BASTIDORES DE BRASÍLIA

Flávio Bolsonaro admite visita a banqueiro preso pela PF e caso amplia desgaste político

A confirmação feita pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de que visitou o banqueiro Daniel Vorcaro após a prisão do empresário pela Polícia Federal provocou forte repercussão política em Brasília e ampliou o desgaste envolvendo o entorno do parlamentar.

A revelação veio após reportagem publicada pelo portal Metrópoles detalhar que o encontro ocorreu no fim de 2025, logo depois de Vorcaro deixar a prisão e passar a cumprir medidas cautelares em sua residência, em São Paulo.

Segundo as informações divulgadas, Flávio foi até a casa do dono do Banco Master quando o banqueiro já estava submetido a restrições judiciais, incluindo tornozeleira eletrônica e proibição de deixar o estado de São Paulo.

Inicialmente tratado como um encontro reservado, o episódio acabou sendo admitido publicamente pelo próprio senador após a repercussão nacional do caso.

“Fui sim até o encontro dele. Ele estava restrito e não podia sair do estado de São Paulo, então fui até ele. (…) Eu fui sim ao encontro dele para botar um ponto final nessa história”, declarou Flávio Bolsonaro durante conversa com a imprensa em Brasília.

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Na mesma declaração, o senador afirmou que teria rompido relações comerciais com Vorcaro ao descobrir a gravidade das investigações envolvendo o banqueiro.

Daniel Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro de 2025, no Aeroporto de Guarulhos, quando tentava embarcar para o exterior. Pouco tempo depois, acabou solto por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).

Entretanto, em março de 2026, o empresário voltou a ser preso por determinação do ministro do STF André Mendonça, sob alegação de “risco concreto de interferência nas investigações”.

As investigações também apontaram a existência de uma estrutura paralela ligada ao banqueiro, que teria acesso a informações sigilosas da Polícia Federal. O suposto grupo seria liderado por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”.

Outro ponto que aumentou a repercussão política foi a divulgação de mensagens e áudios trocados entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Segundo reportagem do site Intercept Brasil, o senador teria solicitado patrocínio financeiro para um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Uma das mensagens citadas teria sido enviada em 16 de novembro de 2025 — um dia antes da primeira prisão do banqueiro e dois dias antes da liquidação do Banco Master pelo Banco Central.

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Nos bastidores do Congresso Nacional, aliados avaliam que o episódio pode causar desgaste político ao senador justamente em um momento de reorganização interna do PL e de articulações nacionais visando as eleições presidenciais de 2026.

Apesar da repercussão, Flávio Bolsonaro evitou aprofundar detalhes sobre a relação mantida com o banqueiro e minimizou o encontro, afirmando que a visita teve como objetivo apenas encerrar vínculos comerciais e pessoais com Vorcaro.

Fonte: Metrópoles

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NACIONAL

Como escolas e famílias formam novos leitores

A formação de leitores começa muito antes da alfabetização. O contato com livros, histórias, brincadeiras e manifestações artísticas desde a primeira infância é um direito fundamental das crianças e uma etapa essencial para o desenvolvimento. Nesse contexto, a implementação de políticas públicas possibilita a ampliação do acesso à literatura e garante que mais crianças tenham oportunidades de vivenciar a leitura. Para fortalecer essas ações, o Ministério da Educação (MEC) está formando a Comunidade Nacional de Gestores de Políticas de Primeira Infância. Municípios, estados e o Distrito Federal podem aderir à iniciativa até 31 de julho. 

Coordenada pela Subsecretaria da Política Nacional Integrada da Primeira Infância (SNPPI), a comunidade reúne gestores públicos responsáveis por políticas destinadas a bebês e crianças de até seis anos. A proposta busca fortalecer a implementação da Política Nacional Integrada da Primeira Infância (PNIPI) por meio de cooperação entre os entes federados, troca de experiências e desenvolvimento de capacidades institucionais para planejar, executar, monitorar e avaliar ações voltadas à infância. 

A importância dessa articulação entre políticas públicas, escolas, famílias e comunidade destacou-se na 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Ao longo da programação da Flipinha e da FlipEduca, educadores, escritores e artistas compartilharam experiências que mostram como o incentivo à leitura desde os primeiros anos de vida pode transformar a relação das crianças com a aprendizagem e a cultura. 

