MINISTÉRIO PÚBLICO MT

Lugar de Fala

Kabengele Munanga já ensinava há muito tempo que o racismo brasileiro “não é o pior, nem o melhor, mas ele tem as suas peculiaridades, entre as quais o silêncio, o não dito”.

E uma das suas peculiaridades é esta proeza de existir de maneira silenciosa e invisível, de ser marcante e não ser percebido; marcante no aprofundamento de desigualdades e injustiças para milhões de negros brasileiros e com tamanha naturalidade, sem que seus malefícios à vida destes milhões sejam sequer notados pela parcela mais privilegiada da nossa estrutura social.

Outra de suas peculiaridades é essa característica bem curiosa da pessoa não-negra que não sofre racismo pretender ensinar aos negros que o sofrem diariamente, o que é ou não é racismo. Querer ensinar à vítima, sem viver a sua realidade, e sem conhecer a sua experiência pessoal de humilhação e de sofrimento, quando deve ou não manifestar a sua dor, dor esta que aflora no fundo da alma, e que só é conhecida na devida extensão e profundidade por quem verdadeiramente a vivencia. A quem não a sofre – e nem a conhece – cabe respeitar o sentimento alheio, e condenar sim o agente criminoso que pratica o racismo, mas não a sua vítima.

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Em verdade, por exemplo, o persistente racismo suportado por Vinicius Jr. nos campos de futebol espanhóis (e sim, ele o suporta bravamente e com a dignidade altiva de quem luta e resiste) nos leva a uma inequívoca constatação: se nem a fortuna e a notoriedade por ele alcançados merecidamente o protegem do ódio e do racismo, imagine a humilhação e constrangimento a que são submetidos os milhões de negros anônimos por este Brasil brasileiro de preconceitos mil e inconfessáveis!

O racismo em nosso País é um problema sério e grave, e muito mais complexo do que o simplismo da ausência de empatia de quem não vive a sua triste experiência! Não conseguir enxergar que a maioria populacional negra deste País é uma maioria sem poder e marginalizada pela desigualdade de uma sociedade construída em quase quatrocentos anos de escravidão e racismo, é o exemplo acabado de quem só enxerga o mundo pela lente apenas dos seus próprios olhos e pelo interesse do seu próprio umbigo, completamente indiferente à sorte do seu semelhante!
             

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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MP participa da inauguração de centro para população de rua em Cuiabá

O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), representado pela subprocuradora-geral de Justiça de Planejamento e Gestão, promotora de Justiça Anne Karine Louzich Hugueney Wiegert, participou nesta sexta-feira (19) da inauguração do Cidadania Pop Rua Zé Bolo Flô, em Cuiabá, espaço criado para oferecer atendimento integrado à população em situação de rua.

Segundo a Prefeitura de Cuiabá, há atualmente cerca de 1.803 pessoas em situação de rua. O Cidadania Pop Rua foi desenvolvido para oferecer serviços essenciais como acolhimento, higiene, lavanderia e guarda de pertences, além de atendimento voltado à emissão de documentos, orientação jurídica, acesso à justiça e inclusão social.

Durante a inauguração, a subprocuradora-geral de Justiça de Planejamento e Gestão do MPMT destacou a importância da atuação conjunta entre as instituições em prol da população em situação de vulnerabilidade.

“As respostas para um desafio tão complexo passam pela atuação integrada entre o poder público, a sociedade civil e a rede de apoio. Estruturas como o Pop Rua fortalecem essa articulação e ampliam o acesso a serviços essenciais, com mais dignidade.”, defendeu.

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O espaço leva o nome de Zé Bolo Flô, personagem marcante da cultura cuiabana. Na década de 1960, José Inácio da Silva se tornou conhecido por vender bolos e flores nas ruas da capital e por expressar sensibilidade artística por meio de poesias e músicas.

O Ministério Público tem atuado na promoção de políticas públicas voltadas à população em situação de rua. Em 2025, foi firmado termo de compromisso com o Município de Cuiabá para fortalecer ações como segurança alimentar, elaboração de diagnóstico social e planejamento do atendimento.

A instituição também tem promovido audiências públicas e ampliado a atuação de promotorias especializadas, com o objetivo de contribuir para a construção de soluções efetivas e permanentes para o atendimento à população em situação de rua.

Fonte: Ministério Público MT – MT

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