ESPORTES
As zebras que marcaram a história da Copa do Mundo
Com quase 100 anos de existência, a Copa do Mundo FIFA ergueu seu legado junto aos torcedores de todo o planeta por meio de grandes partidas, mas também em razão de resultados totalmente inesperados. A “zebra”, quando uma equipe menos badalada surpreende uma favorita, faz parte da história do torneio desde as primeiras edições.
Abaixo, veremos uma lista com partidas que entraram para a história pelos resultados que poucos esperavam. Ex-vencedores de Copas e mesmo campeão que defenderam o título foram batidos por seleções de currículo mais modesto.
França 0 x 1 Senegal, 2002

Qual o tamanho da surpresa? Aconteceu logo na partida inaugural do Mundial. Mesmo desfalcada do craque Zinedine Zidane na estreia, o então campeã mundial França parecia ainda melhor do que sua versão de 1998 e vinha do título europeu de 2000. Já Senegal disputava sua primeira partida em Copas.
O que aconteceu a seguir: A derrota na vitória complicou as chances dos franceses e apressou a volta de Zidane no terceiro jogo, mesmo com a meia ainda claramente sem condições de atuar. Mas os “Bleus” foram eliminados após empate com o Uruguai e derrota para a Dinamarca. Já Senegal conseguiu uma classificação histórica para as oitavas e foi as quartas, eliminada até enfim pela Turquia.
Fizeram isso de novo?Depois de 2002, Senegal só disputou mais uma Copa. Foi em 2018, na Rússia, quando os africanos pararam ainda na fase de grupos, com uma vitória, um empate e uma derrota.
A vida mudou? Papa Bouba Diop marcou o gol histórico contra os franceses e se tornou herói em seu país. O ex-volante morreu em 2020 em decorrência de esclerose lateral amiotrófica. Atualmente Senegal é dirigido pelo técnico Aliou Cissé, outro membro do time famoso de 2002.
Argentina 0 x 1 Camarões, 1990

Qual o tamanho da surpresa? O mundo esperava por um show da seleção de Diego Maradona no jogo inaugural do Mundial, em Milão. Mas os campeões argentinos foram neutralizados e perderam para uma seleção que disputava apenas sua segunda Copa.
O que aconteceu a seguir: Os camaroneses se classificaram em primeiro lugar do grupo e foram até as quartas de final, quando caíram contra a Inglaterra. Já a Argentina, apesar do começo vacilante, avançou em terceiro da chave e depois eliminou Brasil e Itália para ser finalista. O título escapou na decisão contra a Alemanha.
Fizeram de novo?Depois de 1990, Camarões disputou outras cinco Copas do Mundo e jamais conseguiu ir além da fase de grupos.
A vida dos envolvidos mudou? Autor do gol contra os argentinos, Omam-Biyik teve uma carreira internacional longeva, passando por França e Itália. Mas a grande estrela do time era o atacante Roger Milla, que, quatro anos depois, foi ampliar seu recorde de jogador mais velho a anotar um gol em Copas (42 anos), estabelecido no Mundial seguinte, em 1994.
Itália 0 x 1 Costa Rica, 2014

Qual o tamanho da surpresa?A Costa Rica era considerada o azarão de um grupo com três campeões mundiais. Os centro-americanos vinham de vitória na estreia sobre o Uruguai e provaram contra a favorita Itália na segunda rodada que o resultado não havia sido um acidente.
O que aconteceu a seguir: A Itália foi eliminada na fase de grupos. Já os costarriquenhos seguiram em primeiro lugar na chave e conseguiram seu melhor desempenho na história, com presença nas quartas de final (superando a campanha de 1990, quando caíram nas oitavas). O time parou contra a Holanda, de forma dramática, nos pênaltis.
Fizeram de novo?De volta à Copa em 2018, na Rússia, a Costa Rica não conseguiu passar da fase de grupos.
A vida dos envolvidos mudou? A grande estrela da campanha da Costa Rica no Brasil foi o goleiro Keylor Navas, que depois da Copa se tornou uma estrela internacional, multicampeão com Real Madrid e Paris Saint-Germain.
Inglaterra 0 x 1 EUA, 1950

