OPINIÃO

Muito além de vender imóveis: a função social do corretor de imóveis

No dia 27 de agosto celebramos o Dia do Corretor de Imóveis.

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Mais do que uma data comemorativa, talvez seja uma oportunidade para refletirmos sobre algo que nem sempre recebe a devida atenção: qual é, afinal, a importância social do corretor de imóveis?

A resposta mais imediata seria dizer que ele é o profissional que aproxima quem quer vender de quem deseja comprar, ou o proprietário de quem procura um imóvel para alugar.

Tudo isso é verdade.

Mas é pouco.

Porque, quando observamos com atenção tudo o que acontece antes, durante e depois de uma negociação imobiliária, percebemos que o corretor ocupa uma posição muito mais importante na sociedade.

Ele trabalha com patrimônio, movimenta a economia, contribui para a realização de projetos de vida e participa de um mercado que gera empregos, renda, serviços e receitas públicas.

E, sobretudo, trabalha com algo profundamente humano: o lugar onde a vida acontece.

Uma profissão regulamentada porque sua atividade importa

Existem inúmeras atividades que podem ser exercidas livremente.

Outras, porém, recebem uma atenção especial da sociedade e são regulamentadas.

Isso acontece porque determinadas profissões lidam com interesses importantes demais para que sejam exercidas sem qualquer formação, responsabilidade ou fiscalização.

Pensamos assim quando entregamos nossa saúde a um profissional. Pensamos assim quando confiamos uma obra a alguém. E também devemos pensar assim quando uma pessoa participa da negociação de um patrimônio que, muitas vezes, representa a economia de uma vida inteira.

No Brasil, a profissão de corretor de imóveis possui regulamentação própria desde a década de 1960. Atualmente, a legislação estabelece formação profissional, atribuições e uma estrutura de fiscalização da atividade.

E isso tem uma razão que vai muito além da proteção da própria categoria.

Uma profissão regulamentada também existe para proteger a sociedade que depende do trabalho daquele profissional.

No mercado imobiliário, essa proteção ganha especial importância.

Quem compra um imóvel pode estar assumindo uma obrigação financeira por vinte ou trinta anos.

Quem vende pode estar negociando o maior patrimônio que conseguiu construir durante toda a vida.

Quem aluga está escolhendo o lugar onde irá morar.

Não estamos falando, portanto, de uma relação comercial qualquer.

Estamos falando de decisões que podem mudar destinos.

Um imóvel nunca é apenas um imóvel

Para entender a importância do corretor, primeiro precisamos compreender o significado daquilo com que ele trabalha.

Uma casa não é simplesmente um conjunto de paredes, portas e janelas.

Um apartamento não é apenas metragem, localização e preço.

Para uma família, aquele imóvel pode representar anos de economia.

Pode ser o primeiro patrimônio.

Pode ser independência.

Pode significar sair do aluguel.

Pode ser o quarto que os pais imaginaram para um filho que ainda nem nasceu.

Pode ser o lugar escolhido para envelhecer.

Pode ser o endereço de um recomeço.

Até mesmo um imóvel comercial carrega histórias. Atrás daquela sala, loja ou terreno pode estar alguém apostando as economias na criação de uma empresa e na construção do próprio futuro.

Por isso, quando falamos que o corretor de imóveis é um “vendedor de sonhos”, existe muita verdade nessa expressão.

Mas acredito que podemos ir além.

O bom corretor não vende o sonho. Ele ajuda a construir o caminho entre o sonho e a sua realização.

Entre a moradia e a dignidade

Existe uma dimensão ainda mais profunda nessa atividade.

A nossa própria Constituição reconhece a moradia como um direito social.

Naturalmente, garantir esse direito envolve políticas públicas, planejamento urbano, habitação popular, financiamento, infraestrutura e inúmeras responsabilidades do Estado e da sociedade.

O corretor de imóveis não substitui essas responsabilidades.

