POLÍTICA MT
Audiência pública vai debater regionalização da rede de saúde em Mato Grosso
Durante a 5ª reunião da Comissão de Saúde, Previdência e Assistência Social da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), na manhã desta terça-feira (26), os deputados confirmaram a realização de uma audiência pública, no dia 2 de setembro, às 10 horas, na sala 226, na sede do Parlamento estadual, com o propósito de debater a Regionalização da Rede de Saúde e Descentralização da Atenção Especializada.
“A discussão irá abordar aspectos técnicos. O objetivo é demonstrar, de forma clara e objetiva, como a regionalização, embasada em dados técnicos, hierarquização de serviços e regionalização, contribui para a organização dos serviços de saúde em cada região”, explicou o presidente da Comissão, deputado, Paulo Araújo (PP).
Em relação aos hospitais regionais, o presidente da Comissão destacou que os municípios, em alguns casos, utilizam as unidades hospitalares sob gestão estadual para atender demandas municipais.
“Em Cáceres, por exemplo, propusemos ao governo do estado que, além do hospital regional, o município também tenha uma maternidade, a fim de atender as necessidades locais. Assim, os hospitais regionais, por sua natureza, atenderiam às necessidades de uma região, suprindo as lacunas dos serviços municipais”, apontou ele.
Paulo Araújo entende que o processo de reformulação é contínuo e leva tempo. Em Sinop, por exemplo, o município já implementou melhorias com o apoio do governo do estado e, com a abertura dos novos hospitais regionais nos próximos anos, espera-se uma melhora significativa na capacidade de atendimento e resolução do sistema público de saúde.
Foto: GILBERTO LEITE/SECRETARIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
“Estão previstas as inaugurações dos hospitais de Juína, Tangará da Serra, Alto Floresta e Araguaia, além do Hospital Central (em Cuiabá), a maior unidade hospitalar do estado, e do Hospital Júlio Muller, que está em fase de conclusão. Assim, nos próximos dois anos, teremos diversas novas unidades em funcionamento”, disse ele.
Santa Casa – A Comissão também debateu, na reunião de hoje, a situação da Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá. A Justiça do Trabalho determinou a venda do imóvel onde funciona a sede da unidade hospitalar por um valor mínimo de R$ 54,7 milhões para quitar dívidas trabalhistas acumuladas pela instituição.
Parte do imóvel está sob requisição administrativa do Estado de Mato Grosso desde 2019, o que impede a posse imediata pelo comprador. No documento, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) informou que desocupará o espaço até dezembro.
Paulo Araújo explicou que a ALMT está acompanhando o processo de leilão e que o prazo é de 30 dias, com encerramento previsto para 28 de deste mês para a primeira etapa, destinada aos interessados na aquisição da Santa Casa.
“Em reunião com o secretário de Saúde. Gilberto Figueiredo (na semana passada) fomos assegurados de que não há planos de fechamento de unidades de saúde e que essa possibilidade nunca esteve nos planos do governo. Diversas opções foram apresentadas: a aquisição da unidade pelo estado, a contratação de uma entidade para gestão, a operação direta pelo estado ou a contratação de uma Organização Social (OSS) para gerenciar o serviço. Portanto, essas possibilidades estão em análise pelo governo estadual”, revelou Araújo.
Hospital Central – Também esteve na pauta da reunião, a inauguração do Hospital Central e como estão as instalações e contratações de pessoal.
“A perspectiva é prorrogar o prazo de setembro para outubro, com previsão de conclusão entre outubro e novembro, visando a efetiva operacionalização da unidade até o final do ano, houve, portanto, uma prorrogação do prazo”, afirmou ele.
Ele informou que o Hospital Central visa, justamente, aprimorar e aumentar a eficiência do sistema público de saúde em áreas específicas, como cardiologia e neurocirurgia, além de suprir o déficit de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
“A Assembleia Legislativa tem trabalhado ativamente para garantir a manutenção dos leitos de UTI da Santa Casa. Há um déficit de leitos hospitalares e o Hospital Central visa, justamente, aprimorar e aumentar a eficiência do sistema público de saúde em áreas específicas, como cardiologia e neurocirurgia, além de suprir o déficit de leitos de UTI”, falou o parlamentar.
