POLÍTICA MT
Deputado critica demissões no Samu e alerta para riscos no atendimento à população
Com a demissão recente de mais de 50 servidores do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), o deputado estadual Wilson Santos (PSD) saiu em defesa da categoria durante sessão plenária realizada nesta quarta-feira (1º), na Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT). Ele criticou a medida e reforçou que o caminho deve ser a integração e não a substituição dos profissionais com o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT).
O parlamentar destacou a relevância dos trabalhadores no Samu, responsáveis por salvar vidas diariamente e alertou que a redução no quadro de servidores pode comprometer o atendimento à população, gerando atrasos e até a falta de assistência em casos graves.
Segundo o deputado, cerca de 15% das pessoas socorridas são salvas graças à eficiência do serviço de urgência e emergência, que envolve procedimentos técnicos essenciais, desde a imobilização até o transporte adequado às unidades de saúde. Ele também lembrou que essa não é a primeira vez que a categoria recorre ao Parlamento em busca de apoio. “O Samu foi criado há algumas décadas, em nível nacional. É muito importante e tem trazido resultados significativos. Não é a primeira vez que nos deparamos com esse tipo de impasse”, afirmou.
Atualmente, o Samu conta com cerca de 180 servidores, a maioria contratada temporariamente por meio de processo seletivo. Com os desligamentos, foram dispensados 10 condutores socorristas, 22 enfermeiros e 24 técnicos de enfermagem, totalizando 56 profissionais. A redução pode afetar diretamente o funcionamento do serviço, inclusive com risco de fechamento de unidades, especialmente em Cuiabá e Várzea Grande.
Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde informou que as demissões não devem impactar os atendimentos. A pasta argumenta que, desde a integração com o Corpo de Bombeiros, em 2025, houve aumento de 30% no número de ocorrências atendidas e redução de 36% no tempo de resposta.
Em discurso contundente, Wilson Santos relembrou o papel fundamental dos profissionais durante a pandemia. “Os servidores do Samu foram considerados heróis e hoje não são valorizados pelo governo. Muitos profissionais da saúde perderam a própria vida – enfermeiros, técnicos, motoristas, médicos e socorristas – em um trabalho heroico durante a pandemia da Covid-19, entre 2020 e 2021”, declarou.
O parlamentar ainda criticou os impactos da medida para a população. “Não é possível que a população pague por esse desentendimento. É inaceitável que haja paralisação, ainda que parcial, de um serviço essencial. Quem paga pelo Samu é o cidadão – e é ele quem pode ficar sem atendimento. São vidas em risco”, completou.
Diante da repercussão, o presidente da ALMT, Max Russi (Podemos), anunciou a realização de uma reunião da Comissão de Saúde, Previdência e Assistência Social na próxima terça-feira (7), às 9h. O encontro deverá reunir representantes do governo estadual para discutir a situação do Samu e buscar soluções para o impasse.
Fonte: ALMT – MT
POLÍTICA MT
Em debate quente, Wellington e Natasha miram Pivetta, que reage: “jogo combinado”
Governador também critica trajetória política de senador e enfrenta adversários em discussões sobre saúde, habitação, incentivos fiscais e obras
Os três principais candidatos ao Governo de Mato Grosso participaram, na noite desta terça-feira (29), de um debate promovido pela TV Centro América. Otaviano Pivetta (Republicanos), Wellington Fagundes (PL) e Natasha Slhessarenko (PSD) apresentaram propostas e trocaram críticas em discussões que envolveram saúde, segurança, funcionalismo público, infraestrutura, habitação e incentivos fiscais.
Logo no primeiro bloco, a saúde esteve entre os principais assuntos. Pivetta questionou Natasha sobre as prioridades para o setor. A candidata afirmou que pretende reduzir as filas por consultas, exames e procedimentos e defendeu uma mesa permanente de negociação com os servidores públicos. Também apresentou propostas relacionadas às creches, ao combate à violência contra a mulher e à ampliação do efetivo policial.
Na resposta, Pivetta destacou investimentos realizados durante a atual gestão e citou a abertura da Santa Casa, do Hospital Central e do Hospital Regional de Alta Floresta. O governador também afirmou que o tempo médio de espera na rede estadual teria diminuído. Natasha contestou os números apresentados e afirmou que ainda existe uma grande demanda reprimida por atendimentos.
O confronto entre Pivetta e Wellington ganhou força quando o governador questionou a trajetória política do senador. Pivetta afirmou que o adversário participa frequentemente de eleições e declarou que, para ele, “eleição é a safra”. Wellington respondeu dizendo que considera a atividade política uma forma de serviço público e destacou seus 36 anos de atuação.