Qual o tamanho da surpresa? Os ingleses levaram a campo a acreditar de inventores do jogo, enquanto os americanos quase não tinham tradição no esporte, apesar do 3º lugar do Mundial de 1930.
O que aconteceu a seguir: As duas escadas não conseguiram passar da fase de grupos. A Espanha foi a vencedora da chave e ficou com a vaga no quadrangular decisivo.
Fizeram de novo?Depois da vitória histórica de 1950 em Belo Horizonte, os EUA seguiram à fase eliminatória em quatro oportunidades. A vitória de maior impacto veio em 1994, sobre a badalada Colômbia, ainda na fase de grupos.
A vida dos envolvidos mudou? Autor do gol histórico contra a Inglaterra, Joe Gaetjens teve um destino trágico. O ataque morreu em circunstâncias misteriosas em 1964 no Haiti, país de origem de sua família.
Itália 0 x 1 Coreia do Norte, 1966

Qual o tamanho da surpresa? A vitória na última rodada da fase de grupos eliminatória da competição os italianos, então bicampeões mundiais. Aquela foi a primeira aparição da Coreia do Norte em Copas.
O que aconteceu a seguir: A Coreia do Norte quase conseguiu uma segunda zebra em 1966. Nas quartas de final, chegou a abrir três gols de vantagem sobre Portugal, mas acabou levando a vitória, perdendo por 5 a 3.
Fizera de novo?Depois da fachada de 1966, a Coreia do Norte só disputou um Mundial. Em 2010, foi derrotada três vezes na fase de grupos.
A vida dos envolvidos mudou? Pak Doo-ik foi o autor do histórico gol contra os italianos. Depois da Copa, o jogador deixou o exército norte-coreano e passou a atuar como instrutor de futebol para jovens de seu país.
Alemanha Ocidental 1 x 2 Argélia, 1982

Qual o tamanho da surpresa? Entre os favoritos da Copa, os bicampeões internacionais alemães foram derrotados logo na estreia. Era o primeiro jogo na história da Argélia em Copas.
O que aconteceu a seguir: Mesmo também vencendo o Chile, a Argélia não conseguiu avançar na fase de grupos, em equilíbrio de gols em relação a alemães e austríacos. Já a Alemanha se recuperou, ganhou corpo e chegou batida a decisão, em que acabou até pela Itália.
Fizeram de novo?Os argelinos quase conseguiram repetir a fachada, ou elevá-la a uma nova potência. Em 2014, o país se classificou pela única vez para as oitavas, quando foram batidos pela Alemanha na continuação em um confronto dramático.
A vida dos envolvidos mudou? Autor de um dos gols da vitória em Gijón, Rabah Madjer virou uma estrela do futebol europeu nos anos 80. O atacante brilhou na conquista do Porto na Liga dos Campeões da UEFA de 1987, marcando na final contra o Bayern — ou seja, de novo contra alemães.
Coreia do Sul 2 x 1 Itália, 2002

Qual o tamanho da surpresa? Era a primeira vez em que os sul-coreanos passaram à fase eliminatórias em seis participações. Já os italianos tinham um tempo cheio de estrelas, que jogavam na liga mais forte do planeta naquele momento.
O que aconteceu a seguir: Uma das anfitriãs da Copa, a Coreia do Sul conseguiu derrotar a Espanha nas quartas e chegou à semifinal, quando caiu diante da Alemanha. Terminou o Mundial em 4º lugar, depois de derrota para a Turquia no último jogo.
Eles fizeram isso de novo?Os sul-coreanos conseguiram ir às oitavas novamente em 2010. Na última Copa, em 2018, pararam na fase de grupos, mas tiveram uma vitória surpreendente diante da Alemanha, ajudando a eliminar os defensores campeões.
A vida dos envolvidos mudou? Herói contra os italianos, Ahn Jung-Hwan teve uma carreira de altos e baixos depois da Copa, com oportunidades em clubes da Alemanha e França. Já o atacante Park Ji-sung teve a chance de defender o Manchester United por sete anos depois daquele Mundial.
Brasil 1 x 2 Noruega, 1998

