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ALMT marca reunião com Governo para discutir crise no SAMU

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O presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT), deputado Max Russi (Podemos), anunciou a realização de reunião da Comissão de Saúde, Previdência e Assistência Social na próxima terça-feira (7), às 9h, para debater com o governo do Estado a situação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Secretários de estado serão convidados para o debate.

Na mesma data, às 13 horas, também está prevista sessão ordinária, que foi antecipada em razão do feriado de aniversário de Cuiabá, celebrado em 8 de abril.

Ao considerar importante o trabalho do SAMU, Max Russi destacou que a Comissão de Saúde já atua para buscar solução. “Pedi celeridade e na próxima terça-feira já tem uma reunião aqui. Vou fazer o convite aos secretários chefe da Casa Civil e de Saúde para que compareçam à Assembleia para dialogar e, assim, avançar para que a nossa população não seja prejudicada. O SAMU é um serviço essencial. Não podemos permitir descontinuidade. A Assembleia vai acompanhar, cobrar e buscar soluções”, disse o presidente.

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A definição do encontro ocorreu durante a sessão ordinária desta quarta-feira (1º), marcada por forte mobilização de servidores contratados do SAMU, que ocuparam as galerias da Casa em busca de apoio dos deputados contra a demissão em massa dos profissionais contratados.

Com cartazes, os trabalhadores chamaram atenção para a situação da categoria, com a mensagem: “Os servidores do SAMU foram herois na pandemia. Hoje o governo do estado desvaloriza o SAMU”. Questionaram a demissão de 56 profissionais, entre condutores, enfermeiros e técnicos de enfermagem, e alertaram que a decisão do governo pode comprometer o atendimento de urgência em Cuiabá e Várzea Grande.

A condutora-socorrista Jordy Luz alertou para o impacto imediato nas equipes. “Já havia déficit de profissionais e agora isso se agrava. Algumas bases estão reduzidas e a população pode ficar sem atendimento”, informou.

“O SAMU tem uma função específica, com profissionais treinados para o atendimento pré-hospitalar. Não dá para substituir isso sem planejamento. Pode custar vidas”, alertou o deputado Dr. João (MDB), médico e membro da Comissão de Saúde.

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Para o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos da Saúde de Mato Grosso (SISMA/MT), Carlos Mesquita, a situação é preocupante. “Várias unidades não estão mais atendendo. A população de Várzea Grande e do grande Pedra 90 já está sendo afetada. Aguardamos a próxima terça-feira para que seja resolvido definitivamente esse problema”, disse.

O deputado Júlio Campos fez um apelo direto ao governador Otaviano Pivetta e à equipe da SES, pedindo sensibilidade para rever as exonerações.

“Faço um apelo ao governador Pivetta e ao novo secretário de Saúde para que revejam essa decisão e evitem a exoneração desses servidores do SAMU de Cuiabá e de Mato Grosso. Estamos falando de profissionais que salvam vidas”, declarou.

Fonte: ALMT – MT

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Mulheres avançam nas urnas, mas equidade política está longe, avalia Gisela Simona

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As eleições de 2026 produziram avanços importantes na representação feminina, mas também expuseram os limites de uma conquista que ainda está longe de traduzir o peso das mulheres na sociedade, e sua participação efetiva nos espaços de poder. Em Mato Grosso, Gisela Simona (União), vice-governadora na chapa de Otaviano Pivetta (Republicanos), reeleito no primeiro turno, tornou-se a segunda mulher a ocupar o cargo duas décadas depois de Iraci França. Para ela, a vitória como vice tem significado que ultrapassa a conquista individual. Muito antes representa a abertura de um espaço que permaneceu por muitos anos sem uma mulher no cargo. E, igualmente, evidencia o tamanho do caminho que ainda precisa ser percorrido para alcançar a equidade política.

“Estou feliz por mais mulheres na política e, claro, por quebrar uma espera tão longa e voltar a representar a mulher mato-grossense dentro do Palácio Paiaguás. Mas estar aqui, onde estou hoje, é mais que uma vitória, é uma missão e uma enorme responsabilidade”.

