OPINIÃO
Virginia Mendes presta homenagem às mães mato-grossenses: ‘Toda mãe carrega a força do amor e da dedicação
Por: Virginia Mendes
Neste Dia das Mães, meu coração transborda gratidão. Gratidão pela bênção de ser mãe de três filhos, que são a razão do meu viver, meus maiores presentes dados por Deus. Ser mãe é viver o amor em sua forma mais pura, é aprender diariamente sobre entrega, cuidado, força e renúncia. É descobrir que o coração pode bater fora do peito e que, independentemente da idade, nossos filhos sempre serão parte de nós.
Ao olhar para minha trajetória, também me emociono ao lembrar da minha saudosa mãezinha, Eurídice Gomes, que me escolheu para ser sua filha e me ensinou, através do amor, o verdadeiro significado da família. Mulher simples, forte e cheia de fé, foi dela que herdei os ensinamentos mais valiosos da vida: o respeito ao próximo, a humildade, a compaixão e o cuidado com o lar. Minha mãe foi meu abrigo, meu exemplo e minha inspiração. Mesmo com sua ausência física, sua presença permanece viva em cada lembrança, em cada ensinamento e em tudo aquilo que carrego no coração.
Neste tempo em que o mundo vive tantas transformações, a figura materna continua sendo essencial dentro da família. A mãe é, muitas vezes, o alicerce silencioso do lar. É ela quem acolhe, orienta, protege, consola e mantém viva a esperança dentro de casa, mesmo diante das dificuldades. Ser mãe não significa apenas gerar um filho, mas cuidar, amar e estar presente de forma incondicional.
Tenho profunda admiração por todas as mães mato-grossenses: pelas mães que se dedicam integralmente ao lar e fazem dele um lugar de amor e acolhimento; pelas mães que saem todos os dias para enfrentar jornadas intensas de trabalho em busca de um futuro melhor para seus filhos; pelas mães da agricultura familiar e do campo, que ajudam a alimentar tantas famílias; pelas mães que atuam na segurança pública, protegendo vidas mesmo com o coração dividido entre a missão e a saudade de casa; pelas profissionais da saúde, da educação, da assistência social e de tantas outras áreas essenciais.
Minha admiração também vai para as mães solo, as avós que assumem o papel materno, as mães adotivas e todas as mulheres que fazem do amor sua maior força.
Neste Dia das Mães, desejo que cada mãe se sinta abraçada, valorizada e reconhecida. Que nunca falte amor, respeito e gratidão por aquelas que fazem do cuidado uma missão diária. Porque mãe é sinônimo de força, fé e amor eterno.
Virginia Mendes, é mãe, empresária, ex- primeira-dama de Cuiabá e ex-primeira-dama de MT.
ARTIGOS
Da importunação sexual ao feminicídio: a resposta começa com um Estado presente
Natasha Slhessarenko
Mato Grosso infelizmente voltou a ocupar espaço nas estatísticas da violência contra a mulher. Além de figurar entre os estados com os maiores índices de feminicídio do país, registrou mais de 500 casos de importunação sexual apenas nos primeiros meses deste ano. Esses números não podem ser tratados como episódios isolados. Eles revelam um Estado que ainda falha na prevenção, na proteção e no acolhimento das mulheres. Quando a violência avança e o poder público não acompanha essa realidade com políticas eficazes, quem perde é toda a sociedade.
A importunação sexual é crime. Não se trata de uma “brincadeira”, de um “mal-entendido” ou de um comportamento inconveniente. É uma violência que fere a dignidade da mulher, invade sua liberdade e compromete seu direito de viver, estudar, trabalhar e ocupar os espaços públicos sem medo. Muitas vezes, esse é o primeiro degrau de uma escalada de violência que pode evoluir para agressões físicas, violência doméstica e, infelizmente, para o feminicídio. Combater a importunação sexual também é impedir que outras formas de violência aconteçam.