Ofícios – Os deputados também votaram vários ofícios, entre eles uma visita técnica dos parlamentares à Fundação Abrigo Bom Jesus, em data ainda ser marcada.
Também foi confirmada uma reunião com a equipe técnica da Secretaria Estadual de Saúde (SES) juntamente com representantes da Federação Sindical dos Servidores Públicos de Mato Grosso), com o objetivo de debater os atrasos nos pagamentos de plantões e demais verbas profissionais da Saúde do Estado Mato Grosso.
Outro ponto abordado durante a reunião desta terça-feira foi a visita in loco da comissão de saúde aos hospitais regionais de saúde dos municípios de Sinop e Sorriso. que estariam passando por um processo de precarização da saúde, sobretudo por déficit de profissionais nas unidades de saúde.
Projetos – Durante a reunião, um dos projetos debatidos foi o Projeto de Lei 752/2025, de autoria do deputado Júlio Campos (União), que dispõe sobre a necessidade da instalação de sistemas de energia solar fotovoltaica em todos os estabelecimentos hospitalares da rede pública estadual de saúde de Mato Grosso. A iniciativa recebeu voto favorável do relator e vai para votação final.
Conforme a justificativa do projeto, o objetivo é modernizar e tornar mais eficiente o uso de recursos públicos no setor da saúde estadual, mediante a adoção de sistemas de energia solar fotovoltaica nos estabelecimentos hospitalares da rede pública do Estado de Mato Grosso.
Júlio Campos entende que o estado possui um dos maiores índices de radiação solar do país, o que torna a energia solar uma alternativa estratégica, viável e altamente eficiente para abastecimento energético.
“A aplicação dessa tecnologia em hospitais gerará economia significativa nas despesas com eletricidade, permitindo que mais recursos sejam direcionados a serviços médicos, aquisição de insumos e contratação de profissionais”, explicou o deputado.
Outro projeto debatido na reunião de hoje foi o de número 1082/2025, de autoria do deputado Paulo Araújo (PP), que dispõe sobre o tempo máximo de espera para atendimento em clínicas e laboratórios de exames médicos, públicos e privados em Mato Grosso.
A proposta visa assegurar maior eficiência na prestação de serviços de saúde, garantir o respeito ao tempo dos cidadãos e promover um atendimento mais humanizado, previsível e justo.
O deputado acha que, em Mato Grosso, como em diversas outras unidades da Federação, pacientes enfrentam rotineiramente longas esperas para a realização de exames diagnósticos, mesmo quando há agendamento prévio.
Para Araújo, a morosidade no atendimento não apenas causa desconforto aos usuários do sistema de saúde, mas também compromete a detecção precoce de doenças, impacta negativamente o prognóstico de tratamento e pode levar à judicialização da saúde – um fenômeno crescente em Mato Grosso, que acarreta custos adicionais ao estado e desequilíbrio no planejamento de políticas públicas.
“O projeto estabelece dois critérios objetivos para disciplinar os prazos de atendimento: para pacientes com atendimento agendado, o tempo máximo de espera será de 30 minutos, salvo em casos justificados por escrito; e para pacientes sem agendamento prévio, o tempo máximo de espera será de 2 horas, respeitada a ordem de chegada e eventuais prioridades legais.
“Tais medidas visam assegurar transparência, controle social e garantia de direitos, além de permitir a atuação efetiva dos órgãos de fiscalização, como o Procon-MT e a Vigilância Sanitária”, avaliou o deputado.
Também entrou em pauta o Projeto de Lei número 425/2025, do deputado Valdir Barranco (PT), que dispõe sobre a obrigatoriedade de atendimento psicológico e nutricional no sistema único de saúde para bariátricos e pessoas com distúrbios alimentares em Mato Grosso. O projeto foi aprovado e vai para votação final.
