POLÍTICA MT
Audiência da ALMT em União do Norte discute embargos ambientais e regularização para agricultura familiar
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) realizou audiência pública, nesta segunda-feira (16), no Salão Paroquial São José Operário, no distrito União do Norte, em Peixoto de Azevedo, região norte do estado, com o objetivo de esclarecer produtores rurais sobre a Lei Complementar 830/2025, de autoria do deputado estadual Valdir Barranco (PT), além de debater os impactos dos embargos ambientais e os desafios da regularização fundiária na região.
Essa Lei Complementar acrescenta dispositivos ao Código Estadual do Meio Ambiente e institui um programa de regularização ambiental voltado à agricultura familiar e às pequenas propriedades rurais, com até quatro módulos fiscais, prevendo tratamento diferenciado e procedimentos simplificados para esses produtores.
Durante a audiência, Barranco explicou que a iniciativa integra uma série de encontros que serão realizados em diferentes regiões do estado, com o objetivo de levar informações às comunidades e ouvir as demandas dos produtores afetados pelos embargos ambientais.
“Nós temos vivido nos últimos dez anos uma situação muito difícil para os agricultores familiares. No ano passado realizamos uma audiência pública na Assembleia, com ampla participação de instituições como OAB, Tribunal de Contas, defensorias públicas, Incra e Ibama, e criamos uma câmara setorial temática para debater esse assunto. Já tivemos alguns avanços importantes, como mudanças na legislação e a criação de ritos processuais que colocam como prioridade a análise das áreas embargadas pela Sema”, afirmou Barranco, ao avaliar a audiência como produtiva e destacou a importância da participação dos agricultores familiares na busca de soluções para o problema.
“Foi uma audiência bastante participativa com aqueles que são o foco desse debate, que são os agricultores familiares. Precisamos avançar na luta para desembargar as áreas da agricultura familiar, e nada melhor do que ouvir quem vive na pele esse sofrimento, essa dificuldade e a ausência do Estado. A partir do que colhemos aqui, vamos levar o debate para a Assembleia e para a Câmara Setorial Temática e exigir o cumprimento da Lei Complementar 830 de 2025, que estabelece diretrizes e o protocolo para o desembargo desses assentamentos”, declarou.
Barranco também criticou a ausência de representantes da Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema/MT), que havia sido convidada para participar da audiência. Segundo ele, após a realização de novas audiências em outras regiões do estado, será elaborado um relatório para ser apresentado ao governador.
“Pretendemos continuar realizando audiências em outras regiões e, ao final, produzir um relatório. Quero conversar com o governador Mauro Mendes, ou com o vice, caso ele se licencie, para tratar desse tema. A ideia é que o próprio governador convoque a Sema para essa conversa, porque precisamos avançar na solução desse problema”, acrescentou.
Representando o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), o superintendente regional Joel Machado explicou que parte significativa dos lotes da região já foi regularizada, mas ainda existem famílias que precisam iniciar o processo de titulação.
“Estamos aqui para esclarecer dúvidas e ouvir a comunidade. Muitos moradores já têm o título das terras, mas ainda existem famílias que precisam regularizar a situação. Hoje o processo é simples: o produtor comprova que explora o lote e solicita a regularização, que pode ser feita inclusive pela plataforma do Incra”, explicou.
O vereador de Peixoto de Azevedo, Oldair Dallazen (PRD), destacou que os pequenos produtores aguardam avanços que garantam mais segurança jurídica nas propriedades.
“O pequeno produtor, especialmente aquele que tem propriedades de até quatro módulos, faz um grande trabalho na região. Houve muito debate sobre a legislação, mas acreditamos que essa nova lei pode trazer benefícios e mais segurança para quem vive e produz nessas áreas”, afirmou.
Moradores também relataram dificuldades provocadas pelos embargos ambientais. Representando o assentamento Travessão 00, o produtor Vilson Magnabosco afirmou que a situação tem prejudicado o desenvolvimento da atividade agrícola.
“Esse problema dos embargos prejudica muito a nossa produção. Existem muitos sítios embargados e multados aqui na região, e isso dificulta o trabalho de quem vive da terra”, relatou.
Já a produtora Rosely de Oliveira Costa, moradora do assentamento Travessão 4, relatou dificuldades enfrentadas após o embargo aplicado em sua propriedade.
