NACIONAL

Macapá (AP): verão, cultura e ancestralidade na linha do equador

Às margens do imponente Rio Amazonas, no extremo norte do Brasil, Macapá é a única capital brasileira cortada pela Linha do Equador e banhada pelo maior rio do mundo. A cidade é um território onde ciência, tradição, espiritualidade e cultura popular convivem em equilíbrio, criando uma experiência amazônica singular.

Fundada oficialmente em 1758, Macapá nasceu como um ponto estratégico de defesa do território amazônico durante o período colonial. Sua história está profundamente ligada à presença indígena, às populações negras trazidas para a região e às comunidades ribeirinhas que moldaram o modo de viver às margens do maior rio do mundo.

O nome Macapá tem origem tupi, derivado de macapaba, expressão associada à abundância da bacaba, palmeira típica da região. Antes da ocupação portuguesa, a área era habitada por povos indígenas como os tucujus, cuja herança cultural permanece viva nas manifestações artísticas, nos saberes tradicionais e na relação respeitosa com a natureza.

FORTALEZA DE SÃO JOSÉ – Símbolo máximo da cidade, a Fortaleza de São José de Macapá é uma das maiores construções militares do período colonial no Brasil. Erguida no século XVIII às margens do Amazonas, a fortaleza foi fundamental para garantir a soberania portuguesa na região e hoje é um patrimônio histórico que conecta passado e presente.

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MARCO ZERO: ONDE O MUNDO SE ENCONTRA – Outro cartão-postal é o Marco Zero do Equador, ponto turístico que marca a divisão simbólica entre os hemisférios Norte e Sul. A atração geográfica se tornou palco de eventos culturais, científicos e celebrações que reforçam a identidade única de Macapá no cenário nacional e internacional.

Durante os equinócios, quando o sol se posiciona exatamente sobre a linha imaginária, moradores e visitantes acompanham um espetáculo natural que conecta ciência e ancestralidade.

MARABAIXO: RITMO ANCESTRAL – O Marabaixo é uma das manifestações culturais mais tradicionais do Amapá, com origem nas comunidades afrodescendentes formadas por negros que foram trazidos à região durante o período colonial. 

A celebração reúne música, dança, religiosidade e memória coletiva, marcada pelo som das caixas de marabaixo, tambores que conduzem os cantos chamados de “ladrões”, versos que narram histórias, sentimentos e acontecimentos da comunidade. 

O Marabaixo é celebrado principalmente em bairros históricos de Macapá e em comunidades do interior, tornando-se um símbolo de resistência cultural, identidade e orgulho do povo amapaense. Durante o verão amazônico, as rodas de Marabaixo ganham ainda mais vida, convidando moradores e visitantes a vivenciar de perto essa herança cultural que atravessa gerações.

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VERÃO AMAZÔNICO – No verão amazônico, que se inicia em junho e segue até setembro, Macapá revela outro encanto: as praias de água doce formadas pelo recuo das águas do Amazonas. A Praia da Fazendinha é a mais famosa delas, reunindo moradores e turistas em um cenário onde rio, sol e cultura se encontram.

Além da Fazendinha, áreas ribeirinhas e balneários urbanos se tornam pontos de lazer, convivência e celebração da vida amazônica, acompanhados de música, gastronomia local e o ritmo tranquilo da cidade.

SABORES DO AMAPÁ – A culinária macapaense é uma verdadeira experiência sensorial. Pratos à base de peixe fresco, camarão regional e tucupi dividem espaço com receitas tradicionais como o caldo de tucupi, a goma de mandioca, o açaí e a bacaba, símbolo da região.

O sabor mais emblemático, no entanto, é o do camarão no bafo, presença constante em feiras e encontros à beira do rio, acompanhado de farinha e vinagrete, em uma celebração profundamente cultural.

Por Fernando Assunção
Assessoria de Comunicação do Ministério do Turismo

Fonte: Ministério do Turismo

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NACIONAL

Como escolas e famílias formam novos leitores

A formação de leitores começa muito antes da alfabetização. O contato com livros, histórias, brincadeiras e manifestações artísticas desde a primeira infância é um direito fundamental das crianças e uma etapa essencial para o desenvolvimento. Nesse contexto, a implementação de políticas públicas possibilita a ampliação do acesso à literatura e garante que mais crianças tenham oportunidades de vivenciar a leitura. Para fortalecer essas ações, o Ministério da Educação (MEC) está formando a Comunidade Nacional de Gestores de Políticas de Primeira Infância. Municípios, estados e o Distrito Federal podem aderir à iniciativa até 31 de julho. 

Coordenada pela Subsecretaria da Política Nacional Integrada da Primeira Infância (SNPPI), a comunidade reúne gestores públicos responsáveis por políticas destinadas a bebês e crianças de até seis anos. A proposta busca fortalecer a implementação da Política Nacional Integrada da Primeira Infância (PNIPI) por meio de cooperação entre os entes federados, troca de experiências e desenvolvimento de capacidades institucionais para planejar, executar, monitorar e avaliar ações voltadas à infância. 