Mas existe algo bonito nessa relação: ele trabalha diariamente em um dos espaços concretos em que a moradia deixa de ser apenas um conceito e passa a ter endereço, porta, janela e chave.

Todos os dias existem famílias procurando onde morar.

Existem pessoas buscando seu primeiro imóvel.

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Existem pais tentando encontrar uma casa melhor para os filhos.

Existem pessoas que precisam vender para recomeçar.

Existem proprietários com imóveis disponíveis e pessoas procurando exatamente aquilo que eles têm a oferecer.

E existe alguém aproximando esses dois lados.

Esse alguém, muitas vezes, é o corretor.

Sua atividade possui natureza econômica, evidentemente. É uma profissão e deve ser remunerada.

Mas isso não elimina sua dimensão social.

Ao contrário.

É justamente porque existe atividade econômica organizada que milhões de necessidades humanas conseguem encontrar soluções no mercado.

O corretor participa desse encontro.

Quando uma venda movimenta muito mais do que um imóvel

Existe ainda outro aspecto pouco lembrado quando falamos da função social do corretor de imóveis.

Uma negociação imobiliária não movimenta apenas comprador, vendedor e corretor. Ela coloca em funcionamento uma engrenagem econômica muito maior.

Pense no que acontece quando um imóvel é vendido.

Existe o trabalho de intermediação.

Podem existir avaliação, financiamento e serviços bancários.

Existem documentos, escrituras e registros.

Depois da compra, frequentemente surgem mudanças, reformas, pinturas, projetos, móveis, eletrodomésticos, seguros e inúmeros outros serviços.

Pedreiros, pintores, arquitetos, engenheiros, transportadores, marceneiros, eletricistas, lojas, bancos, cartórios, empresas e profissionais dos mais diferentes setores podem participar direta ou indiretamente daquilo que começou com uma negociação imobiliária.

Uma chave muda de mãos e, ao redor dela, uma pequena economia começa a girar.

É por isso que o mercado imobiliário possui um efeito que ultrapassa suas próprias fronteiras.

E o corretor está justamente em uma das pontas que ajudam a colocar essa engrenagem em movimento.

O negócio também gera recursos para a sociedade

Há ainda uma consequência que quase nunca lembramos quando vemos uma fotografia da entrega das chaves.

A atividade imobiliária também contribui para a geração de receitas públicas.

Quando ocorre uma transmissão imobiliária onerosa, por exemplo, pode haver incidência do ITBI, imposto municipal relacionado à transmissão do imóvel.

A própria prestação do serviço de corretagem integra uma atividade econômica sujeita à tributação, observadas, evidentemente, as particularidades de cada caso e do regime tributário aplicável.

Outras atividades que surgem ao redor daquele negócio também movimentam empresas, profissionais, consumo e arrecadação.

É importante fazer aqui uma distinção: o corretor não é, simplesmente por exercer sua profissão, um “arrecadador de impostos” em nome do Estado.

Sua contribuição acontece de outra maneira, talvez até mais interessante.

Ele ajuda a gerar o fato econômico.

Aproxima as partes.

Viabiliza o negócio.

O negócio movimenta patrimônio.

A movimentação patrimonial gera atividade econômica.

A atividade econômica produz renda, trabalho, consumo e receitas públicas.

E essas receitas ajudam a financiar as atividades do Estado e os serviços destinados à própria sociedade.

Existe, portanto, um ciclo.

O corretor aproxima pessoas.

Dessa aproximação pode nascer um negócio.

O negócio movimenta a economia.

A economia gera trabalho e renda.

E parte da riqueza produzida retorna à sociedade por meio da arrecadação pública.

Quando enxergamos toda essa cadeia, percebemos como é limitada a ideia de que o corretor simplesmente “vende imóveis”.

Ele é também um agente de movimentação econômica.

Patrimônio parado ganha movimento

Há outra forma simples de perceber essa importância.

Um imóvel disponível para venda é patrimônio.

Quando existe alguém interessado em comprá-lo, existe uma possibilidade de negócio.

Mas é necessário que oferta e procura se encontrem.

