferreira e Margareth Buzetti aparecem com 2% cada, enquanto Beny Godoy registra 1%.
Nesse cenário, os indecisos chegam a 32%.
Os números desenham, neste primeiro levantamento da Quaest, Mauro Mendes como o nome mais forte para a primeira escolha do eleitor e Janaína Riva na dianteira para o segundo voto ao Senado.
MAURO TEM POTENCIAL DE VOTO DE 60%
Outro indicador favorável ao ex-governador aparece no levantamento que mede conhecimento e disposição do eleitor em votar nos candidatos.
Mauro Mendes registra 60% dos entrevistados que afirmam conhecê-lo e que votariam nele. Outros 26% dizem conhecê-lo e não votar, enquanto 14% afirmam não conhecê-lo.
Janaína Riva apresenta 39% que a conhecem e votariam nela, 28% que a conhecem e não votariam e 33% que dizem não conhecer a parlamentar.
Pedro Taques tem 22% que o conhecem e votariam nele, enquanto 46% afirmam conhecê-lo e não votar. Outros 32% dizem não conhecer o ex-governador.
Carlos Fávaro registra 19% que o conhecem e votariam nele, 26% que o conhecem e não votariam e 55% que dizem não conhecê-lo.
José Medeiros aparece com 15% de eleitores que afirmam conhecê-lo e que votariam nele, contra 18% que o conhecem e não votariam. Outros 67% dizem não conhecer o deputado federal.
Entre os demais nomes, Galvan registra 7% de potencial de voto; Coronel Darwin, 6%; Professor Nelson Ferreira, 4%; Margareth Buzetti, 3%; e Beny Godoy, 2%.
MAURO TAMBÉM LIDERA NA ESPONTÂNEA
No cenário espontâneo, quando nenhum nome é apresentado previamente aos entrevistados, Mauro Mendes novamente ocupa a primeira posição, com 8% das citações.
Janaína Riva aparece com 5%, José Medeiros com 3%, Carlos Fávaro com 2% e Pedro Taques com 1%.
O destaque nesse cenário é o elevado número de eleitores que ainda não apontam espontaneamente um candidato: 79% estão indecisos, indicando que a corrida pelo Senado ainda tem amplo espaço para movimentações durante a campanha.
QUASE METADE ADMITE MUDAR O VOTO
A Quaest também mediu o grau de convicção dos eleitores. Para 51% dos entrevistados, a escolha do candidato já é definitiva. Outros 48% afirmam que ainda podem mudar de voto até as eleições de 4 de outubro.
O dado demonstra que, embora a pesquisa já revele uma configuração inicial favorável a Mauro Mendes e Janaína Riva, praticamente metade do eleitorado admite rever sua decisão, mantendo espaço para mudanças no decorrer da campanha.
No conjunto dos números, Mauro Mendes sai da primeira rodada da Quaest com vantagem expressiva na primeira vaga, liderança no voto total e o maior percentual de eleitores que afirmam conhecê-lo e que votariam nele. Janaína, por sua vez, consolida-se na segunda posição geral e lidera a preferência para o segundo voto, enquanto Pedro Taques, José Medeiros e Carlos Fávaro aparecem em um segundo pelotão da disputa.
A pesquisa Quaest foi realizada entre os dias 21 e 24 de agosto, com 804 eleitores de Mato Grosso. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos, e o nível de confiança informado é de 95%.
O levantamento está registrado sob o número MT-04846/2026.
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