AGRONEGÓCIO

Retrospectiva 2023: relembre alguns acontecimentos importantes para o agronegócio

O ano de 2023 foi marcado por significativos avanços e desafios no setor do agronegócio brasileiro. A agroindústria, a adoção de práticas de manejo integrado, a busca por sustentabilidade, o fortalecimento das exportações, acordos internacionais e o investimento em tecnologia se destacaram, impulsionando a presença do agro nacional no cenário global.

A agricultura e a pecuária obtiveram êxito ao longo do ano, apesar de enfrentarem desafios macroeconômicos e regionais que impactaram o setor. Eventos como taxas de juros globais elevadas, flutuações na demanda de exportação, conflitos entre países e mudanças climáticas impactaram a safra de 2024.

No início de 2023, o Brasil adotou medidas preventivas para conter casos de gripe aviária confirmados na Argentina e no Uruguai, preocupações que não se materializaram no país.

Em fevereiro, enquanto os preços dos insumos agrícolas aumentavam globalmente, o Brasil, contrariando essa tendência, registrou uma produção recorde no primeiro semestre, beneficiado por condições climáticas favoráveis. Esse cenário foi crucial para o controle da inflação.

Outro ponto de destaque foi a ampliação do crédito privado para operações agrícolas, refletindo a crescente necessidade de capital para custeio e investimento no setor.

Com a aprovação, na Câmara dos Deputados, da proposta de Reforma Tributária em julho, baseada na PEC 45/2019, o setor foi beneficiado com alíquotas zero para itens da cesta básica, além de isenções de IBS e CBS para produtores com receita anual abaixo de R$ 3,6 milhões, segundo levantamento do Instituto Mato-Grossense de Economia (Imea).

Dois pontos cruciais merecem destaque: o Brasil tornou-se líder mundial em exportação de diversos produtos, como soja, carne bovina, açúcar, carne de frango, café, celulose e suco de laranja.

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Outro destaque foi a participação na 28ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP28), realizada em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. O encontro reuniu 197 países e mais de 200 líderes internacionais, aprovando um apoio explícito à transição energética dos combustíveis fósseis para fontes de energia mais limpas, reforçando o compromisso global com a sustentabilidade ambiental.

MÊS A MÊS

Janeiro: Déficit Recorde de Armazenamento
O Brasil enfrenta um desafio no setor agrícola com um déficit recorde de armazenamento de mais de 100 milhões de toneladas no início de 2023. A falta de infraestrutura de armazenagem, com apenas 15% das fazendas equipadas com silos, é evidenciada pela safra recorde de 313 milhões de toneladas de soja, milho, algodão, arroz e trigo.

Fevereiro: Acordo com a China
O Brasil envia o primeiro navio graneleiro com 68 mil toneladas de milho para a China, marcando um marco importante no novo acordo comercial. Mais de 130 comerciantes e cooperativas brasileiras recebem aprovação para exportar para o mercado chinês, reduzindo riscos geoeconômicos.

Março: Fim do La Niña
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) confirma o fim do fenômeno La Niña, que persistiu de julho de 2020 a março de 2023. As condições climáticas neutras sugerem estabilidade para a agricultura brasileira no outono e inverno de 2023.

Abril: Maior Exportador Mundial de Milho
Com exportações recordes de 43,17 milhões de toneladas em 2022, o Brasil está a caminho de se tornar o maior exportador mundial de milho.

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Maio: Alerta de Gripe Aviária
O Ministério da Agricultura e Pecuária confirma a detecção do vírus H5N1 da influenza aviária em aves silvestres no Espírito Santo, promovendo a necessidade de vigilância e controle para prevenir a propagação da doença.

Junho: Chega o El Niño
O Centro Americano de Previsão Climática confirma o estabelecimento do fenômeno El Niño, prevendo sua continuidade até o trimestre de janeiro, fevereiro e março de 2024, indicando impactos significativos nas condições climáticas.

Julho: China Impõe Quarentena para Soja
A China anuncia medidas de segurança, exigindo quarentena para soja importada, promovendo a segurança alimentar do país asiático.

Agosto: Argentina Complica Escoamento Fluvial
A Argentina impõe um pedágio de US$ 1,47 por tonelada em barcos brasileiros, complicando o escoamento fluvial pelo Rio da Prata.

Setembro: Senado Aprova Marco Temporal
O Senado aprova o “Marco Temporal”, estabelecendo critérios para a demarcação de terras indígenas no Brasil, impactando o debate sobre direitos indígenas.