No segundo bloco, Wellington questionou Natasha sobre medidas para combater a criminalidade. A candidata defendeu concursos para ampliar o efetivo policial, investimentos em inteligência e reforço das estruturas de proteção às mulheres, incluindo a Patrulha Maria da Penha e delegacias especializadas.
A habitação também provocou confronto. Pivetta afirmou que o governo já viabilizou cerca de 40 mil moradias e que busca autorização para contratar R$ 1,5 bilhão em financiamentos para novas construções. Wellington criticou a destinação de recursos e voltou a questionar a política de incentivos fiscais do Estado.
O tema levou Pivetta a cobrar Wellington sobre uma declaração anterior de que renunciaria à candidatura caso fosse comprovado que empresas de sua família receberam incentivos fiscais. O senador negou ter recebido o benefício e desafiou o governador a abrir seus sigilos bancário e fiscal. As acusações e respostas foram apresentadas pelos próprios candidatos durante o debate.
Outro momento de tensão ocorreu quando Natasha questionou Pivetta sobre uma acusação de violência doméstica envolvendo uma ex-esposa, episódio que ganhou repercussão após reportagem exibida pelo Fantástico em 2021. O governador afirmou que foi inocentado e aproveitou o espaço para destacar ações de sua gestão voltadas à proteção das mulheres, entre elas a criação do Gabinete da Mulher, Patrulhas Maria da Penha e estruturas especializadas de atendimento.
Na sequência, os candidatos discutiram infraestrutura. Wellington questionou Natasha sobre a demora na conclusão do sistema de transporte entre Cuiabá e Várzea Grande. Ele lembrou que o projeto, originalmente concebido como VLT, foi retomado como BRT e ainda não havia sido concluído.
Natasha criticou o andamento das obras e defendeu um sistema de transporte público mais moderno e sustentável. Pivetta, por sua vez, afirmou que o primeiro trecho do BRT está em fase de conclusão, com as estações em construção.
O debate também registrou troca de críticas sobre alianças políticas. Natasha rebateu a classificação de “velha política” e lembrou que Pivetta e Wellington foram aliados na eleição anterior. Ela também citou a relação política entre integrantes dos grupos dos dois candidatos.
No terceiro bloco, turismo e funcionalismo público entraram na discussão. Wellington defendeu a criação de programas de incentivo ao setor turístico, com qualificação profissional, crédito para pousadas e hotéis e estímulo à navegação dos rios. O senador também citou a possibilidade de ampliar a integração de Mato Grosso com países sul-americanos por meio de uma ligação de Vila Bela da Santíssima Trindade com o Oceano Pacífico.
Na discussão sobre os servidores públicos, Natasha e Wellington afirmaram que pretendem pagar a Revisão Geral Anual (RGA) que não foi concedida no período da pandemia. Natasha citou o percentual de 18,38% e afirmou que pretende estabelecer um cronograma para quitar o valor. Wellington também defendeu a valorização do funcionalismo e criticou a situação dos servidores.
No quarto e último bloco, os incentivos fiscais voltaram ao centro do debate. Natasha questionou Pivetta sobre renúncias fiscais e mencionou o valor de aproximadamente R$ 500 milhões que, segundo ela, teria deixado de entrar nos cofres públicos após o início da gestão. Pivetta defendeu a política de incentivos e afirmou que os benefícios seguem critérios legais e passam pela atuação da equipe econômica do Estado.
Em seguida, Pivetta questionou Wellington sobre a promessa de pagar a RGA aos servidores e classificou a proposta do senador como “mentirosa”. Wellington respondeu citando a necessidade de valorização do funcionalismo e afirmou que o último Plano de Cargos e Carreiras foi elaborado durante a gestão do ex-governador Dante de Oliveira.
Na parte final, Wellington voltou a questionar Natasha sobre a demora na conclusão do sistema de transporte entre Cuiabá e Várzea Grande. O senador lembrou que o projeto foi retomado em 2020 como BRT e afirmou que a obra ainda não havia sido concluída, apesar de uma previsão anterior de entrega. Natasha concordou com as críticas e defendeu a necessidade de modernização do transporte público.
O encerramento também foi marcado por críticas políticas. Pivetta afirmou que os adversários haviam se unido para atacá-lo e classificou a atuação dos dois como um “jogo combinado”. Wellington destacou sua trajetória política e defendeu uma administração baseada no diálogo e em um “governo humano”. Natasha, por sua vez, encerrou sua participação criticando problemas na saúde, feminicídios e outras questões que considera prioritárias para Mato Grosso.
O debate ocorreu na reta final da campanha para o primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro, e reuniu os três candidatos em quatro blocos de perguntas e respostas.
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