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Audiência pública na ALMT debate a saúde mental materna

Débora Camila de Oliveira perdeu a visão há cinco anos, mesma época em que teve seu filho Miguel. Ansiedade e medo foram alguns dos principais sentimentos que acompanharam a estudante de jornalismo no puerpério. Débora é uma das centenas de mulheres que vivem algum tipo de transtorno a partir da maternidade. Encontrar na rede pública atendimento para a saúde mental que era latente no pós-parto foi desafiador.

O assunto foi debatido em audiência pública, na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), sob o tema da campanha “Maio furta-cor: saúde mental materna importa”, requerida pelo deputado Thiago Silva (MDB), nesta quinta-feira (27).

“Eu tive muita dificuldade para amamentar meu filho. E foi um período assim muito triste, tive ansiedade e medo. Ser mãe sem a visão e vivenciar as dificuldades maternais, como medicar meu filho, trocar, foi muito desgastante. Daqui um pouco chega a fase da alfabetização, levar e buscar na escola, são coisas assim que pessoas que não têm deficiência, principalmente a visual, fazem no modo automático, mas para mim, muitas vezes, se torna um obstáculo. A minha rede de apoio é a família” destacou a jovem mãe.

O deputado Thiago Silva lembrou que a pauta da saúde mental materna é uma de suas prioridades e por isso trouxe o debate para o Legislativo, a fim de dar ampliação e efetividade nas políticas públicas em prol desse tema.

“Minha mãe foi diagnosticada com esquizofrenia logo após meu nascimento. Desde minha infância sempre foi muito difícil lidar com isso, foi meu pai quem me criou. Percebi a dificuldade dele de contar com o apoio do poder público e hoje, por meio do meu trabalho na ALMT, já fiz leis e ações para amparar ás famílias que possuem pessoas com transtornos mentais”, contou o parlamentar.

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A campanha "Maio furta-cor: saúde mental materna importa" nasceu em 2020, por meio do diálogo de uma médica psiquiatra e de uma psicóloga na cidade de Curitiba (PR)

A campanha “Maio furta-cor: saúde mental materna importa” nasceu em 2020, por meio do diálogo de uma médica psiquiatra e de uma psicóloga na cidade de Curitiba (PR)

Foto: Helder Faria

“Esse movimento em Mato Grosso, da campanha ‘Maio furta-cor: saúde mental materna importa’, se iniciou no município de Rondonópolis, com o objetivo de debater a saúde mental materna, que infelizmente tem esse agravante, como casos de depressão, ansiedade, durante o momento da maternidade e no pós-maternidade. Convocamos essa audiência pública, trouxemos a sociedade organizada e as pessoas que estão diretamente envolvidas para que possamos levantar qual é a real situação hoje da saúde mental materna das mães no estado. Colhemos informações, sugestões, opiniões de mães, do Conselho de Estadual de Psicologia, para que possamos dar encaminhamentos dignos a esse público”, enfatizou Thiago Silva.

Camila Branco é psicóloga e responsável pela campanha, em Rondonópolis. Segundo ela, o movimento surgiu para conscientizar e sensibilizar a população para o desenvolvimento de ações comunitárias e políticas públicas com o objetivo de assistir mulheres que estão vivenciando a maternidade e o puerpério.

“A campanha consiste em mostrar e ajudar as mulheres a encontrarem uma forma de lidar com a maternidade de forma mais leve possível, com acessos aos direitos dela, da criança sem sobrecarga, cobranças, pois pode levar ao adoecimento e prejudicar a relação mãe e filho e também com a sociedade. Nesse período de puerpério a mulher fica mais vulnerável para desenvolver uma depressão pós-parto. Muitas vezes, isso se intensifica tanto, indo para uma psicose mesmo”, explicou Camila.

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“Precisamos de um olhar para a saúde da mulher enquanto mãe, porque ela está ali cuidando de alguém, mas muitas vezes ela não é cuidada, ninguém traz esse olhar para ela, só espera que ela dê conta de tudo isso, desses desafios, sem reclamar, de forma romantizada, vivenciando esse maior amor do mundo”, esclareceu a psicóloga.

A subprocuradora especial da mulher da ALMT, Francielle Brustolin, parabenizou a Casa de Leis por ter esse olhar. Ela citou a criação da Procuradoria Especial da Mulher no ano passado integrando a rede de enfrentamento de violência contra mulher.

“Todas as pautas relacionadas as mulheres estão sendo amplamente debatidas nesta Casa. Conheço diversas mulheres que passaram por estágios depressivos, de melancolia no seu pós-parto e durante a maternidade. Importante saber que quando estamos cuidando da mulher, estamos cuidando da sociedade e isso é extremamente relevante, pois traz uma esperança a quem necessita”, disse Francielle.