Qual o tamanho da surpresa? A vitória norueguesa, de virada, aconteceu na última partida da fase de grupos, quando o Brasil já tinha dois resultados positivos e os rivais vinham de dois empates. Foi apenas o segundo triunfo da história da Noruega em Mundiais.
O que aconteceu a seguir: Os noruegueses conseguiram avançar às oitavas de final, mas caíram contra a Itália. Por sua vez, mesmo com a derrota, o Brasil se classificou em primeiro do grupo e avançou até a decisão, em que acabou derrotado pelos estrangeiros da França.
Eles fizeram isso de novo?A vitória histórica em Marselha foi a última da Noruega em Copas do Mundo. Desde então, o país não conseguiu mais se classificar para o torneio.
A vida dos envolvidos mudou? A estrela do tempo era Tore Andre Flo, que marcou contra os brasileiros e depois teve uma boa carreira internacional, com passagens por tempos como Chelsea e Glasgow Rangers. Já o atacante Ole Gunnar Solskjaer, que entrou como substituto no jogo, acabaria virando um ídolo na história do Manchester United.
Alemanha Oriental 1 x 0 Alemanha Ocidental, 1974

Qual o tamanho da surpresa? Aquela foi a primeira participação da Alemanha Oriental em Copas. Já os alemães ocidentais estavam consolidados como força do futebol, jogavam em casa e buscavam o bicampeonato mundial diante de sua torcida.
O que aconteceu depois? Na segunda fase, a Alemanha Oriental não venceu mais, ficando atrás de Holanda e Brasil em seu grupo. Já os europeus embalaram e conquistaram o bicampeonato mundial após quatro vitórias consecutivas.
Eles fizeram isso de novo?A Alemanha Oriental não conseguiu se classificar para Copas entre as edições de 1978 e 1990. Depois, a partir de 1994, a Alemanha passou a disputar Mundiais como uma nação unificada entre os lados ocidental e oriental.
A vida dos envolvidos mudou? Jürgen Sparwasser marcou o gol da vitória sobre a Alemanha Ocidental em Hamburgo. Depois da Copa, teve uma carreira modesta por Magdeburg. Nos anos 80, foi assistente-técnico do Eintracht Frankfurt.
Espanha 2 x 3 Nigéria, 1998

