MATO GROSSO
Pesquisa com apoio do Governo de MT desenvolve técnicas de refrigeração geotérmica em construções
A refrigeração geotérmica é um processo pelo qual um solo superficial é utilizado dentro de um sistema para regular a temperatura.
Os protótipos fazem parte do projeto “Geotermia Aplicada ao Resfriamento de Edificações Agroindustriais no Contexto do Desenvolvimento Sustentável de Mato Grosso”, e têm como objetivo avaliar a eficiência desta técnica para o resfriamento de edificações agroindustriais, levando em conta as características climáticas e de solo do local da construção.
“Foram construídos dois ambientes no campus de Cuiabá e, próximo deles, escavamos uma vala com três metros de profundidade e aproximadamente 25 metros de comprimento. Dentro dessa vala, colocamos dois sistemas diferentes de troca de calor, um deles usando água e outro usando ar. Ambos funcionam porque a temperatura do solo, nestas profundidades, se mantém relativamente estável ao longo do ano e, no nosso caso, geralmente, menor que a temperatura externa”, explicou a coordenadora do projeto, professora Luciane Cleonice Durante.![]()
No caso do sistema de ar, um duto percorre a extensão da vala, permitindo que o ar quente faça trocas com o ar no subsolo e se resfrie, sendo liberado no ambiente do protótipo. Este é chamado de “sistema aberto” porque o ar externo que entra no duto é puxado para dentro do protótipo e é liberado diretamente no ambiente.
No sistema de água, há um circuito fechado, onde o fluído é movido por uma bomba, que faz com que a água percorra toda a extensão de canos enterrados na vala, permitindo as trocas de calor.
Apesar dessa técnica não ser novidade, já que a mesma é bastante difundida em países do hemisfério norte, existem poucos estudos sobre a aplicação dela no Brasil. Por isso, com os dados do projeto, bem como com as projeções climáticas para as próximas décadas, também será desenvolvido um sistema para auxiliar no cálculo das dimensões do projeto, necessidades de investimento e previsões de retorno.
“A pesquisa é voltada para edificações agroindustriais e pensamos, principalmente, em galpões, sejam eles locais de trabalho ou de armazenamento, mas o mesmo tipo de tecnologia pode ser aplicado em casas ou prédios”, completou a professora e pesquisadora Karyna de Andrade Carvalho Rosseti.
Ainda que não seja possível substituir completamente sistemas de controle de temperatura usando a geotermia, de acordo com o professor Alberto Hernandez Neto, da USP, é possível ver reduções próximas a 40% no consumo de energia elétrica, com menos uso de ar-condicionado. “Isso diminui os custos de operações a longo prazo, além de ser uma solução realmente sustentável para o conforto térmico”, concluiu.
Também fazem parte do projeto os pesquisadores Ivan Júlio Apolônio Callejas e Raoni Florentino da Silva Teixeira; os colaboradores Bruno Leonardo Froes Leite, Jakcson Paulo Bonaldo e Emeli Lalesca Aparecida da Guarda; a consultora Ana Cláudia Franca Gomes; o estudante de mestrado Antônio Cardoso Ferreira (Profnit); e os estudantes de graduação Gabriel Andrade; Fernanda Marques Botelho Aredes e Lucas Ferrari Vera.
Fonte: Governo MT – MT
MATO GROSSO
Missão empresarial liderada pela Cônsul da Indonésia inicia aproximação com mineradores de Mato Grosso
Empresas que já atuam na compra de ouro, cobre e manganês brasileiros buscam ampliar sua rede de fornecedores em Mato Grosso por meio de relações comerciais de longo prazo.
Mato Grosso recebeu nesta semana uma missão empresarial internacional voltada à ampliação das relações comerciais entre produtores brasileiros e empresas que atuam no mercado internacional de minerais. A agenda foi liderada por Isadora Coimbra, empresária e Cônsul da Indonésia, que representa empresas de Dubai interessadas em ampliar sua rede de fornecedores no Estado e fortalecer relações comerciais de longo prazo.