“Meu sítio está embargado há quase três anos. Eu fui operada e perdi o prazo para recorrer. Hoje estou com multa e não consigo produzir. Espero que essa audiência ajude a resolver a situação de quem vive da terra e depende dela para sobreviver, porque atualmente não consigo nem comercializar minha produção de mandioca”, lamentou.
História – O distrito União do Norte é considerado um dos maiores polos de assentamentos rurais do país. A comunidade surgiu na década de 1990, após o declínio do garimpo na região, quando trabalhadores passaram a ocupar áreas destinadas à produção agrícola. Atualmente, a região reúne nove assentamentos e cerca de 15 mil moradores, que vivem principalmente da agricultura familiar.
A audiência também contou com a participação do fundador do distrito, Valmor Jorge Pasqualoto, conhecido como Chicão, do prefeito de Peixoto de Azevedo, Nilmar Nunes de Miranda (União), além de vereadores, lideranças comunitárias e representantes de associações de produtores.
Fonte: ALMT – MT
POLÍTICA MT
Pivetta defende prevenção e ensino técnico no combate à violência em MT
Candidato à reeleição afirma que enfrentamento à criminalidade exige investimentos em segurança, tecnologia, educação e criação de oportunidades para os jovens
O governador Otaviano Pivetta, candidato à reeleição, defendeu, nesta quinta-feira (10), uma estratégia de enfrentamento à violência em Mato Grosso que combine ações de segurança pública com medidas de prevenção e criação de oportunidades para os jovens. Durante entrevista à Rádio Metrópole, em Cuiabá, Pivetta afirmou que o combate à criminalidade exige atuação em diferentes frentes, com investimentos em segurança, tecnologia e inteligência, mas também com iniciativas voltadas à educação e à formação profissional.
Segundo o governador, não existe uma solução única para o problema da violência e o Estado precisa atuar simultaneamente em diferentes áreas. Entre as medidas consideradas prioritárias está a melhoria do ambiente escolar e a ampliação da oferta de cursos técnicos para estudantes dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio.
“Não existe uma receita simples e não é só um fator. Nós temos que atuar em várias frentes”, afirmou Pivetta. Para ele, manter os jovens na escola e oferecer formação profissional pode contribuir para a prevenção da violência ao ampliar as perspectivas de inserção no mercado de trabalho.
Para os próximos quatro anos, o governador defende que o ensino técnico seja ampliado para todos os estudantes dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio. Atualmente, cerca de 15 mil jovens já fazem cursos técnicos no Estado. A proposta apresentada por Pivetta é levar a formação profissional a 100% dos alunos dessas etapas, permitindo que os estudantes tenham uma profissão ainda durante a adolescência.
“O nosso plano nesses próximos quatro anos é levar curso técnico para 100% dos nossos alunos dos anos finais e do ensino médio, para que o aluno, já aos 16, 17 anos, tenha uma profissão e comece a trabalhar”, destacou.
Pivetta também apontou a modernização das escolas como parte da estratégia para tornar a educação mais atrativa e evitar a evasão escolar. Segundo ele, a incorporação de novas tecnologias e da inteligência artificial ao ensino pode contribuir para aproximar os estudantes do ambiente escolar e prepará-los para as transformações do mercado de trabalho.
O governador ressaltou ainda a importância da melhoria dos espaços físicos das unidades de ensino, argumentando que os estudantes passam boa parte do dia nesses locais. Ele citou mudanças realizadas na estrutura das escolas e defendeu ambientes mais adequados para estimular a permanência dos jovens.
Na avaliação de Pivetta, entretanto, a prevenção precisa caminhar ao lado do combate direto à criminalidade. O governador defendeu uma política nacional de enfrentamento às organizações criminosas e afirmou que o problema ultrapassa os limites dos estados.
“Precisamos de uma política nacional de combate ao crime organizado. Porque os escritórios do crime não estão aqui, estão nos grandes centros”, afirmou.
Pivetta também cobrou uma atuação mais efetiva do Governo Federal no combate às organizações criminosas. Para ele, o enfrentamento às facções exige vontade política e determinação, sem relativizar a atuação de criminosos.
Ao comentar as eleições de 4 de outubro, o governador afirmou acreditar em uma mudança no cenário nacional e defendeu a eleição de senadores e deputados que, segundo ele, estejam dispostos a promover alterações nas leis e fortalecer as políticas de segurança pública.
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