Para a atriz, educadora e pesquisadora em teatro, música, dança e literatura Cláudia Ribeiro, arte e educação caminham juntas no desenvolvimento infantil. Em seu trabalho, ela dirige grupos de teatro compostos por crianças, no contraturno escolar, que produzem espetáculos apresentados em escolas do município. A iniciativa aproxima os estudantes à literatura por meio da interpretação, criatividade e experiência artística, ao mesmo tempo em que incentiva a leitura e fortalece a participação das famílias no processo educativo. 

“Esse trabalho ajuda a formar a plateia e despertar o interesse das crianças ao incentivá-las a produzir arte e, principalmente, a entrar no mundo da leitura. No teatro, eu estou sempre incentivando o ato de ler, porque é importante ler o texto, entender o personagem, interpretar as intenções das falas. Quando as famílias entendem que esse processo de junção de arte e educação é muito produtivo e benéfico para as crianças, elas dão a mão para a gente, enquanto educadoras e artistas, e aí a criança só tem a ganhar com tudo isso”. 

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As experiências apresentadas na Flip reforçam que o acesso à literatura também passa pelo fortalecimento dos vínculos familiares. A escritora, poeta e produtora cultural Elisa Pereira, que vive em Paraty e é autora do livro infantil Quintal do Vô Benê, explica que o contato com os livros pode começar ainda na primeira infância – e até antes do nascimento. Em sua obra, ela escolheu retratar um avô como personagem central para destacar que o cuidado, o afeto e a transmissão de conhecimentos também fazem parte do papel dos homens na criação das crianças. 

“Eu acho que é fundamental. Eu cresci, na verdade, sem essa vivência. Eu não tive mãe ou pai que lessem para mim, mas eu percebo a diferença entre crianças que, desde pequenas – hoje em dia, a gente sabe que pode ler até para os bebês –, tiveram acesso à leitura, e crianças que não tiveram. Eu acho que é fundamental o papel da mãe, do pai e dos cuidadores, de uma forma geral, nessa formação de leitores”. 

A professora da rede municipal do Rio de Janeiro Glaucia Abreu, que atua com contação de histórias e literatura na infância, observa que muitas crianças têm seu primeiro contato sistemático com os livros no ambiente escolar. Segundo ela, o hábito da leitura nem sempre está presente no ambiente familiar, o que amplia o papel da escola em despertar a imaginação, a criatividade e o interesse pela literatura. Ao mesmo tempo, ela ressalta que esse trabalho alcança melhores resultados quando a família também participa desse processo. 

“Muitas das vezes, a escola introduz esse papel por meio de uma contação simples ou, às vezes, uma contação para dormir para crianças que não vivenciaram isso. Então, a escola está cumprindo um papel que é básico, que aflora a criatividade da criança, assim como a capacidade de ela desenvolver a imaginação e a fantasia, que faz parte do universo infantil. A gente precisa incentivar isso além das portas da escola. A gente precisa incentivar isso na base familiar”. 

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Cooperação – Os relatos apresentados durante a Flip dialogam com os objetivos da Comunidade Nacional de Gestores de Políticas de Primeira Infância, criada pelo MEC para fortalecer políticas públicas voltadas aos primeiros anos de vida. 

Instituída pela Portaria nº 540/2026, a comunidade reúne gestores públicos indicados pelos municípios, estados e Distrito Federal em uma rede de cooperação federativa. A iniciativa busca fortalecer as capacidades institucionais dos entes para planejar, executar, monitorar e avaliar políticas públicas destinadas a bebês e crianças de até seis anos, além de promover a troca de experiências, a difusão de conhecimentos técnicos e o aprimoramento contínuo das ações voltadas à primeira infância. 

A comunidade está estruturada em dois eixos. O primeiro, Pactuação e Articulação Federativa, prevê oficinas, encontros técnicos e seminários para discutir iniciativas, projetos e programas voltados à primeira infância e incentivo à cooperação entre os entes federativos. Já o eixo Desenvolvimento de Capacidades Institucionais contempla a criação de instrumentos de gestão, protocolos, sistemas de informação, monitoramento e avaliação, além da oferta de ações formativas voltadas ao fortalecimento das capacidades individuais e coletivas da gestão pública. 

As experiências compartilhadas por educadores, artistas e escritores na Flip mostram que formar leitores desde a primeira infância depende da atuação conjunta de escolas, famílias, espaços culturais e políticas públicas. Ao criar uma rede permanente de cooperação entre gestores, a Comunidade Nacional de Gestores de Políticas de Primeira Infância busca fortalecer essa articulação para que mais crianças tenham acesso a experiências de leitura, cultura e aprendizagem desde os primeiros anos de vida. 

Assessoria de Comunicação Social do MEC 

Fonte: Ministério da Educação

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