Campanha maio furta-cor: saúde mental materna importa nasceu em 2020, por meio do diálogo de uma médica psiquiatra e de uma psicóloga em Curitiba, pela necessidade de um olhar para a saúde mental materna, principalmente no cenário pandemia e pós-pandemia. O Furta-cor é uma tonalidade, que conforme a luz bate, você enxerga ela de uma cor diferente e isso representa a maternidade, que é a forma como cada mulher se sente inserida.


Secretaria de Comunicação Social

Telefone: (65) 3313-6283

E-mail: [email protected]


Fonte: ALMT – MT

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CST de Atenção Psicossocial debate regulação e fluxo de atendimento em saúde mental em Mato Grosso

A Câmara Setorial Temática (CST) de Atenção Psicossocial da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), presidida pelo deputado estadual Carlos Avallone (PSDB), realizou nesta segunda-feira (11), na Sala das Comissões Deputada Sarita Baracat, a 3ª reunião ordinária para discutir os desafios da rede de saúde mental no estado, especialmente o fluxo de urgência e emergência, a regulação de pacientes e a estrutura do Hospital Adauto Botelho.

Durante a reunião, Avallone apresentou dados levantados em visita técnica realizada no dia 6 de maio ao Hospital Adauto Botelho e às unidades vinculadas à rede estadual de saúde mental. Segundo o parlamentar, o objetivo foi compreender o funcionamento da estrutura, a capacidade de atendimento e os gargalos da regulação.

De acordo com os dados apresentados, a Unidade 1 Adauto Botelho, localizada no bairro Coophema, terá capacidade para 86 leitos após a conclusão da reforma prevista para julho. Já a Unidade 3, voltada ao atendimento de pacientes com dependência de álcool e outras drogas, funciona no bairro Paiaguás e possui 32 vagas destinadas exclusivamente ao público masculino.

Atualmente, o Adauto Botelho possui 88 pacientes internados, enquanto a Unidade 3 atende 21 pacientes. Há ainda 12 vagas destinadas ao sistema prisional dentro da estrutura hospitalar. Durante a reunião, também foi informado que existe uma decisão judicial para ampliação de vagas destinadas ao sistema prisional.

Os dados apresentados apontam ainda que 85% dos pacientes aguardam entre um e 15 dias pela regulação para internação. Outros casos chegam a esperar entre 16 e 40 dias.

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Foto: Helder Faria

Outro ponto destacado foi à ocupação das vagas por pacientes de Cuiabá. Segundo o levantamento, 28 pacientes internados são da capital, o equivalente a 34% das vagas disponíveis, embora Cuiabá represente cerca de 17% da população do estado.

Avallone afirmou que a discussão busca construir um protocolo para atendimento em saúde mental nas situações de urgência e emergência, envolvendo Estado, municípios e profissionais da rede.

“Estamos criando um conceito e avançando. Não é fácil, a saúde mental é um pouco mais delicada, mas estamos confiando. O protocolo vai dar um caminho neste momento para uma crise que acontece pela falta de estruturação ainda da Rede de Atenção Psicossocial”, afirmou o deputado.

O defensor público e coordenador do subgrupo de Atuação Estratégica em Direitos Coletivos para Saúde Mental, Denis Thomaz Rodrigues, afirmou que a situação do Hospital Adauto Botelho já é acompanhada pela Defensoria Pública há anos e ressaltou que a regulação em saúde mental é um processo complexo, que exige integração entre diferentes setores da rede pública.

A técnica da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Valéria da Costa Marques Vuolo, apresentou um diagnóstico sobre o fluxo de urgência e emergência em saúde mental em Mato Grosso. Com o tema “Reflexão a partir do cuidado em liberdade”, ela destacou a necessidade de fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e da Rede de Atenção à Urgência (RAU).

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Segundo Valéria, o principal desafio é superar a dependência do modelo hospitalocêntrico e ampliar a atuação da rede básica e dos serviços territoriais.

“Organizar fluxo de urgência e emergência em saúde mental não é uma questão operacional, é uma questão da escolha do modelo de atenção à saúde”, afirmou.

Ela destacou que Mato Grosso possui atualmente 53 Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e defendeu a qualificação permanente das equipes de saúde.

Durante a apresentação, Valéria explicou que a saúde mental ainda não está inserida na regulação estadual e que a concentração do fluxo no Hospital Adauto Botelho acaba sobrecarregando o sistema.

A técnica também apresentou estratégias em desenvolvimento pela SES para fortalecimento da rede, entre elas a capacitação de profissionais da atenção primária, a implantação de protocolos orientativos para urgência e emergência e o fortalecimento das equipes multiprofissionais conhecidas como eMulti.

Ao final da reunião, a CST definiu a criação de um grupo de trabalho, com seis membros, para elaborar uma proposta de protocolo de urgência e emergência em saúde mental. O documento deverá ser concluído até 15 de junho para posterior validação.

Fonte: ALMT – MT

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