A importância dessa articulação entre políticas públicas, escolas, famílias e comunidade destacou-se na 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Ao longo da programação da Flipinha e da FlipEduca, educadores, escritores e artistas compartilharam experiências que mostram como o incentivo à leitura desde os primeiros anos de vida pode transformar a relação das crianças com a aprendizagem e a cultura. 

Para a atriz, educadora e pesquisadora em teatro, música, dança e literatura Cláudia Ribeiro, arte e educação caminham juntas no desenvolvimento infantil. Em seu trabalho, ela dirige grupos de teatro compostos por crianças, no contraturno escolar, que produzem espetáculos apresentados em escolas do município. A iniciativa aproxima os estudantes à literatura por meio da interpretação, criatividade e experiência artística, ao mesmo tempo em que incentiva a leitura e fortalece a participação das famílias no processo educativo. 

“Esse trabalho ajuda a formar a plateia e despertar o interesse das crianças ao incentivá-las a produzir arte e, principalmente, a entrar no mundo da leitura. No teatro, eu estou sempre incentivando o ato de ler, porque é importante ler o texto, entender o personagem, interpretar as intenções das falas. Quando as famílias entendem que esse processo de junção de arte e educação é muito produtivo e benéfico para as crianças, elas dão a mão para a gente, enquanto educadoras e artistas, e aí a criança só tem a ganhar com tudo isso”. 

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As experiências apresentadas na Flip reforçam que o acesso à literatura também passa pelo fortalecimento dos vínculos familiares. A escritora, poeta e produtora cultural Elisa Pereira, que vive em Paraty e é autora do livro infantil Quintal do Vô Benê, explica que o contato com os livros pode começar ainda na primeira infância – e até antes do nascimento. Em sua obra, ela escolheu retratar um avô como personagem central para destacar que o cuidado, o afeto e a transmissão de conhecimentos também fazem parte do papel dos homens na criação das crianças. 

“Eu acho que é fundamental. Eu cresci, na verdade, sem essa vivência. Eu não tive mãe ou pai que lessem para mim, mas eu percebo a diferença entre crianças que, desde pequenas – hoje em dia, a gente sabe que pode ler até para os bebês –, tiveram acesso à leitura, e crianças que não tiveram. Eu acho que é fundamental o papel da mãe, do pai e dos cuidadores, de uma forma geral, nessa formação de leitores”. 

A professora da rede municipal do Rio de Janeiro Glaucia Abreu, que atua com contação de histórias e literatura na infância, observa que muitas crianças têm seu primeiro contato sistemático com os livros no ambiente escolar. Segundo ela, o hábito da leitura nem sempre está presente no ambiente familiar, o que amplia o papel da escola em despertar a imaginação, a criatividade e o interesse pela literatura. Ao mesmo tempo, ela ressalta que esse trabalho alcança melhores resultados quando a família também participa desse processo. 

“Muitas das vezes, a escola introduz esse papel por meio de uma contação simples ou, às vezes, uma contação para dormir para crianças que não vivenciaram isso. Então, a escola está cumprindo um papel que é básico, que aflora a criatividade da criança, assim como a capacidade de ela desenvolver a imaginação e a fantasia, que faz parte do universo infantil. A gente precisa incentivar isso além das portas da escola. A gente precisa incentivar isso na base familiar”. 

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Cooperação – Os relatos apresentados durante a Flip dialogam com os objetivos da Comunidade Nacional de Gestores de Políticas de Primeira Infância, criada pelo MEC para fortalecer políticas públicas voltadas aos primeiros anos de vida. 

Instituída pela Portaria nº 540/2026, a comunidade reúne gestores públicos indicados pelos municípios, estados e Distrito Federal em uma rede de cooperação federativa. A iniciativa busca fortalecer as capacidades institucionais dos entes para planejar, executar, monitorar e avaliar políticas públicas destinadas a bebês e crianças de até seis anos, além de promover a troca de experiências, a difusão de conhecimentos técnicos e o aprimoramento contínuo das ações voltadas à primeira infância. 

A comunidade está estruturada em dois eixos. O primeiro, Pactuação e Articulação Federativa, prevê oficinas, encontros técnicos e seminários para discutir iniciativas, projetos e programas voltados à primeira infância e incentivo à cooperação entre os entes federativos. Já o eixo Desenvolvimento de Capacidades Institucionais contempla a criação de instrumentos de gestão, protocolos, sistemas de informação, monitoramento e avaliação, além da oferta de ações formativas voltadas ao fortalecimento das capacidades individuais e coletivas da gestão pública. 

As experiências compartilhadas por educadores, artistas e escritores na Flip mostram que formar leitores desde a primeira infância depende da atuação conjunta de escolas, famílias, espaços culturais e políticas públicas. Ao criar uma rede permanente de cooperação entre gestores, a Comunidade Nacional de Gestores de Políticas de Primeira Infância busca fortalecer essa articulação para que mais crianças tenham acesso a experiências de leitura, cultura e aprendizagem desde os primeiros anos de vida. 

Assessoria de Comunicação Social do MEC 

Fonte: Ministério da Educação

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