MINISTÉRIO PÚBLICO MT
Projeto encerra primeira etapa do ano com apresentação em 22 municípios
O projeto Prevenção Começa na Escola encerrou nesta terça-feira (19), em Primavera do Leste, a primeira rodada de apresentações da peça Inocentes Pétalas Roubadas. Em 30 dias, o projeto passou por 22 municípios. O trabalho foi realizado com a participação e coordenação do titular da Procuradoria de Justiça Especializada na Defesa da Criança e do Adolescente, Paulo Roberto Jorge do Prado.
“Percorrer todos esses municípios com o projeto Prevenção Começa na Escola foi um grande desafio físico e emocional, porém um grande aprendizado. Aos 61 anos de idade e 34 anos de Ministério Público, percebo que essas medidas e posturas impactam muito mais a sociedade e, principalmente as crianças e adolescentes, pois o teatro e a sua linguagem lúdica fascinam os alunos, prendem a atenção, ensinam e esclarecem na prevenção”, ressaltou o procurador de Justiça.
O projeto Prevenção Começa na Escola transmite aos alunos mensagens orientativas e preventivas sobre situações relevantes vivenciadas no ambiente escolar, como bullying, assédio sexual, drogas, danos ao patrimônio público, gravidez na adolescência, entre outros assuntos. A iniciativa também tem possibilitado que crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade tenham contato mais próximo com a rede de proteção para realização de denúncias.
A promotora de Justiça Nayara Roman Mariano Scolfaro, que atua nos municípios de Poxoréu e Primavera do Leste, destacou a relevância do projeto. “Excelente! Foi uma iniciativa muito importante, não só para reconhecimento do que acontece com as redes de enfrentamento e as redes de proteção nos municípios menores, mas também a iniciativa de se deslocar, de sair de um espaço confortável em Cuiabá para ver como é a nossa realidade aqui no interior”, destacou a promotora de Justiça.
O promotor de Justiça que atua em Primavera do Leste, Mateus Pavão, também avaliou positivamente o projeto. “Um evento muito importante, que renova a nossa paixão pelo Ministério Público. É um tema bastante sensível, porém necessário, imprescindível de ser tratado nas escolas. Acredito que a melhor forma de tutelar a criança é aqui na escola, é o meio adequado para você informar e sobretudo para demonstrar a importância e imprescindibilidade do Ministério Público para a tutela da infância e juventude”.
O prefeito de Poxoréu, Nelson Antonio Paim, participou das atividades e elogiou a iniciativa. “A peça foi fundamental, vi aqui o brilho no olhar dessas crianças. A peça trabalha uma linguagem simples, possibilitando que elas entendam a mensagem e possam, de fato, caso passem por alguma situação de abuso, levar ao conhecimento das autoridades, do Ministério Público e do Conselho Tutelar”, observou.
A secretária municipal de Educação de Poxoréu, Celestina Alves, lembrou que a escola é o primeiro lugar no qual a vítima busca ajuda. “Foi um momento único para nós da educação. Quando falamos em abuso sexual, o primeiro local que as crianças têm coragem de falar é com a rede de educação, seja o professor, a merendeira ou o porteiro. É na escola que eles conseguem se abrir”, comentou.
O representante da Polícia Militar também enalteceu a importância da integração da rede de proteção. “É interessante ver que existe uma rede de proteção no município, que as vítimas podem contar não só com a Polícia Militar, mas com todos os órgãos envolvidos, principalmente o Ministério Público. O teatro foi bem tocante, temos certeza que a curto prazo teremos retorno, pois nossas crianças foram encorajadas a denunciar”, destacou o major PM Thassio.
“A Polícia Militar faz parte de um todo e pertence à rede de enfrentamento. Quero parabenizar o Ministério Público, que está fazendo esse trabalho em todo o estado de Mato Grosso. A peça traz uma mensagem muito forte e impactante de conscientização e esclarecimento para nossas crianças, que são as maiores vítimas desses crimes”, acrescentou o tenente-coronel Cleiton, da Polícia Militar em Primavera do Leste.
