POLÍTICA NACIONAL

Brasil ganha ao atrair data centers, mas expansão exige regras, aponta debate

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A Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação e Informática (CCT) fez nesta terça-feira (9) uma audiência pública para discutir um projeto de lei que estabelece regras para o funcionamento de data centers utilizados por sistemas de inteligência artificial (PL 3.018/2024).

Durante o debate, representantes do governo, da indústria, de agências reguladoras e de instituições de pesquisa destacaram o potencial do Brasil para atrair investimentos em data centers — locais que guardam os sistemas de computação de uma empresa, com recursos de armazenamento, de processamento e de rede. Os participantes defenderam, porém, que a expansão dessa infraestrutura estratégica para a economia digital seja acompanhada de medidas voltadas à eficiência energética, à sustentabilidade ambiental, à segurança digital e ao fortalecimento da capacidade tecnológica nacional.

Ao abrir a audiência, o senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO) afirmou que os data centers são essenciais para sustentar a transformação digital da economia e defendeu o fortalecimento da infraestrutura nacional para ampliar a soberania digital do país. Relator da proposta, ele disse que o tema ainda poderá ser debatido em pelo menos mais duas audiências públicas antes da apresentação do relatório. O projeto é de autoria do senador Styvenson Valentim (Podemos-RN).

Soberania digital

O representante do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Hamilton José Mendes da Silva, defendeu que uma política de incentivo para data centers deve estar condicionada a contrapartidas que gerem benefícios econômicos, tecnológicos e sociais para o Brasil. Segundo ele, o país deve aproveitar o interesse de investidores para fortalecer seu ecossistema de ciência, tecnologia e inovação, formando mão de obra qualificada e reduzindo dependências tecnológicas.

— Uma política voltada para um tema dessa relevância não deve ser encarada apenas como um instrumento para fomentar importações. É necessário importar o que for indispensável, mas sem deixar de valorizar a capacidade industrial que o país vem construindo ao longo dos anos.

Em linha com a defesa de maior autonomia tecnológica, o representante da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Nilo Pasquali, destacou que o Brasil precisa reduzir sua dependência externa em infraestrutura digital e criar condições para atrair investimentos que ampliem a capacidade nacional de processamento e armazenamento de dados.

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— A descentralização dos data centers traz mais velocidade e qualidade para a conectividade. Quanto mais próximo o conteúdo estiver de quem o consome, mais rápido, ágil e eficiente será o serviço.

Desenvolvimento econômico

Para o diretor de Programa da Secretaria de Reformas Econômicas do Ministério da Fazenda (MF), Carlos Omildo dos Santos Colombo, os data centers são uma oportunidade estratégica para o desenvolvimento econômico do Brasil e devem fazer parte de um modelo de crescimento baseado na transformação digital e na sustentabilidade. Segundo ele, o país reúne vantagens competitivas importantes, como uma matriz elétrica majoritariamente renovável, um sistema energético confiável e condições econômicas favoráveis para atrair investimentos.

Colombo destacou que o país ainda apresenta um déficit na oferta de serviços de tecnologia da informação, o que torna necessária a ampliação da infraestrutura nacional de processamento e armazenamento de dados. Nesse contexto, citou os esforços do governo para reduzir obstáculos tributários e ressaltou que a reforma tributária também deverá tornar o ambiente de negócios mais atrativo para novos investimentos.

— A importância de desenvolver o setor de data centers está em aproveitar oportunidades, que são muito maiores do que os riscos que esses empreendimentos apresentam.

O especialista em Políticas e Indústria da CNI, Inácio Calache Cozendey, observou que os data centers fazem parte de uma cadeia produtiva mais ampla, envolvendo energia, sistemas de refrigeração, infraestrutura e semicondutores. Segundo ele, o fortalecimento desse setor pode impulsionar a indústria nacional e aumentar a produtividade da economia brasileira.

— Os investimentos em infraestrutura digital podem contribuir para elevar a produtividade da economia brasileira, que permanece em níveis baixos e estagnados há muito tempo.

Infraestrutura crítica

O representante do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Marconi Edson Ferreira Viana, afirmou que a inteligência artificial generativa está reconfigurando cadeias produtivas, modelos de negócios e a competitividade global. Para ele, os data centers são parte de uma transformação mais ampla da economia digital e representam uma infraestrutura crítica para o novo ciclo tecnológico.