Os dados demonstram que mais mulheres estão denunciando, o que representa um avanço importante. Mas também evidenciam que ainda existe uma enorme distância entre a necessidade de proteção e a estrutura que o Estado oferece. Mato Grosso possui dimensões continentais, mas ainda conta com número insuficiente de Delegacias Especializadas de Defesa da Mulher. Em muitas regiões, uma vítima precisa percorrer centenas de quilômetros para registrar uma ocorrência ou buscar atendimento especializado. Essa realidade é incompatível com a urgência que esses casos exigem.
Também precisamos fortalecer a presença do Estado na segurança pública. Durante anos, milhares de mato-grossenses conviveram com a expectativa de reforço das forças de segurança enquanto candidatos aprovados em concursos públicos aguardavam convocação. Somente no fim do segundo mandato do atual governo parte desses aprovados começou a ser chamada. O resultado é uma estrutura que ainda precisa ser fortalecida para responder aos desafios atuais.
Precisamos ampliar o efetivo e colocar mais policiais nas ruas, realizando policiamento preventivo em bairros, praças, escolas, pontos de ônibus e demais espaços públicos. A presença ostensiva das forças de segurança inibe a ação dos criminosos e devolve às mulheres um direito básico: o de ir e vir com liberdade e segurança.
Defendo igualmente a ampliação da rede de proteção às mulheres. Mato Grosso precisa implantar uma Casa da Mulher Brasileira em cada sede de Consórcio Regional de Saúde. Esses espaços concentram, em um único local, atendimento policial, assistência jurídica, atendimento psicológico, assistência social, serviços de saúde e acolhimento humanizado, reduzindo a revitimização e oferecendo uma resposta rápida e integrada às vítimas.
Mas proteger uma mulher também significa oferecer condições para que ela reconstrua sua vida. Muitas permanecem em ambientes de violência por dependerem financeiramente do agressor. Por isso, defendo políticas públicas voltadas à qualificação profissional, ao encaminhamento para o mercado de trabalho e ao incentivo ao empreendedorismo feminino, para que essas mulheres conquistem autonomia financeira, independência e condições reais de romper o ciclo da violência.
Também precisamos investir na qualificação permanente dos servidores públicos que atendem essas mulheres. Nem todas as cidades contam com Delegacias Especializadas de Defesa da Mulher. Por isso, policiais civis, escrivães, investigadores e demais profissionais que atuam nas delegacias comuns precisam receber treinamento específico para acolher vítimas de violência com sensibilidade, respeito e conhecimento dos protocolos de atendimento. O primeiro contato com o poder público pode determinar se a mulher seguirá em frente com a denúncia ou desistirá de buscar seus direitos.
Nenhuma estrutura, entretanto, será suficiente se continuarmos atuando apenas depois que a violência acontece. Precisamos investir fortemente em prevenção. Educação para o respeito, campanhas permanentes de conscientização, fortalecimento da rede de proteção e integração entre saúde, assistência social, educação, segurança pública e sistema de Justiça precisam deixar de ser ações isoladas para se transformar em uma política permanente de Estado.
Como médica, aprendi que prevenir salva vidas. Como mulher, sei que nenhuma de nós deveria mudar sua rotina, seus caminhos ou seus sonhos por medo da violência. E como cidadã comprometida com Mato Grosso, acredito que governar também significa cuidar das pessoas, especialmente daquelas que mais precisam da proteção do Estado.
A violência contra a mulher não será enfrentada apenas com discursos ou indignação. Exige planejamento, investimento, presença do Estado e compromisso permanente com a vida. Enfrentar a importunação sexual é proteger a liberdade das mulheres hoje e evitar tragédias amanhã. Esse deve ser um compromisso de qualquer governo que pretenda construir um Mato Grosso mais seguro, mais justo e mais humano.
Dra. Natasha Slhessarenko é médica, servidora pública e empresária em Mato Grosso.
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