A proposta busca garantir um suporte fundamental para pacientes bariátricos e pessoas com transtornos alimentares, assegurando que esses grupos recebam acompanhamento psicológico e nutricional adequado no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).
“O suporte psicológico e nutricional pré e pós-operatório reduz significativamente os riscos de transtornos alimentares, deficiências nutricionais e problemas de adaptação à nova realidade alimentar e metabólica”, apontou Barranco.
Outro ponto destacado na justificativa é que o presente projeto de lei visa promover o bem-estar e a qualidade de vida dos cidadãos, garantindo que os pacientes tenham acesso a um tratamento digno, humanizado e eficaz.
Ainda do deputado Valdir Barranco, o projeto de lei nº 419/2025, recebeu votação favorável. A propositura institui diretrizes para a implantação de programas de proteção e amparo social às crianças e adolescentes, com Síndrome de Down, Transtorno do Espectro Autista – TEA –, Paralisia Cerebral e com doenças crônicas e raras degenerativas ou incapacitantes, que se tornaram órfãos de pai e mãe ou tutor, no Estado de Mato Grosso e dá outras providências.
Segundo a justificativa, o projeto visa assegurar a esses indivíduos o direito à dignidade, à inclusão social e ao acesso prioritário aos serviços de assistência, saúde e educação, garantindo-lhes condições de desenvolvimento e qualidade de vida.
“Neste contexto, a inclusão de crianças e adolescentes com deficiência ou doenças crônicas torna-se uma necessidade, uma vez que esses indivíduos enfrentam barreiras adicionais para a sua integração na sociedade”, explicou Barranco.
Fonte: ALMT – MT
POLÍTICA MT
Mulheres avançam nas urnas, mas equidade política está longe, avalia Gisela Simona
As eleições de 2026 produziram avanços importantes na representação feminina, mas também expuseram os limites de uma conquista que ainda está longe de traduzir o peso das mulheres na sociedade, e sua participação efetiva nos espaços de poder. Em Mato Grosso, Gisela Simona (União), vice-governadora na chapa de Otaviano Pivetta (Republicanos), reeleito no primeiro turno, tornou-se a segunda mulher a ocupar o cargo duas décadas depois de Iraci França. Para ela, a vitória como vice tem significado que ultrapassa a conquista individual. Muito antes representa a abertura de um espaço que permaneceu por muitos anos sem uma mulher no cargo. E, igualmente, evidencia o tamanho do caminho que ainda precisa ser percorrido para alcançar a equidade política.
“Estou feliz por mais mulheres na política e, claro, por quebrar uma espera tão longa e voltar a representar a mulher mato-grossense dentro do Palácio Paiaguás. Mas estar aqui, onde estou hoje, é mais que uma vitória, é uma missão e uma enorme responsabilidade”.
Em entrevistas concedidas nesta semana à Rádio Cultura e Capital (Pongó News), ao podcast PodOlhar e aos programas de televisão Opinião e Roda de Entrevista, a vice-governadora insistiu em uma análise que combinou a celebração dos resultados com o alerta sobre a persistência da desigualdade. Para ela, a presença feminina cresceu em diferentes espaços, mas continua minoritária, sobretudo quando se observa a composição dos parlamentos e a distribuição dos postos de decisão.
Em Mato Grosso, o contraste é evidente. Das 24 cadeiras da Assembleia Legislativa, apenas duas serão ocupadas por mulheres a partir de 2027: Samantha e Alessandra Ferreira. Na bancada federal, o resultado foi mais expressivo: três das oito vagas ficaram com mulheres: Coronel Fernanda, Professora Rosa Neide e Virginia Mendes. Embora o avanço na Câmara dos Deputados seja relevante, a diferença entre os dois resultados revela que a participação feminina não cresce de maneira uniforme e continua condicionada pelas disputas e oportunidades de cada espaço político.
