POLÍTICA MT
Assembleia Legislativa fortalece ações de conscientização sobre adoção em Mato Grosso
Em Mato Grosso, o Dia Estadual de Mobilização pela Adoção é celebrado em 22 de maio e integra um conjunto de ações voltadas à conscientização da sociedade sobre o direito de crianças e adolescentes à convivência familiar. A pauta também ganha destaque nacionalmente no dia 25 de maio, quando é comemorado o Dia Nacional da Adoção.
Na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), o tema vem sendo fortalecido por meio de leis que incentivam campanhas educativas, ampliam o debate sobre adoção legal e estimulam políticas públicas voltadas à proteção da infância e juventude.
Entre as legislações aprovadas estão a Lei nº 8.596/2006, que instituiu o Dia Estadual de Mobilização pela Adoção; a Lei nº 9.157/2009, que criou a Semana Estadual da Adoção; a Lei nº 11.951/2022, que determina a afixação de placas informativas em unidades de saúde sobre a entrega legal de filhos para adoção; e a Lei nº 12.758/2024, que ampliou as finalidades da Semana Estadual da Adoção, com foco em campanhas de conscientização, adoção tardia, inter-racial, de grupos de irmãos e de crianças com deficiência.
Autor da legislação mais recente sobre o tema, o deputado estadual Fabio Tardin (Podemos) destaca que a conscientização é fundamental para aproximar a sociedade da realidade vivida por milhares de crianças e adolescentes acolhidos.
“Muitas crianças e adolescentes ainda não têm acesso pleno à convivência familiar, à educação, à saúde, ao lazer e a outros direitos fundamentais. Por isso, uma semana dedicada à conscientização sobre a adoção é tão importante. É uma oportunidade para ampliar o conhecimento da população, incentivar o debate e fortalecer o envolvimento da sociedade em torno do tema, estimulando o encontro entre famílias interessadas em adotar e crianças e adolescentes que aguardam por um lar”, afirmou.
O parlamentar também defende que o enfrentamento aos preconceitos relacionados à adoção precisa ser permanente, especialmente em relação aos adolescentes e crianças mais velhas.
“O Parlamento tem um papel fundamental nesse processo, seja por meio de leis, debates ou ações de conscientização. Precisamos incentivar cada vez mais a adoção de crianças mais velhas e adolescentes, mostrando que o mais importante é garantir a eles um lar com amor, cuidado e oportunidades, como toda criança e adolescente merecem”, declarou Tardin, nesta terça-feira (19), ao acrescentar que adotar é um ato de amor, responsabilidade e compromisso com a vida. “É uma decisão que transforma não apenas a vida da criança ou do adolescente, mas também a da família que a acolhe”.
Busca Ativa – A secretária-geral da Comissão Estadual Judiciária de Adoção (CEJA), Elaine Zorgetti Pereira, explica que a Corregedoria-Geral da Justiça implantou o projeto “Busca Ativa: Uma Família para Amar”, voltado à divulgação de crianças e adolescentes aptos à adoção que ainda não encontraram pretendentes compatíveis no Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA).
Segundo ela, a iniciativa busca reduzir o tempo de permanência em instituições de acolhimento e ampliar as possibilidades de inserção familiar, principalmente para perfis menos procurados.
“O objetivo é divulgar as crianças e adolescentes destituídos do poder familiar e de difícil colocação em família substituta”, explicou.
Dados do SNA apontam que atualmente Mato Grosso possui 65 crianças disponíveis para adoção e 627 pretendentes habilitados. O estado contabiliza ainda 608 crianças e adolescentes acolhidos, sendo a maioria em serviços de acolhimento institucional.
De acordo com Elaine, o perfil mais buscado pelos pretendentes ainda concentra crianças pequenas. “O que mais procuram são crianças de 0 a 5 anos, sexo e cor indiferentes. A maior dificuldade de inserção em família substituta ocorre com adolescentes e crianças com deficiência física ou mental”, informou.
Elaine explica que o processo de habilitação à adoção inclui cadastro no portal do Tribunal de Justiça, participação em curso preparatório, análise documental, estudo psicossocial e parecer do Ministério Público até a inclusão no Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento.
Outro modelo incentivado pela Justiça é o acolhimento em Família Acolhedora, medida protetiva temporária prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), em que crianças e adolescentes afastados judicialmente da família de origem passam a viver provisoriamente com famílias preparadas e acompanhadas por equipes técnicas.
