POLÍTICA MT
Cidadãos de Rondonópolis são homenageados na semana do aniversário da cidade
Na semana em que Rondonópolis (a 212 km de Cuiabá) comemorou 70 anos, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) realizou uma sessão especial em homenagem ao município por meio do reconhecimento do trabalho e dedicação daqueles que lá vivem. Trabalhadores e trabalhadoras, lideranças comunitárias, autoridades e políticos participaram da cerimônia realizada na noite da última sexta-feira (08), na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do município.
Mais de 200 pessoas participaram da sessão requerida pelo deputado rondonopolitano Thiago Silva (MDB) que contemplou 94 cidadãos e cidadãs com a entrega de títulos de cidadania, moções de aplausos e comendas.
Entre os homenageados, Servino Alves da Silva, 84 anos, baiano de nascimento e que há quase 30 anos instalou-se com a família em Rondonópolis. Antes de vir definitivamente, ele trabalhou como lavrador, foi caminhoneiro na região e hoje se emociona ao falar da filha, a desembargadora Ademir Alves da Silva Carruesco, futura presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região (TRT). “Eu me sinto honrado em receber o título de cidadania, me lembro de toda nossa trajetória e hoje sou cidadão no estado em que minha filha se tornou desembargadora”.
Ademir Carruesco também foi homenageada e recebeu a comenda Dante de Oliveira em mérito ao trabalho como juíza, desembargadora e agora presidente eleita do TRT. Ela destacou a importância da representatividade da mulher nos espaços de poder. “Fico muito feliz com o reconhecimento de um trabalho que, em sua essência, é coletivo. Hoje estamos aqui lutando pela pluralidade de representativa nos espaços de poder, para que cada vez mais esses lugares sejam ocupados com a diversidade que é nossa sociedade”.
O deputado Thiago Silva falou sobre importância de reconhecer as pessoas que tanto contribuíram para o desenvolvimento de Rondonópolis. “Nós gostaríamos de, na semana em que Rondonópolis completou 70 anos, homenagear trabalhadores, lideranças políticas e comunitárias, empresários, autoridades, pessoas daqui e que vieram de outros lugares para ajudar a colocar Rondonópolis em lugar de destaque nacional por seu desempenho na economia. Queremos também que este desenvolvimento chegue a todos os cidadãos”.
Desenvolvimento que contou com a dedicação e homens e mulheres, como o ex-governador e ex-prefeito Rogério Salles. Ele também recebeu a comenda Dante de Oliveira, uma honraria que para Salles tem um significado especial, pois foi ao lado de Dante Martins de Oliveira que ele dividiu o comando do estado, entre os anos de 1995 e 2003.
“Sou privilegiado por ter convivido com Dante de Oliveira, um estadista com visão além do seu tempo. Quando ninguém fala em energia, ele correu atrás para transformar Mato Grosso em exportador. Arcou com os desgastes políticos e fez uma reforma que instituiu o Fethab, hoje uma das principais fontes de investimentos em infraestrutura. Para mim é uma honra receber a comenda Dante de Oliveira”, afirmou Salles.
A sessão especial entregou também as comendas Marechal Rondon e Senador Jonas Pinheiro, além das moções de aplausos e títulos de cidadania mato-grossense.
Fonte: ALMT – MT
POLÍTICA MT
Relatório aponta que Banco Master transferiu R$ 5,7 bilhões em créditos considerados atípicos antes da liquidação
Documento apresentado à Justiça detalha operações com fundos ligados ao próprio grupo econômico, instituições financeiras e empresários, ampliando o alcance das investigações sobre a atuação da instituição.
Um relatório apresentado à Justiça pelo liquidante do Banco Master revelou que a instituição financeira transferiu R$ 5,7 bilhões em créditos classificados como atípicos pelo Banco Central (BC) meses antes de entrar em liquidação. As operações agora são alvo de investigações que buscam identificar o destino dos ativos e ampliar a recuperação de recursos para o pagamento de credores.