Veja mais opiniões:
Eraldo Fortes – Secretário municipal de Saúde de Primavera do Leste
“Esse momento foi muito importante. Trouxe uma reflexão que muitas vezes as pessoas, as famílias, os responsáveis e até as próprias crianças, que são vitimizadas pelo abuso sexual, pelo bullying, fogem e não têm coragem de se manifestar e procurar ajuda .A peça trouxe uma reflexão para o seio escolar, para a comunidade, para os professores e paras as próprias crianças, que foram encorajadas a denunciar, a procurar ajuda.”
Jucelia Vieira – Representante da Secretaria Municipal de Educação de Primavera do Leste
“A parceria é fundamental para fortalecer as escolas. A unidade é aquela que ensina, mas também é aquela que deve receber a comunidade e esse movimento realizado é de suma importância. É importante trazer essa discussão para que tenhamos adultos fortalecidos e que essa mensagem possa chegar a toda a sociedade”.
Geovana Paula de Oliveira – enfermeira e vereadora em Primavera do Leste
Estou encantada com esta iniciativa do Ministério Público, que eu gostaria realmente que conseguisse alcançar todas as crianças do nosso Mato Grosso. É uma oportunidade única, a gente entende que o Ministério Público não vai ter perna para fazer tudo isso, por isso a gente precisa ser parceiro. Os municípios têm que realmente apoiar essa ideia, abraçar. A nossa gratidão ao Ministério Público. Estou encantada com esta iniciativa e com certeza aqui em Primavera do Leste foi plantada a semente e nós não vamos deixar morrer. Nós vamos em busca de mais parcerias para desenvolver outras ações como esta e despertar em cada criança e adolescente a esperança por um mundo melhor e a confiança que tem uma rede de apoio para ajudá-los a fazer a denúncia”.
Fonte: Ministério Público MT – MT
MINISTÉRIO PÚBLICO MT
Capacitação termina com painel sobre atendimento especializado
A capacitação “Abraçando as Diferenças – Escola para Todos”, promovida pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT), terminou na tarde de sexta-feira (21) com um painel dedicado à educação inclusiva, abordando o papel do Atendimento Educacional Especializado (AEE) e os desafios para sua implementação nas redes de ensino. Além da palestra do escritor e estudante de Filosofia Fernando Murilo Bonato, o encontro contou com exposições dos promotores de Justiça Miguel Slhessarenko Júnior e Patrícia Eleutério Campos Dower.Ao abordar o tema “Atendimento Educacional Especializado: o que é, público-alvo, profissionais envolvidos e suas respectivas funções”, o promotor de Justiça Miguel Slhessarenko Júnior destacou que uma escola verdadeiramente inclusiva precisa garantir não apenas o acesso e a permanência dos estudantes com deficiência no ensino regular, mas também a aprendizagem e a participação efetiva.“Temos quatro pilares na educação: acesso, permanência, aprendizado e participação. Em muitos casos, a percepção que nós temos é que está sendo garantido somente o acesso e a permanência. Mas nós temos que caminhar para um próximo passo, a garantia da aprendizagem e da participação”, afirmou.Segundo o promotor de Justiça, o Atendimento Educacional Especializado (AEE) é voltado à identificação das necessidades de estudantes com deficiência, transtorno do espectro autista e altas habilidades ou superdotação, oferecendo recursos e estratégias que favoreçam seu desenvolvimento no ambiente escolar. Ele ressaltou que o principal indicador de qualidade desse atendimento é o avanço gradual da autonomia do estudante.