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Polícia Civil cumpre prisão de integrantes de grupo criminoso e localiza corpo de jovem desaparecido

A Polícia Civil, por meio da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos de Várzea Grande (Derf-VG), deflagrou na manhã desta terça-feira (09.05), a Operação Chapéu do Sol com alvo em integrantes de uma organização criminosa envolvida em graves crimes de roubo e que vinha aterrorizando a região.

Os trabalhos da operação resultaram ainda na localização de um corpo, possivelmente do jovem Victor Moraes, de 21 anos, que estava desaparecido desde o dia 06 de fevereiro deste ano.

A operação foi deflagrada dentro investigações realizadas em inquéritos policiais instaurados na DERF-VG que apuraram uma série de roubos e furtos praticados pelo grupo em Várzea Grande. Com base nos levantamentos foi representado pelas prisões preventivas de três integrantes do grupo, que foram deferidas pela Segunda Vara Criminal de Várzea Grande.

Após a prisão, um dos suspeitos confessou a participação no crime de homicídio e ocultação de cadáver do jovem Victor Moraes. Com base nas informações passadas pelo suspeito, os policiais diligenciaram até o local onde teriam ocultado o corpo no bairro Jardim Alá, onde a vítima foi localizada.

Março 2023

De acordo com as investigações da Derf-VG, na madrugada de 28 de março deste ano, os criminosos aterrorizaram uma família após invadirem a residência no bairro Chapéu do Sol. Para praticar o crime, os suspeitos desligaram o padrão de energia da casa e quando a vítima saiu para verificar o que estava ocorrendo, foi rendida pelos criminosos armados.

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Sob a mira de arma de fogo, a vítima foi levada para o interior da residência, onde foram rendidos os demais familiares, sendo que uma das vítimas teve os pés e as mãos amarrados. Durante o roubo, os criminosos subtraíram diversos eletroeletrônicos, relógios, aparelhos celulares, dinheiro e joias.

Mesmo já tendo separado os produtos que iriam subtrair, os criminosos permaneceram por mais de uma hora na residência, tomando whisky e torturando as vítimas e chegaram a colocar a arma na cabeça da filha da vítima, ameaçando atirar, exigindo dinheiro.

Não contentes com o resultado do primeiro crime, no dia 02 de abril, os criminosos retornaram a residência (ocasião em que a família não estava), pularam o muro e arrombaram a porta, subtraindo o restante dos pertences que não levaram na data do roubo, dentre eles, uma TV 65” que a vítima havia comprado para repor as que foram roubadas anteriormente.

Abril 2023

No dia 05 de abril, os suspeitos voltaram a atacar no bairro Chapéu do Sol, ocasião em que pularam o muro de outra residência, no momento em que não havia ninguém em casa. Eles quebraram o motor do portão eletrônico com uma marreta para abrir para outros quatro comparsas.

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Pelas imagens é possível perceber que eles foram até o local dispostos a praticar um roubo, uma vez que aparecem em posse de arma de fogo, que foi apontada para o cachorro. Os criminosos permaneceram por mais de duas horas na residência, onde subtraíram aparelhos de TV, joias, videogame, roupas e um veículo VW Gol.

No mesmo dia, os criminosos foram para o centro de Várzea Grande, ocasião em que renderam um casal de idosos, no momento em que uma das vítimas trancava o portão. Após as vítimas serem rendidas, foram trancadas dentro do banheiro, ocasião em que subtraíram televisores, joias, celulares e ferramentas, além de ameaçar a idosa para que fizesse transferências bancárias.

A delegada titular da Derf-VG, Elaine Fernandes de Souza, destacou o empenho dos policiais na identificação dos suspeitos e esclarecimento dos crimes. “Essa operação é resultado de um grande trabalho realizado pelas equipes de investigação, que não mediram esforços para identificar e prender o grupo criminoso, trazendo uma resposta para sociedade em relação aos crimes de tamanha gravidade”, disse a delegada.

Fonte: Policia Civil MT – MT

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Polícia Civil leva debate sobre bullying, ciberbullying e radicalização misógina às escolas de Cuiabá

A violência contra a mulher não começa com um feminicídio. Ela nasce silenciosa, muitas vezes nos corredores das escolas, nas salas de bate-papo de jogos online, nos comentários anônimos das redes sociais e nos discursos de ódio que se infiltram como verdadeiros “coaches” da masculinidade tóxica.

Para enfrentar essa realidade, a Polícia Judiciária Civil, por meio da Coordenadoria de Polícia Comunitária e dos projetos sociais intensificou palestras nas unidades de ensino, lança um olhar atento e preventivo sobre o fenômeno da intimidação sistemática (bullying), do ciberbullying e da radicalização online em perfis da manosfera e machosfera.

A ação, que integra a campanha de prevenção à violência virtual nas escolas da capital, leva às salas de aula um diálogo franco e desarmado com alunos do ensino fundamental e médio. O objetivo não é apenas punir, mas impedir a formação de novos agressores, desconstruindo a ideia de que “brincadeira de mau gosto” é algo natural ou inofensivo.

