AGRONEGÓCIO

Mapa lidera debates sobre ação climática e saúde única na Blue Zone da COP 30

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) será protagonista em dois importantes painéis da Blue Zone da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP 30), em Belém (PA), espaço destinado às discussões oficiais entre países e organismos internacionais. As mesas lideradas pelo Mapa ocorrerão nos dias 19 e 20 de novembro, no auditório Cumaru, e integram a programação do Pavilhão Brasil, coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) em parceria com a Casa Civil da Presidência da República.

Na quarta-feira, 19 de novembro, das 16h15 às 17h15, o Mapa conduz o painel “PLACA (Plataforma Regional Liderada por Ministérios de Agricultura da América Latina e Caribe): impulso à ação climática coordenada no setor agropecuário”, que apresentará avanços da cooperação regional na promoção de práticas sustentáveis no campo. A iniciativa da PLACA busca fortalecer a integração entre países latino-americanos e caribenhos na implementação de políticas e tecnologias voltadas à agricultura de baixo carbono, resiliência climática e segurança alimentar.

Já na quinta-feira, 20 de novembro, das 10h às 11h, o ministério promove o painel “Uma Só Saúde (One Health) e resiliência climática: destacando soluções intersetoriais para desafios globais emergentes”, que abordará a integração entre saúde humana, animal e ambiental como base para o enfrentamento das mudanças do clima. O conceito One Health está em consonância com o compromisso do Mapa com ações conjuntas que reforcem a vigilância sanitária, o controle de zoonoses e a sustentabilidade dos sistemas produtivos.

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Os Pavilhões Brasil na Blue Zone e Green Zone terão uma programação diversificada entre os dias 10 e 21 de novembro, com 286 eventos distribuídos entre as duas áreas, totalizando quatro auditórios. Na Blue Zone, onde o Mapa participará, as discussões se concentrarão na implementação das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) do Brasil no âmbito do Acordo de Paris, em um contexto de cooperação internacional.

A programação completa com horários, moderadores e painelistas foi divulgada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) no site oficial da COP 30.

>> Confira aqui.

Informação à imprensa
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Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

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AGRONEGÓCIO

Investigação expõe disputa com China e acende alerta no mercado brasileiro

A abertura de investigação pelo governo brasileiro sobre possível dumping nas importações de proteína de soja chinesa ocorre em paralelo a um cenário mais amplo de tensão comercial envolvendo o principal produto do agronegócio nacional: a soja em grão. Embora o foco formal da apuração seja um derivado específico, o movimento expõe o grau de sensibilidade da relação comercial entre Brasil e China, destino de mais de 70% das exportações brasileiras do complexo soja.

O Brasil embarca anualmente entre 95 milhões e 105 milhões de toneladas de soja em grão, dependendo da safra, consolidando-se como o maior exportador global. Desse total, a China absorve a maior parte, com compras que frequentemente superam 70 milhões de toneladas por ano. Trata-se de uma relação de alta dependência: para o Brasil, a China é o principal comprador; para os chineses, o Brasil é o principal fornecedor.

O problema é que esse fluxo não é livre de mecanismos de controle. A China opera com um sistema indireto de regulação das importações, baseado principalmente em licenças, controle de esmagamento e gestão de estoques estratégicos. Na prática, isso funciona como uma espécie de “cota informal”. O governo chinês pode reduzir ou ampliar o ritmo de compras ao liberar menos ou mais permissões para importadores e indústrias locais.

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Esse mecanismo ficou evidente nos últimos ciclos. Em momentos de margens apertadas na indústria chinesa de esmagamento, quando o farelo e o óleo não compensam o custo da soja importada, o país desacelera as compras. O resultado é imediato: pressão sobre os prêmios nos portos brasileiros e maior volatilidade de preços.

Além disso, há um fator estrutural. A China vem buscando diversificar fornecedores e reduzir riscos geopolíticos. Mesmo com a forte dependência do Brasil, o país mantém canais ativos com os Estados Unidos e outros exportadores, utilizando o volume de compras como ferramenta de negociação comercial.

No caso específico da proteína de soja, produto industrializado voltado principalmente à alimentação humana, o impacto direto sobre o produtor rural tende a ser limitado. Ainda assim, a investigação conduzida pela Secretaria de Comércio Exterior, ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, sinaliza um endurecimento na política comercial brasileira em relação à China, ainda que pontual.

O processo analisa indícios de venda a preços abaixo do custo de produção, prática conhecida como dumping, no período entre julho de 2024 e junho de 2025. Caso seja confirmada, o Brasil pode aplicar tarifas adicionais por até cinco anos.

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O ponto de atenção é que, embora tecnicamente restrita, qualquer medida nessa direção exige calibragem. A China é, de longe, o maior cliente da soja brasileira e um dos principais destinos de produtos do agronegócio como carne bovina e de frango. Movimentos comerciais, mesmo que setoriais, são acompanhados de perto pelo mercado.

Para o produtor, o cenário reforça um ponto central: o preço da soja no Brasil não depende apenas de oferta e demanda internas, mas de decisões estratégicas tomadas em Pequim. Ritmo de compras, gestão de estoques e margens da indústria chinesa seguem sendo os principais determinantes de curto prazo.

Na prática, a investigação atual não muda o fluxo da soja em grão, mas escancara a dependência brasileira de um único mercado e o grau de exposição a decisões comerciais externas.

Fonte: Pensar Agro

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