AGRONEGÓCIO

Mapa realiza operação de combate ao abate clandestino de aves no Ceará

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) deflagrou, na terça-feira (2), a Operação Tô Fraco, correspondente à Ronda Agro CXVIII, para combater o abate clandestino de aves no Ceará. A ação contou com a participação da Agência de Fiscalização de Fortaleza (Agefis), da Secretaria da Saúde do Ceará (SESA) e da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS-CE).

Os fiscais localizaram um abatedouro clandestino de galinha-d’angola em Apuiarés (CE), que fornecia carne para estabelecimentos de Fortaleza e até para outros estados. As aves eram abatidas em condições que desrespeitavam as exigências de bem-estar animal previstas na legislação e em ambiente higiênico-sanitário inadequado, favorecendo a contaminação e a disseminação de agentes causadores de toxinfecções e outras doenças transmitidas por alimentos.

Mais de três toneladas de carne produzida no local foram apreendidas e inutilizadas. Os fiscais também identificaram o uso de corante artificial para alterar a coloração dos cortes e simular maior concentração de carotenoides, prática que induz o consumidor ao erro e mascara a real qualidade do produto.

Em Fortaleza, três estabelecimentos comerciais foram fiscalizados, e todos apresentavam produtos oriundos do abatedouro clandestino.

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A inspeção higiênico-sanitária de produtos de origem animal destinados ao consumo humano tem como objetivo garantir a saúde pública, assegurando alimentos seguros e reduzindo os riscos de transmissão de zoonoses e toxinfecções. Dependendo da abrangência da comercialização, essa inspeção é realizada pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF), pelos Serviços de Inspeção Estaduais (SIE) ou Municipais (SIM), além do Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi-POA).

O Mapa reforça que carnes produzidas de forma clandestina representam sério risco à saúde pública. Além de facilitarem a transmissão de patógenos, podem causar toxinfecções graves e até fatais. A pasta seguirá intensificando as ações de fiscalização para coibir práticas irregulares e proteger a população.

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Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

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AGRONEGÓCIO

Sustentabilidade avança e passa a influenciar crédito, mercado e custos do setor

A agenda de sustentabilidade deixou de ser apenas institucional e passou a afetar diretamente decisões de investimento, acesso a mercado e custo de produção — com impacto crescente também sobre o agronegócio. Levantamento da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), em parceria com a empresa Humanizadas, mostra que 59% das companhias brasileiras já incorporam critérios ambientais, sociais e de governança (ESG) à estratégia central dos negócios, enquanto 57% integram exigências regulatórias diretamente em decisões comerciais e financeiras.

Na prática, isso começa a chegar ao campo. A exigência por rastreabilidade, menor emissão de carbono e cumprimento de protocolos ambientais já influencia desde a concessão de crédito até o acesso a mercados internacionais, especialmente na cadeia de grãos, carnes e café. Para o produtor, o tema deixa de ser reputacional e passa a ter efeito direto sobre receita, financiamento e risco operacional.

O estudo, que ouviu 587 executivos — em sua maioria de médias e grandes empresas — indica que 87% das organizações já atuam com sustentabilidade, mas apenas 26% se consideram preparadas para atender às novas exigências. Esse descompasso revela um ponto central: a agenda avançou mais rápido na intenção do que na execução, o que tende a aumentar a pressão sobre cadeias produtivas, incluindo fornecedores do agro.

O principal entrave é econômico. Embora 74% das empresas reconheçam valor na sustentabilidade, só 34% conseguem medir retorno financeiro de forma estruturada. Para 44% dos executivos, transformar práticas ambientais em resultado concreto ainda é o maior desafio. No agro, essa conta aparece no custo de adaptação — seja na adequação ambiental, seja na adoção de tecnologias para redução de emissão ou melhoria de eficiência.

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Outro dado relevante é que 71% das empresas ainda não reduzem nem compensam emissões de carbono, enquanto temas como clima e biodiversidade seguem em segundo plano. Em contrapartida, inovação e tecnologia lideram as prioridades, com 59% de atenção, justamente por apresentarem retorno mais direto em produtividade e redução de custos — lógica que também se repete dentro da porteira.

A fragilidade na gestão de dados reforça esse cenário. Segundo o levantamento, 68% das empresas não publicam relatórios de sustentabilidade e 73% não atualizam suas matrizes de materialidade, o que dificulta transformar exigências ambientais em indicadores financeiros claros. Para o agro, isso significa maior risco de assimetria: o produtor passa a ser cobrado, mas nem sempre tem clareza sobre como essa exigência se converte em preço ou vantagem comercial.

A pesquisa também mostra que apenas 31% das empresas monitoram riscos ligados à sustentabilidade e 28% acompanham oportunidades. Na prática, isso indica que boa parte do mercado ainda reage à pressão regulatória, em vez de antecipar movimentos — um comportamento que tende a se refletir nas cadeias produtivas.

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Apesar dos desafios, os efeitos econômicos já são percebidos. Entre as empresas, 74% apontam fortalecimento de reputação, 65% maior eficiência no uso de recursos e 60% redução de custos como principais ganhos da agenda. No agro, esses fatores aparecem, por exemplo, na melhoria da gestão de insumos, uso mais eficiente de água e energia e acesso a programas de financiamento com critérios ambientais.

No cenário externo, a tendência é de aumento dessa pressão. A realização da Conferência do Clima das Nações Unidas, a COP30, em Belém, em 2025, foi utilizada por 37% das empresas para ampliar parcerias e posicionamento institucional, indicando que a agenda ambiental deve ganhar ainda mais peso na definição de mercados e fluxos de investimento.

Para o produtor rural, o movimento é claro: sustentabilidade deixa de ser diferencial e passa a ser requisito. A capacidade de atender a essas exigências — com controle de custo e ganho de eficiência — tende a definir não apenas competitividade, mas também acesso a crédito e mercado nos próximos anos

Fonte: Pensar Agro

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