MINISTÉRIO PÚBLICO MT
Projeto recupera nascentes, fortalece abastecimento e melhora clima
O Projeto Água para o Futuro, desenvolvido pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso desde 2015 com o objetivo de garantir a segurança hídrica e o abastecimento de água potável por meio da identificação, preservação e recuperação de nascentes, hoje (22 de março), “Dia Mundial da Água”, tem motivos para comemorar. A iniciativa, que começou a ser desenvolvida em Cuiabá, foi expandida para outros municípios por meio do Projeto de Interiorização do Água para o Futuro.
Nesses nove anos de atuação o projeto já identificou e/ou recuperou 617 nascentes em 17 municípios onde está implantando, contribuindo para fortalecer o abastecimento de água, preservação da flora e da fauna, além de ter impactado positivamente o microclima, principalmente em Cuiabá, onde 300 nascentes já foram identificadas e parte delas recuperadas. Vale ressaltar que 80% delas estavam degradadas.
“Cuiabá tem 28 córregos, dois rios e enfrenta problemas de abastecimento, já que dependemos do sistema superficial de captação de água. Isso mostra a importância de identificarmos e recuperarmos as nascentes. Mesmo com todo o trabalho feito pelo projeto, estima-se que pelo menos mil nascentes já foram perdidas em Mato Grosso, ou seja, chegamos tarde. Mas ainda há muito o que fazer, ainda temos muitas nascentes para identificar e recuperar”, destaca o coordenador do Água para o Futuro, o procurador de Justiça Gerson Barbosa.
Conforme ele, o nível de consciência das pessoas também aumentou, já que a população é forte aliada. Com a criação do aplicativo “Água para o Futuro” todos podem enviar informações de onde tem uma possível nascente. À equipe do projeto cabe a tarefa de ir até o local mapear e catalogar, além de levar orientações e ajudar no processo de recuperação e preservação da nascente e seu entorno.
O resultado desse esforço pode ser visto em todos os municípios onde o Água para o Futuro está implantado. Em Jaciara (143 km de Cuiabá), por exemplo, 43 nascentes já foram identificadas. Para se ter uma ideia, apenas quatro nascentes recuperadas têm uma vazão diária de 2 milhões de litros d´água, o suficiente para abastecer 18 mil pessoas, mais da metade da população do município, que tem 28 mil moradores.
O projeto já contribuiu para a recuperação de quatro milhões de metros quadrados de área de preservação permanente. “Além da preservação da fauna e da flora, temos outro resultado altamente positivo, que é a interferência direta no microclima. Em Cuiabá, por exemplo, uma cidade extremamente quente, essas nascentes funcionam como pequenos oásis, que ajudam a reduzir a temperatura. Se achamos que ainda está muito calor, imagina se essas 300 nascentes que o projeto identificou estivessem aterradas? Temos que ter em mente que Mato Grosso pode sim ser uma grande potência, mas com verdadeira sustentabilidade. Sem água nada acontece. A vida para”, ressalta Gerson Barbosa.
Fonte: Ministério Público MT – MT
MINISTÉRIO PÚBLICO MT
PM acusado de matar esposa em Cuiabá vai a júri popular
A Justiça de Mato Grosso decidiu levar a julgamento pelo Tribunal do Júri o policial militar Ricker Maximiano de Moraes, acusado de matar a esposa, G.D.S., em maio de 2025, em Cuiabá. Na sentença de pronúncia, o Juízo da 1ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher considerou haver provas da materialidade do crime e indícios suficientes de autoria para que o réu seja submetido ao julgamento pelos jurados. A denúncia foi oferecida pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT), por meio da 15ª Promotoria de Justiça Criminal de Cuiabá – Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher, sob responsabilidade da promotora de Justiça Claire Vogel Dutra. O MPMT imputou ao acusado a prática do crime de feminicídio em contexto de violência doméstica e familiar, com causas de aumento de pena e circunstância qualificadora que dificultou a defesa da vítima. De acordo com a denúncia, no dia 25 de maio de 2025, por volta das 16h40, o acusado efetuou disparos de arma de fogo contra a esposa dentro da residência do casal, localizada no Bairro Praeiro, em Cuiabá. A vítima morreu em decorrência dos ferimentos causados pelos tiros. Conforme a acusação, o crime foi cometido na presença dos filhos do casal, então com três e cinco anos de idade.Na decisão, destacou-se que a materialidade do crime está comprovada por laudos periciais, entre eles o exame de necropsia, que apontou que a vítima morreu em decorrência de choque hemorrágico provocado por disparos de arma de fogo que atingiram órgãos vitais. O laudo de confronto balístico também confirmou que os projéteis encontrados foram disparados pela pistola funcional acautelada ao acusado. Durante a instrução processual, testemunhas relataram que o acusado deixou o local após os disparos levando os filhos para a casa dos avós paternos. Em juízo, o próprio réu admitiu ter efetuado os disparos contra a esposa, alegando que passava por forte perturbação emocional e problemas psiquiátricos. A defesa buscou a absolvição sumária sob o argumento de inimputabilidade por doença mental. No entanto, um laudo psiquiátrico concluiu que o acusado apresentava Transtorno Psicótico Não Especificado (CID-10 F29) e possuía capacidade de entendimento parcialmente preservada, sendo enquadrado na condição de semi-imputável. Diante disso, a Justiça afastou o pedido de absolvição sumária, entendendo que a questão deverá ser apreciada pelo Tribunal do Júri.Ao pronunciar o réu, a Justiça manteve todas as circunstâncias descritas na denúncia do Ministério Público, incluindo o feminicídio em contexto de violência doméstica e familiar, a condição de a vítima ser mãe de crianças, a suposta prática do crime na presença dos descendentes e o emprego de recurso que teria dificultado ou impossibilitado a defesa da vítima. Também foi mantida a prisão preventiva do acusado, que está preso desde a conversão do flagrante em prisão preventiva, ocorrida logo após o crime. Com a pronúncia, o processo seguirá para a fase de preparação do julgamento pelo Tribunal do Júri da Comarca de Cuiabá.
Fonte: Ministério Público MT – MT
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