“Não é brincadeira”: Investigador alerta para os crimes por trás da tela

Palestrante frequente nas ações da Polícia Civil em Cuiabá, o investigador Ademar Torres de Almeida, tem se dedicado a levar às escolas uma mensagem clara: o bullying e o ciberbullying são violações graves, com consequências jurídicas e emocionais reais. Em suas apresentações, ele utiliza recursos audiovisuais e exposição dialogada para mostrar como apelidos, xingamentos repetitivos, exclusão social e humilhações digitais não se trata de “mera diversão”.

“Precisamos desmontar essa ideia de que colocar apelido ofensivo, isolar o colega ou espalhar um boato é brincadeira. Isso é violência. E quando essa violência ganha as redes ou os chats dos jogos online, ela se multiplica. A Lei nº 14.811/2024 tipificou o cyberbullying como ‘intimidação sistemática virtual’, e os adolescentes precisam saber que responderão por atos infracionais por essas condutas”, alerta o investigador.

Segundo Ademar Torres, um dos pontos mais críticos observados nos diálogos com os jovens é a adesão velada a discursos de ódio contra meninas e mulheres, propagados em comunidades como a manosfera – um ecossistema digital misógino – e seu núcleo mais radical, a machosfera. Termos como Incel, Redpill, Blackpill e MGTOW (Homens Seguindo seu Próprio Caminho) têm sido identificados por pesquisas como mecanismos de radicalização que transformam frustrações em rancor e, em casos extremos, em violência.

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“Quando um aluno começa a reproduzir frases de ódio contra as colegas, a defender que ‘mulher merece sofrer’ ou a consumir conteúdos de influenciadores que pregam a dominação masculina, isso é um sinal de alerta. Estamos falando de um processo de radicalização que começa online e pode terminar em violência real. A escola é o lugar ideal para interromper esse ciclo”, explicou o investigador.

Psicóloga reforça: parceria com a Polícia Civil transforma a escola

A atuação da Polícia Civil nas escolas não acontece de forma isolada. No Colégio Tiradentes da Polícia Militar, em Cuiabá, a psicóloga Renata, da equipe psicossocial da unidade, tem acompanhado de perto os resultados das palestras e rodas de conversa promovidas pelos investigadores. Para ela, a presença da Polícia Civil no ambiente escolar é fundamental para desmistificar o tema e dar segurança jurídica e emocional a alunos e educadores.

“A expressão ‘bullying’ é usada para qualificar comportamentos agressivos no ambiente escolar, praticados de forma intencional e repetitiva, deixando a vítima impossibilitada de se defender. Mas, na prática, muitas crianças e adolescentes não sabem identificar quando estão sendo vítimas ou, pior, quando estão sendo agressores. O trabalho da Polícia Civil, com uma linguagem acessível e exemplos concretos, ajuda a desnaturalizar essa violência. Eles explicam desde o bullying físico até o cyberbullying, incluindo a falsificação de fotos, a disseminação de boatos e a violação de intimidade”, detalha a psicóloga.

Renata destaca que um dos maiores ganhos dessa parceria é a prevenção baseada no diálogo e no acolhimento, e não apenas na repressão. “Quando o investigador entra na sala e fala sobre como os jogos online podem se tornar espaços tóxicos, ou como um comentário misógino em uma rede social não é ‘só uma opinião’, os alunos se sentem provocados a refletir. A escola sozinha não dá conta desse fenômeno digital. Precisamos do Estado, da segurança pública, atuando de forma coordenada. A Polícia Civil tem sido essencial nesse sentido”, afirmou.

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O que diz a lei e o papel da escola

O coordenador da Polícia Comunitária, delegado Mario Dermeval, ressalta que as ações da Polícia Civil nas escolas de Cuiabá estão amparadas em um robusto arcabouço legal. A Lei Estadual nº 9.724/2012 determina a inclusão de medidas de conscientização e combate ao bullying nos projetos pedagógicos de Mato Grosso. Já a Lei Federal nº 13.185/2015 instituiu o Programa de Combate à Intimidação Sistemática, e a Lei nº 13.663/2018 alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) para obrigar as escolas a promoverem ações de prevenção à violência e cultura de paz.

De acordo com o material utilizado nas palestras, as formas mais comuns de bullying vão além do físico e incluem o bullying psicológico (amedrontar, perseguir), moral (difamar, caluniar), verbal (insultos, apelidos humilhantes), sexual (assediar), social (isolar, excluir), material (furtar ou destruir pertences) e o virtual ou cyberbullying (humilhações online, invasão de perfis, envio de mensagens ofensivas).

Prevenção como projeto de Estado

Segundo o gerente de Polícia Comunitária, investigador Nilton César Cardoso, as ações da Polícia Civil na capital têm por referência os projetos sociais de prevenção e o Programa Escola Segura que visa a prevenção eficaz aliada a educação transformadora, integrada no território escolar. Ao final das palestras, fica a mensagem central: os algoritmos das redes sociais e os chats dos jogos online não podem ditar o que é certo ou errado. A responsabilidade é coletiva. Como bem sintetizou o Investigador.

Serviço

Escolas públicas e privadas de Cuiabá que desejarem agendar palestras sobre bullying, ciberbullying, prevenção à violência virtual e enfrentamento à radicalização misógina podem entrar em contato com a Polícia Civil. As ações são gratuitas e voltadas a alunos do ensino fundamental e médio.

Fonte: Policia Civil MT – MT

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