Preparação – Há mais de 10 anos atuando na Associação Mato-grossense de Pesquisa e Apoio à Adoção (Ampara), a assistente social Denise Araújo Campos afirma que a preparação das famílias envolve aspectos emocionais, sociais e psicológicos que precisam ser debatidos antes da adoção.
A Ampara é parceira do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) na realização do curso obrigatório “Pré-Natal da Adoção”, exigido para habilitação de pretendentes.
“A associação é um grupo de apoio à adoção que reúne famílias adotivas, pessoas interessadas em adotar e profissionais envolvidos na temática para trocar conhecimentos e fortalecer as famílias formadas por adoção”, explicou.
Segundo Denise, entre os temas trabalhados estão história de vida da criança, construção de vínculos afetivos, preconceitos ainda existentes e os impactos emocionais do acolhimento institucional.
“A família precisa estar consciente de que esses filhos já vêm com experiências anteriores e demandam acolhimento, compreensão e responsabilidade. Também é importante entender que muitas dessas crianças passaram por situações de vulnerabilidade antes de serem disponibilizadas para adoção. O mais importante é que as famílias estejam abertas a construir vínculos com afeto, diálogo e compromisso, garantindo o direito dessas crianças e adolescentes à convivência familiar”.
Ela ressalta ainda que muitos preconceitos precisam ser superados, especialmente em relação à adoção tardia e às famílias inter-raciais. Desde a pandemia, o curso passou a ser oferecido também de forma on-line, ampliando o acesso de pretendentes de municípios do interior do estado.
“Precisamos falar mais sobre adoção tardia, adoção de adolescentes, grupos de irmãos e crianças com deficiência, porque esses ainda são os perfis mais desafiadores. Culturalmente, as pessoas imaginam a adoção de um bebê, um filho desde o início da vida. Mas, na maioria das vezes, as crianças disponíveis para adoção já têm uma história, vivências, traumas e experiências anteriores. Muitas delas passaram primeiro pela convivência com a família biológica e, diante de situações de vulnerabilidade, violência ou falta de estrutura familiar, acabaram acolhidas institucionalmente até serem disponibilizadas para adoção. Datas como o Dia Nacional da Adoção ajudam justamente a ampliar esse debate, promover informação e estimular uma mudança cultural sobre o tema”, informou Denise.
Adoção tardia – A servidora pública Fernanda vivenciou a experiência da adoção tardia ao lado do marido. O filho tinha oito anos no início do processo de aproximação e nove quando a adoção foi concluída.
Ela conta que o desejo de adotar nasceu ainda na infância, durante visitas a um abrigo realizadas com os pais em ações voluntárias. “Eu e meu esposo nunca achamos que a parentalidade dependeria de um bebê. Nós sabíamos que amaríamos nosso filho com qualquer idade, raça ou gênero, por isso fomos bem amplos ao preencher o formulário de intenção”, relatou.
Fernanda explica que, apesar da adaptação ter ocorrido de forma tranquila, a adoção tardia exige acolhimento emocional e construção diária de vínculos. “Nosso filho já veio com uma história e chegou com vários medos. Uma criança que sofreu interrupções nos laços familiares precisa reconstruir esse sentimento de segurança. Nós acolhemos e damos a base para ele se desenvolver com mais confiança. É um trabalho diário”, afirmou.
Ela também relembra que enfrentou preconceito vindo de uma pessoa da própria família. Ainda assim, destaca que o acolhimento recebido pela maioria dos familiares fez toda a diferença no processo de adaptação do filho.
“Sentimos que as pessoas que nos amam fizeram de tudo para que nosso filho se sentisse seguro desde a chegada dele. Hoje, ele é cercado de carinho, tem muitas pessoas que o amam e avós completamente apaixonados. Claro que me preocupo com o futuro e com a felicidade dele, mas acredito que isso não seja um privilégio da adoção e sim um sentimento natural de qualquer mãe”, afirmou.
Para quem sonha em adotar, Fernanda avalia que sua experiência pode servir de incentivo e reflexão sobre as diferentes formas de constituir uma família.
“Creio que as famílias se formam de maneiras muito diferentes. Basta olharmos ao nosso redor: há crianças que crescem com os pais biológicos, outras apenas com a mãe, com o pai, com os avós, com vizinhos ou com famílias adotivas. O mais importante é que seja uma decisão consciente e bem pensada. Há pessoas que sonham com a gestação, e isso também está tudo bem”, concluiu.
