RACHA NO PL
Abilio diz que aliança com MDB pesou na derrota de Wellington e critica aproximação com grupo de Riva
Prefeito de Cuiabá afirma que alertou correligionário sobre estratégia eleitoral e relaciona resultado nas urnas à composição política adotada durante a campanha
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), avaliou que a aproximação do senador Wellington Fagundes (PL) com o MDB teve influência na derrota do correligionário na disputa pelo Governo de Mato Grosso. Wellington foi superado nas urnas por Otaviano Pivetta (Republicanos) no primeiro turno das eleições deste domingo (4).
Após a divulgação do resultado, Abilio afirmou, em entrevista, que já havia alertado Wellington sobre os possíveis efeitos políticos da aliança. O prefeito direcionou as críticas principalmente à aproximação com grupos tradicionais ligados ao MDB no Estado.
Entre os nomes mencionados por Abilio estão o ex-governador Silval Barbosa, o ex-governador e ex-deputado federal Carlos Bezerra, o ex-prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro e integrantes da família Riva.
Na avaliação do prefeito, a sigla carrega uma imagem negativa perante parte do eleitorado mato-grossense. Abilio afirmou que o MDB “não traz prosperidade” e “não avança” no Estado. As declarações representam a avaliação política do prefeito sobre o partido e seus integrantes.
Outro ponto citado foi a relação familiar entre Wellington e a deputada estadual Janaina Riva (MDB), que disputou uma das duas vagas ao Senado. Janaina é nora de Wellington e terminou a eleição na terceira colocação, enquanto José Medeiros (PL) ficou com uma das cadeiras em disputa.
Segundo a análise feita por Abilio, a decisão de Wellington de apoiar Janaina provocou desgaste dentro do próprio PL. Durante a campanha, lideranças da legenda em Mato Grosso divergiram da candidatura de Wellington ao Governo e declararam apoio a Pivetta.
A composição também gerou divergências em torno da disputa ao Senado. Parte dos integrantes do PL defendia José Medeiros, enquanto Wellington manteve o apoio à candidatura da nora.
Mesmo com a manifestação de apoio de Flávio Bolsonaro (PL) a Wellington na reta final da campanha, o senador não conseguiu reverter o cenário eleitoral e acabou derrotado por Pivetta.
Ao comentar o resultado, Abilio sustentou que as alianças escolhidas pelo correligionário contribuíram para o desempenho nas urnas. A declaração expõe novamente as divisões internas enfrentadas pelo PL de Mato Grosso durante a campanha eleitoral.
POLÍTICA MT
Votação concentrada marca eleição em MT e analista aponta sete fatores para explicar fenômeno
João Edisom de Souza relaciona desempenho dos mais votados ao grau de conhecimento dos candidatos, identidade política, capilaridade e facilidade de comunicação com o eleitor
A eleição de 2026 em Mato Grosso foi marcada pela concentração de votos em um grupo reduzido de candidatos nos principais cargos em disputa. Para o analista político João Edisom de Souza, o resultado pode ser explicado por fatores como conhecimento prévio dos nomes, identidade política definida, redes de apoio e trajetória eleitoral.
Entre os exemplos citados está a reeleição do governador Otaviano Pivetta (Republicanos), que recebeu 60,77% dos votos válidos. Na disputa pelo Senado, Mauro Mendes (União) alcançou 33,21%, enquanto José Medeiros (PL) obteve 27,35%. Juntos, os dois senadores eleitos ultrapassaram 2,1 milhões de votos.
O cenário também se repetiu nas eleições proporcionais. Das oito vagas de Mato Grosso na Câmara dos Deputados, cinco eleitos ultrapassaram a marca de 100 mil votos e concentraram cerca de 40% dos votos destinados aos candidatos. Coronel Fernanda (PL) liderou a votação, com aproximadamente 205 mil votos.
Na Assembleia Legislativa, dez dos 24 deputados eleitos receberam mais de 50 mil votos. Max Russi (Podemos) foi o candidato mais votado, enquanto o partido conquistou seis cadeiras e terá a maior bancada da Casa a partir de 2027.
Na avaliação de João Edisom, o primeiro fator que ajuda a compreender o desempenho é o conhecimento prévio dos candidatos pelo eleitorado.
“Eles são conhecidos antes da campanha. O eleitor não precisou ‘descobrir’ esses candidatos durante os poucos dias de campanha”, avaliou.

Outro ponto destacado pelo analista é o que ele classifica como “identidade compreensível”, quando o eleitor consegue associar facilmente determinado candidato a grupos, ideias ou trajetórias políticas.
“Mauro Mendes e Pivetta estão associados à continuidade administrativa e a setores produtivos, e Max Russi reúne mandato, estrutura parlamentar e capilaridade municipal”, afirmou.
Segundo João Edisom, o mesmo ocorre com candidatos identificados de forma mais direta com campos ideológicos. “Coronel Fernanda e Zé Medeiros têm posicionamento conservador bastante definido; Rosa Neide e Lúdio possuem identificação clara com a esquerda”, acrescentou.
O terceiro fator apontado é a capacidade de representar pautas ou correntes políticas facilmente reconhecidas pelo eleitor. Segurança, agronegócio, funcionalismo público, educação, saúde, conservadorismo, bolsonarismo, lulismo, gestão e municipalismo estão entre os exemplos citados.
Para o analista, candidaturas que procuram representar muitos segmentos simultaneamente podem enfrentar maior dificuldade para estabelecer identificação direta com grupos específicos.
Ele também avalia que o perfil conservador de parcela expressiva do eleitorado mato-grossense teve reflexos no resultado das urnas. Na eleição presidencial, Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 65,18% dos votos no Estado. Segundo João Edisom, esse comportamento também teria repercutido nas disputas estaduais e proporcionais, favorecendo candidaturas identificadas com esse campo político.
Outro elemento seria a capacidade de transformar o nome do candidato em uma marca facilmente reconhecida. João Edisom cita como exemplos “Coronel Fernanda”, “Coronel Assis”, “Zé Medeiros”, “Lúdio”, “Max Russi” e “Mauro Mendes”.
A existência de redes territoriais e sociais também aparece na análise. Prefeitos, vereadores, lideranças municipais, categorias profissionais, igrejas, movimentos, servidores, sindicatos e produtores rurais podem funcionar como estruturas de confiança e ampliar a circulação das candidaturas nos municípios.
O sexto fator está relacionado à simplicidade do discurso e à facilidade de o eleitor identificar a principal bandeira de cada nome.
“Significa que o eleitor consegue responder rapidamente: ‘o que esse candidato representa?’”, explicou.
Por fim, João Edisom destaca a trajetória política. Na avaliação dele, candidatos que já exercem mandato ou acumularam experiência no Executivo chegam à eleição com histórico conhecido, reduzindo a necessidade de apresentação ao eleitor durante o período oficial de campanha.
“Boa parte deles possui mandato ou trajetória executiva. Isso reduz a assimetria de informação: o eleitor dispõe de histórico para avaliar o nome”, concluiu.
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