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Mapa apresenta visão do governo para redução do metano na agropecuária durante painel na COP30

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Reduzir o metano pode ser uma das respostas mais rápidas e eficazes para desacelerar as mudanças climáticas, e a agropecuária brasileira tem um papel estratégico nesse esforço global. Essa foi a mensagem levada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) ao painel ‘Metano: Freio de Emergência Climática – Do Campo ao Clima: A Agropecuária na Rota da Redução do Metano’, realizado nesta segunda-feira (17), no Museu das Amazônias, Complexo Porto Futuro II, em Belém, durante a COP 30. O debate foi organizado pelo Global Methane Hub e pelo Instituto Uma Gota no Oceano, reunindo especialistas e organizações da sociedade civil interessadas em acelerar a mitigação do metano, um dos gases de efeito estufa de maior impacto no aquecimento global no curto prazo.

O Mapa foi representado pelo auditor fiscal federal agropecuário Sidney Medeiros, que apresentou a visão do governo e destacou que a transição para sistemas de produção mais sustentáveis depende de assistência técnica e inovação tecnológica no campo. “A intervenção foi do ponto de vista do governo, da política pública. Falamos dos desafios que nós temos com a demanda por assistência técnica para universalizar o conhecimento relacionado às práticas de agricultura de baixa emissão de carbono”, afirmou.

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Ao abordar tecnologias de mitigação, Medeiros afirmou que a adoção da biodigestão ainda avança de forma lenta nas propriedades rurais, o que exige estímulos e novas soluções financeiras. “Nem todo produtor rural estaria disposto a investir em biodigestores, porque ainda há carência de agentes econômicos que preencham lacunas tecnológicas dentro das propriedades”, acrescentou.

O auditor destacou também a cooperação internacional como um canal essencial para ampliar a inovação no setor. Sobre esse tema, lembrou o lançamento, na própria COP30, de um guia com diretrizes para redução de metano por meio do manejo de resíduos da produção animal. “A cooperação internacional que temos com a Coalizão para o Clima e Ar Limpo (CCAC), por exemplo, permitirá que outros países possam aprimorar suas estratégias de redução de metano com base na experiência brasileira”.

Medeiros apresentou ainda um exemplo concreto de política pública que aproximou produtores de soluções climáticas, mostrando que o acesso à informação pode destravar investimentos. “Executamos um projeto no passado em que conseguimos aumentar a adesão à linha de crédito RenovAgro para instalação de biodigestores pelo simples fato de levar conhecimento aos tomadores de decisão, que são os próprios produtores rurais”.

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O painel contou também com a participação de Gabriel Quintana, analista sênior do Imaflora, e Ludmila Rattis, pesquisadora do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), que apresentaram análises sobre caminhos de governança, ciência e produção sustentável para reduzir emissões no setor agropecuário. O diálogo reforçou que, como o metano permanece na atmosfera por um período mais curto que o dióxido de carbono, cortes rápidos na sua emissão podem gerar resultados climáticos positivos em menor tempo, beneficiando a transição global para sistemas alimentares resilientes.

A iniciativa integra o ciclo de encontros promovidos pelo Global Methane Hub e pelo Instituto Uma Gota no Oceano sobre soluções para superpoluentes climáticos. Para o governo brasileiro, a agenda de redução do metano se articula com ações de fomento à agropecuária sustentável, apoio tecnológico ao tratamento de dejetos animais, crédito de baixa emissão e ampliação da cooperação internacional em pesquisa e inovação.

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Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

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AGRONEGÓCIO

Agro ajuda Brasil a fechar agosto com superávit de R$ 37,7 bilhões

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O Brasil encerrou agosto com superávit comercial de R$ 37,7 bilhões, crescimento de 23,8% em relação ao mesmo mês de 2025. O resultado foi sustentado pelo aumento das exportações de soja, café, animais vivos, carne de frango e farelo de soja, além do avanço das vendas da indústria extrativa e de outros segmentos da indústria de transformação.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações brasileiras somaram R$ 169,1 bilhões em agosto, alta de 12,2% na comparação anual. As importações cresceram 9,2% e alcançaram R$ 131,4 bilhões.

A corrente de comércio, que corresponde à soma das exportações e importações, movimentou R$ 300,5 bilhões no mês, aumento de 10,9% em relação a agosto do ano passado.