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Ele destacou que esse cenário está sendo moldado por fatores como a emergência climática, reorganização das cadeias globais de valor, disputas geopolíticas em torno de tecnologias estratégicas e crescente digitalização da economia. Nesse contexto, afirmou que o Brasil tem condições de se posicionar de forma competitiva, especialmente ao combinar infraestrutura digital com sustentabilidade ambiental.

Marconi Viana disse ainda que a inteligência artificial pode gerar oportunidades para áreas como monitoramento ambiental, gestão de recursos naturais, agricultura, saúde pública e inclusão social. Nesse sentido, defendeu que o Brasil aproveite suas vantagens competitivas para se tornar uma referência em infraestrutura digital de baixo impacto ambiental.

— Vivemos um novo paradigma de digitalização da economia, com a consolidação da economia de dados como motor de produtividade e competitividade. Nesse contexto, os data centers surgem como uma nova infraestrutura digital crítica para repensar a matriz produtiva brasileira.

Representante da empresa Nvidia, Marcelo Sampaio afirmou que a inteligência artificial está transformando a economia global e tornando os data centers uma infraestrutura estratégica para pesquisa, inovação e desenvolvimento tecnológico. Segundo ele, a ampliação da capacidade computacional no país é fundamental para que universidades, startups, empresas e órgãos públicos possam desenvolver aplicações em áreas como saúde, indústria, agricultura e previsão climática.

Ao encerrar a audiência, os participantes convergiram na avaliação de que o Brasil reúne condições favoráveis para atrair investimentos em data centers, mas que a expansão do setor deve ser acompanhada de políticas voltadas à inovação, sustentabilidade, segurança digital e desenvolvimento tecnológico nacional.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Senado sedia encontro sobre liderança feminina na administração pública

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O Senado promoveu nesta segunda-feira (5) a abertura do 1º Encontro Nacional de Mulheres na Liderança na Administração Pública. O objetivo é formar uma rede com essas lideranças e fortalecer a atuação feminina nos três Poderes, com a consolidação de boas práticas em governança pública e a produção de subsídios para a formulação de políticas de equidade.

Na abertura do evento, que se estende até esta terça-feira (6), a diretora-geral do Senado, Ilana Trombka, defendeu a presença de mulheres nesse espaços e a importância de se criar ambientes institucionais que facilitem a troca de experiências e a construção de redes de apoio.

Ilana ressaltou que as mulheres podem exercer cargos de liderança sem se limitar a padrões preestabelecidos de comportamento e desempenho.

— Não precisamos caber em caixinhas. Podemos ser o que quisermos — afirmou.

Videocast

A programação de abertura incluiu o lançamento do videocast LiderA, que é uma produção da Rádio Senado, da TV Senado e do Núcleo de Coordenação de Ações de Diversidade, Equidade e Inclusão do Senado.

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A produção reúne mulheres que estão à frente de instituições públicas para entrevistas sobre liderança, escolhas e desafios profissionais.

A diretora da Secretaria de Comunicação Social do Senado, Glauciene Lara, disse que o LiderA busca romper com estereótipos que ainda restringem a forma como a liderança feminina é percebida.

Glauciene convidou as participantes a acompanhar os episódios e a compartilhar suas próprias experiências em futuras gravações. Ela também salientou a diversidade das trajetórias das mulheres presentes no encontro.

Palestra e filme

O evento contou ainda com a palestra Mulheres em rede: o futuro da liderança, ministrada por Gisèle Szczyglak. Ela é doutora em filosofia política pela Universidade de Toulouse II e especialista em liderança feminina, mentoring e desenvolvimento de redes profissionais.

Além disso, a programação incluiu a exibição do filme Eunice – A Primeira Senadora, que faz parte do projeto Visita 360 (que oferece aos visitantes do Congresso Nacional experiências imersivas por meio da realidade virtual).

O curta-metragem, com duração de nove minutos, apresenta um momento na vida de Eunice Michiles, primeira mulher a ocupar uma cadeira no Senado, e destaca sua atuação em um ambiente político predominantemente masculino.

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Segundo dia

A programação desta terça-feira (6), segundo e último dia do encontro, começa às 9h, no Instituto Serzedello Corrêa – Escola Superior do Tribunal de Contas da União.

Entre os destaques estão a aula magna O cenário da alta gestão sob a ótica de gênero e governança, a ser ministrada pela diretora-geral do Senado, Ilana Trombka, além de uma série de oficinas — que vão abordar comunicação e autoridade, autoconhecimento, equidade de gênero, transformação institucional e liderança inclusiva.

O evento será encerrado com uma plenária com foco na construção de uma agenda das mulheres na administração pública, com representantes dos três Poderes.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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