Outubro: Brasil Destaca-se como Grande Exportador
O Brasil é reconhecido como um dos maiores exportadores do mundo durante a segunda fase da campanha internacional de sustentabilidade da proteína animal.

Novembro: impacto climático
Excesso de chuvas no Sul e seca no Norte, Nordeste e Centro-Oeste levaram ao atraso do plantio da safra 2023/2024, replantio e muitos prejuízos, inclusive com previsão de quebra de safra.

Dezembro: Recorde nas Exportações do Agronegócio
As exportações brasileiras do agronegócio atingem o recorde de US$ 13,48 bilhões em novembro de 2023, representando 48,4% das exportações totais do país.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Corrida global por terras raras leva Senado a discutir estratégia para minerais críticos

O avanço da disputa internacional por minerais críticos e terras raras mobilizou a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que participou nesta semana de um debate no Senado sobre os caminhos para ampliar a presença do Brasil nas etapas de maior valor agregado da cadeia mineral.

A discussão ocorre em um cenário de crescente competição global por recursos considerados estratégicos para a produção de baterias, veículos elétricos, equipamentos eletrônicos, inteligência artificial, sistemas de defesa e geração de energia renovável. Nos últimos anos, Estados Unidos, China e União Europeia intensificaram políticas voltadas à segurança das cadeias de suprimentos e à redução da dependência externa desses insumos.

O Brasil aparece nesse cenário como um dos países com maior potencial geológico do mundo. Além de reservas de nióbio, grafita e lítio, o país possui importantes ocorrências de terras raras, grupo de minerais utilizados em equipamentos de alta tecnologia e considerados estratégicos pelas principais economias globais.

Durante audiência pública realizada pela Comissão de Relações Exteriores do Senado, integrantes da FPA defenderam a construção de uma política nacional voltada não apenas à extração mineral, mas também ao processamento industrial e à agregação de valor dentro do país. A avaliação apresentada durante o debate é que o Brasil corre o risco de repetir o modelo histórico de exportação de matéria-prima caso não avance em tecnologia, industrialização e segurança jurídica.

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INTERESSE MUNDIAL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio, engenheiro agrônomo Isan Rezende, os minerais críticos e as terras raras deixaram de ser apenas uma questão mineral para se tornarem um tema de soberania econômica.

“O mundo vive uma corrida por recursos essenciais para a produção de baterias, semicondutores, inteligência artificial, sistemas de defesa e transição energética. O Brasil possui algumas das maiores reservas do planeta e precisa decidir se continuará exportando matéria-prima ou se avançará para ocupar posições mais estratégicas nessa cadeia.”

“O que preocupa é que as principais economias do mundo estão adotando políticas cada vez mais agressivas para garantir acesso a esses minerais. Os Estados Unidos ampliam sua pressão por acordos de fornecimento, a China mantém forte controle sobre etapas de processamento e diversos países passaram a restringir exportações para proteger suas próprias indústrias. O Brasil não pode assistir a esse movimento apenas como fornecedor de recursos naturais. É necessário construir uma política nacional que estimule pesquisa, industrialização, inovação e geração de valor dentro do país.”

“A discussão conduzida pela Frente Parlamentar da Agropecuária vai além da mineração. Estamos falando de desenvolvimento regional, atração de investimentos, geração de empregos qualificados e fortalecimento da competitividade brasileira. O país reúne reservas minerais, conhecimento técnico e capacidade produtiva para se tornar um protagonista global nesse mercado. Mas isso exige segurança jurídica, previsibilidade regulatória e uma estratégia de longo prazo que transforme riqueza geológica em riqueza econômica para os brasileiros.”

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Os Estados Unidos ampliaram programas de incentivo à produção doméstica e à diversificação de fornecedores, enquanto a China mantém posição dominante em etapas estratégicas do processamento de terras raras. Outros países produtores também passaram a restringir exportações de matérias-primas para estimular investimentos industriais locais.

No Senado, a discussão abordou ainda o Projeto de Lei 4.443/2025, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A proposta busca estabelecer diretrizes para pesquisa, exploração, industrialização e atração de investimentos para o setor.

Entre os pontos destacados pelos participantes estão a necessidade de ampliar o conhecimento geológico do território brasileiro, fortalecer a pesquisa científica, estimular o desenvolvimento tecnológico e criar um ambiente regulatório capaz de atrair investimentos de longo prazo.

Para a FPA, o debate ultrapassa a questão mineral e passa a integrar uma agenda estratégica relacionada à competitividade da economia brasileira, à segurança das cadeias produtivas e ao posicionamento do país em um mercado que deve ganhar relevância crescente nas próximas décadas.

Fonte: Pensar Agro

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