Em entrevistas concedidas nesta semana à Rádio Cultura e Capital (Pongó News), ao podcast PodOlhar e aos programas de televisão Opinião e Roda de Entrevista, a vice-governadora insistiu em uma análise que combinou a celebração dos resultados com o alerta sobre a persistência da desigualdade. Para ela, a presença feminina cresceu em diferentes espaços, mas continua minoritária, sobretudo quando se observa a composição dos parlamentos e a distribuição dos postos de decisão.

Em Mato Grosso, o contraste é evidente. Das 24 cadeiras da Assembleia Legislativa, apenas duas serão ocupadas por mulheres a partir de 2027: Samantha e Alessandra Ferreira. Na bancada federal, o resultado foi mais expressivo: três das oito vagas ficaram com mulheres: Coronel Fernanda, Professora Rosa Neide e Virginia Mendes. Embora o avanço na Câmara dos Deputados seja relevante, a diferença entre os dois resultados revela que a participação feminina não cresce de maneira uniforme e continua condicionada pelas disputas e oportunidades de cada espaço político.

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“Eu vejo que a política deveria ser um retrato da sociedade, principalmente quando falamos em representatividade feminina e em mulheres eleitas, em especial em Mato Grosso. E, dentro desse cenário, um dado me assustou: dos 36 eleitos para os cargos de governador, vice-governador, senador, deputado federal e deputado estadual, fui a única pessoa que se declarou preta. Isso mostra o quanto ainda estamos aquém da representação que deveríamos ter em um Estado com mais de 50% da população formada por pessoas negras e pardas”, avalia.

A observação amplia o debate para além do gênero. Para a vice, a sub-representação das mulheres se torna ainda mais profunda quando se considera o recorte racial. A presença feminina, por si só, não garante diversidade nos espaços de poder, assim como o aumento do número de eleitas não significa que diferentes segmentos da população estejam efetivamente representados. A questão, portanto, envolve tanto ampliar o acesso das mulheres à política quanto enfrentar as barreiras específicas que ainda hoje as atingem.

No cenário nacional, as eleições também deixaram sinais de avanço, conquanto, sem alterar substancialmente o quadro de desigualdade. A Câmara dos Deputados terá 109 mulheres na próxima legislatura, contra 90 na atual. Elas ocuparão 21,2% das 513 cadeiras, apesar de representarem mais da metade da população brasileira. No Senado, 12 mulheres foram eleitas entre as 54 vagas em disputa. Somadas às senadoras cujos mandatos continuam, elas poderão representar 18 das 81 cadeiras em 2027.

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Gisela reconhece, claro, a importância dos resultados, mas ressalta que o avanço não deve ser confundido com a superação do problema. O Brasil mantém uma política de cotas que exige o mínimo de 30% de candidaturas de cada sexo, mas a regra não assegura que essa proporção se converta em cadeiras efetivamente ocupadas por mulheres. É justamente essa distância entre a presença nas listas eleitorais e a conquista de mandatos que sustenta a defesa de medidas mais efetivas de participação feminina.

“Quando estive na condição de deputada federal, fiz parte da luta por uma reserva obrigatória de cadeiras para mulheres no Legislativo brasileiro. Buscando mudar a regra atual, que se concentra nas candidaturas, mas não garante a presença feminina nas vagas conquistadas”, afirma.

Ainda para a vice-governadora, ampliar candidaturas é necessário, mas insuficiente. É preciso criar condições para que as mulheres tenham acesso real à disputa, financiamento, apoio partidário, competitividade eleitoral e oportunidades de permanecer na vida pública, sem que a participação feminina se limite ao cumprimento formal das regras. O desafio também alcança os espaços de liderança e gestão, onde a igualdade precisa se traduzir em poder de decisão, e não apenas em presença simbólica.

Assim, ao final, conforme Gisela, o resultado das urnas permite celebrar uma mudança, mas não autoriza concluir que a desigualdade foi superada. Pois há ainda uma longa distância entre a proporção de mulheres na população e em sua presença nos espaços de poder.

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