A agropecuária respondeu diretamente por R$ 37,7 bilhões em exportações durante agosto, crescimento de 11,4%. Esse valor considera os produtos classificados pelo governo como pertencentes à atividade agropecuária e não inclui carnes, farelo de soja, açúcar, sucos e outros itens processados contabilizados dentro da indústria de transformação.

Entre os produtos do campo, o valor das exportações de animais vivos avançou 174,3%. As vendas externas de café não torrado cresceram 24,1%, enquanto a soja, principal item da pauta agropecuária brasileira, registrou aumento de 14%.

A contribuição do agronegócio também apareceu entre os produtos industrializados. As exportações de carne de aves e miudezas aumentaram 40,5%, enquanto as vendas de farelo de soja e de outros produtos destinados à alimentação animal cresceram 36,6%.

O desempenho positivo compensou a retração observada em outras cadeias importantes. As exportações de milho não moído caíram 25,3% em agosto. Também houve redução de 34,7% no mel natural e de 35,7% nas vendas de sementes oleaginosas, grupo que inclui produtos como girassol, gergelim, canola e algodão.

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Na indústria de transformação, o valor das exportações de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada recuou 19,7% em agosto. Açúcares e melaços tiveram queda de 37%. A redução mensal da carne bovina ocorreu depois de um período de embarques elevados e não anulou o crescimento acumulado pelo setor ao longo do ano.

Entre janeiro e agosto, o Brasil exportou R$ 1,28 trilhão, aumento de 10,3% na comparação com os primeiros oito meses de 2025. As importações somaram R$ 997,3 bilhões, com crescimento de 6,1%.

Com isso, o superávit comercial acumulado em 2026 chegou a R$ 282,1 bilhões, avanço de 28,2%. A corrente de comércio alcançou R$ 2,28 trilhões no período, alta de 8,4%.

As exportações classificadas como agropecuárias totalizaram R$ 295 bilhões entre janeiro e agosto, crescimento de 9,5%. O resultado foi favorecido pelo aumento de 81,9% nas vendas de animais vivos, de 15,2% nos embarques de soja e de 15,1% nas exportações de algodão em bruto.

A indústria extrativa exportou R$ 316,9 bilhões nos oito primeiros meses, alta de 19,6%. A indústria de transformação respondeu por R$ 660 bilhões, crescimento de 6,6%.

Apesar da queda isolada de agosto, a carne bovina acumulou aumento de 22,3% nas exportações de janeiro a agosto. O desempenho mostra que o recuo mensal ocorreu sobre uma base de vendas externas ainda elevada no conjunto do ano.

Outros produtos do agronegócio apresentaram resultado menos favorável. As exportações acumuladas de trigo e centeio diminuíram 31,3%, enquanto as de milho recuaram 3,6%. O café não torrado acumulou queda de 13,7%, apesar da recuperação registrada em agosto.

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Também houve redução de 35,8% nas vendas externas de sucos de frutas e vegetais e de 28,2% nos embarques de açúcares e melaços durante os oito primeiros meses.

Do lado das compras brasileiras, as importações da agropecuária chegaram a R$ 2,4 bilhões em agosto, crescimento de 7,4%. O aumento foi influenciado por pescado, trigo, centeio e produtos hortícolas.

O valor das importações de pescado avançou 64,8%, enquanto as compras de trigo e centeio cresceram 10,5%. Os produtos hortícolas frescos ou refrigerados registraram alta de 54%. Em sentido contrário, as importações de soja diminuíram 22,2%, e as de frutas e nozes não oleaginosas recuaram 9,3%.

A indústria de transformação concentrou a maior parcela das compras externas, com R$ 123 bilhões em agosto, crescimento de 13,4%. No acumulado do ano, as importações do segmento chegaram a aproximadamente R$ 930 bilhões.

Entre os insumos estratégicos para a produção rural, o valor importado de adubos e fertilizantes químicos caiu 35,9% em agosto. As compras de fertilizantes brutos apresentaram redução de 15,6%.

A queda não significa necessariamente redução equivalente no volume desembarcado, porque os dados também refletem mudanças nos preços internacionais. O movimento pode estar relacionado ainda à antecipação de compras, à formação de estoques, à volatilidade do mercado e ao ritmo de aquisição para a safra 2026/2027.

Os números de agosto reforçam o papel do agronegócio na geração de receitas externas e na sustentação do saldo comercial brasileiro. Ao mesmo tempo, a diferença de desempenho entre as cadeias mostra que o resultado depende tanto da produção nacional quanto dos preços internacionais, do câmbio e das condições de acesso aos principais mercados compradores.

Fonte: Pensar Agro

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