PACIENTE É DEIXADO A PRÓPRIA SORTE 

Negligência na UTI do antigo pronto socorro de Cuiabá deixa pai de família entubado após dias sem exames e sem transferência – MP e TJ assistem calados 

” Paciente com quadro grave de infecção e trombose aguardou cinco dias por atendimento adequado; familiares acusa erro na regulação e omissão médica ” 

Um grave caso de negligência médica no antigo hospital municipal de Cuiabá na UTI, o novo Hospital Infantil de Cuiabá se encontra em reforma, está sendo denunciado por familiares do paciente Miguel Ângelo Muzzi Saldanha, de 51 anos. Pai de família, Miguel deu entrada na unidade com quadro agravado de trombose e suspeita de infecção severa na perna esquerda, mas teria permanecido cinco dias sem exames essenciais e sem transferência, o que resultou em seu agravamento clínico e posterior entubação.

Segundo relatos de famíliares, o paciente precisava com urgência de um exame de Doppler, fundamental para detectar a infecção e avaliar a gravidade da trombose. No entanto, nenhum pedido médico foi feito durante vários dias para a realização do exame ou para a transferência do paciente a uma unidade com estrutura adequada, como o Hospital Municipal de Cuiabá (HMC).

Médica alertou, mas providências não foram tomadas

De acordo com o primo do paciente, na sexta-feira, 12 de dezembro, a médica responsável pelo plantão afirmou estar muito preocupada com o estado de Miguel. A perna esquerda do paciente apresentava sinais claros de agravamento: inchada, quente e com indícios evidentes de infecção. Ainda segundo o relato, a profissional informou que não poderia administrar anticoagulantes devido ao estado extremamente debilitado e poderia dar hemorragia e destacou a necessidade urgente de transferência.

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Apesar do alerta, nenhuma medida concreta foi tomada. O paciente teria sido deixado sem exames, sem tratamento adequado e sem encaminhamento, enquanto seu quadro se agravava dia após dia.

Regulação tardia e feita de forma errada

Somente na noite de segunda-feira, 15 de dezembro, após Miguel ser entubado, a equipe médica teria inserido o pedido de regulação. Ainda assim, segundo a família, o procedimento foi feito de forma incorreta, direcionando o caso para a regulação municipal, quando o correto seria a regulação estadual, o que atrasou ainda mais qualquer possibilidade de transferência.

Deixaram meu msrido à própria sorte afirmou a esposa abalada. Sabiam da gravidade, sabiam que precisava de exame e transferência, mas simplesmente não fizeram nada”, relatou um familiar, em desespero.

Família cobra Ministério Público e Justiça

Abalada, a família denuncia omissão, falhas graves no atendimento e tratamento desumano, afirmando que pacientes estão sendo abandonados dentro das UTIs, sem respostas, sem empatia e sem o mínimo de cuidado exigido pela medicina e pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

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O caso levanta um alerta urgente sobre a situação da saúde pública em Cuiabá e reacende questionamentos sobre a atuação dos órgãos de fiscalização.

Até quando o Ministério Público e o Tribunal de Justiça irão assistir pacientes serem entubados, agravarem ou até morrerem por falta de um atendimento digno, humano e responsável?

A família cobra investigação imediata, responsabilização dos envolvidos e providências urgentes para que casos como este não se repitam.

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CUIABÁ

Estudantes indígenas conhecem história de Cuiabá em visita ao Complexo Biocultural do Porto

Quarenta e dois estudantes da Escola Indígena Umutina, de Barra do Bugres, visitaram nesta sexta-feira (29) o Complexo Biocultural do Porto, em Cuiabá, conhecendo o Museu do Rio Cuiabá, o Aquário Municipal e a Orla do Porto. A atividade integrou uma programação educativa voltada à valorização do patrimônio cultural mato-grossense e ao fortalecimento da identidade dos povos originários.

Com idades entre 11 e 17 anos, os alunos participaram da visita acompanhados pelas professoras Eliane Boroponepa Monzilar, da Aldeia Boropó, e Ana Lúcia Calomezoré, da Aldeia Balotipone. O objetivo pedagógico foi conscientizar os estudantes sobre a importância da preservação do patrimônio cultural do Estado e promover reflexões sobre a história e as culturas indígenas.

A visita foi viabilizada pelo projeto Caminhos da Cultura, iniciativa criada em 2019 pelo artista plástico e produtor cultural Vicente Paulo. O projeto tem como proposta ampliar o acesso de estudantes da rede pública, além de comunidades indígenas, quilombolas e ribeirinhas, a museus, galerias e outros espaços de formação cultural. Desde sua criação, a iniciativa já aproximou mais de 11 mil alunos de equipamentos culturais em Mato Grosso.

“O projeto nasceu para proporcionar esse acesso aos estudantes da rede pública e também às comunidades tradicionais. Hoje estamos contemplando os Umutina, vindos de diferentes comunidades dessa grande nação indígena”, explicou Vicente Paulo.

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No Complexo Biocultural do Porto, os estudantes participaram de um roteiro guiado que apresentou aspectos históricos de Cuiabá por meio do acervo do Museu do Rio e das atrações do Aquário Municipal. A coordenadora pedagógica do Museu do Rio, Luana da Cruz Borema, explicou que o complexo está implantando um novo formato de recepção aos visitantes, com uma apresentação guiada que contextualiza a história da cidade antes da visita aos espaços expositivos.

Segundo ela, a proposta busca tornar a experiência mais educativa e aproximar os visitantes do patrimônio histórico e cultural de Cuiabá.

Para a professora Eliane Boroponepa Monzilar, a atividade representa uma oportunidade de intercâmbio de conhecimentos e de ampliação do repertório cultural dos estudantes.

“Esse projeto proporciona às crianças e aos jovens indígenas a oportunidade de conhecer outros saberes. Muitos deles nunca haviam visitado um museu. É uma troca importante entre o conhecimento do nosso povo e outros conhecimentos culturais, permitindo que compreendam melhor esses espaços e sua importância”, afirmou.

A fala da educadora reforça uma realidade observada em outras ações do Caminhos da Cultura. Em atividades recentes promovidas pelo projeto, estudantes da zona rural e de comunidades tradicionais também tiveram contato pela primeira vez com museus e espaços históricos da capital, vivenciando experiências que ampliam o aprendizado para além da sala de aula.

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A turismóloga Silvana Maria de Morais Abdala destacou o interesse demonstrado pelo grupo durante toda a visita. Segundo ela, as fotografias históricas e a maquete expostas no museu despertaram grande curiosidade entre as crianças e os adolescentes.

“Foi gratificante perceber o interesse deles em conhecer a história de Cuiabá e compreender melhor o espaço. As crianças, principalmente, demonstraram muita atenção e curiosidade durante toda a visita”, relatou a servidora, que atua há 18 anos na área do turismo.

Além do Complexo Biocultural do Porto, o roteiro dos estudantes incluiu visitas ao Museu da Imagem e do Som de Cuiabá (MISC), à Galeria Lava Pés e ao Museu de História Natural de Mato Grosso, consolidando um dia de atividades voltadas ao conhecimento, à cultura e à formação cidadã.

Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT

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