Uma das grandes funções econômicas da corretagem é justamente facilitar esse encontro.

O corretor conhece o mercado, identifica oportunidades, aproxima interesses, apresenta alternativas e contribui para transformar intenções em negócios.

Aquilo que estava parado começa a circular.

O vendedor recebe recursos e pode reinvesti-los, consumir, adquirir outro imóvel ou iniciar um novo projeto.

O comprador passa a utilizar aquele patrimônio.

Outros profissionais são contratados.

Novos negócios aparecem.

É uma corrente.

E o corretor está frequentemente no primeiro elo dessa movimentação.

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Segurança também é uma função social

Mas existe algo que precisa acompanhar toda essa movimentação: confiança.

Quanto maior o valor envolvido em uma negociação, maior a responsabilidade de quem participa dela profissionalmente.

É por isso que a regulamentação da profissão não deve ser compreendida simplesmente como uma proteção ao corretor.

Ela deve ser entendida também como uma proteção ao cidadão.

Existem formação, registro, deveres profissionais e fiscalização justamente porque existe uma sociedade do outro lado da atividade.

E o bom profissional deve enxergar isso como uma valorização.

Ser corretor não significa apenas possuir autorização para intermediar.

Significa assumir responsabilidade sobre a confiança que alguém depositou naquele trabalho.

O cliente muitas vezes revela ao corretor quanto conseguiu economizar, quanto pode pagar, onde deseja morar, quais são seus planos e até suas dificuldades.

O corretor entra, ainda que temporariamente, na intimidade dos projetos daquela família.

Isso exige conhecimento.

Mas exige também ética.

Exige prudência.

Exige sensibilidade.

A tecnologia mudou o mercado, mas não eliminou as pessoas

O mercado imobiliário de hoje é completamente diferente daquele de algumas décadas atrás.

Temos portais com milhares de imóveis, fotografias profissionais, drones, mapas digitais, visitas virtuais, assinaturas eletrônicas, sistemas de financiamento cada vez mais integrados e, agora, inteligência artificial.

Em poucos segundos um algoritmo pode localizar centenas de imóveis dentro de determinado preço, tamanho e região.

Mas existe uma coisa que nenhuma dessas tecnologias consegue entregar sozinha:

confiança humana.

Uma plataforma pode descobrir que determinada família procura três quartos.

Mas não sabe por que ela precisa do terceiro.

Um algoritmo pode calcular a distância de uma casa até uma escola.

Mas não conhece a história da mãe que está escolhendo aquele bairro justamente porque quer estar mais perto dos filhos.

A inteligência artificial pode comparar preços, organizar documentos e analisar dados.

Mas existem momentos em que alguém precisa ouvir, compreender, explicar, tranquilizar e assumir responsabilidade.

Tecnologia pode transformar profundamente a corretagem.

Provavelmente transformará.

Mas o coração da profissão continuará sendo humano porque, no fim das contas, imóveis são negociados por pessoas para serem usados por pessoas.

Muito além do vendedor de sonhos

Talvez, então, seja possível dar um significado ainda maior à expressão “vendedor de sonhos”.

O corretor de imóveis não vende apenas sonhos.

Ele aproxima sonhos de possibilidades.

Ajuda famílias a encontrar moradia.

Aproxima compradores e vendedores.

Coloca patrimônio em circulação.

Movimenta uma extensa cadeia de serviços.

Participa da geração de renda.

Contribui para uma atividade econômica que produz arrecadação e recursos públicos.

E acrescenta profissionalismo e responsabilidade a algumas das decisões patrimoniais mais importantes da vida das pessoas.

Essa é a verdadeira dimensão social da profissão.

27 de agosto

Por isso, neste 27 de agosto, talvez a melhor homenagem ao corretor de imóveis não seja medir sua importância pelo número de imóveis que vendeu.

Nem pelo volume financeiro que negociou.

Nem pelo número de contratos que assinou.

Há uma medida muito mais humana.

Quantas pessoas ele aproximou?