“Um dos principais pontos para avaliarmos um atendimento educacional especializado de qualidade é que o aluno, com o passar do tempo, tenha cada vez menos necessidade de atendimento educacional especializado. Essa autonomia é o ponto-chave”, destacou.Durante a palestra, Miguel Slhessarenko explicou que o planejamento da educação inclusiva deve estar fundamentado em três instrumentos essenciais: o Estudo de Caso, o Plano de Atendimento Educacional Especializado (PAEE) e o Plano Educacional Individualizado (PEI). Conforme explicou, esses documentos reúnem informações sobre a trajetória escolar do estudante, suas necessidades, potencialidades e estratégias pedagógicas necessárias para garantir seu aprendizado.O promotor de Justiça observou ainda que, embora a legislação e os procedimentos relacionados à inclusão já sejam amplamente conhecidos, o maior desafio continua sendo a aplicação efetiva dessas políticas no cotidiano escolar. Nesse contexto, defendeu o fortalecimento da atuação integrada entre professores, gestores, profissionais de apoio e famílias.“O sucesso do atendimento educacional especializado em qualquer escola, pública ou privada, depende da articulação dos profissionais da educação, das equipes gestoras, dos profissionais de apoio, da comunidade escolar e das famílias. Sem essa articulação, nós não temos um atendimento educacional especializado de sucesso”, afirmou.O palestrante também esclareceu o papel dos profissionais envolvidos no processo de inclusão, ressaltando que o profissional de apoio deve atuar para promover a participação do estudante, jamais para isolá-lo das atividades escolares. Segundo ele, a função desse profissional é estimular a autonomia e a interação do aluno nos diferentes espaços da escola, evitando qualquer forma de segregação. “O profissional de apoio tem que facilitar a participação do aluno, porque ele não pode segregar”, enfatizou.Outro ponto abordado foi a prevalência da avaliação pedagógica sobre o laudo médico na definição das necessidades educacionais dos estudantes. Conforme explicou, quando a avaliação da escola apontar a necessidade de um profissional de apoio, a disponibilização desse serviço torna-se obrigatória, independentemente da existência de prescrição médica.O promotor de Justiça também destacou os avanços obtidos pela educação inclusiva nas últimas décadas. Segundo ele, o número crescente de estudantes com deficiência que concluem a educação básica e ingressam no ensino superior demonstra os resultados positivos das políticas de inclusão. “A demanda hoje da educação inclusiva já está nas universidades. Os alunos estão tendo sucesso educacional, estão avançando, completando seus estudos e chegando ao ensino superior”, observou.Miguel Slhessarenko ainda reforçou que a responsabilidade pela inclusão não deve recair apenas sobre professores ou profissionais especializados, pois depende do trabalho integrado entre todos os atores envolvidos no processo educacional. “O sucesso do atendimento educacional especializado em qualquer escola, seja ela pública ou privada, depende desses fatores: a articulação dos profissionais da educação, das equipes gestoras, profissionais de apoio, comunidade escolar e famílias, para garantir uma escola para todos abraçando as diferenças. Sem essa articulação, nós não temos um atendimento educacional especializado de sucesso”, concluiu. Desafios – Na sequência, a coordenadora-adjunta do Centro de Apoio Operacional (CAO) de Educação do MPMT, promotora de Justiça Patrícia Eleutério Campos Dower, abordou os desafios para a efetivação do Atendimento Educacional Especializado nas redes de ensino. A palestrante apresentou dados levantados pelo Gabinete de Articulação para a Efetividade da Política da Educação de Mato Grosso (Gaepe-MT), que revelam obstáculos ainda presentes na garantia do direito à educação inclusiva em todo o estado.Segundo o diagnóstico, realizado em 2025 nos 142 municípios mato-grossenses, parte significativa das redes de ensino ainda enfrenta dificuldades relacionadas à formação de profissionais, elaboração de planos individualizados de atendimento, acompanhamento pedagógico dos estudantes e adequação da infraestrutura escolar. Entre os dados apresentados, destacam-se a exigência indevida de laudo médico para acesso ao AEE por mais da metade das redes municipais e a ausência de monitoramento da aprendizagem