“Eu vejo que a política deveria ser um retrato da sociedade, principalmente quando falamos em representatividade feminina e em mulheres eleitas, em especial em Mato Grosso. E, dentro desse cenário, um dado me assustou: dos 36 eleitos para os cargos de governador, vice-governador, senador, deputado federal e deputado estadual, fui a única pessoa que se declarou preta. Isso mostra o quanto ainda estamos aquém da representação que deveríamos ter em um Estado com mais de 50% da população formada por pessoas negras e pardas”, avalia.
A observação amplia o debate para além do gênero. Para a vice, a sub-representação das mulheres se torna ainda mais profunda quando se considera o recorte racial. A presença feminina, por si só, não garante diversidade nos espaços de poder, assim como o aumento do número de eleitas não significa que diferentes segmentos da população estejam efetivamente representados. A questão, portanto, envolve tanto ampliar o acesso das mulheres à política quanto enfrentar as barreiras específicas que ainda hoje as atingem.
No cenário nacional, as eleições também deixaram sinais de avanço, conquanto, sem alterar substancialmente o quadro de desigualdade. A Câmara dos Deputados terá 109 mulheres na próxima legislatura, contra 90 na atual. Elas ocuparão 21,2% das 513 cadeiras, apesar de representarem mais da metade da população brasileira. No Senado, 12 mulheres foram eleitas entre as 54 vagas em disputa. Somadas às senadoras cujos mandatos continuam, elas poderão representar 18 das 81 cadeiras em 2027.
Gisela reconhece, claro, a importância dos resultados, mas ressalta que o avanço não deve ser confundido com a superação do problema. O Brasil mantém uma política de cotas que exige o mínimo de 30% de candidaturas de cada sexo, mas a regra não assegura que essa proporção se converta em cadeiras efetivamente ocupadas por mulheres. É justamente essa distância entre a presença nas listas eleitorais e a conquista de mandatos que sustenta a defesa de medidas mais efetivas de participação feminina.
“Quando estive na condição de deputada federal, fiz parte da luta por uma reserva obrigatória de cadeiras para mulheres no Legislativo brasileiro. Buscando mudar a regra atual, que se concentra nas candidaturas, mas não garante a presença feminina nas vagas conquistadas”, afirma.
Ainda para a vice-governadora, ampliar candidaturas é necessário, mas insuficiente. É preciso criar condições para que as mulheres tenham acesso real à disputa, financiamento, apoio partidário, competitividade eleitoral e oportunidades de permanecer na vida pública, sem que a participação feminina se limite ao cumprimento formal das regras. O desafio também alcança os espaços de liderança e gestão, onde a igualdade precisa se traduzir em poder de decisão, e não apenas em presença simbólica.
Assim, ao final, conforme Gisela, o resultado das urnas permite celebrar uma mudança, mas não autoriza concluir que a desigualdade foi superada. Pois há ainda uma longa distância entre a proporção de mulheres na população e em sua presença nos espaços de poder.
-
POLÍTICA MT6 dias atrásCabo eleitoral é preso em Sinop com R$ 1,8 mil e santinhos de Sheila Pedroso, Juarez Costa e Wellington Fagundes durante suspeita de compra de votos
-
ESPORTES7 dias atrásBrasil vence a Índia por 4 a 0, mas atuação segue abaixo do esperado
-
POLÍTICA MT7 dias atrásQuaest aponta Mauro e Janaina nas duas vagas ao Senado; Medeiros fica em terceiro na véspera da eleição
-
POLÍTICA MT7 dias atrásPivetta bate 54% dos votos válidos e pode vencer no 1º turno neste domingo
-
POLÍTICA MT6 dias atrásTRE registra 31 ocorrências e sete urnas substituídas nas primeiras horas de votação em MT
-
POLÍTICA MT6 dias atrásPivetta comemora reeleição no 1º turno e diz que já começa nesta segunda a planejar próximos quatro anos
-
POLÍTICA MT6 dias atrásEduardo Bolsonaro abandona projeto de Wellington declara apoio a Pivetta
-
POLÍTICA MT7 dias atrásMax Russi registra 3,8% e lidera pesquisa espontânea para deputado estadual em MT