A programação reuniu representantes do setor mineral, empresários, autoridades e instituições públicas em um ambiente voltado à aproximação entre o mercado brasileiro e investidores internacionais. Participaram da agenda, entre outras lideranças, a advogada empresarial Athena Campos, com atuação em relações e negócios internacionais, Taís Costa, diretora de Assuntos Internacionais da Presidência da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, e Bruna Moraes, assessora internacional do Governo do Estado.
O evento também marcou o lançamento da unidade do Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos (IBGM) em Mato Grosso, fortalecendo a organização institucional da cadeia mineral e ampliando o diálogo entre iniciativa privada, entidades representativas e poder público.
Após as agendas institucionais, Athena Campos passou a atuar na aproximação entre a missão empresarial e mineradores mato-grossenses, iniciando as tratativas para estruturar futuras oportunidades comerciais entre produtores locais e as empresas representadas pela missão.
Segundo Athena, o interesse demonstrado pelas empresas internacionais representa uma oportunidade importante para ampliar a inserção de Mato Grosso no mercado global de minerais.
Na avaliação da advogada, o interesse internacional não está relacionado apenas ao potencial produtivo do Estado, mas também à evolução da mineração mato-grossense nos últimos anos, com operações que já trabalham dentro de padrões exigidos pelo mercado internacional.
“As empresas já possuem uma atuação consolidada na aquisição de minerais brasileiros. O interesse agora é ampliar essa atuação em Mato Grosso, aproximando novos fornecedores e construindo uma presença cada vez mais forte no Estado. O que desperta esse interesse não é apenas o volume de produção, mas a existência de produtores que já operam com rastreabilidade, documentação, certificações e padrões compatíveis com as exigências do mercado internacional.”
Segundo Athena, o objetivo vai além da prospecção de fornecedores. A proposta é ampliar o número de produtores mato-grossenses preparados para acessar o mercado internacional, criando uma estrutura jurídica e operacional que permita novas oportunidades de exportação.
“Nossa proposta vai além de aproximar empresas estrangeiras de produtores que já exportam. Queremos também contribuir para estruturar jurídica e operacionalmente mineradores que ainda não acessam o mercado internacional, criando condições para que possam exportar diretamente, seja para Dubai ou para outros mercados.”
Ela explica que esse processo envolve uma estrutura técnica ampla, capaz de oferecer segurança, previsibilidade e conformidade para todas as partes envolvidas.
“Toda operação internacional exige uma estrutura jurídica consistente. Estamos falando de due diligence, análise documental, estruturação contratual, avaliação regulatória, compliance e de todos os mecanismos necessários para que essas operações sejam realizadas dentro dos padrões exigidos pelo mercado internacional.”
Outro aspecto observado durante as conversas com produtores foi a importância das relações de longo prazo já existentes no setor mineral brasileiro. Segundo Athena, esse mercado é tradicionalmente construído sobre confiança, histórico de relacionamento e conhecimento da realidade operacional de cada região.
“O mercado mineral não funciona apenas pela lógica de quem paga mais. Existem relações construídas ao longo de muitos anos entre produtores e compradores, que envolvem confiança, apoio ao desenvolvimento da produção e presença constante junto ao setor. Qualquer empresa que queira construir uma atuação sólida no Brasil precisa compreender essa dinâmica e desenvolver esse relacionamento ao longo do tempo.”
Na avaliação da advogada, o movimento iniciado pela missão empresarial representa uma oportunidade de fortalecer não apenas negócios específicos, mas todo o ambiente de internacionalização da mineração mato-grossense.
“O objetivo não é apenas criar novas rotas de comercialização. É ampliar a presença da mineração mato-grossense no mercado internacional, permitindo que um número cada vez maior de produtores tenha acesso direto às oportunidades globais. Quando conseguimos estruturar esse caminho com segurança jurídica e previsibilidade, fortalecemos toda a cadeia mineral do Estado.”
As tratativas iniciadas durante a missão deverão continuar nas próximas semanas, com novas reuniões entre representantes das empresas internacionais e mineradores mato-grossenses, dando sequência à estruturação das futuras parcerias e à ampliação da presença de Mato Grosso no mercado internacional de minerais.
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