Qual o tamanho da surpresa? A vitória nigeriana aconteceu logo na partida de estreia. Era a segunda aparição dos africanos em Copas. Apesar da boa impressão nos EUA quatro anos antes, quando chegou às oitavas, a Nigéria desafiou uma forte geração espanhola, de Hierro, Raúl e Luis Enrique.
O que aconteceu a seguir: A Espanha tropeçou contra o Paraguai na sequência e acabou eliminada na primeira fase. Já a Nigéria foi às oitavas de final, mas caiu contra a Dinamarca.
Eles fizeram de novo?A Nigéria conseguiu avançar às oitavas novamente em 2014, mas nunca mais conseguiu vencer uma força tradicional em Copas.
A vida dos envolvidos mudou? Domingo Oliseh marcou o gol mais bonito da vitória sobre os espanhóis. Depois da Copa, o meio-campista atuou em grandes clubes como, Juventus e Borussia Dortmund. O time também teve jogadores que fizeram sucesso na Europa, como Jay Jay Okocha e Nwankwo Kanu (que ficou no banco naquela partida).
Fonte: Agência Esporte
ESPORTES
Alisson iguala marca histórica de Gylmar e Taffarel ao iniciar sua terceira Copa como titular
Ser titular da Seleção Brasileira em três Copas do Mundo da FIFA é para poucos. Entre os goleiros, apenas dois conseguiram a façanha: Gylmar, em 1958, 1962 e 1966, e Taffarel, nas edições de 1990, 1994 e 1998.
A partir do sábado (13), contra Marrocos, as duas lendas terão a companhia de um novo integrante no clube: Alisson Becker.
Titular absoluto da Seleção na última década, o goleiro do Liverpool chega a seu terceiro mundial, após participações em 2018 e 2022. Nas duas Copas do Mundo da FIFA anteriores, ele disputou nove jogos — ficou no banco apenas uma vez, contra Camarões, no Catar, quando Tite fez um rodízio em sua escalação.
O feito de Alisson é histórico e vem acompanhado de dois desafios: o primeiro é superar uma temporada em que sofreu quatro lesões. O segundo é igualar outro feito de Gylmar e Taffarel: os dois conquistaram o título da Copa do Mundo da FIFA.
Gylmar dos Santos Neves, ídolo do Santos e do Corinthians, foi campeão mundial em 1958 e 1962, jogando todos os jogos das duas campanhas. Em 1966, ele esteve nas duas primeiras partidas, mas foi substituído por Manga na derrota para Portugal, que eliminou a seleção ainda na fase de grupos.
Taffarel, por sua vez, consagrou-se com o tetracampeonato em 1994, disputando todos os minutos das sete partidas. Ele virou herói nacional na final contra a Itália, ao defender a cobrança de Daniele Massaro na disputa por pênaltis, vencida por 3 a 2.
O ídolo como treinador
Alisson chega ao momento especial na carreira caminhando lado a lado de Taffarel, uma das lendas que ele iguala em sua terceira Copa do Mundo da FIFA. O ídolo do tetra hoje é o treinador de goleiros da seleção e trabalha diariamente com o camisa 1.
Taffarel é, também, a maior referência de Alisson. No projeto “Cartas que Unem”, da FIFA, o atual goleiro da Seleçãorecebeu uma mensagem de seu irmão, Muriel Becker, que lembra as aventuras dos irmãos na infância.
Na carta, Muriel cita o ídolo em memórias sobre as Copas de 1994 e 1998 e presenteia Alisson com uma camisa de goleiro, como a que Taffarel usou nos Estados Unidos.
Temporada difícil
A presença de Taffarel é importante para Alisson no dia a dia, pela confiança que há entre ambos. Eles já trabalharam juntos no Liverpool, entre 2021 e 2025, além de quase uma década de parceria na seleção.
Além de questões técnicas nos treinamentos, Taffarel deu a Alisson a segurança de que ele teria seu espaço na seleção quando estivesse fisicamente bem. Esse apoio foi importante sobretudo na temporada 2025-26, quando o goleiro teve três lesões, a mais grave delas na coxa direita.
O problema físico tirou Alisson dos gramados por dois meses, entre março e maio deste ano. Ele só voltou a campo pelo Liverpool na última rodada da Premier League. Mas, na seleção, o clima nunca foi de corrida contra o tempo: a comissão técnica sempre esperou pelo seu titular.
“Temos uma boa relação. Antes de ser o treinador de goleiro dele no Liverpool há alguns anos, temos uma amizade muito boa. Sabemos da qualidade e do potencial dele, tanto dentro como fora de campo. É um líder com otimismo e vontade de vencer muito grande”, disse Taffarel à FIFA.
Subindo no ranking
Em sua terceira Copa do Mundo como titular da seleção brasileira, Alisson também deve ganhar posições na lista de goleiros brasileiros com mais jogos disputados no torneio.
Ele chega ao evento com 9 jogos disputados (são cinco em 2018, e quatro em 2022) e ocupa a quinta posição no ranking histórico. À sua frente, o gaúcho tem Taffarel (18 jogos), Gylmar (14) e Leão (14) e Júlio César (12).
Caso dispute as três partidas na fase de grupos, Alisson empatará com o ex-goleiro do Flamengo e da Internazionale. Caso a Seleção fique entre as quatro primeiras colocadas, serão oito jogos disputados — assim, o camisa 1 poderia chegar a 17 partidas, transformando-se no vice-líder da estatística.
Fonte: Esportes
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