Segundo a documentação, os créditos foram negociados entre junho e agosto de 2025 com fundos de investimento e instituições financeiras, entre elas o Banco de Brasília (BRB), antes do chamado “termo legal”, período que antecede a liquidação e durante o qual determinadas operações poderiam ser anuladas. Como as cessões ocorreram antes desse marco, eventual reversão dependerá de decisão judicial.
O relatório aponta que os R$ 5,7 bilhões fazem parte de um conjunto de 16 operações que já haviam sido classificadas como incomuns pelo Banco Central durante fiscalização realizada em 2024. Entre os beneficiários aparecem fundos ligados ao próprio grupo econômico do Banco Master, como D Mais, Bravo e Máxima 2.
As investigações sustentam que parte dos empréstimos apresentava características incompatíveis com operações tradicionais de crédito, uma vez que os clientes recebiam financiamento de elevado valor condicionado à aplicação dos recursos em fundos administrados pelo próprio conglomerado financeiro.
A Polícia Federal descreve parte da movimentação como uma estratégia de “pulverização e reempacotamento de ativos”, mecanismo que teria sido utilizado para fragmentar operações e dificultar o rastreamento da origem e do destino dos recursos.
Entre os negócios analisados, aproximadamente R$ 2,9 bilhões passaram pelo fundo Máxima 2. Outros R$ 1,6 bilhão foram destinados a fundos administrados pela Reag Investimentos. O relatório afirma que essas cessões sequer teriam sido quitadas pelos fundos envolvidos.
Já o BRB aparece com aproximadamente R$ 1 bilhão em créditos negociados. Em nota, o banco informou que os ativos foram incorporados durante a gestão anterior e que a atual administração está adotando providências para regularizar a situação conforme as normas regulatórias.
Ao todo, o relatório identifica 112 operações de cessão de crédito, que somam R$ 10,2 bilhões. Entre os maiores tomadores está a Lormont Participações, controlada pelo empresário Nelson Tanure, com 18 contratos que totalizam R$ 1,18 bilhão. Tanure nega ser sócio oculto do Banco Master e afirma que todas as operações de suas empresas foram regularmente quitadas, além de desconhecer qualquer cessão posterior dos créditos.
A documentação também aponta que parte das carteiras foi direcionada a fundos ligados ao próprio Banco Master, à Reag Investimentos e a outras instituições financeiras, como BRB e Banco Voiter. Segundo os investigadores, em alguns casos créditos considerados problemáticos foram vendidos para reforçar o caixa da instituição, enquanto ativos de melhor qualidade teriam sido substituídos por operações de menor valor pertencentes a empresas relacionadas ao grupo.
Entre as operações citadas está um financiamento de R$ 336 milhões concedido a executivos da Biomm, empresa fundada pelo ex-ministro Walfrido dos Mares Guia. O crédito foi posteriormente transferido ao Banco Voiter, adquirido pelo Banco Master em 2024. Mares Guia afirmou que utilizou os recursos para ampliar sua participação acionária na companhia e ressaltou que a dívida vence apenas em 2029, tendo sido contratada antes das investigações envolvendo a instituição financeira.
Outro nome mencionado no relatório é o presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Isaac Sidney. O documento cita um financiamento imobiliário de R$ 5,5 milhões posteriormente cedido à Urbaniza Empreendimentos. Sidney afirma que quitou integralmente a dívida em 2021 junto à Cannes Consultoria, negando qualquer vínculo comercial, societário ou financeiro com a empresa mencionada e afirmando desconhecer eventual cessão do crédito.
O relatório também registra suspeitas de que determinadas cessões possam ter sido utilizadas apenas para justificar movimentações financeiras internas entre empresas relacionadas ao Banco Master. Após a divulgação das operações, diversas pessoas físicas e jurídicas citadas passaram a apresentar esclarecimentos à Justiça sobre as respectivas transações.
Diante da repercussão do caso, a defesa solicitou que o processo passe a tramitar sob sigilo, argumentando que a medida é necessária para preservar as investigações em andamento e evitar novos impactos sobre terceiros mencionados na documentação.
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