dos estudantes público-alvo da educação especial em 52% dos municípios.Durante a palestra, Patrícia Dower ressaltou que “a deficiência não é problema. Deficiência é uma característica, faz parte da diversidade humana e ela é realidade social”. A promotora de Justiça também chamou a atenção para as barreiras enfrentadas diariamente pelas pessoas com deficiência para terem acesso a direitos básicos. “Muito mais difícil do que ter deficiência é a pessoa ter que brigar para estar na escola, brigar para ter atendimento de saúde”, destacou, observando que, apesar dos avanços legislativos, a efetivação dos direitos ainda representa um desafio para muitas famílias.Outro ponto enfatizado foi a necessidade de superar visões limitantes sobre a capacidade de aprendizagem dos estudantes com deficiência. Segundo ela, todas as pessoas são capazes de aprender e devem ter assegurado o direito ao desenvolvimento educacional. “Não tem ninguém que está na escola só para socializar. Todo mundo aprende”, afirmou.Ao analisar os principais entraves para a implementação das políticas inclusivas, Patrícia Dower apontou a persistência de barreiras atitudinais e de uma cultura de segregação, além da alta rotatividade de profissionais, das cargas horárias insuficientes para o planejamento pedagógico e da carência de Salas de Recursos Multifuncionais. Ela também alertou para a falta de integração entre as áreas da Educação, Saúde e Assistência Social, considerada essencial para o atendimento integral dos estudantes.A promotora de Justiça criticou ainda a utilização inadequada de estagiários para suprir a falta de profissionais especializados. “Estágio não é para substituir mão de obra”, ressaltou, ao defender a valorização e a qualificação dos trabalhadores que atuam diretamente na inclusão escolar.Outro tema abordado foi a autonomia pedagógica das instituições de ensino. Patrícia explicou que a articulação com a área da saúde é importante para qualificar o planejamento educacional, mas não pode servir como condicionante ao acesso dos estudantes à escola ou ao Atendimento Educacional Especializado. Nesse contexto, destacou que a avaliação pedagógica deve prevalecer sobre os laudos clínicos na definição das necessidades educacionais dos alunos.“O laudo não prevalece em relação à avaliação pedagógica, mas ela tem que ser decente”, afirmou. Segundo a promotora, a matrícula e o acesso ao AEE não podem ser condicionados à apresentação de diagnósticos ou pareceres médicos, uma vez que o direito à educação é garantido independentemente de comprovação clínica.A palestrante concluiu lembrando que a concretização da educação inclusiva exige mais do que boas intenções. Para ela, é necessário transformar direitos garantidos em ações efetivas capazes de assegurar acesso, permanência, aprendizagem e participação a todos os estudantes. “Boa intenção não faz boa ação”, afirmou.
Fonte: Ministério Público MT – MT
-
POLÍTICA MT7 dias atrásBarbudo aposta em vitória de Pivetta no primeiro turno e reforça apoio à reeleição
-
MATO GROSSO4 dias atrásA conta do vice: Dr Altemar Lopes já recebeu mais de meio milhão de reais desde o inicio do novo mandato
-
POLÍTICA MT5 dias atrásVídeo feito por IA projeta Wellington no Paiaguás com Silval, Riva, Emanuel e Jayme e viraliza
-
POLÍCIA FEDERAL7 dias atrásCandidato ao Senado antecipa suposta operação da PF em MT e levanta suspeita de vazamento
-
POLÍTICA MT4 dias atrásVídeo recortado do debate em que Wellington diz ser médico-veterinário ao responder pergunta sobre saúde viraliza na rede
-
POLÍTICA MT7 dias atrásVídeo detonando Reinaldo Moraes, vice de Wellington Fagundes, viraliza na rede
-
POLÍTICA MT3 dias atrás”Não vou dormir direito com gente morando mal”, afirma Pivetta ao defender reforma urbana em municípios de MT – veja o video
-
POLÍTICA MT7 dias atrásWellington Fagundes inicia campanha ao Governo de Mato Grosso com gravação de programas e inserções eleitorais