Fonte: ALMT – MT
POLÍTICA MT
Saiba o que faz um deputado estadual
Democracia é o regime político em que o poder é exercido pelo povo. No Brasil, a democracia representativa garante a participação dos cidadãos na vida política do país, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios por meio das eleições. Nesse modelo, os representantes eleitos tomam decisões e criam leis em nome da população. Assim, a soberania do povo é exercida pelo direito de escolher quem governa ou faz as leis.
A administração pública brasileira, separada nos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, é distribuída nos níveis federal, estadual e municipal. O Legislativo, por exemplo, é formado por deputados federais e senadores, que atuam no Congresso Nacional; por deputados estaduais, que compõem as assembleias legislativas; e por vereadores, nas câmaras municipais. Há ainda os deputados distritais, que representam o povo do Distrito Federal.
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) é composta atualmente por 24 deputados estaduais. Esse número corresponde a três vezes a quantidade de deputados federais que representam o estado na Câmara dos Deputados. São eles os representantes dos 142 municípios mato-grossenses no Poder Legislativo estadual, onde têm como principais funções legislar e fiscalizar os atos do governo durante um mandato de quatro anos.
Votar e poder ser votado são direitos fundamentais em uma democracia, mas a participação do cidadão na política não termina depois das eleições. A sociedade também tem o direito de acompanhar o trabalho de quem foi eleito, conhecer as decisões tomadas e cobrar ações. Para isso, é importante entender o que cada agente político pode e deve fazer.
Competências de cada esfera legislativa – O secretário parlamentar da Mesa Diretora da ALMT, Eduardo Moreira Lustosa, explica que a Constituição Federal define o que é competência municipal e o que é competência federal, sendo que a estadual é residual: o que não é da competência do vereador nem do deputado federal é do deputado estadual.
“O vereador, com atuação municipal, vai discutir assuntos de interesse local. O estadual vai discutir assuntos de seu estado. E o federal vai defender interesses de sua federação, mas também discutir assuntos nacionais”, detalha.
Legislar e fiscalizar são as mais importantes funções de um deputado estadual, mas não as únicas. Entre as principais atribuições, de acordo com Lustosa, estão discutir e aprovar leis, elaborar e analisar pareceres nas comissões, debater políticas públicas e fiscalizar os atos do governador. O trabalho parlamentar ainda inclui participação em audiências públicas, câmaras temáticas e frentes parlamentares, que envolvem tanto a população em geral quanto especialistas na discussão de assuntos relevantes para a sociedade.
“A principal atribuição de um deputado estadual, a sua missão, é representar o povo. O deputado, uma vez eleito e empossado, não representa os eleitores dele, representa toda a população do estado de Mato Grosso, todas as pessoas que moram e vivem aqui”, diz o secretário.
“É um erro achar que os deputados só defendem os interesses dos eleitores deles. O voto é secreto justamente para defender o eleitor de influências, de pressão. O eleitor é livre para votar em quem quiser. A partir do momento em que acaba a eleição e que o tribunal eleitoral valida e dá posse, os deputados representam todos os cidadãos”, reforça.
Os limites da atuação parlamentar – Devido à repartição de funções definidas pela Constituição, existem atividades, porém, que não podem ser exercidas diretamente pelo deputado estadual. Há ações que podem ser de responsabilidade do Poder Executivo (governador ou prefeito), como a execução de obras públicas, ou de vereadores, deputados federais e senadores.
“A base territorial dele [deputado estadual] é só o estado. Se for de um estado vizinho, por exemplo, mesmo sendo às vezes só uma ponte que separe, já não é atribuição. Da mesma forma, tem problemas locais que são atribuições do Poder Legislativo municipal, dos vereadores, ou do prefeito”, afirma Lustosa.
Conhecendo as funções de um deputado estadual e até onde ele pode atuar, cabe ao cidadão o papel de acompanhar cada representante. “Muitos deputados estão vindo agora à reeleição, então é uma oportunidade de avaliar a atuação do candidato. Saber como o deputado se posicionou pode definir a continuidade do apoio. O eleitor tem à disposição, no site da ALMT, a produção legislativa de cada deputado e pode verificar se ela foi relevante, não apenas em quantidade”, conclui o secretário.
Fonte: ALMT – MT
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