Quantas famílias ajudou a encontrar um lar?

Quantos patrimônios ajudou a colocar em movimento?

Quantos negócios ajudou a nascer?

Quantas histórias começaram depois de uma chave entregue?

Porque, por trás de cada negociação imobiliária, existem números, contratos, tributos e patrimônio.

Mas existem também pessoas.

Existem famílias.

Existem empregos.

Existe renda.

Existe atividade econômica.

Existem recursos que retornam à sociedade.

Existem projetos de vida.

E existe um profissional ajudando a unir muitas dessas pontas.

O corretor de imóveis vende, aproxima, orienta e movimenta.

Movimenta patrimônio.

Movimenta a economia.

Movimenta recursos.

Mas, acima de tudo, ajuda a movimentar histórias.

E talvez seja essa a melhor definição de sua função social.

Feliz Dia do Corretor de Imóveis.

Claudecir Contreira

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ARTIGOS

Agosto Lilás, romper o silêncio é um compromisso de todos!

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O mês de agosto nos convida a refletir sobre uma das maiores feridas da nossa sociedade: a violência contra a mulher. O Agosto Lilás não é apenas uma campanha de conscientização. É um chamado para que todos nós deixemos a indiferença de lado e assumamos o compromisso de proteger vidas.

Todos os dias, milhares de mulheres carregam marcas que nem sempre podem ser vistas. Algumas escondem hematomas. Outras convivem com cicatrizes emocionais provocadas por humilhações, ameaças e medo. Muitas permanecem em relacionamentos abusivos porque dependem financeiramente do agressor, não encontram apoio ou perderam a esperança de recomeçar.

Nenhuma mulher deveria viver assim.

É inadmissível que Mato Grosso, um dos Estados que mais cresce economicamente no Brasil, carregue também a triste marca de figurar, pelo terceiro ano consecutivo, entre os que mais registram feminicídios. Esse contraste nos envergonha e reforça que desenvolvimento só é verdadeiro quando preserva vidas e garante dignidade.

A Lei Maria da Penha, que completa 20 anos, transformou o enfrentamento da violência doméstica ao reconhecer que esse não é um problema privado, mas uma grave violação dos direitos humanos. Porém, leis, sozinhas, não mudam a realidade. Elas precisam ser cumpridas e acompanhadas por políticas públicas eficientes.

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Foi com esse propósito que apresentamos iniciativas para fortalecer a proteção às mulheres em Mato Grosso. Entre elas, o Projeto de Lei nº 107/2025, que reserva vagas de emprego em contratos públicos para mulheres em situação de violência ou vulnerabilidade social, oferecendo uma oportunidade concreta de reconstrução por meio da independência financeira.

Também são de nossa autoria a Lei nº 11.795/2022, que criou um guia permanente da rede de atendimento às vítimas, e a Lei nº 13.151/2025, que ampliou a mobilização dos homens pelo fim da violência contra a mulher e institucionalizou a campanha Laço Branco no calendário estadual. Afinal, homens de respeito respeitam as mulheres.

Como presidente da Assembleia Legislativa, também solicitei informações sobre a aplicação das mais de 60 leis estaduais já existentes de proteção às mulheres. O desafio não é apenas criar normas, mas fazer com que elas cheguem à vida de quem mais precisa.

Mas nenhuma lei será suficiente sem uma mudança de consciência. A violência nasce, muitas vezes, dentro de casa, alimentada pelo desrespeito, pelo machismo e pela intolerância. O lar deve ser um lugar de acolhimento, nunca de medo.

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Neste Agosto Lilás, convido cada cidadão a fazer sua parte. Que acolhamos quem pede ajuda, denunciemos a violência e eduquemos nossas crianças para o respeito, a igualdade e a empatia.

Romper o silêncio é um ato de coragem. Estender a mão é um gesto de humanidade. Construir um Mato Grosso onde nenhuma mulher tenha medo de viver é uma missão de todos nós.

Max Russi, deputado estadual e atual presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso

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